Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura Pré-rafaelita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura Pré-rafaelita. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Que de Mim? - Poema de António Gedeão


Louis Janmot (French painter and poet, 1814-1892) - Poème de l'âme 16 - Le Vol de l’âme


Louis Janmot - Poème de l'âme 17 - L’Idéal



Que de Mim? 


Em quê de mim, as diferentes
coisas que vejo, me tocam?
Em quê de ser eu provocam
excitações tão frementes?

Que coisa de mim se enleia,
que permanência me afirma,
que sentido faz sentir-ma
no espaço que me rodeia?

Que linhas de força estranha
me prolongam na paisagem,
me tornam, à sua imagem,
mar ou céu, vale ou montanha?

Que fluidez dissolvente
os meus olhos humedece
quando o Sol desaparece
nas angústias do poente?

Que de mim também se afoga
nesse horizonte distante,
murmúrio de agonizante
que em tons roxos se interroga?

Que de mim chove na chuva,
e se abre nos tons da aurora?
Que de mim nas flores se inflora
e nas tardes se enviúva?

Ó estrelas do céu sem fim!
Ó vagas do mar sem fundo!
Será tudo mesmo assim?
Eu e vós, partes do mundo?
Ou o mundo, parte de mim?


António Gedeão
, 
in Poesias Completas (1956-1967), 
Portugália Editora.
 

Galeria de Louis Janmot
Louis Janmot, Autorretrato, 1832 


Anne-François-Louis Janmot (21 de Maio de 1814 - 1 junho 1892) foi um pintor e poeta francês. Foi também professor na École des Beaux-Arts. 
Ele nasceu em Lyon, filho de pais católicos que eram profundamente religiosos.
Janmot tem sido visto como uma figura de transição entre o Romantismo e o Simbolismo, prefigurando a parte francesa da Irmandade Pré-Rafaelita. Seu trabalho era admirado por Puvis de Chavannes, Odilon Redon, e Maurice Denis. Como Jean-Hippolyte Flandrin, outro pintor de Lyon e aluno de Ingres, Janmot realizou muitas encomendas para a decoração de igrejas. Em suas pinturas o acabamento impecável foi combinado com uma mística que tem paralelos na obra de seus contemporâneos, os nazarenos e os pré-rafaelitas.


Louis Janmot - Poème de l'âme 1 - Génération divine


Louis Janmot - Poème de l'âme 5 - Souvenir du ciel


Louis Janmot - Poème de l'âme 3 - L’Ange et la mère


Louis Janmot - Poème de l'âme 12 - L’Échelle d’or


Louis Janmot - Poème de l'âme 10 - Première Communion 


Louis Janmot - Poème de l'âme 13 - Rayons de soleil


sábado, 9 de fevereiro de 2013

"A Noite Desce" - Poema de Florbela Espanca



Valentine Cameron Prinsep (British painter, 1838
–1904), Sweet Repose, ex. 1885


A Noite Desce


Como pálpebras roxas que tombassem
Sobre uns olhos cansados, carinhosas,
A noite desce... Ah! doces mãos piedosas
Que os meus olhos tristíssimos fechassem!

Assim mãos de bondade me embalassem!
Assim me adormecessem, caridosas,
E em braçadas de lírios e mimosas,
No crepúsculo que me enterrassem!

A noite em sombra e fumo se desfaz...
Perfume de baunilha ou de lilás,
A noite põe-me embriagada, louca!

E a noite vai descendo, muda e calma...
Meu doce Amor, tu beijas a minh'alma
Beijando nesta hora a minha boca!


Florbela Espanca,
in 'Sonetos Completos', 1934
 
* * * 
 
Obras de Valentine Cameron Prinsep

[Valentine Cameron Prinsep, muitas vezes conhecido como Val Prinsep (1838–1904),
foi um pintor britânico da escola Pré-Rafaelita.]
 

Valentine Cameron Prinsep, My Lady Betty, ca. 1864
 


Valentine Cameron Prinsep, The Queen was in the Parlour, 1860,
 


Valentine Cameron Prinsep, At the First Touch of Winter,
Summer Fades Away
, c. 1887 
 


Valentine Cameron Prinsep, Il Barbagianni (The Owl), 1863 



Valentine Cameron Prinsep, Ayesha, 1887 



Valentine Cameron Prinsep, Head of an Italian Girl



Valentine Cameron Prinsep, Mariana, 1888 



Valentine Cameron Prinsep, Reclining Woman with a Parrot, ex. 1865
[The Lady of the Tooti-Nameh or The legend of the parrot]
 

domingo, 6 de janeiro de 2013

"A Essência da Poesia" - Texto de Pablo Neruda



Arthur Hughes (English painter and illustrator, 1832–1915), 'A Rocky Coast, Merope Rocks',
 near Harlyn Bay, North Cornwall, c. 1889–1892, National Trust. 


A Essência da Poesia 


"Não aprendi nos livros qualquer receita para a composição de um poema; e não deixarei impresso, por meu turno, nem sequer um conselho, modo ou estilo para que os novos poetas recebam de mim alguma gota de suposta sabedoria. Se narrei neste discurso alguns sucessos do passado, se revivi um nunca esquecido relato nesta ocasião e neste lugar tão diferentes do sucedido, é porque durante a minha vida encontrei sempre em alguma parte a asseveração necessária, a fórmula que me aguardava, não para se endurecer nas minhas palavras, mas para me explicar a mim próprio. 
Encontrei, naquela longa jornada, as doses necessárias para a formação do poema. Ali me foram dadas as contribuições da terra e da alma. E penso que a poesia é uma ação passageira ou solene em que entram em doses medidas a solidão e solidariedade, o sentimento e a ação, a intimidade da própria pessoa, a intimidade do homem e a revelação secreta da Natureza. E penso com não menor fé que tudo se apoia - o homem e a sua sombra, o homem e a sua atitude, o homem e a sua poesia - numa comunidade cada vez mais extensa, num exercício que integrará para sempre em nós a realidade e os sonhos, pois assim os une e confunde. E digo igualmente que não sei, depois de tantos anos, se aquelas lições que recebi ao cruzar um rio vertiginoso, ao dançar em torno do crânio de uma vaca, ao banhar os pés na água purificadora das mais elevadas regiões, digo que não sei se aquilo saía de mim mesmo para se comunicar depois a muitos outros seres ou era a mensagem que os outros homens me enviavam como exigência ou embrazamento. Não sei se aquilo o vivi ou escrevi, não sei se foram verdade ou poesia, transição ou eternidade, os versos que experimentei naquele momento, as experiências que cantei mais tarde. 
De tudo aquilo, amigos, surge um ensinamento que o poeta deve aprender dos outros homens. Não há solidão inexpugnável. Todos os caminhos conduzem ao mesmo ponto: à comunicação do que somos. E é necessário atravessar a solidão e aspereza, a incomunicação e o silêncio para chegar ao recinto mágico em que podemos dançar com hesitação ou cantar com melancolia, mas nessa dança ou nessa canção acham-se consumados os mais antigos ritos da consciência; da consciência de serem homens e de acreditarem num destino comum."


Pablo Neruda, in "Nasci para Nascer" (Discurso na entrega do Prémio Nobel)

***

 Galeria de Arthur Hughes

Arthur Hughes, 'A Rocky North Cornish Coast', c. 1889–1892, 
National Trust  



Arthur Hughes, 'Springtime (Cornwall)', Beverley Art Gallery



Arthur Hughes, 'Above a Cove, North Cornwall', c. 1889–1892



Arthur Hughes, 'Burghfield Orchard, near Reading', c. 1898–1899  



Arthur Hughes, 'Cottage at Burghfield, near Reading, with Pond', c. 1886–1887



Arthur Hughes, 'Burghfield, near Reading', National Trust
 


Arthur Hughes, 'A Man Scything in a Field of Poppies', 
National Trust



Arthur Hughes, The Swineherd, c. 1875, Brighton Museum & Art Gallery



Arthur Hughes, 'The Sluggard, Market Women, Brittany, France', 1876



Arthur Hughes, 'He is Risen - The First Easter', c. 1893–1896, William Morris Gallery


 
Arthur Hughes, 'As You Like It' (3 panels), c. 1872–1873, Walker Art Gallery
 


Arthur Hughes, 'Ophelia', 1852
 
 

Arthur Hughes, 'Gleaning'
 
 

Arthur Hughes, 'The Mower', c. 1865, Aberdeen Art Gallery
 


Arthur Hughes, 'Ellen Dana Conway' (1833–1897), 1873,

Arthur Hughes, 'April Love', c. 1855–1856, Tate Britain, London
 
 

Arthur Hughes, 'Ophelia' (Second Version), 1863, Ashmolean Museum
 

"A Caridade" - Poema de João de Deus



Arthur Hughes (English painter and illustrator, 1832–1915),
'A Christmas Carol at Bracken Dene', c. 1878–1879,
Birmingham Museum and Art Gallery



A Caridade


Eu podia falar todas as línguas
Dos homens e dos anjos;
Logo que não tivesse caridade,
Já não passava de um metal que tine,
De um sino vão que soa.

Podia ter o dom da profecia,
Saber o mais possível,
Ter fé capaz de transportar montanhas;
Logo que eu não tivesse caridade,
Já não valia nada!

Eu podia gastar toda afortuna
A bem dos miseráveis,
Deixar que me arrojassem vivo às chamas;
Logo que eu não tivesse caridade,
De nada me servia!

A caridade é dócil, é benévola,
Nunca foi invejosa,
Nunca procede temerariamente,
Nunca se ensoberbece!

Não é ambiciosa; não trabalha
Em seu proveito próprio; não se irrita;
Nunca suspeita mal!

Nunca folgou de ver uma injustiça;
Folga com a verdade!

Tolera tudo! Tudo crê e espera!
Em suma tudo sofre!


João de Deus
, in 'Campo de Flores' 
 

João de Deus in 'O Ocidente', 1878 
 
 
João de Deus 

Poeta e pedagogo, João de Deus de Nogueira Ramos nasceu a 8 de março de 1830, no Algarve, e morreu a 11 de janeiro de 1896, em Lisboa.
Depois de ter frequentado, durante dez anos, o curso de Direito em Coimbra (onde foi uma das figuras mais destacadas da boémia estudantil da época e se relacionou com alguns elementos da Geração de 70, sobretudo Antero de Quental e Teófilo Braga), de ter dirigido em Beja, entre 1862 e 1864, o jornal O Bejense (onde publicou muitas das suas primeiras poesias), e de ter iniciado a prática de jurisconsulto, foi eleito deputado, em 1868, por Sines. Mudou-se para Lisboa, onde continuou a frequentar ambientes de boémia literária. Colaborou em vários jornais e revistas, como O Académico, Anátema, O Ateneu, Ciências, Artes e Letras, O Fósforo, Gazeta de Portugal, A Grinalda, Herculano, Prelúdios Literários e Revista de Coimbra. Por volta de 1868-1869, coligiu as suas poesias no volume Flores do Campo, a que se seguiram Ramo de Flores (1869), Folhas Soltas (1876), Despedidas do verão (1880) e Campo de Flores (1893). No seguimento da sua nomeação para o cargo de comissário-geral do ensino da leitura, viria a desempenhar um papel social e cultural da maior distinção, revelando-se decisivos os seus esforços para a alfabetização de camadas cada vez mais alargadas da população portuguesa. A publicação, em 1876, da célebre Cartilha Maternal, método de ensino da leitura verdadeiramente revolucionário no panorama pedagógico nacional, constituiu um marco importante desse processo. Devido, em parte, à sua ação de pedagogo, em 1895 foi agraciado com várias homenagens à escala nacional, entre as quais a de sócio-honorário da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra.
Como poeta, João de Deus situou-se num momento em que a via ultrarromântica estava já a esgotar-se, mas, apesar do apreço que lhe manifestavam autores como Antero de Quental, não se identificou com as preocupações filosóficas e sociais da Geração de 70. De facto, a temática dominante da sua obra poética afastou-o da nova corrente. O seu lirismo intimista versa constantemente sobre o amor, e por vezes perpassa um sentido de plácida religiosidade, exprimindo-se sempre num estilo simples. A sua obra abrange vários géneros, da ode à elegia, do epigrama à fábula, passando pelo soneto. João de Deus, que Antero considerava, já em 1860, "o poeta mais original do seu tempo", defendeu e praticou um lirismo depurado, inspirado, a exemplo de Garrett, na lírica tradicional portuguesa e na obra camoniana, de onde recuperaria o soneto como um dos seus géneros de eleição.

João de Deus. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-01-06].
  
*** 

Galeria de Arthur Hughes 

Arthur Hughes, 'Self-portrait', 1851

Arthur Hughes (27 de janeiro de 1832 – 22 de Dezembro de 1915) foi um pintor e ilustrador Inglês associado com a Irmandade pré-rafaelita. Ele é o tio do pintor Inglês Edward Robert Hughes.



Arthur Hughes, 'Saying Grace, The Skipper and His Crew', 1881

 

Arthur Hughes, 'Mrs. Norman Hill and Children', 1897



Arthur Hughes, 'Mrs Leathart and Her Three Children', c. 1863–1865



Arthur Hughes, 'Mother and Child Seated in Garden', c. 1865–1870
 
 
 
Arthur Hughes, 'The Children of Birkbeck Hill', 1868

 

Arthur Hughes, 'The Potter's Courtship', c. 1886
 

 
Arthur Hughes, 'Home from Work', c. 1870


 
Arthur Hughes, 'Sir Galahad - the Quest of the Holy Grail', 1870



Arthur Hughes, 'In the Grass', c.1864–1865, Sheffield Galleries and Museums Trust
 

 
Arthur Hughes, 'Mabel and Ruth Orrinsmith', c. 1878