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quarta-feira, 15 de abril de 2026

"Eu aprendi a dizer sim" - Poema de Antero Coelho Neto



Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista
e tradutora brasileira, 1886-1973), Bandeira do Divino, 1939-1968.



Eu aprendi a dizer sim


Eu aprendi a dizer sim quando via natureza
molhada na manhã alegre do primeiro dia novo.

Eu aprendi a dizer não quando reconheci a fome
no homem indefeso e não achei nenhuma razão.

Eu aprendi a dizer sim quando o dia amanheceu
e fiquei deslumbrado com a esperança renovada.

Eu aprendi a dizer não quando quiseram que traísse
os princípios fundamentais da humanidade em luta.

Eu aprendi a dizer sim quando fui à escola
de minha infância e corri, gritei e... aprendi.

E então o sim e o não passaram a ser inexoráveis
durante todo o resto da vida, depois que aprendi.


Antero Coelho Neto
(Médico, escritor, professor e reitor brasileiro, 1931 - 2016)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

"Aqui termina o caminho" - Poema de Emílio Moura



Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista
e tradutora brasileira, 1886-1973),
 Lagoa Santa, 1925.

Aqui termina o caminho


Os sinos cantando, as sombras todas se diluindo 
dentro da tarde. Dentro da tarde, o teu grave 
pensamento de exílio.

Porque ainda esperas? Aqui termina o caminho, 
aqui morre a voz, e não há mais eco, nem nada.

Por que não esquecer, agora, as imagens que tanto 
nos perturbaram 
e que inutilmente nos conduziram 
para nos deixar de súbito na primeira esquina?

Essa voz que vem não sei de onde, 
esses olhos que olham não sei o quê, 
esses braços que se estendem não sei para onde...

Debalde esperarás que o eco de teus passos acorde 
os espaços que já não têm voz.

As almas já desertaram daqui. 
E nenhum milagre te espera, 
nenhum.


Emílio Moura
 (1902-1971), 
in "Canto da hora amarga", 1936.
 
 

Tarsila do Amaral, Palmeiras, 1925.


(Olhando os Babaçus em Alcântara)


A palmeira e sua palma
Ondulam o ideal
Da calma.


Millôr Fernandes, in "Hai-kais",
Porto Alegre: L&PM, 1997.
 

sábado, 7 de março de 2026

"Deveras" - Poema de Luci Collin

 

Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista
e tradutora brasileira, 1886
1973), "Rio de Janeiro", 1923.
 

Deveras 


o poeta finge
e enquanto isso
cigarras estouram
pontes caem
azaleias claudicam
édipos ressonam
vacinas vencem
a bolsa quebra e
o poeta finge
e enquanto isso
vagalhões explodem
o pão adoece
astros desviam-se
manadas inteiras se perdem
a noite range
o vento derruba ninhos e
o poeta finge
e enquanto isso
vozes racham
veias entopem
galeões afundam
medeias abatem crias
turvam-se as corredeiras
o sapato aperta e
o poeta finge
que as mãos cheias de súbitos
não são as suas


Luci Collin, in "A palavra algo"
Iluminuras, 2016.
 
 
Tarsila do Amaral, "São Paulo", 1924.


"Sou poeta quando entendo a voz do vento,
E me vejo fantasma e sentimento."


Teixeira de Pascoaes, do poema Humildade,
em "Vida Etérea", 1906.
 

[A obra "São Paulo", de Tarsila do Amaral, é uma pintura que faz parte de uma série conhecida como "Pau-brasil", que incluía paisagens tipicamente brasileiras, tanto rurais quanto urbanas. No que se refere à forma, Tarsila desenvolveu uma abordagem ousada, estilizada para obter figuras que poderiam transmitir o dinamismo da rápida modernização do país. Neste quadro, a artista preenche a metrópole com ícones de progresso: bombas de gasolina e um poste de eletricidade se destacam em primeiro plano; no fundo, um bonde, uma ponte de ferro, um edifício em construção e um cartaz com números expressam a chegada da modernidade.] (daqui)
 


Tarsila do Amaral, A gare, 1925. 
 

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

"Que Natal?" - Poema de Eugénio Lisboa

 

 
Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista e 
tradutora brasileira, 1886-1973), Natal, 1940.


Que Natal?



Natal não tive. Ou tive
só o Natal que tiveram
minhas filhas. Esse vive
como as coisas que viveram
mas já não são. Que Natal
tenho hoje? Que alegria,
que festa, neste final,
nesta descida sombria?
Diz Natal quem diz começo,
ou chegada, ou descoberta...
Onde estou, só há tropeço,
terra fria e deserta.

Se, no fim, recomeçasse!
Se, descendo, eu subisse!
Se, parando, não parasse!
Ressuscitar... quem o disse?


Eugénio Lisboa
 

terça-feira, 9 de março de 2021

"Sextilhas Românticas" - Poema de Manuel Bandeira



 Tarsila do Amaral (1886, Capivari, SP - 1973, São Paulo, SP) – 'Cartão Postal', 1928.

[O estilo de pintura ousado, colorido e original de Tarsila do Amaral, evidente na obra “Cartão postal”, fez dela uma líder no movimento de arte moderna do Brasil. Ela era membro do Grupo dos Cinco, que incluiu outros quatro artistas brasileiros que influenciaram fortemente a cena artística do país no início do século XX. “Cartão postal” mostra a cidade do Rio de Janeiro circundada pela sua paisagem verdejante e montanhosa. Em primeiro plano, um macaco reclina-se na copa de uma árvore, enquanto colinas despontam a partir do horizonte, à distância. Tarsila passou a moldar a compreensão popular sobre a cultura e a identidade brasileiras, pintando as pessoas do país e as paisagens habitadas por elas.] (daqui)


 Sextilhas Românticas  
 
 
Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
– Mas que importa o rouxinol?
Frio, nevoeiros da serra
Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!

Sou romântico? Concedo.
Exibo, sem evasiva,
A alma ruim que Deus me deu.
Decorei “Amor e medo”,
“No lar”, “Meus oito anos”… Viva
José Casimiro Abreu!

Sou assim, por vício inato.
Ainda hoje gosto de Diva,
Nem não posso renegar
Peri, tão pouco índio, é fato,
Mas tão brasileiro… Viva,
Viva José de Alencar!

Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
– Pinhões para o rouxinol!
Frio, nevoeiros da serra
Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol! 

Ai tantas lembranças boas!
Massangana de Nabuco!
Muribara de meus pais!
Lagoas das Alagoas,
Rios do meu Pernambuco,
Campos de Minas Gerais!


Manuel Bandeira
,
in 'BELO BELO' - 1ªED. (2014)



Tarsila do Amaral, O Pescador, 1925 - Óleo sobre tela, 66x75 cm.
 
 
Pescaria

Cochilo. Na linha
  ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha. 
 
Guilherme de Almeida
(Haicai/Haikai)

terça-feira, 2 de junho de 2020

"Diversidade" - Poema de Tatiana Belinky



Tarsila do Amaral  (1886-1973), Crianças do Orfanato, 1935.



Diversidade


Um é feioso,
Outro é bonito
Um é certinho
Outro, esquisito

Um é magrelo
Outro é gordinho
Um é castanho
Outro é ruivinho

Um é tranquilo
Outro é nervoso
Um é birrento
Outro dengoso

Um é ligeiro
outro é mais lento
Um é branquelo
Outro sardento

Um é preguiçoso
Outro, animado
Um é falante
Outro é calado

Um é molenga
Outro forçudo
Um é gaiato
Outro é sisudo

Um é moroso
Outro esperto
Um é fechado
Outro é aberto

Um carrancudo
Outro, tristonho
Um divertido
Outro, enfadonho

Um é enfezado
Outro é pacato
Um é briguento
Outro é cordato

De pele clara
De pele escura
Um, fala branda
O outro, dura

Olho redondo
Olho puxado
Nariz pontudo
Ou arrebitado

Cabelo crespo
Cabelo liso
Dente de leite
Dente de siso

Um é menino
Outro é menina
(Pode ser grande
ou pequenina)

Um é bem jovem
Outro, de idade
Nada é defeito
Nem qualidade

Tudo é humano,
Bem diferente
Assim, assado
Todos são gente

Cada um na sua
E não faz mal
Di-ver-si-da-de
É que é legal

Vamos, venhamos
Isto é um facto:
Tudo igualzinho
Ai, como é chato!


domingo, 14 de abril de 2019

"A bicicleta pela lua dentro" - Poema de Herberto Helder

Tarsila do Amaral, A Lua, 1928. 


A bicicleta pela lua dentro


A bicicleta pela lua dentro – mãe, mãe –
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei de fazer senão sonhar
ao contrário quando novembro empunha –
mãe, mãe – as tellhas dos seus frutos?
As nuvens, aviões, mercúrio.
Novembro – mãe – com as suas praças
descascadas.

A neve sobre os frutos – filho, filho.
Janeiro com outono sonha então.
Canta nesse espanto – meu filho – os satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Aviões passam no teu nome –
minha mãe, minha máquina –
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve.

Avança, memória, com a tua bicicleta.
Sonhando, as árvores crescem ao contrário.
Apresento-te novembro: avião
limpo como um alfabeto. E as praças
dão a sua neve descascada.
Mãe, mãe — como janeiro resplende
nos satélites. Filho — é a tua memória.

E as letras estão em ti, abertas
pela neve dentro. Como árvores, aviões
sonham ao contrário.
As estátuas, de polvos na cabeça,
florescem com mercúrio.
Mãe — é o teu enxofre do mês de novembro,
é a neve avançando na sua bicicleta.

O alfabeto, a lua.

Começo a lembrar-me: eu peguei na paisagem.
Era pesada, ao colo, cheia de neve.
la dizendo o teu nome de janeiro.
Enxofre — mãe — era o teu nome.
As letras cresciam em torno da terra,
as telhas vergavam ao peso
do que me lembro. Começo a lembrar-me:
era o atum negro do teu nome,
nos meus braços como neve de janeiro.

Novembro — meu filho — quando se atira a flecha,
e as praças se descascam,
e os satélites avançam,
e na lua floresce o enxofre. Pegaste na paisagem
(eu vi): era pesada.

O meu nome, o alfabeto, enchia-a de laranjas.
Laranjas de pedra – mãe. Resplendentes,
estátuas negras no teu nome,
no meu colo.

Era a neve que nunca mais acabava.

Começo a lembrar-me: a bicicleta
vergava ao peso desse grande atum negro.
A praça descascava-se.
E eis o teu nome resplendente com as letras
ao contrário, sonhando
dentro de mim sem nunca mais acabar.
Eu vi. Os aviões abriam-se quando a lua
batia pelo ar fora.
Falávamos baixo. Os teus braços estavam cheios
do meu nome negro, e nunca mais
acabava de nevar.

Era novembro.

Janeiro: começo a lembrar-me. O mercúrio
crescendo com toda a força em volta
da terra. Mãe – se morreste, porque fazes
tanta força com os pés contra o teu nome,
no meu colo?
Eu ia lembrar-me: os satélites todos
resplendentes na praça. Era a neve.
Era o tempo descascado
sonhando com tanto peso no meu colo.

Ó mãe, atum negro —
ao contrário, ao contrário, com tanta força.

Era tudo uma máquina com as letras
lá dentro. E eu vinha cantando
com a minha paisagem negra pela neve.
E isso não acabava nunca mais pelo tempo
fora. Começo a lembrar-me.
Esqueci-te as barbatanas, teus olhos
de peixe, tua coluna
vertebral de peixe, tuas escamas. E vinha
cantando na neve que nunca mais
acabava.

O teu nome negro com tanta força —
minha mãe.
Os satélites e as praças. E novembro
avançando em janeiro com seus frutos
destelhados ao colo. As
estátuas, e eu sonhando, sonhando.
Ao contrário tão morta — minha mãe —
com tanta força, e nunca

— mãe — nunca mais acabava pelo tempo fora.


Herberto Helder

quinta-feira, 1 de maio de 2014

1° de Maio, Dia do Trabalhador



Significado e história do 1° de maio, Dia do Trabalhador


1 de maio é o Dia do Trabalhador, data que tem origem a primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886. Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial. São os factos históricos que transformaram 1 de maio no Dia do Trabalhador. Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir seus direitos, apenas trabalhavam.

No dia 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e um anos depois a Rússia fez o mesmo.

No Brasil é costume os governos anunciarem o aumento anual do salário mínimo no dia 1 de maio.

No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário por tratar-se do santo padroeiro dos trabalhadores.

Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.

Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia, ao longo da I República transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado. O 1.º de Maio adquiriu também características de ação de massas. Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.

Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial em Angola, são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo. Nesse período, apesar das proibições e da repressão, houve manifestações dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.

Ficarão como marco indelével na história do operariado português, as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo, que tiveram o seu grande impulso no 1.º de Maio de 62. Mais de 200 mil operários agrícolas que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves realizadas e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.

Claro que o o 1.º de Maio mais extraordinário realizado até hoje, em Portugal, com direito a destaque certo na história, foi o que se realizou oito dias depois do 25 de Abril de 1974.

No Japão, o 1° de maio é comemorado a… 23 de novembro, desde 1948. É chamado de Kinrou Kansha no Hi ( きんろうかんしゃのひ / 勤労感謝 の日), que traduzindo seria “Dia da Ação de Graças ao Trabalho“.

Muito antes de ser considerado o Dia do Trabalhador, 1 de maio foi dia de outros factos históricos.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral tomou posse da Ilha de Vera Cruz (atual Brasil), em nome do Rei de Portugal.

Já em 1707, passou a vigorar o Tratado de União, que transformou os reinos da Inglaterra e da Escócia em Reino Unido. A ópera ‘As Bodas de Fígaro’, de Mozart, estreou em Viena, Áustria, neste dia, em 1786. E em 1834 foi abolida a escravatura nas colónias inglesas.

No primeiro dia de maio de 1960, iniciou-se uma crise diplomática entre antiga União Soviética e os EUA, com o abate do U-2, um avião espião norte-americano, pilotado por Francis Gary Powers.

O automobilismo sofre uma grande perda num 1° de maio: em 1994, no Grande Prémio de San Marino, o brasileiro Ayrton Senna sofreu um acidente grave e morreu no mesmo dia.

A 1 de maio de 2004, a União Europeia cresceu, com a entrada de mais dez países: República Checa, Hungria, Chipre, Eslováquia, Polónia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e Malta.

E em 2011, 1 de maio foi dia da beatificação do Papa João Paulo II, exatamente no dia em que Barack Obama disse “We got him”, referindo-se ao terrorista Osama Bin Laden, capturado e morto numa operação norte-americana, no Paquistão.

Nasceram neste dia Jean de Joinville, escritor francês (1225), Aleksey Khomyakov, poeta russo (1804), e Sidónio Pais, presidente da República de Portugal (1872). 
Fonte: pt.euronews.com/


Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral, Autorretrato, 1923


Tarsila do Amaral (Capivari, 1 de setembro de 1886 — São Paulo, 17 de janeiro de 1973) foi uma pintora e desenhista brasileira e uma das figuras centrais da pintura brasileira e da primeira fase do movimento modernista brasileiro, ao lado de Anita Malfatti. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas.


Tarsila do Amaral, Morro da Favela, 1924.


Tarsila do Amaral,  E.F.C.B., 1924.


Tarsila do Amaral, Abaporu, uma de suas obras mais conhecidas
 e um ícone do Modernismo brasileiro. Óleo sobre tela, 1928.


Tarsila do Amaral, Antropofagia, 1929. 


Tarsila do Amaral, 2ª Classe; 110x151, 1933.