sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Conto de Fadas" - Poema de Florbela Espanca


Henri Decaisne Maria Malibran as Desdemona in Rossini's "Otello" (1831) 
Paris, Carnavalet Museum



Conto de Fadas 


Eu trago-te nas mãos o esquecimento 
Das horas más que tens vivido, Amor! 
E para as tuas chagas o unguento 
Com que sarei a minha própria dor. 

Os meus gestos são ondas de Sorrento... 
Trago no nome as letras de uma flor... 
Foi dos meus olhos garços que um pintor 
Tirou a luz para pintar o vento... 

Dou-te o que tenho: o astro que dormita, 
O manto dos crepúsculos da tarde, 
O sol que é d'oiro, a onda que palpita. 

Dou-te comigo o mundo que Deus fez! 
- Eu sou Aquela de quem tens saudade, 
A Princesa do conto: “Era uma vez...” 







"Beleza, presente de um dia que o Céu nos oferece." 

(Alphonse de Lamartine)



Alphonse de Lamartine, ca.1865


Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine (Mâcon, 21 de outubro de 1790 - Paris, 28 de fevereiro de 1869) foi um escritor, poeta e político francês. Seus primeiros livros de poemas (Primeiras Meditações Poéticas, 1820 e Novas Meditações Poéticas, 1823) celebrizaram o autor e influenciaram o Romantismo na França e em todo o mundo. 

Filho de um conceituado capitão de cavalaria, Lamartine foi estudar em Lyon, voltando-se, desde a adolescência, para a poesia, com leituras de Horácio, Virgílio e Chateaubriand.
 Da educação de sua mãe, recebeu a dieta alimentar que, segundo nos parece por meio desta citação de Confidências (1854), o autor foi por toda vida vegetariano: “Minha mãe estava convencida, assim como foi sempre a minha convicção, de que matar os animais para nos sustentarmos com a sua carne e o seu sangue é uma das mais deploráveis e das mais vergonhosas enfermidades da condição humana; que é uma dessas maldições lançadas sobre o homem pelo endurecimento da sua própria perversidade.”

Em 1820 lançou seu primeiro livro, "Meditações" (Les méditations), inspirado num breve amor por Julie Charles, que morreu prematuramente.
Aclamado pela crítica, ingressou na carreira diplomática, o que lhe proporcionou viagens para Nápoles, Florença e Londres.
Frustrado, com a ascensão de Luís Filipe ao trono da França, em sua intenção de ingressar na carreira diplomática, retornou à poesia com Harmonias Poéticas e Religiosas (1830), Jocelyn (1836) e A Queda de um Anjo (1838).



 Lamartine in front of the Hôtel de Ville of Paris, on February 25, 1848, by Félix Philippoteaux.


 Lamartine foi membro do governo provisório e ministro do Exterior em 1848. Depois de sua mal sucedida candidatura às eleições presidenciais, escreveu apenas narrativas autobiográficas, terminando a vida em difícil situação financeira.
No fim da vida, o governo o socorre com uma renda vitalícia de 21 mil francos, a título de recompensa nacional. Lamartine morre em 1869,  numa casa que lhe fora doada.
Foi colaborador da revista Le Conservateur Littéraire.

 

Lamartine,  Albumin photograph by Nadar, 1856



 Obras de Lamartine:
Primeiras Meditações Poéticas (Premières méditations poétiques, 1820)
Novas Meditações Poéticas (Nouvelles méditations poétiques, 1823)
Harmonias poéticas e religiosas (Harmonies poétiques et religieuses, 1830)
Viagem ao Oriente (Voyage en Orient, 1835)
Jocelyn, 1836
A Queda de um Anjo (La chute d'un ange, 1838)
Os retiros (Les recueillements, 1839)
História dos Girondinos (Histoire des girondins, 1847)
Confidências (Confidences, 1849)
Raphaël, 1849
Novas Confidências (Nouvelles confidences, 1851)
O Talhador de Pedras de Saint-Point (Le tailleur de pierres de Saint-Point, 1851)
Geneviève, 1851 - romance policial
Curso Familiar de Literatura (Cours familier de littèrature, 1855) - 28 volumes
A Vinha e a Mansão (La vigne et la maison, 1857) - considerada sua obra-prima do período final.
Regina (Novela)
Graziela (Novela)




Lamartine, by Henri Decaisne (Musée de Mâcon)


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