Emil Nolde, Sommerwolken (Summer clouds), 1913, óleo sobre lienzo, 73 x 88 cm,
Museo Thyssen-Bornemisza, Madrid
"Para vermos o azul, olhamos para o céu. A Terra é azul para quem a olha do céu. Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? Ou uma questão de grande nostalgia? O inalcançável é sempre azul."
Um espírito que toma consciência da discordância que sempre existe entre o que afirma e o que é verdadeiramente não pode mais desfazer-se de uma espécie de dúvida filosófica. Somos livres na medida em que conservamos um pensamento de fundo. Em todos os casos, a perfeita liberdade de espírito consiste num ato pelo qual ele compreende a absoluta impossibilidade em que está de encontrar a certeza na experiência.
Lugar de residência privilegiado da monarquia francesa de Luís XIV a Luís XVI, o castelo de Versailles, a 16 Km a sudoeste de Paris, embelezado por várias gerações de arquitetos, escultores, ornamentistas e paisagistas, foi para a Europa durante mais de um século o modelo daquela que devia ser uma residência real.
O Palácio de Versalhes (Château de Versailles) é um castelo real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até a família Real ser forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.
Em 1660, de acordo com os poderes reais dos conselheiros que governaram a França durante a menoridade de Luís XIV, foi procurado um local próximo de Paris mas suficientemente afastado dos tumultos e doenças da cidade apinhada. O monarca queria um local onde pudesse organizar e controlar completamente um Governo da França por um governante absoluto. Resolveu assentar no pavilhão de caça de Versalhes, e ao longo das décadas seguintes expandiu-o até torná-lo no maior palácio do mundo.
Considerado um dos maiores do mundo, o luxuoso Palácio de Versalhes, construído pelo rei Luís XIV, o "Rei Sol", a partir de 1664, foi por mais de um século modelo de residência real na Europa. Possui 2 153 janelas, 67 escadas, 352 chaminés, 700 quartos, 1 250 lareiras e 700 hectares de parque.
Incumbido da tarefa de transformar o que era o pavilhão de caça de Luís XIII, no mais opulento palácio da Europa, o arquitetoLouis Le Vau reuniu centenas de trabalhadores e começou a construir um novo edifício ao lado do já existente. Foram assim realizadas sucessivas ampliações - apartamentos reais, cozinhas e estábulos - que formaram o Pátio Real. Le Vau, não conclui as obras.
Após a morte do arquiteto Louis Le Vau, Jules Hardouin-Mansart tornou-se, em 1678, o arquiteto responsável por dar continuidade ao projeto de expansão do palácio.
Jules Hardouin-Mansart foi quem construiu o Laranjal, o Grande Trianon, as alas Norte e Sul do Palácio, a Capela e a Galeria dos Espelhos (onde foi ratificado, em 1919, o Tratado de Versalhes). A última, trata-se de uma sala com 73m de comprimento, 12,30m de altura e iluminada por dezessete janelas que têm a sua frente, espelhos que refletem a vista dos jardins.
Em 1837 o castelo foi transformado em museu de história. O palácio está cercado por uma grande área de jardins, uma série de plataformas simétricas com canteiros, estátuas, vasos e fontes trabalhados, projetados por André Le Nôtre. Como o parque é grande, um trem envidraçado faz um passeio entre os monumentos.
Classificados como património mundial da Humanidade pela Unesco em 1979, o palácio e o parque de Versailles representam uma das mais belas criações de arte francesa do Séc. XVII. (Daqui)
Frank Lloyd Wright criou uma casa chamada "Fallingwater" (“Água em Queda”), (1936), Pensilvânia,
projetada para fundir-se com a encosta do morro onde está incrustada e tendo espaço
para um riacho correr debaixo dela.
A arte existe, não, como Campos quer, para substituir a vida, senão para a completar
A arte existe, não, como quer Campos, para substituir a vida, senão para a completar. Tudo na vida, excepto o desejo do homem, é irracional e imperfeito; na arte o homem projecta o seu desejo e a vontade de perfeição que há nele. Por isso a obra de arte deve, conservando a forma da vida, substituir-lhe a matéria: a escultura é na limpeza da pedra, que não na porcaria do corpo; a poesia é na música do ritmo lida que não na falta de música da palavra simplesmente falada.
Na arte deve ser eliminado todo elemento que recorde a matéria da vida; conservado tudo que recorde a sua forma. Assim, não aceito como arte o verso nauseabundo de Cesário Verde, a propósito dos cegos:
Rolam os olhos como dois escarros.
Repudio a tese frequente, de que a arte tenha que ir buscar a sua simplicidade à simplicidade infantil. Na criança há simplicidade; na arte há simplificação, que é o contrário. A frase infantil tem analogia com a frase de graça, ou espírito: representa sem hesitação uma ideia que nasce sem reflectir, fruto, por vezes, de uma confusão do pensamento.
A arte baseia-se na vida, porém, não como matéria mas como forma. Sendo a arte um produto directo do pensamento, é do pensamento que se serve como matéria; a forma vai buscá-la à vida. A obra de arte é um pensamento tornado vida: um desejo realizado em si mesmo. Como realizado tem que usar a forma da vida, que é essencialmente a realização; como realizado em si mesmo tem que tirar de si a matéria com que realiza.
As fortes linhas horizontais e verticais são uma característica distinta da "Fallingwater"
O edifício foi projetado em 1934 pelo arquitetoFrank Lloyd Wright, considerado o introdutor da arquitetura moderna no seu país, e construída em 1936 no sudoeste rural da Pensilvânia. No entanto, a sua principal característica é o facto de ter sido erguida parcialmente sobre uma pequena queda de água, servindo-se dos elementos naturais ali presentes (como pedras, vegetação e a própria água) como constituintes da composição arquitectónica. Assim como várias outras obras de Wright, foi construída com materiais experimentais para a época.
O interior da "Fallingwater" representando uma área de estar com móveis projetados por Wright.
O proprietário era o homem de negócios Edgar Kaufmann, cujo filho Edgar Jr. fora aluno de arquitectura de Wright. Foi construída no meio dum bosque, no interior duma propriedade da família. Originalmente utilizada como residência de veraneio da família, hoje, a casa é um museu.
Frank Lloyd Wright
Frank Lloyd Wright (Richland Center, 8 de junho de 1867 — Phoenix, 9 de abril de 1959) foi um arquiteto, escritor e educadorestadunidense de ascendência galesa. Um dos conceitos centrais em sua obra é o de que o projeto deve ser individual, de acordo com sua localização e finalidade. No início de sua carreira, trabalhou com Louis Sullivan, um dos pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago. Responsável por mais de mil projetos, dos quais mais de quinhentos construídos, Wright influenciou os rumos da arquitetura moderna com suas ideias e obras e é considerado um dos arquitetos mais importantes do século XX.
Antes de se tornar um dos maiores arquitetos de todos os tempos, ele estudou engenharia e, faltando poucas semanas para sua graduação, abandonou o curso e foi trabalhar em Chicago como desenhista no escritório deJoseph Lyman Silsbee, um arquiteto de renome. Tornou-se a figura chave da arquitetura orgânica, exemplificada pela Casa da Cascata, um desdobramento da arquitetura moderna que se contrapunha ao International style europeu. Foi o líder da Prairie School, movimento da arquitetura ao qual pertencem os projetos da Robie House e a Westcott House, e também desenvolveu o conceito de Usonian home, do qual a Rosenbaum House é um exemplo. Sua obra inclui exemplos originais e inovativos de edifícios dos mais diferentes tipos, incluindo escritórios, templos, escolas, hotéis e museus. Frequentemente detalhava também os elementos a serem empregados no interior de suas construções, tais como mobília e vitrais.
Frank Lloyd Wright (1954)
Seus principais trabalhos foram aCasa da Cascata (também conhecida por Casa Kaufman e considerada a residência moderna mais famosa do mundo) e a sede do Museu Solomon R. Guggenheimem Nova Iorque, um estrutura sem precedentes, que criou um novo paradigma na arquitetura de museus.
Wright escreveu vinte livros, muitos artigos, era um palestrante popular nos Estados Unidos e Europa e grandemente reconhecido ainda em vida. Cheia de acontecimentos dramáticos, frequentemente fatos de sua vida pessoal apareciam nas manchetes dos jornais, dentre os quais os mais notáveis foram o incêndio e assassinatos de 1914 em sua residência de verão, Taliesin East.
O Instituto Americano de Arquitetos postumamente conferiu a Wright em 1991 o título de "maior arquiteto americano de todos os tempos"
George Segal (american, 1924-2000), Three Figures in Red Shirt, from Blue Jeans Series 1975
É tão Suave a Fuga deste Dia
É tão suave a fuga deste dia,
Lídia, que não parece, que vivemos.
Sem dúvida que os deuses
Nos são gratos esta hora,
Em paga nobre desta fé que temos
Na exilada verdade dos seus corpos
Nos dão o alto prémio
De nos deixarem ser
Convivas lúcidos da sua calma,
Herdeiros um momento do seu jeito
De viver toda a vida
Dentro dum só momento,
Dum só momento, Lídia, em que afastados
Das terrenas angústias recebemos
Olímpicas delícias
Dentro das nossas almas.
E um só momento nos sentimos deuses
Imortais pela calma que vestimos
E a altiva indiferença
Às coisas passageiras
Como quem guarda a c'roa da vitória
Estes fanados louros de um só dia
Guardemos para termos,
No futuro enrugado,
Perene à nossa vista a certa prova
De que um momento os deuses nos amaram
E nos deram uma hora
Não nossa, mas do Olimpo.
Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
George Segal, Woman in Red Kimono, 1985
"Alague o seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas."
(Fernando Pessoa)
Untitled (Woman Combing Hair), by George Segal
"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida."
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego
George Segal, Reclining Nude, 1962, pastel on paper
"Deus concede-nos o dom de viver. Compete-nos a nós viver bem."
“Para sobreviver no futuro, você deve tornar-se um viciado em novidades. Abandone o passado e construa as oportunidades com base na imaginação.”
(Gary Hame)
Gary Hame
Gary Hamelé atualmente professor convidado de Estratégia e Gestão Internacional da London Business School, co-fundador da consultora internacional Strategos e diretor do Management Innovation Lab. Tem escrito artigos para jornais e revistas na área da gestão como, por exemplo, a Harvard Buiness Review, o Wall Street Journal e o Financial Times. Gary Hammel é considerado o guru da estratégia pela revista Economist, o maior especialista em estratégia de negócios pela revista Fortune e um inovador da gestão sem par pelo jornal Financial Times.
"Os visionários não continuam visionários para sempre. Poucos são capazes de imprimir sua marca numa segunda visão. Pior ainda, seus apóstolos se tornam dependentes da presciência do profeta, renunciando à própria responsabilidade pela visualização de novas oportunidades. Em geral, o visionário decadente que também é o CEO ou Chairman (Presidente da Empresa), inibe inconscientemente a capacidade de inovação radical da organização... Quanto maior o sucesso da empresa, mais arraigados seus modelos mentais. Mesmo em empresas medianamente bem sucedidas, a maioria das pessoas não questiona 90% do modelo mental existente. Opções de anos atrás raramente são reanalisadas. É difícil imaginar estratégias revolucionárias quando se começa com nove décimos do cérebro em inatividade. As opções do passado remoto quase nunca são desafiadas na ausência de uma crise... Se você for incapaz de pensar diferentemente, o futuro sempre chegará como surpresa... A autoridade que mais precisa ser questionada é a autoridade de suas próprias crenças... Procure uma empresa que esteja apresentando mau desempenho e invariavelmente se encontrará uma equipe gerencial que é prisioneira inconsciente de suas crenças superadas".
(Gary Hamel, em 'Liderando a Revolução' (Leading the Revolution - Pág. 22/136 - Editora Campus - Rio de Janeiro - 2000).
António Maria de Sousa Sardinha (n. Monforte, 9 Set 1888; m. Elvas em 10 Jan 1925)
in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Pátria é a Língua Portuguesa , Edição UNICEPE, 2004
"Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las."
(Augusto Cury)
The Beauty of Pollination
A Polinização é vital para a vida na Terra, mas, em grande parte, este fenómeno da natureza é invisível para o olho humano. O cineasta Louie Schwartzberg mostra-nos o mundo intrincado de pólen e polinizadorescom deslumbrantes imagens de alta velocidade de seu filme "Wings of Life", inspirado no desaparecimento de um dos principais polinizadores da natureza, as abelhas.
Polinização
Polinização é o ato da transferência de células reprodutivas masculinas (núcleos espermáticos) através dos grãos de pólen que estão localizados nas anteras de uma flor para o receptor feminino (estigma) de outra flor (da mesma espécie), ou para o seu próprio estigma. Pode-se dizer que a polinização é o ato sexual das plantas espermatófitas, já que é através deste processo que o gameta masculino pode alcançar o gameta feminino e fecundá-lo. A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais. Os tipos gerais de polinização são os seguintes:
Anemofilia: através do vento;
Entomofilia: Termo geral para todos os meios de polinização através de insetos, mas é um termo mais usado para polinização efetuada por abelhas, vespas e moscas;
Cantarofilia: com auxílio de besouros;
Psicofilia: efetuada por borboletas;
Falenofilia: através de mariposas;
Ornitofilia: polinização feita por aves;
Hidrofilia: através da água;
Artificial: através do homem;
Quiropterofilia: polinização feita por morcegos;
Malacofilia: polinização feita por moluscos;
Pode haver também a auto-polinização, quando uma flor recebe seu próprio pólen. Em muitos casos, a flor possui mecanismos que rejeitam o pólen produzido em suas anteras, o que assegura a reprodução sexuada, ou seja, que haja intercâmbio de genes com outros indivíduos da espécie. No entanto, indivíduos de algumas espécies não apresentam esses mecanismos, e aproveitam-se de seu próprio pólen para produzir sementes e garantir a estabilidade de sua população. Alguns destes mecanismos são:
Dicogamia: consiste no amadurecimento dos órgãos reprodutores em épocas diferentes; a dicogamia pode ser de dois tipos:
Protandria: quando amadurecem em primeiro lugar os órgãos masculinos e posteriormente os órgãos femininos.
Protoginia: quando amadurecem primeiramente os órgãos femininos e posteriormente os órgãos masculinos.
Dioicia: aparecimento de indivíduos com sexos separados: uma planta masculina e outra feminina.
Hercogamia: ocorre uma barreira física, que separa com filetes curtos e estiletes longos.
Heterostilia: ocorrência, nas flores, de estames com filetes curtos e estiletes longos
Auto-esterilidade: neste caso, a flor é estéril ao pólen que ela mesma produziu.
Entre as Gimnospermas a polinização é quase sempre anemófila. Especula-se que isso seja consequência do momento em que estas plantas evoluíram, quando não havia insetos especializados na coleta de pólen, como abelhas. A pequena variedade de meios de polinização neste grupo reflete-se na pouca variação morfológica de suas estruturas reprodutivas.
Em contraste, entre as Angiospermas, o surgimento de flores coincidiu com o surgimento de abelhas, borboletas, mariposas, aves e mamíferos, e a estrutura reprodutiva destas plantas foi selecionada de forma a atrair estes animais, surgindo então uma miríade de formas, tamanhos, cores, aromas e texturas, cada uma de acordo com uma estratégia mais ou menos específica de atração de polinizadores. Surgiram novas estruturas, como nectários, anteras com pólen estéril, ornamentações, pétalas comestíveis, glândulas de perfume, óleo e resina, todos recursos benéficos a aqueles animais que asseguram que suas flores sejam visitadas e seu pólem carregado para outra flor da mesma espécie.
O sucesso das Angiospermas entre os outros grupos vegetais, no que se refere à polinização, deve-se à elasticidade morfológica das flores de Angiosperma e sua capacidade de adaptação a diferentes agentes polinizadores (entre outros fatores).