Mostrar mensagens com a etiqueta Eric Clapton. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eric Clapton. Mostrar todas as mensagens

domingo, 17 de fevereiro de 2013

"Frémito do meu corpo a procurar-te" - Poema de Florbela Espanca


Marta DahligUmbrella Sky
(Arte Digital Surrealista)



Frémito do meu corpo a procurar-te 


Frémito do meu corpo a procurar-te, 
Febre das minhas mãos na tua pele 
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel, 
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te, 

Olhos buscando os teus por toda a parte, 
Sede de beijos, amargor de fel, 
Estonteante fome, áspera e cruel, 
Que nada existe que a mitigue e a farte! 

E vejo-te tão longe! Sinto tua alma 
Junto da minha, uma lagoa calma, 
A dizer-me, a cantar que não me amas... 

E o meu coração que tu não sentes, 
Vai boiando ao acaso das correntes, 
Esquife negro sobre um mar de chamas... 


in "A Mensageira das Violetas"



Marta Dahlig, Moths



“Um belo livro é aquele que semeia em abundância os pontos de interrogação.”

(Jean Cocteau)


Jean Cocteau, 1923 


Jean Maurice Eugène Clément Cocteau (Maisons-Lafitte, 5 de julho de 1889 — Milly-la-Forêt, 11 de outubro de 1963) foi um poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, ator, e encenador de teatro francês. Em conjunto com outros Surrealistas da sua geração (Jean Anouilh e René Char, por exemplo), Cocteau conseguiu conjugar com mestria os novos e velhos códigos verbais, linguagem de encenação e tecnologias do modernismo para criar um paradoxo: um avant-garde clássico. O seu círculo de associados, amigos e amantes incluiu Jean Marais, Henri Bernstein, Édith Piaf e Raymond Radiguet.
As suas peças foram levadas aos palcos dos Grandes Teatros, nos Boulevards da época parisiense em que ele viveu e que ajudou a definir e criar. A sua abordagem versátil e nada convencional e a sua enorme produtividade trouxeram-lhe fama internacional. Jean Cocteau foi um dos mais talentosos artistas do século XX. Actuou activamente em diversos movimentos artísticos, nomeadamente o conhecido Groupe des Six (grupo dos seis) cujo núcleo era Georges Auric (1899–1983), Louis Durey (1888–1979), Arthur Honegger (1892–1955), Darius Milhaud (1892–1974), Francis Poulenc (1899–1963), Germaine Tailleferre (1892–1983). Além destes, outros também tomaram parte, como Erik Satie e Jean Wiéner.
Em 1955, Cocteau foi eleito membro da Académie française e da Académie royale de Belgique. Foi agraciado com o grau de comandante da Legião de Honra (França), membro da Academia Mallarmé, da Academia alemã (Berlim), da Academia americana Mark Twain, presidente honorário do Festival de Cinema de Cannes e da Associação de Amizade França-Hungria, e presidente da Academia de Jazz e da Academia do Disco. Jean Cocteau é considerado um dos mais importantes cineastas de todos os tempos. A frase "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez" é muitas vezes atribuída a Jean Cocteau. Contudo, outros a atribuem à Mark Twain: "They did not know it was impossible, so they did it!".


Eric Clapton - Wonderful Tonight

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"O Maior Bem" - Poema de Florbela Espanca


John William Waterhouse (1849-1917), Mariana in the South, 1897 



O Maior Bem 


Este querer-te bem sem me quereres, 
Este sofrer por ti constantemente, 
Andar atrás de ti sem tu me veres 
Faria piedade a toda a gente.

Mesmo a beijar-me a tua boca mente... 
Quantos sangrentos beijos de mulheres 
Pousa na minha a tua boca ardente, 
E quanto engano nos seus vãos dizeres!... 

Mas que me importa a mim que me não queiras, 
Se esta pena, esta dor, estas canseiras, 
Este mísero pungir, árduo e profundo, 

Do teu frio desamor, dos teus desdéns, 
É, na vida, o mais alto dos meus bens? 
É tudo quanto eu tenho neste mundo?





John William Waterhouse, Windflowers


"A melhor cura para o amor é ainda aquele remédio eterno: amor retribuído." 

(Friedrich Nietzsche)



John William Waterhouse, The Tempest, 1916


"Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males". 

(Voltaire)


John William Waterhouse, St Cecilia


"A poesia é a fundação do ser pela palavra." 

(Martin Heidegger)


Martin Heidegger (Meßkirch, 26 de Setembro de 1889 — Friburgo, 26 de Maio de 1976) foi um filósofo, escritor e professor universitário alemão. 
É um dos pensadores fundamentais do século XX - ao lado de Bertrand Russell, Wittgenstein, Adorno e Michel Foucault - quer pela recolocação do problema do ser e pela refundação da Ontologia, quer pela importância que atribui ao conhecimento da tradição filosófica e cultural. Influenciou muitos outros filósofos, dentre os quais Jean-Paul Sartre.



John William Waterhouse (1849-1917), The Flower Picker



Eric Clapton - Tears In Heaven (Official Video)

domingo, 11 de março de 2012

"Os gemidos da árvore" - Poema de Gomes Leal


Claude Monet, Plump trees in blossom (Pruniers en fleur), 1879 



Os gemidos da árvore 


A árvore, em pé, no meio das planuras, 
cheia de riso e flor, verduras, passarinhos,
- Ela é o guarda-sol dos frutos e dos ninhos. 
- É o teto nupcial das conversadas puras. 

O humilde cavador que foiça as ervas duras
dos broncos matagais e escalrachos maninhos,
sob ela faz o seu leito, ao cruzar os caminhos,
torrado da soalheira ou nas sombras escuras. 

Contudo, o Homem ingrato esquece a árvore amiga
e prefere a cidade e a balbúrdia inimiga,
onde a alma corrompe em orgias triviais. 

Mas a árvore lá fica, a espreitar nas ramadas
como a mãe lacrimosa, a olhar sempre as estradas
- a ver se o filho volta à cabana dos pais!





Claude Monet, Bridge over a Pond of Water Lilies, 1899 (National Gallery, London)



"Um caráter bom, moderado e brando pode sentir-se satisfeito em circunstâncias adversas; enquanto que um caráter cobiçoso, invejoso e mau não se contenta nem mesmo no meio de todas as riquezas." 




Eric Clapton - Change the world


terça-feira, 2 de agosto de 2011

"As Palavras" - Poema de Eugénio de Andrade


Jorge Pinheiro, Sem título (da série "Mapas"), 1976, Tinta-da-china e aguarela sobre papel



As palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.

Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade, In Coração do Dia (1958)



Wyclef Jean with Eric Clapton - Wonderful Tonight

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...