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domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Contra a Ansiedade" - Séneca, in 'Cartas a Lucílio'


Job Adriaensz Berckheyde (1630-1693), The Baker, circa 1681



Contra a Ansiedade


Sempre que te aconteça alguma coisa contrária à tua expectativa diz a ti mesmo que os deuses tomaram uma decisão superior! Com semelhante disposição de espírito, nada terás a temer. Esta disposição de espírito consegue-se pensando na instabilidade da vida humana antes de a experimentarmos em nós, olhando para os filhos, a mulher, os bens como algo que não possuiremos para sempre, e evitando imaginarmo-nos mais infelizes um dia que deixemos de os possuir. Será a ruína do espírito andarmos ansiosos pelo futuro, desgraçados antes da desgraça, sempre na angústia de não saber se tudo o que nos dá satisfação nos acompanhará até ao último dia; assim, nunca conseguiremos repouso e, na expectativa do que há de vir, deixaremos de aproveitar o presente. Situam-se, de facto, ao mesmo nível a dor por algo perdido e o receio de o perder. Isto não quer dizer que te esteja incitando à apatia! Pelo contrário, procura evitar as situações perigosas; procura prever tudo quanto seja previsível; procura conjecturar tudo o que pode ser-te nocivo muito antes de que te suceda, para assim o evitares. Para tanto, ser-te-á da maior utilidade a autoconfiança, a firmeza de ânimo apta a tudo enfrentar. Quem tem ânimo para suportar a fortuna é capaz de precaver-se contra ela; mas nada de angústias quando tudo estiver tranquilo! 

O cúmulo da desgraça e da estupidez está no medo antecipado: que loucura é esta, ser infeliz antecipadamente? Em suma, para numa palavra te resumir o que eu penso e te descrever como são estes homens que, à força de se preocuparem, só conseguem fazer mal a si próprios: tanta falta de moderação eles mostram em plena desgraça como antes dela! Quem sofre antes de tempo sofre mais do que o devido; uma mesma incapacidade leva-o a não prever a presença da dor onde não a espera; uma mesma imoderação fá-lo imaginar permanente a sua felicidade, imaginar que os bens que o acaso lhe deu não só hão de perdurar como também de multiplicar-se; esquecido do trampolim que é a vida humana, convence-se de que no seu caso, por exceção, o acaso deixará de se fazer sentir. 


Séneca, in 'Cartas a Lucílio'


Busto de Sêneca (4 a.C. - 65) em Córdoba, na Espanha


Lúcio Aneu Séneca, Corduba, 4 a.C.Roma, 65) foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista.


Job Adriaensz Berckheyde, Lace Maker, 1666-75


 "Uma vida feliz deve ser em grande parte uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer."


segunda-feira, 19 de maio de 2014

"Hoje tomei a decisão de ser Eu" - Fernando Pessoa


Sonia Delaunay, Compositions, Couleurs, Idees



Hoje tomei a decisão de ser Eu


"Hoje, ao tomar de vez a decisão de ser Eu, de viver à altura do meu mister, e, por isso, de desprezar a ideia do reclame, e plebeia sociabilização de mim, do Intersecionismo, reentrei de vez, de volta da minha viagem de impressões pelos outros, na posse plena do meu Génio e na divina consciência da minha Missão. Hoje só me quero tal qual meu caráter nato quer que eu seja; e meu Génio, com ele nascido, me impõe que eu não deixe de ser. 
Atitude por atitude, melhor a mais nobre, a mais alta e a mais calma. Pose por pose, a pose de ser o que sou. 
Nada de desafios à plebe, nada de girândolas para o riso ou a raiva dos inferiores. A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste. 
O último rasto de influência dos outros no meu caráter cessou com isto. Reconheci — ao sentir que podia e ia dominar o desejo intenso e infantil de «lançar o Intersecionismo» — a tranquila posse de mim. 
Um raio hoje deslumbrou-me de lucidez. Nasci." 


Fernando Pessoa, 'Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação'



Sonia Delaunay, Three Women dressed simultaneously (Orphism)



"A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda para ver."


Bertrand Russell 
Inglaterra
1872 // 1970
Filósofo, Matemático, Crítico social, Escritor 



Sonia Delaunay, Contrastes simultáneos


domingo, 1 de dezembro de 2013

A Felicidade está no Realizar, e não no Usufruir... de Antoine de Saint-Exupéry


 (Entre vinhas do aclamado e delicioso vinho do Porto, banhada pelo Rio Douro. Imagem a aérea)



A Felicidade está no Realizar, e não no Usufruir



Atolavam-se na ilusão da felicidade que extraíam dos bens possuídos. Ora a felicidade o que é senão o calor dos atos e o contentamento da criação? Aqueles que deixam de trocar seja o que for deles próprios e recebem de outrem o alimento, nem que fosse o mais bem escolhido e o mais delicado, aqueles que ouvem subtilmente os poemas alheios sem escreverem os poemas próprios, aproveitam-se do oásis sem o vivificarem, consomem cânticos que lhes fornecem, e fazem lembrar os que se apegam às mangedouras no estábulo e, reduzidos ao papel de gado, mostram-se prontos para a escravatura.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"



Rio Douro, Vila Nova de Gaia / Porto, Portugal 


Citações



“Existe um artista aprisionado em cada um de nós. Deixe-o solto para espalhar alegria por toda parte.” 
(Bertrand Russell)






“É a ambição de possuir, mais do que qualquer outra coisa, que impede os homens de viverem de uma maneira livre e nobre.” 
(Bertrand Russell)


Ponte Luís I, Porto, Portugal



Centro histórico da cidade do Porto

sábado, 4 de maio de 2013

O Declínio da Natalidade... de Bertrand Russell



Giuseppe Sciuti (pintor italiano, 1834-1911), La pace domestica, 1870


 

O Declínio da Natalidade


A mudança de relações entre pais e filhos é um exemplo típico da expansão geral da democracia. Os pais já não estão muito seguros dos seus direitos sobre os filhos, os filhos já não sentem que devem respeito aos pais. A virtude da obediência, que era outrora exigida sem discussão, passou de moda e com certa razão.
A psicanálise aterrorizou os pais cultos com o medo de causarem, sem querer, mal aos filhos. Se os beijam, podem provocar o complexo de Édipo; se não os beijam, podem provocar crises de ciúmes. Se os repreeendem em qualquer coisa, podem fazer nascer neles o sentimento do pecado; se não o fazem, os filhos adquirem hábitos que os pais consideram indesejáveis. Quando vêem as crianças a chupar no polegar, tiram disso toda a espécie de conclusões terríveis, mas não sabem o que fazer para o evitar. O uso dos direitos dos pais que era antigamente uma manifestação triunfante da autoridade, tornou-se tímido, receoso e cheio de escrúpulos.
Perderam-se as antigas alegrias simples e isto é tanto mais grave quanto é certo que, devido à nova liberdade das mulheres solteiras, a mãe tem de fazer muito mais sacrifícios do que antigamente ao optar pela maternidade.
Nessas circunstâncias, as mães conscienciosas exigem muito pouco dos filhos e as mães pouco conscienciosas exigem demasiado. Umas reprimem a sua afeição natural e mostram-se reservadas, as outras procuram nos filhos uma compensação das alegrias a que tiveram de renunciar. No primeiro caso, impede-se o desenvolvimento da afectividade das crianças, no segundo estimula-se em excesso. Em nenhum dos dois, porém, há essa felicidade simples e natural que é o melhor que a vida de família pode proporcionar.
Em face de todas estas dificuldades, é de admirar que a natalidade decline?




Bertrand Russell,
in 'A Conquista da Felicidade'
(Inglaterra, 1872-1970)
Filósofo, Matemático, Crítico social, Escritor




François Flameng (pintor francês, 1856-1923)
Family Portrait of a Boy and his two Sisters




William St. John Harper (pintor americano, 1851 – 1910),
Children's hour, 1886
 
 
 
 
William Stephen Coleman (pintor e ilustrador inglês, 1829-1904),   
An Interesting Story
 



William Charles Penn (pintor inglês, 1877-1968),  Feeding the Goldfish



domingo, 7 de abril de 2013

"Fraternidade" - Poema de Miguel Torga


Wilfred Gabriel de Glehn, Night



Fraternidade


Não me dói nada meu particular. 
Peno cilícios da comunidade. 
Água dum rio doce, entrei no mar 
E salguei-me no sal da imensidade. 

Dei o sossego às ondas 
Da multidão. 
E agora tenho chagas 
No coração 
E uma angústia secreta. 

Mas não podia, lírico poeta, 
Ficar, de avena, a exercitar o ouvido, 
Longe do mundo e longe do ruído. 


Miguel Torga,
 in 'Cântico do Homem'



Galeria de Wilfred Gabriel de Glehn
Wilfred Gabriel de Glehn, Dance of the Nymphs (The Landing Place) Corfu, 1910 



Wilfred Gabriel de Glehn, The Mill Pond at Poltesco, Ruan Minor, Cornwall



Wilfred Gabriel de Glehn, Sun breaking through Clouds, Granada, 1912


Wilfred Gabriel de Glehn, In the Shadows, Versailles, 1918


Wilfred Gabriel de Glehn, Notre Dame de Paris - Sunrise


Wilfred Gabriel de Glehn, The Statue of Vertumnus, Frascati, 1907


Wilfred Gabriel de Glehn, The French Pavilion, Parc du Château de Versailles


Wilfred Gabriel de Glehn, Uma porta veneziana, 1913



O Medo do Aborrecimento


"O género de aborrecimento de que sofre a população das cidades modernas está intimamente ligado à sua separação da vida da Terra. Essa separação torna o seu viver ardente, poeirento e ansioso, tal como uma peregrinação no deserto. Nos que são suficientemente ricos para escolher o seu género de vida, o estigma peculiar de insuportável aborrecimento que os distingue é devido, por muito paradoxal que isso possa parecer, ao seu medo do aborrecimento. Ao fugirem do aborrecimento que é fecundo, são vítimas de outro de natureza pior. Uma vida feliz deve ser, em grande medida, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer."

Bertrand Russell, in "A Conquista da Felicidade"




Bertrand Russell
Inglaterra
1872 // 1970
Filósofo, Matemático, Crítico social, Escritor

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Epigrama n° 3" - Poema de Cecília Meireles


Giorgio de Chirico, Ritorno del Figlio Prodigo, 1965




Epigrama n° 3 

Mutilados jardins e primaveras abolidas
abriram seus miraculosos ramos
no cristal em que pousa a minha mão.

(Prodigioso perfume!)

Recompuseram-se tempos, formas, cores, vidas ...

Ah! mundo vegetal, nós, humanos, choramos
só da incerteza da ressurreição.




Cecília Meireles
Viagem, 1938



Galeria de Giorgio de Chirico
L'enigma dell'ora, 1911
















"O problema com o mundo é que os estúpidos são excessivamente confiantes, e os inteligentes são cheios de dúvidas."

(Bertrand Russell)





"Medo coletivo estimula o instinto de rebanho e tende a produzir ferocidade contra aqueles que não são considerados como membros do rebanho."

(Bertrand Russell)






"A teoria da relatividade de Einstein representa prova­velmente a maior conquista sintética do intelecto hu­mano até hoje."

(Bertrand Russell)




"O Universo pode ter um objetivo, mas nada que nós sabemos sugere que, se for assim, esse objetivo tenha qualquer semelhança com o nosso."


(Bertrand Russell)

domingo, 29 de abril de 2012

"A implosão da mentira" - Poema de Affonso Romano de Sant'Anna


Cristina Bertuzzi (pintora italiana)



A implosão da mentira 

Fragmento 1 


Mentiram-me. Mentiram-me ontem 
e hoje mentem novamente. Mentem 
de corpo e alma, completamente. 
E mentem de maneira tão pungente 
que acho que mentem sinceramente. 

Mentem, sobretudo, impune/mente. 
Não mentem tristes. Alegremente 
mentem. Mentem tão nacional/mente 
que acham que mentindo história afora 
vão enganar a morte eterna/mente. 

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases 
falam. E desfilam de tal modo nuas 
que mesmo um cego pode ver 
a verdade em trapos pelas ruas. 

Sei que a verdade é difícil 
e para alguns é cara e escura. 
Mas não se chega à verdade 
pela mentira, nem à democracia 
pela ditadura.



Pintura de Cristina Bertuzzi


Fragmento 2 

Evidente/mente a crer 
nos que me mentem 
uma flor nasceu em Hiroshima 
e em Auschwitz havia um circo 
permanente. 

Mentem. Mentem caricatural- 
mente. 
Mentem como a careca 
mente ao pente, 
mentem como a dentadura 
mente ao dente, 
mentem como a carroça 
à besta em frente, 
mentem como a doença 
ao doente, 
mentem clara/mente 
como o espelho transparente. 

Mentem deslavadamente, 
como nenhuma lavadeira mente 
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem 
com a cara limpa e nas mãos 
o sangue quente. Mentem 
ardente/mente como um doente 
em seus instantes de febre. Mentem 
fabulosa/mente como o caçador que quer passar 
gato por lebre. E nessa trilha de mentiras 
a caça é que caça o caçador 
com a armadilha. 

E assim cada qual 
mente industrial?mente, 
mente partidária?mente, 
mente incivil?mente, 
mente tropical?mente, 
mente incontinente?mente, 
mente hereditária?mente, 
mente, mente, mente. 

E de tanto mentir tão brava/mente 
constroem um país 
de mentira 
—diária/mente.



Pintura de Cristina Bertuzzi


Fragmento 3 

Mentem no passado. E no presente 
passam a mentira a limpo. E no futuro 
mentem novamente. 

Mentem fazendo o sol girar 
em torno à terra medieval/mente. 

Por isto, desta vez, não é Galileu 
quem mente,
mas o tribunal que o julga 
herege/mente. 

Mentem como se Colombo partindo 
do Ocidente para o Oriente 
pudesse descobrir de mentira 
um continente. 

Mentem desde Cabral, em calmaria, 
viajando pelo avesso, iludindo a corrente 
em curso, transformando a história do país 
num acidente de percurso. 



Pintura de Cristina Bertuzzi 


Fragmento 4 

Tanta mentira assim industriada 
me faz partir para o deserto 
penitente/mente, ou me exilar 
com Mozart musical/mente em harpas 
e oboés, como um solista vegetal 
que absorve a vida indiferente. 

Penso nos animais que nunca mentem. 
mesmo se têm um caçador à sua frente. 
Penso nos pássaros 
cuja verdade do canto nos toca 
matinalmente. 

Penso nas flores 
cuja verdade das cores escorre no mel 
silvestremente. 

Penso no sol que morre diariamente 
jorrando luz, embora 
tenha a noite pela frente. 



Pintura de Cristina Bertuzzi


Fragmento 5 

Página branca onde escrevo. Único espaço 
de verdade que me resta. Onde transcrevo 
o arroubo, a esperança, e onde tarde 
ou cedo deposito meu espanto e medo. 

Para tanta mentira só mesmo um poema 
explosivo-conotativo 
onde o advérbio e o adjetivo não mentem 
ao substantivo 
e a rima rebenta a frase 
numa explosão da verdade. 

E a mentira repulsiva 
se não explode pra fora 
pra dentro explode 
implosiva. 



(Este poema foi publicado em diversos jornais em 1980 e também em várias antologias, como "A Poesia Possível", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1987. Apesar do tempo decorrido, face aos acontecimentos políticos que vimos assistindo nesses últimos tempos, ele permanece atualíssimo).



Pintura de Cristina Bertuzzi



Affonso Romano de Sant'Anna


Affonso Romano de Sant'Anna (Belo Horizonte, 27 de março de 1937) é um caso raro de artista e intelectual que une a palavra à ação. Com uma produção diversificada e consistente, pensa o Brasil e a cultura do seu tempo, e se destaca como teórico, como poeta, como cronista, como professor, como administrador cultural e como jornalista.

Com mais de 40 livros publicados, professor em diversas universidades brasileiras - UFMG, PUC/RJ, URFJ, UFF, no exterior lecionou nas universidades da California (UCLA), Koln (Alemanha), Aix-en-Provence (França). Seu talento foi confirmado pelo estímulo recebido de várias fundações internacionais como a Ford Foundation, Guggenheim, Gulbenkian e o DAAD da Alemanha, que lhe concederam bolsas de estudo e pesquisa em diversos países.

Nascido em Belo Horizonte, desde os anos 60 teve participação ativa nos movimentos que transformaram a poesia brasileira, interagindo com os grupos de vanguarda e construindo sua própria linguagem e trajetória. Data desta época sua participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país. Embora jovem, seu nome já aparece nas principais publicações culturais do país. Por isto, como poeta e cronista foi considerado pela revista “Imprensa”, em 1990, como um dos dez jornalistas que mais influenciam a opinião de seu país.

Nos anos 70, dirigindo o Departamento de Letras e Artes, PUC/RJ, estruturou a pós graduação em literatura brasileira do Brasil, considerada uma das melhores do país. Trouxe ao Brasil conferencistas estrangeiros como Michel Foucault e apesar das dificuldades impostas pela ditadura realizou uma série de encontros nacionais de professores, escritores e críticos literários além de promover a “ Expoesia” - evento que reuniu 600 poetas num balanço da poesia brasileira. 

Durante sua gestão, pela primeira vez no país a chamada literatura infanto-juvenil passou a ser estudada na universidade e a ser tema de teses de pós-graduação. Foram também abertos cursos de Criação Literária com a presença de importantes escritores nacionais.
Foi autor, dentro da universidade, de trabalhos pioneiros sobre música popular, como o livro "Música popular e moderna poesia brasileira".

Como jornalista trabalhou nos principais jornais e revistas do país: Jornal do Brasil (pesquisa e copydesk), Senhor (colaborador), Veja (critico), Isto É (Cronista), colaborador do jornal O Estado de São Paulo. Foi cronista da Manchete e do Jornal do Brasil e está n'O Globo desde 1988.

Considerado pelo crítico Wilson Martins como o sucessor de Carlos Drummond de Andrade, no sentido de desenvolver uma “linhagem poética” que vem de Gonçalves Dias, Bilac, Bandeira e Drummond, realmente substituiu este último como cronista no “Jornal do Brasil”, em 1984. E foi sobre Carlos Drummond de Andrade a sua tese de doutoramento (UFMJ), intitulada: "Drummond, o gauche no tempo", que mereceu quatro prémios nacionais.

Nos duros tempos da última ditadura militar, Affonso Romano de Sant'Anna publicou corajosos poemas nos principais jornais do país, não nos suplementos literários, mas nas páginas de política. Poemas como “Que país é este?” (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão), foram transformados em “posters”, aos milhares, e colocados em escritórios, sindicatos, universidades e bares.
Nessa época produziu uma série de poemas para a televisão (Globo). Esses poemas eram transmitidos no horário nobre, no noticiário noturno e atingiam uma audiência de 60 milhões de pessoas.

Como presidente da Biblioteca Nacional — a oitava biblioteca do mundo, com oito milhões de volumes — realizou entre 1990 e 1996 a modernização tecnológica da instituição, informatizando-a, ampliando seus edifícios e lançando programas de alcance nacional e internacional.
Criou o Sistema Nacional de Bibliotecas, que reúne 3.000 instituições e o PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30 mil voluntários e estabeleceu-se em 300 municípios em 1991 lançou o programa “Uma biblioteca em cada município”.
Criou na Biblioteca Nacional os programas de tradução de autores brasileiros, de bolsa para escritores jovens e encontros internacionais com agentes literários.
Seu trabalho à frente da Biblioteca Nacional possibilitou que o Brasil fosse o país-tema da Feira de Frankfurt ( 1994), o país-tema, na Feira de Bogotá (1995) e no Salão do Livro (Paris, 1998).

Lançou a revista “Poesia Sempre”, de circulação internacional, tendo organizado números especiais sobre a América Latina, Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha.
Foi Secretário Geral da Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas (1995-1996), que reúne 22 instituições desenvolvendo amplo programa de integração cultural no continente.
Foi Presidente do Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe-CERLALC), 1993-1995. 

Como poeta participou do “International Writing Program” (1968-1969) em Iowa, USA, dedicado a jovens escritores de todo o mundo.
Tem participado de dezenas de encontros internacionais de poesia. Esteve no Festival Internacional de Poesia Pela Paz, na Coréia (2005), realizou uma série de leituras de poemas no Chile, por ocasião do centenário de Neruda (2004), esteve na Irlanda, no Festival Gerald Hopkins (1996), na Casa de Bertold Brecht, em Berlim (1994), no Encontro de Poetas de Língua Latina (1987), no México, no Encontro de Escritores Latino-americanos em Israel (1986).
Mereceu vários prémios nacionais destacando-se o da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo "conjunto de obra".

Foi júri de uma série de prémios internacionais como o Prémio Camões (Portugal/Brasil), Prémio Rainha Sofia (Espanha), Prémio Peres Bonald (Venezuela), Prémio Pégaso/Mobil Oil (Colômbia/USA).
Diversos textos seus foram convertidos em teatro, balé e música e tem diversos CDs de literatura gravados com sua voz e na voz de atores diversos.
Sua obra tem sido objeto de teses de mestrado e doutorado no Brasil e no exterior.
Recebeu algumas das principais comendas brasileiras como Ordem Rio Branco, Medalha Tiradentes, Medalha da Inconfidência, Medalha Santos Dummont.
É casado com a escritora Marina Colasanti.

Obras:

Poesia
"Canto e Palavra"- 1965 - Imprensa Oficial de Minas Gerais
"Poesia sobre Poesia"- 1975 - Imago/RJ
"A Grande Fala do Índio Guarani"- 1978 - Summus Editorial/SP
"Que País é Este?"- 1980 - Civilização Brasileira - 1984 - Rocco/RJ 
"A Catedral de Colônia e Outros Poemas"- 1987 - Rocco/RJ 
"A Poesia Possível" (poesia reunida) - 1987 - Rocco/RJ
"O Lado Esquerdo do Meu Peito"- 1991 - Rocco/RJ 
"Epitáfio para o século XX" (antologia) - 1997 - Ediouro/SP
"Melhores poemas de Affonso Romano de Sant'Anna - Global/SP
"A grande fala e Catedral de Colônia" (ed. comemorativa) -1998 - Rocco, Rio
"O intervalo amoroso" (antologia). - 1999 - L&PM/Porto Alegre
"Textamentos" - 1999 - Rocco/RJ
"Vestígios" - 2005 - Rocco/RJ
"A cegueira e o saber" - 2006 - Rocco/RJ


Pintura de Cristina Bertuzzi 


"Às vezes, você perde vários poemas, porque sente uma frase, sente algo murmurado no seu espírito e não presta atenção porque está ocupado com os ruídos da vida. É necessário apurar o seu ouvido, ter a humildade de anotar a coisa mesmo quando ela não é muito boa. Pode, de repente, um texto meio nebuloso, meio esquisito, meio simplório demais, dar raiz a um poema posteriormente interessante."




Pintura de Cristina Bertuzzi


"Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias." 

(Mário Vargas Llosa)



Pintura de Cristina Bertuzzi


''Não estou doente. Estou partida. Mas me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar." 

(Frida Kahlo)


Pintura de Cristina Bertuzzi


"Nós estamos no meio de uma corrida entre a habilidade humana quanto aos meios e tolice humana quanto aos fins."

(Bertrand Russell)



Pintura de Cristina Bertuzzi 


"A humanidade tem dupla moral: uma que prega mas não pratica, outra que prati­ca mas não prega."

(Bertrand Russell)



Entrevista com Affonso Romano de Sant'Anna

O escritor Affonso Romano de Sant'Anna relembra o início da carreira, fala sobre seu mais recente livro, "O enigma vazio", e a literatura contemporânea.

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