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sexta-feira, 30 de maio de 2025

"Amor" - Poema de Roseana Murray


Donald Zolan (American painter, 1937 - 2009), 'Nostalgic Summer Memories'.
 

Amor


Todas as palavras
de amor já foram ditas,
desde o começo,
todos os espantos.
E no entanto,
há que carregá-las
no bolso,
sempre ao alcance
das mãos,
há que desdobrá-las,
encharcadas de aurora,
de crepúsculo,
de tempo,
para que digam
uma e outra vez.
"Caligrafia dos Sentimentos" 
 
 
"Caligrafia dos Sentimentos" de Roseana Murray.
Livro ilustrado com caligrafia de Silvane Silva.
Editora Feminas, 2020.
 
 Roseana Murray autora de livros de poesia e contos para crianças, jovens e adultos é graduada em Língua e Literatura francesa pela Universidade de Nancy através da Aliança Francesa. Trabalha com o Projeto de Leitura Café, Pão e Texto, recebendo Escolas Públicas em sua casa para um café da manhã literário. Faz palestras sobre a Formação do Leitor. Tem cerca de cem livros publicados. (daqui)
 
 
Donald Zolan, 'Country Kitten'.


"Gatos são poemas ambulantes. Pisam na terra como se estivessem no céu
e seus olhos atravessam as fronteiras dos mundos invisíveis."

Roseana Murray
, "Falando de Pássaros e Gatos", 1990. 
 
 
Donald Zolan, 'Just we two'.


"Fica demonstrado que as coisas que vemos e que são comuns a todos, as coisas que são iluminadas pela luz exterior, são muito menores do que as coisas que vemos com a luz dos nossos olhos. De resto é da mistura das duas luzes que o mundo é feito."

Afonso Cruz, em 'O Pintor Debaixo do Lava-Loiças', 2011.
 
 
Afonso Cruz, 'O Pintor Debaixo do Lava-Loiças'
Editora: CAMINHO 


SINOPSE
 
(Livro recomendado PNL2027 dos 15-18 anos - leitura fluente)
 
A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro-Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças. (daqui)
 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

"A Borboleta" - Poema de Roseana Murray



Harold Harvey (British painter, 1874-1941), Two Young Girls with a Butterfly, 1929.


A Borboleta

 
Em sua casa casulo
bem enrolada nos fios,
a lagarta dorme a noite
dos que fabricam
asas no escuro.
O seu sono é de veludo
e segredo
e pouco a pouco,
enquanto o menino
e a menina piscam
os olhos,
não se sabe
como aconteceu:
a lagarta virou
borboleta azul,
vira virou
uma borboleta aguarela.


Roseana Murray, in "Vira Virou"
 
 
"Vira Virou" de Roseana Murray
‎ Nova Fronteira; 1ª edição (31 julho 2022)
 
 
Descrição


Neste livro de poemas, a premiada autora Roseana Murray fala sobre a passagem do tempo, a transitoriedade, a mudança das formas, a imaginação infantil: a lagarta que vira borboleta enquanto a criança dorme, o menino que vira pirata, vira cantor, vira mágico. A também premiadíssima Mariana Massarani criou ilustrações com colagens, e papeizinhos multicoloridos vira viraram gafanhotos, gatos de olhos azuis, menino, menina, riacho... Vira virou! A escritora e narradora de histórias Penélope Martins assina o texto de orelha e avisa de pronto que poesia é bicho instruído. Então, fique atento, porque poesia te pega de jeito e nunca mais te larga.

“Olhe para o céu/ e adivinhe/ um elefante de nuvem,/ mas basta um sopro/ e pronto,/ vira virou/ uma girafa e seu pescoço/ se enrola, vai e volta,/ parece uma argola/ e pronto/ vira virou”. 
Para leitores que gostaram de "Cantigamente", de Leo Cunha, "Fulustreca", de Luiz Raul Machado, e "Amor plenilunar", de Rui de Oliveira. (daqui)

sexta-feira, 7 de março de 2025

"Nunca se sabe" - Poema de Roseana Murray



Charles Spencelayh
 (English painter, 1865–1958), False Alarm, s.d.
 


Nunca se sabe

 
Nunca se sabe
o que o dia oferecerá,
ou a noite,
ou mesmo a madrugada,
e convém estar preparado
para qualquer vento,
sol ou tempestade
com um poema no bolso,
como se fosse um lenço
para enxugar o suor,
ou mesmo uma lágrima,
ou um pedaço de bolo
para comer devagarinho,
(junto com uma xícara de chá de orvalho),
migalha por migalha.
Um poema é como
um passe de mágica,
uma pirueta,
um bilhete para o trem
que sai da estação
pontualmente,
em hora nenhuma
numa data inexistente.


Roseana Murray,
"Dançam porque não podem voar"
 
 
"Dançam porque não podem voar", de Roseana Murray.
Elo Editora, 2022

 
 
SINOPSE

O que cabe dentro de uma bolha de sabão? De um arco-íris? Qual a utilidade de se colecionar pedras? Quando se deve usar um colar de pérolas e o que podemos vestir em dias de chuva? E em dias de sol? Neste livro, Roseana Murray transforma em poesia acontecimentos e sensações do quotidiano, revelando detalhes que, muitas vezes, não prestamos atenção.

São 23 poemas que falam sobre temas diversos: chuva, sol, céu, música, dança, objetos antigos, cartas, brincadeiras, pedras e até panelas. Essa variedade de assuntos e abordagens se unificam sob o olhar sensível e perspicaz da autora que destaca com delicadeza a beleza de cada momento que podemos viver no nosso dia a dia.

Enquanto Roseana brinca com as palavras para encantar o leitor com simplicidade, Simone Matias usa traços, cores e colagens para compor as ilustrações que complementam e representam os textos dos poemas.

O livro convida o leitor a olhar ao seu redor e perceber a poesia presente na vida. (daqui)
 


Charles Spencelayh (English painter, 1865–1958), Always Busy, 1901.
 

"A sabedoria consiste em compreender que o tempo dedicado ao trabalho nunca é perdido." 

Ralph Waldo Emerson,
The Complete Works of Ralph Waldo Emerson‎ - v.7 Página 294.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

"Inventário de razões para se ser gato" - Poema de Eugénio Lisboa



Horatio Henry Couldery (English animal painter and illustrator, 1832 - 1918),
Visiting Time, oil on canvas, 76.8 x 64.8 cm.
 
 

 Inventário de razões para se ser gato


Os gatos nunca sonham com impérios,
não trocam nunca uma boa soneca
pela honra de dirigir ministérios
ou pelo direito a usar beca.

Os gatos não cambiam um petisco
por um Rolls-Royce ou por um Ferrari.
Se pretendem estender-lhes um isco,
mostrem-lhes um prato de calamari.

Os gatos têm ambições modestas:
cama, mesa e roupa bem lavada,
de vez em quando, umas lindas festas,

e, de preferência, não fazer nada!
Se o gato em qualquer nicho cabe,
o gato, acima de tudo, sabe!

31.12.2023

Eugénio Lisboa

(Ensaísta e crítico literário português, 1930 – 2024)  

 

Horatio Henry Couldery, Curiosity, 1893. Oil on canvas, 60 x 83 cm. 
 


Olhos oblíquos


De onde vieram
com seus olhos oblíquos
seus olhos de seda e luz?
Vieram de um misterioso país
oblíquo
onde só podem entrar
os poetas com seus veleiros
e os homens que amam os gatos.


Roseana Murray
,
"Falando de Pássaros e Gatos", 1990.
 
 
“Gatos são poemas ambulantes.”

Fonte: https://citacoes.in/autores/roseana-murray/

segunda-feira, 26 de julho de 2021

"Desejo do cheiro da casa da avó" - Poema de Roseana Murray


Adolf Humborg (Áustria, 1847–1921), Avó costura as calças do neto, 1921
 
 

Desejo do cheiro da casa da avó


Tudo o que a avó fabrica
em sua cozinha encantada
tem cheiro bom:
bolo de chocolate, biscoito de nata,
sonhos embrulhados
em açúcar e canela,
que são como nuvens
no céu da boca e expulsam
qualquer pesadelo.

As mãos da avó,
cheias de farinha
e tempo acumulado,
acariciam, tocam na superfície
dos pães e da pele da gente
com tanto amor
que curam qualquer defeito
do lado esquerdo ou direito.

Na casa da avó
o ar é perfumado
e parece um abraço
e até o final dos tempos
o cheiro da casa da avó
fica grudado em nosso
pensamento.

01.07.2014

Roseana Murray, in Poço dos Desejos,
Ed. Moderna, 2014
 

  
Albert Anker (Suiça, 1831-1910), Avó dá sopa à neta, 1868


"Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. 
Só aprendemos a ser pais depois que somos avós…"

(Affonso Romano de Sant'Anna)




Em Portugal, o Dia dos Avós celebra-se a 26 de julho. Foi uma senhora natural de Penafiel, Ana Elisa Couto (1926-2007), conhecida como Dona Aninhas, que reivindicou a instituição de uma data que valorizasse a figura dos avós. Ela era avó de seis netos. Foram precisos 20 anos para que a data comemorativa fosse reconhecida, tendo-se escolhido o dia 26 de julho, por este ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. A data foi instituída pela Assembleia da República em 2003.

 

 


António Patrício (Lisboa, 1827 - 1858) teve uma carreira breve e sem brilho, marcada por uma escassa produção e pela morte prematura. As suas origens humildes e a carência de meios financeiros durante toda a vida, dificultaram o seu percurso artístico. Desde cedo exerceu funções de aprendiz na Fábrica de Tabacos em Xabregas. Iniciou os seus estudos de arte com o auxílio do capelão de um convento onde realizara trabalhos.
Foi discípulo do pintor António Manuel da Fonseca, e colega dos artistas da geração romântica na Academia Real de Belas-Artes, onde se matriculou em 1844 para estudar Pintura Histórica. Deu aulas de desenho, pintava costumes populares e cenas de género, com temas de inspiração sentimental e anedótica, numa vertente do romantismo português. Realizou ainda pinturas decorativas nos tetos das igrejas lisboetas de S. João da Praça, mais tarde destruído por um incêndio, e das Mercês.
O seu primeiro êxito foi alcançado em 1856 na 3ª Exposição Trienal da Academia com a obra A Interrupção da Leitura, mais tarde intitulada A Avó, afetuosa cena familiar. Explora situações de dramático sentimentalismo (Tempestade e Despedida), realizadas pouco antes de morrer. - Cristina Pieske (daqui)
 
 
 
António José Patrício, A despedida, 1858, Museu do Chiado
 
 
António Patrício associa-se ao grupo de pintores românticos e desenvolve um projeto sentimental, de dramaticidades simplistas. Nesta obra (A despedida), de cariz cenográfico, próxima de uma cena engendrada em atelier fotográfico, três gerações sofrem, com mágoa, a partida de um familiar. A carga patética exprime-se nos gestos das personagens, nas referências paisagísticas. As ruínas da aldeia, ao longe e na penumbra, metáfora da “ruína” dos sentimentos provocada pela separação, estruturam o jogo dramático, que com o teatro popular se pode relacionar. Este evidencia-se na expressão meditativa, no olhar alongado da rapariga, no lenço com que a criança acena e no abandono doloroso da velha mulher, rosto na sombra, mão na testa e costas viradas à realidade da partida. O olhar do espetador é atraído para a riqueza de pormenores dos trajos populares femininos, diluindo-se, paradoxalmente, a dramaticidade do episódio.
Este sentido populista, muito divulgado na época, relaciona-se em Patrício com as suas origens de família operária. Com poucos recursos, limitado às fronteiras nacionais, por vezes com informações de estéticas estrangeiras através de álbuns, Patrício escolhe os caminhos mais adequados à sua restrita cultura, tentando integrar-se no gosto pelo registo da pintura de costumes populares. Saliente-se a escolha do tema que, pela primeira vez, revela na pintura a pesada realidade social da emigração, contraponto inerente às fragilidades do processo civilizacional e do período político marcado pela Regeneração que então se iniciava. - Maria Aires Silveira (Daqui) 
 

sábado, 3 de março de 2012

"Aniversário" - Poema Roseana Murray


Nils Blommér, Fadas do prado, 1850.
 


Aniversário 


Para o teu aniversário
o céu se arrumou inteiro:
estrelas escreveram teu nome,
cometas construíram um caminho
com poeira de luz
para que o teu destino,
carruagem carregada de sonhos,
pudesse passar.

Para o teu nascimento
os anjos inventaram palavras
nunca antes pronunciadas,
e os jardins secretos
fabricaram flores desconhecidas.

Para o teu nascimento
o universo inteiro
desfraldou suas velas.


in 'Pêra, uva ou maçã' 


Nils Blommér, Freyja Seeking her Husband, 1852


"Para alcançar o sucesso quatro coisas são necessárias: trabalhar, orar, pensar e acreditar."

(Norman Vincent Peale)


Norman Vincent Peale (31 de maio de 1898, Bowersville, Ohio, EUA — 24 de dezembro de 1993, Pawling, New York, EUA) foi um pastor e escritor americano de teorias sobre o pensamento positivo. 
É considerado nos Estados Unidos, o ministro dos "milhões de ouvintes", o doutor em "terapêutica espiritual". Tornou-se popular através da sua constante colaboração na imprensa, dos seus programas de rádio e de televisão, bem como pelos notáveis volumes em que se tem reunindo o melhor dos seus sermões.


Mafalda Veiga - Um Pouco de Céu


domingo, 8 de janeiro de 2012

"Invento" - Poema de Roseana Murray


Monna Vanna – a nude version of the Mona Lisa. by Salaì (Gian Giacomo Caprotti)



Invento 


Invento luares de agosto
e auroras boreais
invento as noites mais frias
invento as noites mais quentes
invento crisântemos transparentes
guirlandas de silêncios minerais
invento algas cristalinas
cavernas de cristais
invento o que só com amor
se pode inventar
o que já foi dito mil vezes
e que sempre se dirá.


Roseana Murray


Roseana Murray (Rio de Janeiro, 27 de junho de 1950) é uma poetisa e escritora de obras infanto-juvenis brasileira.