No ano seguinte o nome mudaria de Elite para Majestic, sugerindo o chic parisiense, mais de encontro à clientela que pretendia atrair, e tão apreciado na época.
Hoje em dia continua a ser animado com
recitais de poesia, concertos de piano, exposições de pintura,
lançamentos de livros, realização de algumas cenas para filmes nacionais
ou estrangeiros.
Estilo arquitetónico
O Café Majestic de traça ideada pelo arquitecto
João Queirós, inspirada na obra
do mestre
Marques da Silva, permanece ainda hoje como um
dos mais belos e representativos exemplares de
Arte Nova na cidade
do Porto. O edifício, fundea
do em
1916 no ângulo forma
do pelas ruas de Santa Catarina e Passos Manuel, previa, na memória descritiva da sua reconstrução, a existência de "
estabelecimentos virados para a rua pedonal."
A imponente fachada em mármore, adornada
com aspectos vegetalistas de formas sinuosas, reflecte o bom estilo
decorativista da altura. Um trio de elegantes colunas marca a frontaria,
limitada por uma secção retangular, rasgada em vidro. No topo um
frontão coroa a composição com as iniciais do Majestic. Ladeiam-no duas representações de crianças que, divertidas, convidam o transeunte a entrar.
Dentro do estabelecimento,
de planta rectangular, reina a linguagem Arte Nova. A simetria
curvilínea das molduras em madeira e os pormenores decorativos cativam a
observação. Grandes espelhos riscados pela idade, intercalados por candeeiros em metal trabalhado, delimitam as paredes num inteligente jogo ótico de amplitude, que lhe dá uma dimensão maior que a real.
Esculturas em
estuque, representan
do rostos
humanos, figuras desnudas e florões, confirmam o gosto ondulante e
sensual, enquanto que duas linhas de bancos em couro grava
do, substituin
do os originais em velu
do vermelho, criam, em termos de perspetiva, uma sensação de profundidade e elegante aconchego.
O recorte sinuoso dos caixilhos da espelharia, a luminosidade dos candeeiros, os detalhes em mármore e os bustos sorridentes que se estendem das paredes ao tecto, conferem-lhe ambiência dourada e confortável, incitando ao repouso e à conversa amena. O Café Majestic emana uma atmosfera de luxo, requinte e bem-estar.
O pátio interior, construí
do em
1925, é um recanto de contornos delica
dos, com escada e balaustrada de pequenas dimensões, arquitecta
do como se de um jardim de Inverno se tratasse. Sob a direcção
do mestre
Pedro Mendes da Silva, este espaço simboliza uma nova era
do Café Majestic. A construção do bar e da ligação ao
café por meio de uma escadaria, permitiu abrir uma nova frente, a da rua Passos Manuel, "
…onde será posto à venda vinho do Porto. Para isso, escolheu-se o estilo regional da nossa arquitectura, não só para a construção do bar, mas também para a vedação do muro."
A nova
fachada foi subsequentemente idealizada e executada seguin
do moldes diferentes
dos a
dopta
dos para o interior. Se este é ao gosto internacional, o novo espaço, não o renegan
do, apresenta um estilo mais rústico, manifestan
do o que mais tarde
Raul Lino designou por casa portuguesa.
Nesse mesmo ano o Majestic cumpre singularmente a função plural de satisfazer to
dos
os desejos da clientela. Volta a chamar o arquitecto João Queirós,
agora para abrir uma modesta mas graciosa janela no muro remodela
do, virada para a rua Passos Manuel, onde passará a vender tabaco e rapé à população. Um ano depois, em
1926, o espaço é amplia
do e cedi
do à exploração da firma
Tinoco & Irmãos, construin
do uma "
pequena cabina (…) para servir de tabacaria."
Auspícios de novos tempos e hábitos surgiram em
1927, através da ampliação
do bar com vista ao "
serviço e fornecimento de cerveja para o terraço ali já existente".
O espaço, portanto, apresenta-se evolutivo. De uma formulação mais depurada e arquitectural à entrada, motivada pelas raízes
Beaux Arts do arquiteto, ao nos aproximarmos
do jardim passamos para um decorativismo colmata
dor das estruturas arquitetónicas, terminan
do no portal jónico de ligação ao exterior, com grande volutas transparentes e sensuais, tipicamente
Art Nouveau, insinuan
do as
esculturas femininas que vislumbramos no exterior. Esse, verdejante e
luminoso, serve actualmente para a dinamização de concertos durante o
Verão, pelo que se tornou no terceiro centro cultural
do Majestic,
a rivalizar com o piano de cauda no interior e com as inúmeras
exposições de pintura a acontecer no piso inferior, outrora vota
do ao jogo de bilhar.
Sob a égide
dos Barrias, o
Café foi encerra
do para execução de um projecto de remodelação. Em
1994, depois da substituição
do pavimento interior, da reposição
do mobiliário original e
do desenho de um novo balcão, o
Majestic foi reaberto, devolven
do-se-lhe finalmente uma merecida notoriedade.
A partir da
década de 1960, a transformação
do ritmo de vida provocou o declínio destes estabelecimentos e o Majestic não escapou a essa sorte até aos primeiros anos da
década de oitenta.
Porém, a sua beleza original e o seu significa
do na cidade
do Porto, valeram-lhe a classificação em
24 de Janeiro de
1983 de
Imóvel de Interesse Público
e "património cultural" da cidade, o que possibilitou que se iniciasse
um processo de recuperação que, apesar de longo, permitiu a reabertura
do café em Julho de
1994 com to
do o seu antigo esplen
dor, convidan
do a reviver a fascinante
Belle Époque.
Uma das cerimónias da despedida de
Macau, no final
do perío
do de administração portuguesa, teve lugar no
Café Majestic com a presença
do Embaixador da
China em Portugal.
Bibliografia