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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

"Prefiro rosas, meu amor, à pátria" - Poema de Ricardo Reis


Ernest De Nagy (Hungarian-American, 1881-1952), Roses, 1927 



Prefiro rosas, meu amor, à pátria


Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva. 

1-6-1916


Odes de Ricardo Reis
(Heterónimo de Fernando Pessoa)


sábado, 2 de dezembro de 2017

"O mar jaz; gemem em segredo os ventos" - Poema de Ricardo Reis





O mar jaz; gemem em segredo os ventos 


O mar jaz; gemem em segredo os ventos
Em Éolo cativos;
Só com as pontas do tridente as vastas
Águas franze Neptuno;
E a praia é alva e cheia de pequenos
Brilhos sob o sol claro.
Inutilmente parecemos grandes.
Nada, no alheio mundo,
Nossa vista grandeza reconhece
Ou com razão nos serve.
Se aqui de um manso mar meu fundo indício
Três ondas o apagam,
Que me fará o mar que na atra praia
Ecoa de Saturno?


6-10-1914

Odes de Ricardo Reis,
Heterónimo de Fernando Pessoa


domingo, 12 de novembro de 2017

"Colhe o dia, porque és ele" - Poema de Ricardo Reis


Emil Nolde (1867-1956), Summer Afternoon, 1903



Colhe o dia, porque és ele


Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem; outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Porque tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.


28-8-1933

Odes de Ricardo Reis
Heterónimo de Fernando Pessoa



Emil Nolde, Sommerwolken (Summer clouds), 1913, óleo sobre lienzo, 73 x 88 cm, 
Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid


"Para vermos o azul, olhamos para o céu. A Terra é azul para quem a olha do céu. Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? Ou uma questão de grande nostalgia? O inalcançável é sempre azul." 



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

"Sofro, Lídia, do medo do destino" - Poema de Ricardo Reis


Henry Mosler (American artist, 1841-1920),  Just Moved



Sofro, Lídia, do medo do destino


Sofro, Lídia, do medo do destino. 
A leve pedra que um momento ergue 
As lisas rodas do meu carro, aterra 
Meu coração. 

Tudo quanto me ameace de mudar-me 
Para melhor que seja, odeio e fujo. 
Deixem-me os deuses minha vida sempre 
Sem renovar 

Meus dias, mas que um passe e outro passe 
Ficando eu sempre quase o mesmo, indo 
Para a velhice como um dia entra 
No anoitecer. 


Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa



Pintura de Henry Mosler



A Perfeita Liberdade de Espírito


Um espírito que toma consciência da discordância que sempre existe entre o que afirma e o que é verdadeiramente não pode mais desfazer-se de uma espécie de dúvida filosófica. Somos livres na medida em que conservamos um pensamento de fundo. Em todos os casos, a perfeita liberdade de espírito consiste num ato pelo qual ele compreende a absoluta impossibilidade em que está de encontrar a certeza na experiência. 


Jules Lagneau, in 'Curso Sobre o Juízo'


sábado, 9 de maio de 2015

"Seguro assento na coluna firme" - Poema de Ricardo Reis





Seguro assento na coluna firme 
(1)


Seguro assento na coluna firme
Dos versos em que fico,
Nem temo o influxo inúmero futuro
Dos tempos e do olvido;
Que a mente, quando, fixa, em si contempla
Os reflexos do mundo,
Deles se plasma torna, e à arte o mundo
Cria, que não a mente.
Assim na placa o externo instante grava
 Seu ser, durando nela.



Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
1ª publ. in Atena, nº 1. Lisboa: Out. 1924.



Palácio de Versalhes 
(Château de Versailles)

Lugar de residência privilegiado da monarquia francesa de Luís XIV a Luís XVI, o castelo de Versailles, a 16 Km a sudoeste de Paris, embelezado por várias gerações de arquitetos, escultores, ornamentistas e paisagistas, foi para a Europa durante mais de um século o modelo daquela que devia ser uma residência real.


Fachada do Palácio de Versalhes, França - Arquitetura Barroca Francesa


Palácio de Versalhes (Château de Versailles) é um castelo real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até a família Real ser forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.
Em 1660, de acordo com os poderes reais dos conselheiros que governaram a França durante a menoridade de Luís XIV, foi procurado um local próximo de Paris mas suficientemente afastado dos tumultos e doenças da cidade apinhada. O monarca queria um local onde pudesse organizar e controlar completamente um Governo da França por um governante absoluto. Resolveu assentar no pavilhão de caça de Versalhes, e ao longo das décadas seguintes expandiu-o até torná-lo no maior palácio do mundo. 
Versalhes é famoso não só pelo edifício, mas como símbolo da Monarquia absoluta, a qual Luís XIV sustentou.


Luís XIV (1638-1715), o Rei-Sol, filho de Luís XIII e de Ana da Áustria


Considerado um dos maiores do mundo, o luxuoso Palácio de Versalhes, construído pelo rei Luís XIV, o "Rei Sol", a partir de 1664, foi por mais de um século modelo de residência real na Europa. Possui 2 153 janelas, 67 escadas, 352 chaminés, 700 quartos, 1 250 lareiras e 700 hectares de parque. 


Louis Le Vau, primeiro arquiteto de Versalhes.


Incumbido da tarefa de transformar o que era o pavilhão de caça de Luís XIII, no mais opulento palácio da Europa, o arquiteto Louis Le Vau reuniu centenas de trabalhadores e começou a construir um novo edifício ao lado do já existente. Foram assim realizadas sucessivas ampliações - apartamentos reais, cozinhas e estábulos - que formaram o Pátio Real. Le Vau, não conclui as obras. 



Jules Hardouin-Mansart (1646-1708), segundo arquiteto de Versalhes.


Após a morte do arquiteto Louis Le Vau, Jules Hardouin-Mansart tornou-se, em 1678, o arquiteto responsável por dar continuidade ao projeto de expansão do palácio.


Jules Hardouin-Mansart,  Grande Trianon, interior

Jules Hardouin-Mansart, Galerie des Glaces (Galeria dos Espelhos)


Jules Hardouin-Mansart foi quem construiu o Laranjal, o Grande Trianon, as alas Norte e Sul do Palácio, a Capela e a Galeria dos Espelhos (onde foi ratificado, em 1919, o Tratado de Versalhes). A última, trata-se de uma sala com 73m de comprimento, 12,30m de altura e iluminada por dezessete janelas que têm a sua frente, espelhos que refletem a vista dos jardins.


Charles Le Brun (1619-1690), retrato por Nicolas de Largilliere


Na segunda metade do século XVIICharles Le Brun  já se encontrava ao serviço de Luís XIV de França, a dirigir a Academia Real de Pintura e Escultura fundada por ele e na decoração do Palácio de Versalhes, para quem trabalhou até à data da sua morte.


André Le Nôtre (1613-1700), por Carlo Maratta


Em 1837 o castelo foi transformado em museu de história. O palácio está cercado por uma grande área de jardins, uma série de plataformas simétricas com canteiros, estátuas, vasos e fontes trabalhados, projetados por André Le Nôtre. Como o parque é grande, um trem envidraçado faz um passeio entre os monumentos. 
Classificados como património mundial da Humanidade pela Unesco em 1979, o palácio e o parque de Versailles representam uma das mais belas criações de arte francesa do Séc. XVII. (Daqui)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

"A arte existe, não, como Campos quer, para substituir a vida, senão para a completar" - de Ricardo Reis


Frank Lloyd Wright criou uma casa chamada "Fallingwater" (“Água em Queda”), (1936), Pensilvânia
projetada para fundir-se com a encosta do morro onde está incrustada e tendo espaço
 para um riacho correr debaixo dela.


A arte existe, não, como Campos quer, para substituir a vida, senão para a completar


A arte existe, não, como quer Campos, para substituir a vida, senão para a completar. Tudo na vida, excepto o desejo do homem, é irracional e imperfeito; na arte o homem projecta o seu desejo e a vontade de perfeição que há nele. Por isso a obra de arte deve, conservando a forma da vida, substituir-lhe a matéria: a escultura é na limpeza da pedra, que não na porcaria do corpo; a poesia é na música do ritmo lida que não na falta de música da palavra simplesmente falada.
Na arte deve ser eliminado todo elemento que recorde a matéria da vida; conservado tudo que recorde a sua forma. Assim, não aceito como arte o verso nauseabundo de Cesário Verde, a propósito dos cegos:
Rolam os olhos como dois escarros.
Repudio a tese frequente, de que a arte tenha que ir buscar a sua simplicidade à simplicidade infantil. Na criança há simplicidade; na arte há simplificação, que é o contrário. A frase infantil tem analogia com a frase de graça, ou espírito: representa sem hesitação uma ideia que nasce sem reflectir, fruto, por vezes, de uma confusão do pensamento.
A arte baseia-se na vida, porém, não como matéria mas como forma. Sendo a arte um produto directo do pensamento, é do pensamento que se serve como matéria; a forma vai buscá-la à vida. A obra de arte é um pensamento tornado vida: um desejo realizado em si mesmo. Como realizado tem que usar a forma da vida, que é essencialmente a realização; como realizado em si mesmo tem que tirar de si a matéria com que realiza.


Ricardo Reis (Heterónimo de Fernando Pessoa)



Estátua de Fernando Pessoa "O Senhor Poeta", 2008
de Francisco Simões, Casino da Póvoa de Varzim 
Póvoa de Varzim






"Muitos não sabem propriamente distinguir a originalidade da excentricidade: uma caracteriza o génio, outra manifesta o louco."


Fernando Pessoa, in Páginas de Estética e de Teoria Literárias 



Fallingwater House (ou Casa Kaufmann ou Casa da Cascata) (1936), Pensilvânia


Considerada uma das mais famosas casas do mundo, a Casa da Cascata (Fallingwater house) ou Casa Kaufmann (nome da família de seu primeiro proprietário) é uma residência localizada 50 milhas a sudeste de Pittsburgh, em Bear Run, na Estrada Rural 1, secção Mill Run de Stewart Township, Condado de Fayette, nas Laurel Highlands dos Montes Allegheny, Estado da Pensilvânia, Estados Unidos.


As  fortes linhas horizontais e verticais são uma característica distinta da "Fallingwater"


O edifício foi projetado em 1934 pelo arquiteto Frank Lloyd Wright, considerado o introdutor da arquitetura moderna no seu país, e construída em 1936 no sudoeste rural da Pensilvânia. No entanto, a sua principal característica é o facto de ter sido erguida parcialmente sobre uma pequena queda de água, servindo-se dos elementos naturais ali presentes (como pedrasvegetação e a própria água) como constituintes da composição arquitectónica. Assim como várias outras obras de Wright, foi construída com materiais experimentais para a época.



O interior da "Fallingwater" representando uma área de estar com móveis projetados por Wright


O proprietário era o homem de negócios Edgar Kaufmann, cujo filho Edgar Jr. fora aluno de arquitectura de Wright. Foi construída no meio dum bosque, no interior duma propriedade da família. Originalmente utilizada como residência de veraneio da família, hoje, a casa é um museu. 



Frank Lloyd Wright 


Frank Lloyd Wright (Richland Center, 8 de junho de 1867Phoenix, 9 de abril de 1959) foi um arquiteto, escritor e educador estadunidense de ascendência galesa. Um dos conceitos centrais em sua obra é o de que o projeto deve ser individual, de acordo com sua localização e finalidade. No início de sua carreira, trabalhou com Louis Sullivan, um dos pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago. Responsável por mais de mil projetos, dos quais mais de quinhentos construídos, Wright influenciou os rumos da arquitetura moderna com suas ideias e obras e é considerado um dos arquitetos mais importantes do século XX.

Antes de se tornar um dos maiores arquitetos de todos os tempos, ele estudou engenharia e, faltando poucas semanas para sua graduação, abandonou o curso e foi trabalhar em Chicago como desenhista no escritório de Joseph Lyman Silsbee, um arquiteto de renome. Tornou-se a figura chave da arquitetura orgânica, exemplificada pela Casa da Cascata, um desdobramento da arquitetura moderna que se contrapunha ao International style europeu. Foi o líder da Prairie School, movimento da arquitetura ao qual pertencem os projetos da Robie House e a Westcott House, e também desenvolveu o conceito de Usonian home, do qual a Rosenbaum House é um exemplo. Sua obra inclui exemplos originais e inovativos de edifícios dos mais diferentes tipos, incluindo escritórios, templos, escolas, hotéis e museus. Frequentemente detalhava também os elementos a serem empregados no interior de suas construções, tais como mobília e vitrais.



Frank Lloyd Wright (1954)


Seus principais trabalhos foram a Casa da Cascata (também conhecida por Casa Kaufman e considerada a residência moderna mais famosa do mundo) e a sede do Museu Solomon R. Guggenheim em Nova Iorque, um estrutura sem precedentes, que criou um novo paradigma na arquitetura de museus.

Wright escreveu vinte livros, muitos artigos, era um palestrante popular nos Estados Unidos e Europa e grandemente reconhecido ainda em vida. Cheia de acontecimentos dramáticos, frequentemente fatos de sua vida pessoal apareciam nas manchetes dos jornais, dentre os quais os mais notáveis foram o incêndio e assassinatos de 1914 em sua residência de verão, Taliesin East. 
O Instituto Americano de Arquitetos postumamente conferiu a Wright em 1991 o título de "maior arquiteto americano de todos os tempos"


Obras notáveis:

sexta-feira, 17 de maio de 2013

"É tão Suave a Fuga deste Dia" - Poema de Ricardo Reis


George Segal (american, 1924-2000), Three Figures in Red Shirt, from Blue Jeans Series 1975



É tão Suave a Fuga deste Dia


É tão suave a fuga deste dia, 
Lídia, que não parece, que vivemos. 
Sem dúvida que os deuses 
Nos são gratos esta hora, 

Em paga nobre desta fé que temos 
Na exilada verdade dos seus corpos 
Nos dão o alto prémio 
De nos deixarem ser 

Convivas lúcidos da sua calma, 
Herdeiros um momento do seu jeito 
De viver toda a vida 
Dentro dum só momento, 

Dum só momento, Lídia, em que afastados 
Das terrenas angústias recebemos 
Olímpicas delícias 
Dentro das nossas almas. 

E um só momento nos sentimos deuses 
Imortais pela calma que vestimos 
E a altiva indiferença 
Às coisas passageiras 

Como quem guarda a c'roa da vitória 
Estes fanados louros de um só dia 
Guardemos para termos, 
No futuro enrugado, 

Perene à nossa vista a certa prova 
De que um momento os deuses nos amaram 
E nos deram uma hora 
Não nossa, mas do Olimpo. 


Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa



George Segal, Woman in Red Kimono, 1985



"Alague o seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas." 


(Fernando Pessoa)



Untitled (Woman Combing Hair), by George Segal



"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida."


Fernando Pessoa, Livro do Desassossego



George Segal, Reclining Nude, 1962, pastel on paper


"Deus concede-nos o dom de viver. Compete-nos a nós viver bem."


(Voltaire)



George Segal, Yellow Nude Reclining





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge." - Poema de Ricardo Reis





Estás Só


Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge. 
Mas finge sem fingimento. 
Nada esperes que em ti já não exista, 
Cada um consigo é triste. 
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas, 
Sorte se a sorte é dada. 


1933/06/04
Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 
(1888-1935)



Galeria de Frederick Childe Hassam
Frederick Childe Hassam - New England Headlands

Frederick Childe Hassam - Acorn Street, Boston, 1919

Frederick Childe Hassam 

Frederick Childe Hassam

Frederick Childe Hassam 

Frederick Childe Hassam 

Frederick Childe Hassam

Frederick Childe Hassam

Frederick Childe Hassam 

Frederick Childe Hassam

Frederick Childe Hassam 


Frederick Childe Hassam - Central Park

domingo, 13 de maio de 2012

"Para ser grande, sê inteiro" - Poema de Ricardo Reis


Frédéric Bazille, Pêcheur à l'épervier, 1868



Para ser grande, sê inteiro


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive. 

14-2-1933

Ricardo Reis, Odes 
Heterónimo de Fernando Pessoa 
1888-1935



Frédéric BazilleThe Little Gardener, 1866-1867



Biografia 


Tive amigos que morriam, amigos que partiam
Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
Odiei o que era fácil
Procurei-te na luz, no mar, no vento.


(1919 - 2004)



Frédéric Bazille Paysage au bord du Lez, 1870, huile sur toile



“Para sobreviver no futuro, você deve tornar-se um viciado em novidades. Abandone o passado e construa as oportunidades com base na imaginação.”

(Gary Hame)



Gary Hame

Gary Hamel é atualmente professor convidado de Estratégia e Gestão Internacional da London Business School, co-fundador da consultora internacional Strategos e diretor do Management Innovation Lab. Tem escrito artigos para jornais e revistas na área da gestão como, por exemplo, a Harvard Buiness Review, o Wall Street Journal e o Financial Times. Gary Hammel é considerado o guru da estratégia pela revista Economist, o maior especialista em estratégia de negócios pela revista Fortune e um inovador da gestão sem par pelo jornal Financial Times.

"Os visionários não continuam visionários para sempre. Poucos são capazes de imprimir sua marca numa segunda visão. Pior ainda, seus apóstolos se tornam dependentes da presciência do profeta, renunciando à própria responsabilidade pela visualização de novas oportunidades. Em geral, o visionário decadente que também é o CEO ou Chairman (Presidente da Empresa), inibe inconscientemente a capacidade de inovação radical da organização... Quanto maior o sucesso da empresa, mais arraigados seus modelos mentais. Mesmo em empresas medianamente bem sucedidas, a maioria das pessoas não questiona 90% do modelo mental existente. Opções de anos atrás raramente são reanalisadas. É difícil imaginar estratégias revolucionárias quando se começa com nove décimos do cérebro em inatividade. As opções do passado remoto quase nunca são desafiadas na ausência de uma crise... Se você for incapaz de pensar diferentemente, o futuro sempre chegará como surpresa... A autoridade que mais precisa ser questionada é a autoridade de suas próprias crenças... Procure uma empresa que esteja apresentando mau desempenho e invariavelmente se encontrará uma equipe gerencial que é prisioneira inconsciente de suas crenças superadas".

(Gary Hamel, em 'Liderando a Revolução' (Leading the Revolution - Pág. 22/136 - Editora Campus - Rio de Janeiro - 2000).

terça-feira, 17 de abril de 2012

"Pastoral" - Poema de António Sardinha



Pintura de Robert Duncan



Pastoral 


Todos os dias quando morre o dia,
Pões-te a chamar os patos para os contar;
E os patos, conhecendo quem os cria,
Vêm para ti de longe a esvoaçar 

E logo te acompanham. Que alegria
Anima o teu rebanho singular!
Parece ser dum conto que eu ouvia,
-«Era uma vez…», –  à gente do meu lar. 

«Filha de rei, com iras de criança,
guardando patos na ribeira mansa,
foi coisa de pasmar que nunca vi!» 

Pois é a história da princesa loura
Que tu me fazes recordar, Senhora,
Assim com essa corte ao pé de ti!


António Maria de Sousa Sardinha (n. Monforte, 9 Set 1888; m. Elvas em 10 Jan 1925) 
in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Pátria é a Língua Portuguesa , Edição UNICEPE, 2004






"Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las." 

(Augusto Cury)





The Beauty of Pollination


A Polinização é vital para a vida na Terra,  mas, em grande parte, este fenómeno da natureza é invisível para o olho humano. O cineasta Louie Schwartzberg  mostra-nos o mundo intrincado de pólen e polinizadores com deslumbrantes imagens de alta velocidade de seu filme "Wings of Life", inspirado no desaparecimento de um dos principais polinizadores da natureza, as abelhas.





Polinização 

Polinização é o ato da transferência de células reprodutivas masculinas (núcleos espermáticos) através dos grãos de pólen que estão localizados nas anteras de uma flor para o receptor feminino (estigma) de outra flor (da mesma espécie), ou para o seu próprio estigma. Pode-se dizer que a polinização é o ato sexual das plantas espermatófitas, já que é através deste processo que o gameta masculino pode alcançar o gameta feminino e fecundá-lo. A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais. Os tipos gerais de polinização são os seguintes: 

Anemofilia: através do vento; 
Entomofilia: Termo geral para todos os meios de polinização através de insetos, mas é um termo mais usado para polinização efetuada por abelhas, vespas e moscas; 
Cantarofilia: com auxílio de besouros; 
Psicofilia: efetuada por borboletas; 
Falenofilia: através de mariposas; 
Ornitofilia: polinização feita por aves; 
Hidrofilia: através da água; 
Artificial: através do homem; 
Quiropterofilia: polinização feita por morcegos; 
Malacofilia: polinização feita por moluscos; 

Pode haver também a auto-polinização, quando uma flor recebe seu próprio pólen. Em muitos casos, a flor possui mecanismos que rejeitam o pólen produzido em suas anteras, o que assegura a reprodução sexuada, ou seja, que haja intercâmbio de genes com outros indivíduos da espécie. No entanto, indivíduos de algumas espécies não apresentam esses mecanismos, e aproveitam-se de seu próprio pólen para produzir sementes e garantir a estabilidade de sua população. Alguns destes mecanismos são: 

Dicogamia: consiste no amadurecimento dos órgãos reprodutores em épocas diferentes; a dicogamia pode ser de dois tipos: 
Protandria: quando amadurecem em primeiro lugar os órgãos masculinos e posteriormente os órgãos femininos. 
Protoginia: quando amadurecem primeiramente os órgãos femininos e posteriormente os órgãos masculinos. 
Dioicia: aparecimento de indivíduos com sexos separados: uma planta masculina e outra feminina. 
Hercogamia: ocorre uma barreira física, que separa com filetes curtos e estiletes longos. 
Heterostilia: ocorrência, nas flores, de estames com filetes curtos e estiletes longos 
Auto-esterilidade: neste caso, a flor é estéril ao pólen que ela mesma produziu. 

Entre as Gimnospermas a polinização é quase sempre anemófila. Especula-se que isso seja consequência do momento em que estas plantas evoluíram, quando não havia insetos especializados na coleta de pólen, como abelhas. A pequena variedade de meios de polinização neste grupo reflete-se na pouca variação morfológica de suas estruturas reprodutivas. 
Em contraste, entre as Angiospermas, o surgimento de flores coincidiu com o surgimento de abelhas, borboletas, mariposas, aves e mamíferos, e a estrutura reprodutiva destas plantas foi selecionada de forma a atrair estes animais, surgindo então uma miríade de formas, tamanhos, cores, aromas e texturas, cada uma de acordo com uma estratégia mais ou menos específica de atração de polinizadores. Surgiram novas estruturas, como nectários, anteras com pólen estéril, ornamentações, pétalas comestíveis, glândulas de perfume, óleo e resina, todos recursos benéficos a aqueles animais que asseguram que suas flores sejam visitadas e seu pólem carregado para outra flor da mesma espécie. 
O sucesso das Angiospermas entre os outros grupos vegetais, no que se refere à polinização, deve-se à elasticidade morfológica das flores de Angiosperma e sua capacidade de adaptação a diferentes agentes polinizadores (entre outros fatores).

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.















Flores campestres



















O ARVOREDO 


Nos altos ramos de árvores frondosas
O vento faz um rumor frio e alto,
Nesta Floresta, em este som me perco
E sozinho medito
Assim no mundo, acima do que sinto,
Um vento faz da vida, e a deixa, e a toma
E nada tem sentido – nem a alma
Com que penso sozinho. 





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