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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"A um crucifixo" - Poema de Antero de Quental


Carlo Carrà



A um crucifixo


Não se perdeu teu sangue generoso,
Nem padeceste em vão, quem quer que foste,
Plebeu antigo, que amarrado ao poste
Morreste como vil e faccioso.

Desse sangue maldito e ignominioso
Surgiu armada uma invencível hoste...
Paz aos homens e guerra aos deuses! - pôs-te
Em vão sobre um altar o vulgo ocioso...

Do pobre que protesta foste a imagem:
Um povo em ti começa, um homem novo:
De ti data essa trágica linhagem.

Por isso nós, a Plebe, ao pensar nisto,
Lembraremos, herdeiros desse povo,
Que entre nossos avós se conta Cristo.

Antero de Quental
(1842-1891)




Galeria de Carlo Carrà (3)

Carlo Carrà


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"Cantilena para um tocador de flauta cego"... Poema de Marguerite Yourcenar


Carlo Carrà (1881-1966) 


Cantilena para um tocador de flauta cego


Flauta da noite que se cerra,
Presença líquida de um pranto,
Todos os silêncios da terra
São as pétalas do teu canto.

Espalha teu pólen na alfombra
Do catre que por fim te acoite
Mel de uma boca de sombra
Como um beijo na boca da noite

E pois que as escalas que cansas
Nos dizem que o dia acabou,
Faz-nos crer que os céus dançam
Porque um cego cantou.



Marguerite Yourcenar
(1903-1987)
In "Rosa do Mundo 2001 Poemas Para o Futuro"
Tradução: Mário Cesariny




Galeria de Carlo Carrà (2)

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"Exílio"... Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



 Carlo Carrà (1881-1966), L'austérité du paysage, 1939

Exílio



Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades.

Sophia de Mello Breyner Andresen






Galeria de Carlo Carrà (1)

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 Carlo Carrà, The Engineer's Mistress (L'amante dell'ingegnere), 1921


  Carlo Carrà


Carlo Carrà, A musa metafísica


Carlo Carrà (Quargnento, 18811966), foi um pintor italiano do futurismo. Participou em diversas edições da Bienal de Arte de São Paulo.
Na sua obra utiliza o mesmo repertório de George de Chirico, mas com tons e objectivos efectivamente diferentes.
Em Carrá, a reacção ao dinamismo futurista e a adesão ao mundo imóvel da metafísica coincide com uma vocação pessoal.

Em 1917 Carrà conheceu De Chirico e passou a adotar suas imagens de manequins colocados em espaços claustrofóbicos. Anteriormente, o trabalho de Carrà havia passado por uma fase futurista tendo sido ele um dos signatários do Manifesto Futurista de 1910.
Na sua fase de pintura metafísica, como na obra “A musa metafísica”, num aposento de paredes baixas foi colocada uma jogadora de tênis modelada em gesso, com cabeça de manequim. A figura está perto de um mapa da Grécia, simbolizando a viagem de Ulisses. No fundo, aparece uma figura geométrica colorida atrás de uma tela com fábricas. As imagens parecem oníricas e estão irracionalmente justapostas e parecem curiosamente perturbadas. Essa obra, de acordo com especialistas, é vinculada à escola da Pintura Metafísica. A partir de 1924, o artista afastou-se da pintura metafísica e passou para a pintura realista, inspirado pelos mestres italianos da Renascença.
A obra A musa metafísica, foi feita em 1917, e é um óleo sobre tela medindo de altura 89 cm x 65 cm de largura e está na Pinacoteca di Brera, em Milão, Itália. 
Carlo Carrà morre em Milão, a 13 de Abril de 1966.



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