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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"O êxito parece a mais doce das coisas" - Poema de Emily Dickinson


Júlio Maria dos Reis Pereira ou Julio como artista plástico, 
Músicos e mulheres no espaço, 1925, óleo sobre cartão, 80 x 65 cm



O êxito parece a mais doce das coisas


O êxito parece a mais doce das coisas 
A quem nunca venceu na vida. 
Ter a compreensão de um néctar 
Exige a mais dolorosa necessidade. 

De entre o purpúreo Exército 
Que hoje empunhou a Bandeira 
Nenhum outro poderá dar uma tão clara 
Definição da Vitória 

Como o vencido - agonizante - 
Em cujo ouvido interdito 
A distante ária triunfal 
Ressoa nítida e pungente!


Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
Tradução de  Nuno Júdice 


terça-feira, 10 de novembro de 2015

"A Dor tem um Elemento de Vazio" - Poema de Emily Dickinson

 Burguês e prostituta, 1931, óleo sobre tela, 78,5 x 63cm 




A Dor tem um Elemento de Vazio


A Dor - tem um Elemento de Vazio - 
Não se consegue lembrar 
De quando começou - ou se houve 
Um tempo em que não existiu - 

Não tem Futuro - para lá de si própria - 
O seu Infinito contém 
O seu Passado - iluminado para aperceber 
Novas Épocas - de Dor.



Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas" 
Tradução de Nuno Júdice 

domingo, 13 de abril de 2014

"Diz Toda a Verdade"... Poema de Emily Dickinson


Pedro Batista, Sem Título, 2012



Diz Toda a Verdade 



Diz toda a Verdade mas di-la tendenciosamente -
O êxito está no Circuito
É demasiado brilhante para o nosso enfermo Prazer
A esplêndida surpresa da Verdade

Como o Relâmpago se torna mais fácil para as Crianças
Com uma amável explicação
A Verdade deve ofuscar gradualmente
Ou cada homem ficará cego -



Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
Tradução de Nuno Júdice



Pedro Batista,  Throwing rocks, 2012

 
Citação

"A não violência absoluta é a ausência absoluta de danos provocados a todo o ser vivo. A não violência, na sua forma ativa, é uma boa disposição para tudo o que vive. É o amor na sua perfeição." 


(Mahatma Gandhi)


Mohandas Karamchand Gandhi (Porbandar, 2 de outubro de 1869Nova Déli, 30 de janeiro de 1948), mais conhecido popularmente por  Mahatma Gandhi (do sânscrito "Mahatma", "A Grande Alma") foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. O princípio do satyagraha, frequentemente traduzido como "o caminho da verdade" ou "a busca da verdade", também inspirou gerações de ativistas democráticos e anti-racismo, incluindo Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. Freqüentemente Gandhi afirmava a simplicidade de seus valores, derivados da crença tradicional hindu: verdade (satya) e não-violência (ahimsa).
Sobre Gandhi, Albert Einstein escreveu que "as gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra."




quarta-feira, 3 de abril de 2013

"Os Instantes Superiores da Alma" - Poema de Emily Dickinson


Pierre Bonnard, Jeune Femme se chaussant, 1910



Os Instantes Superiores da Alma 


Os instantes Superiores da Alma 
Acontecem-lhe - na solidão - 
Quando o amigo - e a ocasião Terrena 
Se retiram para muito longe - 

Ou quando - Ela Própria - subiu 
A um plano tão alto 
Para Reconhecer menos 
Do que a sua Omnipotência - 

Essa Abolição Mortal 
É rara - mas tão bela 
Como Aparição - sujeita 
A um Ar Absoluto - 

Revelação da Eternidade 
Aos seus favoritos - bem poucos - 
A Gigantesca substância 
Da Imortalidade 


Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas" 
Tradução de Nuno Júdice



 
Emily Dickinson
Estados Unidos
1830 // 1886
Poetisa




Vida e Obra de Pierre Bonnard
 Pierre BonnardAuto-retrato, 1889.


Pierre Bonnard (Fontenay-aux-Roses, 3 de Outubro de 1867 — Le Cannet, 23 de Janeiro de 1947) foi um pintor francês.
Filho de um chefe de negócios de Ministério da Guerra, e com mais dois irmãos, Bonnard deveria formar-se em Direito, pela Sorbonne, para cumprir o desejo de seu pai. No entanto, depois de dois anos em Paris, 1888, inscreveu-se na Academia das Belas Artes e na Academia Julian, começando aí a sua carreira artística. Na academia formou-se um grupo de artistas do qual fazia parte Bonnard assim como Paul Sérusier, Maurice Denis, Henri-Gabriel Ibels, Paul Ranson, Ker Xavier Roussel e Edouard Vuillard. Esse grupo ficou conhecido por Grupo Nabis, ou Les Nabis. Bonnard que um dia, na escola das Belas Artes, viu uma exposição de arte japonesa, ficou tão impressionado com as obras aí apresentadas que passou a ser chamado pelos seus companheiros de o nabi japonês.
Teve um ateliê com os pintores Denis e Vuillar, onde recebia seu amigo Toulouse-Lautrec. A primeira apresentação de sua obra ocorreu em 1893, no Salão dos Independentes, e a segunda, meses depois, na galeria de Durand-Ruel. A essa altura também trabalhava como ilustrador para a revista La Revue Blanche. O galerista Vuillard organizou uma exposição com suas melhores litografias, muitas das quais mostravam a influência do simbolista Redon. A partir de 1907 realizou uma longa viagem pela Europa. Estabelece-se em Saint-Germain-en-Laye durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1924 fez sua primeira grande retrospectiva. Ganhou duas vezes o prémio Carnegie.
Em 1925 casou-se com Marie Boursin, conhecida por Marthe, que viria a servir de modelo em algumas das suas obras.
Junto com Gauguin, Bonnard foi sem dúvida um dos pintores mais interessantes do grupo dos Nabis. A sua pintura de interiores, de cores claras e luminosas, reflete a capacidade de captar os pequenos detalhes, sob um efeito emocional. Os objetos parecem se formar pela solidificação do ar. Os nus de Bonnard nada mais são do que experimentações, nas quais o pintor tenta pesquisar a variação das cores sob a luz. O resultado é uma obra de tranquila intimidade.


 Pierre BonnardWoman with Dog, 1891


 Pierre Bonnard, Woman Washing her Feet, 1894


 Pierre Bonnard, Two Dogs in a Deserted Street, 1894


 Pierre Bonnard, Table Setting under the lamp, 1899


 Pierre Bonnard, In the Bathroom, 1907


 Pierre BonnardWoman Bending Over, 1907


 Pierre Bonnard, In the Mirror, 1908


Pierre Bonnard, Table in the Garden, 1908

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Dentre todas as Almas já criadas" - Poema de Emily Dickinson


Cecil Kennedy(1905-1997), A Still Life with Peonies and Other Flowers



Dentre todas as Almas já criadas


Dentre todas as Almas já criadas -
Uma - foi minha escolha -
Quando Alma e Essência - se esvaírem -
E a Mentira - se for -

Quando o que é - e o que já foi - ao lado -
Intrínsecos - ficarem -
E o Drama efémero do corpo -
Como Areia - escoar -

Quando as Fidalgas Faces se mostrarem -
E a Neblina - fundir-se -
Eis - entre as lápides de Barro -
O Átomo que eu quis!


Tradução de José Lira




Cecil Kennedy (1905-1997)Still Life with Poinsettias and Fruit Blossom


Cecil Kennedy, Early Summer


Cecil Kennedy, French Bouquet


Cecil Kennedy, Still Life with Carnations and Freesias


Cecil Kennedy, Still Life with Snow Berries



"A Razão e a Paixão são o leme e as velas da alma navegante. Sem ambos, ficarias à deriva ou parado no meio do mar. Se a Razão governar sozinha, será uma força limitadora. E uma Paixão Ignorada é uma chama que arde até sua própria destruição."


(Khalil Gibran)



Tchaikovsky: Swan Lake - The Kirov Ballet

sexta-feira, 22 de junho de 2012

"Algo existe" - Poema de Emily Dickinson


A Fairy Resting Among Flowers by Amelia Jane Murray or Lady Oswald (1800-1896)




Algo existe 



Algo existe num dia de verão, 
No lento apagar de suas chamas, 
Que me impele a ser solene. 

Algo, num meio-dia de verão, 
Uma fundura - um azul - uma fragrância, 
Que o êxtase transcende. 

Há, também, numa noite de verão, 
Algo tão brilhante e arrebatador 
Que só para ver aplaudo - 

E escondo minha face inquisidora 
Receando que um encanto assim tão trémulo 
E subtil, de mim se escape.



Emily Dickinson
Tradução de Lúcia Olinto
In 75 Poemas de Emily Dickinson, 1999





Emily Dickinson nasceu em 10 de dezembro de 1830, na pequena cidade de Amherst, perto de Boston, no estado de Massachusetts, uma das regiões de raízes mais puritanas e conservadoras dos Estados Unidos, e morreu no mesmo local em 15 de maio de 1886. Tendo vivido e produzido à margem dos círculos literários de seu tempo, solteira por convicção e auto-exilada dentro de casa por mais de vinte anos, Emily Dickinson não chegou a publicar os seus versos, por não se submeter aos rígidos padrões de discrição e singeleza que se esperava então de uma mulher. Sua voz era uma voz estranha em meio às tímidas dicções poéticas da época, e por essa razão ela teve de encarar em vida a rejeição de seu labor poético. Ao arrumar o quarto de Emily depois que ela morreu, a sua irmã Lavinia encontrou uma gaveta cheia de papéis em desordem. Eram cadernos e folhas soltas com uma grande quantidade de poemas inéditos. Disposta a divulgar a obra da irmã, Lavinia entrou em contato com um medíocre crítico literário, Thomas Higginson, que durante trinta anos renegou todos os versos que Emily lhe submetera, e uma obscura escritora, Mabel Todd, que por cinco anos havia frequentado a casa da poeta sem nunca chegar sequer a vê-la. Dessa improvável união de forças surgiu a publicação póstuma de alguns de seus poemas, seguida em pouco tempo de diversas outras edições, em vista da excepcional acolhida que tiveram. Em 1955, o crítico e biógrafo Thomas H. Johnson reuniu numa edição definitiva todos os seus 1.775 poemas. Daí em diante a obra de Emily Dickinson passou a ser reverenciada por uma crescente legião de críticos e leitores exigentes. Sua escrita poética, ambígua, irónica, fragmentada, aberta a várias possibilidades de interpretação, antecipa, sob muitos aspectos, os movimentos modernistas que se sucederiam depois de sua morte. Essa instigante poesia, nascida na solidão e no anonimato mas impregnada dos mais profundos valores humanos, dá hoje a Emily Dickinson um merecido e imorredouro lugar no cânon literário universal.

Seus versos constam da coletânea "The Complete Poems of Emily Dickinson", editada por Thomas H. Johnson, Cambridge, Mass (EUA), 1955.



Amelia Jane Murray or Lady Oswald (1800-1896)



Não digas


Não digas: “O mundo é belo” 
Quando foi que viste o mundo? 

Não digas: “O amor é triste”. 
Que é que tu conheces do amor? 

Não digas: “A vida é rápida”. 
Como foi que mediste a vida? 

Não digas: “Eu sofro”. 
Que é que dentro de ti és tu? 

Que foi que te ensinaram 
Que era sofrer? 


Cecília Meireles
In Cânticos, 1982 
Cântico VIII



Era - Ameno


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