Mostrar mensagens com a etiqueta Artes Plásticas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artes Plásticas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"Escola"- poema de Nuno Júdice


Su Blackwell (Inglaterra, 1975) - Esperança, 2009
Escultura em papel (www.sublackwell.co.uk)



Escola


O que significa o rio, 
a pedra, os lábios da terra 
que murmuram, de manhã, 
o acordar da respiração? 

O que significa a medida 
das margens, a cor que 
desaparece das folhas no 
lodo de um charco? 

O dourado dos ramos na 
estação seca, as gotas 
de água na ponta dos 
cabelos, os muros de hera? 

A linha envolve os objectos 
com a nitidez abstracta 
dos dedos; traça o sentido 
que a memória não guardou; 

e um fio de versos e verbos 
canta, no fundo do pátio, 
no coro de arbustos que 
o vento confunde com crianças. 

A chave das coisas está 
no equívoco da idade, 
na sombria abóbada dos meses, 
no rosto cego das nuvens. 


Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"







The Book Sculptures of Su Blackwell

domingo, 21 de outubro de 2012

"Aceita o Universo" - Poema de Alberto Caeiro


Calu Fontes, Venus



Aceita o Universo 


Aceita o universo 
Como to deram os deuses. 
Se os deuses te quisessem dar outro 
Ter-to-iam dado. 

Se há outras matérias e outros mundos 
Haja.


1-10-1917

Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”. 
(Heterónimo de Fernando Pessoa)






Calu Fontes, artista plástica brasileira, trabalha com os mais diversos materiais e temas e consegue transformar objectos enfadonhos do quotidiano em peças de uma beleza fantástica. Alguns dos seus suportes prediletos são: azulejos, potes, chávenas, tabuleiros, vasos, jarras, entre outros. 


Calu Fontes, Azulejo


"O meu trabalho é super minucioso. Chamo de barroco por causa do uso de vários desenhos. Começo com a peça em branco, sem saber qual vai ser o resultado final. Faço uma base com pintura de pigmento de porcelana, uma textura e levo para a queima. Depois faço uma nova pintura ou uso um decalque. O tempo de criação da peça é indefinido. Tenho alguns trabalhos que estão inacabados há mais de dois anos. De repente, escuto uma música ou vejo um trabalho que me inspira a terminá-lo" - Calu Fontes.


Calu FontesAzulejo


"O homem converte-se aos poucos naquilo que acredita poder vir a ser. Se me repetir incessantemente a mim mesmo que sou incapaz de fazer determinada coisa, é possível que isso acabe finalmente por se tornar verdade. Pelo contrário, se acreditar que a posso fazer, acabarei garantidamente por adquirir a capacidade para a fazer, ainda que não a tenha num primeiro momento.

Mohandas Gandhi 


Calu FontesAzulejo


Calu FontesAzulejo


Calu FontesAzulejo


Calu Fontes, Prato - Sereia


Calu FontesBule


Calu FontesChávena


Calu FontesSaladeira


Calu FontesPote


Calu Fontes, Bule


Calu Fontes, Chávena


Calu Fontes, Pote


Calu Fontes, Copo


Calu FontesBandeja azul


Calu FontesAzulejo


Calu Fontes, Azulejo


Calu FontesAzulejo


Calu FontesAzulejo


Calu FontesAzulejos



O Primeiro Dia - Sérgio Godinho


O Primeiro Dia


A princípio é simples, anda-se sozinho,
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

E é então que amigos nos oferecem leito,
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja,
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa,
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Estátua"- Poema de Camilo Pessanha


Christian Tagliavini, Dame di Cartone, Fifties I, 2008



Estátua


Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, - frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.


Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.


E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado...


Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.


(Camilo Pessanha)




Biografia de Camilo Pessanha (2)

Camilo Almeida Pessanha (Coimbra, 7 de Setembro de 1867 — Macau, 1 de Março de 1926) foi um poeta português considerado o expoente máximo do simbolismo em língua portuguesa, além de antecipador do princípio modernista da fragmentação.
Tirou o curso de direito em Coimbra. Procurador Régio em Mirandela (1892), advogado em Óbidos, em 1894, transfere-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado, em 1900, conservador do registo predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre 1894 e 1915 voltou a Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas, sido apresentado a Fernando Pessoa que era, como Mário de Sá-Carneiro, apreciador da sua poesia. 
Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois encontrava-se em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha salvaram-se do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições foram publicadas em 1945, 1954 e 1969. 
Além das características simbolistas que sua obra assume, já bem conhecidas, Camilo Pessanha antecipa alguns princípios de tendências modernistas. 
Camilo Pessanha buscou em Charles Baudelaire, proto-simbolista francês, o termo “Clepsidra”, que elegeu como título do seu único livro de poemas, praticando uma poética da sugestão como proposta por Mallarmé, evitando nomear um objeto direta e imediatamente. 
Por outro lado, segundo o pesquisador da Universidade do Porto Luís Adriano Carlos, o seu chamado "metaforismo" entraria no mesmo rol estético do imagismo, do inteseccionismo e do surrealismo, buscando as relações analógicas entre significante e significado por intermédio da clivagem dinâmica dos dois planos. Junto de sua fragmentação sintática, que segundo a pesquisadora da Universidade do Minho Maria do Carmo Pinheiro Mendes substitui um mundo ordenado segundo leis universalmente reconhecidas por um mundo fundado sobre a ambiguidade, a transitoriedade e a fragmentação, podemos encontrar na obra de Camilo Pessanha, de acordo com os dois autores citados, duas características que costumam ser mais relacionadas à poesia moderna que ao Simbolismo mais convencional.
Apesar da pequena dimensão da sua obra, é considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa. Camilo Pessanha morreu no dia 1 de Março de 1926 em Macau, devido ao uso excessivo de Ópio.
Fonte: Biografia na Wikipédia


Obra do designer gráfico e fotógrafo
Christian Tagliavini (2)

Dame di Cartone, Fifties II



Dame di Cartone, Fifties III



Dame di Cartone, Cubism I - Cardboard Ladies.



Dame di Cartone, Cubism II



Dame di Cartone, Cubism III



Dame di Cartone, 17th Century I 



Dame di Cartone, 17th Century II



Dame di Cartone, 17th Century III


"Os outros" - Poema de Casimiro de Brito


Waiting for Freud, 2006, by Christian Tagliavini



Os outros


Os outros que vivem comigo
Estão cheios de carências e têm medo
Do dia que vai nascer

Os outros que vivem comigo
Compram e vendem coisas ideias sentimentos
Como quem muda de pele todos os dias

Só eu estou tranquilo e não digo nada
Porque não estou numa festa num campo de batalha
E não preciso de sorrir a ninguém de morder
Ninguém de fazer sinais
Que me prendam aos outros

Os outros que vivem comigo
Correm de um lado para o outro agitam-se
E não encontram o caminho
Mas eu não corro para lado nenhum
Ouço a carne viva das águas o cerne
Que vem do fundo o caminho que nunca
Me abandona

Talvez eu seja ignorante
Talvez a minha mente seja como a mente
De um louco
Talvez eu seja apenas um espelho
Que nada recusa nem aprisiona
Mas os outros que vivem comigo
Estão cheios de carências e vão morrer
Porque não sabem que transportam em si
O vaso e a semente.


Casimiro de Brito



Casimiro de Brito


Casimiro Cavaco Correia de Brito é um poeta, romancista, contista e ensaísta português. 
Nasceu no  Algarve, em 1938, onde estudou (depois em Londres) e viveu até 1968. Depois de uns anos na Alemanha passou a viver em Lisboa. Teve várias profissões mas actualmente dedica-se exclusivamente à literatura. 
Começou a publicar em 1957 (Poemas da Solidão Imperfeita) e, desde então, publicou mais de 40 títulos. Dirigiu várias revistas literárias, entre elas "Cadernos do Meio-Dia" (com António Ramos Rosa), os Cadernos "Outubro/ Fevereiro/ Novembro" (com Gastão Cruz) e "Loreto 13" (órgão da Associação Portuguesa de Escritores). Actualmente é responsável pela colaboração portuguesa na revista internacional “Serta”. 
Esteve ligado ao movimento "Poesia 61", um dos mais importantes da poesia portuguesa do século XX. Ganhou vários prémios literários, entre eles o Prémio Internacional Versilia, de Viareggio, para a "Melhor obra completa de poesia", pela sua Ode & Ceia (1985), obra em que reuniu os seus primeiros dez livros de poesia. 
Colabora nas mais prestigiadas revistas de poesia e tem obras suas incluídas em mais de 150 antologias, publicadas em vários países. 
Participou em inúmeros recitais, festivais de poesia, congressos de escritores, conferências, um pouco por todo o mundo. 
Director dos festivais internacionais de poesia de Lisboa, Porto Santo (Madeira) e Faro. Foi vice-presidente da  Associação Portuguesa de Escritores,  presidente da Association Européenne pour la Promotion de la Poésie, de Lovaina e é presidente doa Assembleia Geral do  P.E.N. Clube Português. Obras suas foram gravadas para a Library of the Congress, de Washington. 
Foi agraciado pela Academia Brasileira de Filologia, do Rio de Janeiro, com a medalha Oskar Nobiling por serviços distintos no campo da literatura — entre outras distinções. É conselheiro da Associação Mundial de Haiku, de Tóquio. É “editor-in-chief” da Antologia mundial “Diversity” do PEN Internacional, sediada na Macedónia. 
A Académie Mondiale de Poésie (da Fundação Martin Luther King), galardoou-o em 2002 com o primeiro Prémio Internacional de Poesia Leopold Sédar Senghor, pela sua carreira literária. Ganhou o Prémio Europeu de Poesia Sibila Aleramo-Mario Luzi, com a sua antologia Libro delle Cadute, publicada em Itália em 2004. 
Tem traduzido poesia de várias línguas, sobretudo do japonês e foi traduzido para albanês, galego, espanhol, catalão, italiano, francês, corso, inglês, alemão, flamengo, holandês, sueco, polaco, esloveno, servocroata, grego, romeno, búlgaro, húngaro, russo, árabe, hebreu, chinês e japonês. 
Em 2006, foi nomeado Embaixador Mundial da Paz, no âmbito da Embaixada Mundial da Paz, sediada em Genebra. 
Em 2008 foi-lhe atribuído o prémio POETEKA no Festival Internacional do mesmo nome, na Albânia, na qualidade de “Melhor poeta do Festival. Ainda em 2008 foi agraciado pela Presidência da República Portuguesa com a Ordem do Infante Dom Henrique.


Waiting for Freud, Debbie, by Christian Tagliavini, 2006 


Waiting for Freud, Kläe, by Christian Tagliavini, 2006



Obra de Christian Tagliavini

Christian Tagliavininascido em 1971, educado na Itália e na Suíça, onde atualmente vive e trabalha é um designer gráfico e fotógrafo. Sua fotografia explora assuntos e conceitos muitas vezes raros ou incomuns. Tagliavini visa criar não apenas retratos mas colisões emocionantes de circunstâncias. Da mesma forma, ele considera cada retrato como uma história em aberto que deve fazer exigências sobre o seu telespectador. Seu trabalho tem sido exibido em toda a Europa.



Video portrait of photographer Christian Tagliavini


Cromofobia, Birthday, 2007


Cromofobia, Mother's day, 2007


Cromofobia, Back home, 2007 


Cromofobia, Mrs Maggie, 2007


Cromofobia, Dad, 2007



O estilo renascentista em fotografias de Christian Tagliavini,  intituladas "1503".
(O número 1503 faz referência ao ano de nascimento de Agnolo di Cosimo.)
"1503, Lucrezia", 2010


"1503, Artemisia", 2010


"1503, Bartolomeo"


1503, Lady Clotilde


1503, Portrait of a man


1503, Portrait of a lady in green


1503, Portrait of a young man with plumed hat


1503, Portrait of young woman


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...