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sexta-feira, 26 de maio de 2023

"Porto" - Poema de Vítor Cintra


Charles Van Zeller (des.); Robert Havell (grav.), View of the city of Oporto, 1833 (Ponte das Barcas),
Arquivo Municipal do Porto

[Reprodução de gravura publicada em 1833, dedicada a D. Pedro, duque de Bragança, representando a encosta da Serra do Pilar (incluindo militares e populares), Vila Nova de Gaia, o Rio Douro e a cidade do Porto, durante o Cerco do Porto. (daqui)]
 

Porto


Aonde havia um castro amuralhado,
Olhando, lá do alto, o rio Douro,
Ergueu-se, bem mais tarde, o povoado
Guardado, p’los romanos, qual tesouro.

As cercas de muralhas, que cresceram,
- Defesa do domínio conquistado,
Que pela margem toda se estenderam -
Tornaram-te num porto cobiçado.

Chegaram os suevos e venceram
A frágil resistência dos romanos,
Até terem chegado os muçulmanos.

Depois, na reconquista, aconteceram
Recuos e avanços. No final
Havias de dar nome a Portugal.


Vítor Cintra
, in  Ruínas da história: poesia,
Editor: Lua de Marfim, 2015 
 

 Henri L'Evêque (̈Pintor, autor de gravuras, 1769-1832), Vue de la ville et du port de Porto.
(Gravura de 1817, vendo-se a Ponte das Barcas) 
 
 
 Ponte das Barcas
 
Ponte sobre o Rio Douro, no Porto, construída em 1806. Era constituída por vinte barcaças ligadas entre si por cabos de aço. Sobre essas barcaças estava disposta uma plataforma de pranchas que permitia a travessia.
Aqui se verificou um famoso acidente, a 29 de março de 1809, durante a Guerra Peninsular. A população, em pânico perante as tropas francesas, procurava refúgio atravessando o rio. No entanto, a ponte não aguentou o peso da multidão e ruiu, provocando a morte de cerca de cinco mil pessoas. (daqui)
 

Henry Smith (1774-1840), Oporto with the Bridge of Boats, 1813, British Museum

[Reprodução de gravura de 1813, dedicada ao Marquês de Wellesley por Robert Daubeny King, representando a entrada no Porto das tropas anglo-portuguesas comandas por Wellington, atravessando o Rio Douro pela ponte das barcas, em 12 de Maio de 1809. (daqui)]

segunda-feira, 12 de junho de 2017

"Dá-me a festa mágica" - Poema de Pablo Neruda



 
Dá-me a festa mágica


DEUS - e de onde é que tiras para acender o céu
este maravilhoso entardecer de cobre?
Por ele soube encontrar de novo a alegria,
e a má visão eu soube torná-la mais nobre.

Nas chamas coloridas de amarelo e verde
iluminou-se a lâmpada de um outro sol
que fez rachar azuis as planícies do Oeste
e verteu nas montanhas suas fontes e rios.

Deus, dá-me a festa mágica na minha vida,
dá-me os teus fogos para iluminar a terra,
deixa em meu coração tua lâmpada acendida
para que eu seja o óleo de tua luz suprema.

E eu irei pelos campos na noite estrelada
com os braços abertos e a face desnuda,
cantando árias ingénuas com as mesmas palavras
com que na noite falam os campos e a lua.


Tradução de José Eduardo Degrazia



Antonio Vivald, 'The four seasons - Winter', Julia Fischer



“Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar.”

(Sophia de Mello Breyner Andresen)
 

domingo, 16 de novembro de 2014

"Sempre amei por palavras muito mais do que devia" - Poema de Alice Vieira


Foto de Rui Videira - Vila Nova de Gaia, Porto, Portugal



Sempre amei por palavras muito mais do que devia


sempre amei por palavras muito mais
do que devia

são um perigo
as palavras

quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada

e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos

um perigo
as palavras

mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero
 
 in O QUE DOI AS AVES
(Caminho, 2009)


Foto de Rui Videira - Porto & Vila Nova de Gaia, Portugal
 
 
"A arte é o espelho da pátria. O país que não preserva os seus valores culturais jamais verá a imagem de sua própria alma."



Chopin Nocturne E Flat Major Op.9 No.2


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

"A mais bela noite do mundo" - Poema de Fernando Namora

Rio Douro, Zona Ribeirinha das cidades de Vila Nova de Gaia e  Porto,  Portugal.



A mais bela noite do mundo


 Hoje,
será o fim!

Hoje
nem este falso silêncio
dos meus gestos malogrados
debruçando-se
sobre os meus ombros nus
e esmagados!

Nem o luar, pano baço de cenário velho,
escutando
a minha prisão de viver
a lição que me ditavam:
- Menino! acende uma vela na tua vida,
que o sol, a luz e o ar
são perfumes de pecado.
Tem braços longos e tentadores – o dia!

- Menino! recolhe-te na sombra do meu regaço
que teus pés
são feitos de barro e cansaço!

(Era esta a voz do papão
pintado de belo
na máscara de papelão).

Eram inúteis e magoadas as noites da minha rua...
Noites de lua
que lembravam as grilhetas
da minha vida parada.

- Amanhã,
terás os mestres, as aulas, os amigos e os livros
e o espetáculo da morgue
morando durante dias
nos teus sentidos gorados.

Amanhã,
será o ultrapassar outra curva
no teu caminho destinado.

(Era esta a voz do papão
que acendia a vela, tinha regaço de sombra
e velava
as noites da minha rua e a minha vida
e pintava-se de belo
na máscara de papelão).

Hoje,
será o fim!

Hoje,
nem a sombra do que há de vir,
nem os mestres, nem os amigos, nem os livros,
nem a fragilidade dos meus pés
feitos de barro e cansaço!
Todas as minhas revoltas domadas,
todos os meus gestos em meio
e as minhas palavras sufocadas
terão a sua hora de viver e amar!

Hoje,
nem o cadáver a sorrir na morgue,
nem as mãos que ficaram angustiosas,
arrepiadas
no seu medo de findar!

Hoje,
será a mais bela noite do mundo!


Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços'


 Ribeira do Porto, Porto - Portugal





Silent Night -  André Rieu


segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Viagens na minha terra" - Poema de António Nobre


Rio Douro, Ponte Luís I - Porto, Portugal


Viagens na minha terra

 
Às vezes, passo horas inteiras
Olhos fitos nestas braseiras,
Sonhando o tempo que lá vai;
E jornadeio em fantasia
Essas jornadas que eu fazia
Ao velho Douro, mais meu Pai.

Que pitoresca era a jornada!
Logo, ao subir da madrugada,
Prontos os dois para partir:
-Adeus! adeus! é curta a ausência,
Adeus! - rodava a diligência
Com campainhas a tinir!

E, dia e noite, aurora a aurora,
Por essa doida terra fora,
Cheia de Cor, de Luz, de Som,
Habituado à minha alcova
Em tudo eu via coisa nova,
Que bom era, meu Deus! Que bom!

Moinhos ao vento! Eiras! Solares!
Antepassados! Rios! Luares!
Tudo isso eu guardo, aqui ficou:
Ó paisagem etérea e doce,
Depois do Ventre que me trouxe,
A ti devo eu tudo que sou!

No arame oscilante do Fio,
Amavam (era o mês do cio)
Lavandiscas e tentilhões...
Águas do rio vão passando
Muito mansinhas, mas, chegando
Ao Mar, transformam-se em leões!

Ao sol, fulgura o Oiro dos milhos!
Os lavradores mais os filhos
A terra estrumam, e depois
Os bois atrelam ao arado
E ouve-se além no descampado
Num ímpeto aos berros: - Eh! bois!

E, enquanto a velha mala-posta,
A custo vai subindo a encosta
Em mira ao lar dos meus Avós,
Os aldeões, de longe, alerta,
Olham pasmados, boca aberta...
A gente segue e deixa-os sós.

Que pena faz ver os que ficam!
Pobres, humildes, não implicam,
Tiram com respeito o chapéu:
Outros, passando ao nosso lado
Diziam: "Deus seja louvado!"
"Louvado seja!"
dizia eu.

E, meiga, tombava a tardinha...
No chão, jogando a vermelhinha,
Outros vejo a discutir.
Carpiam, místicas, as fontes...
Água fria de Trás-os-Montes
Que faz sede só de se ouvir!

E, na subida de Novelas,
O rubro e gordo Cabanelas
Dava-me as guias para a mão:
Isso... queriam os cavalos!
Que eu não podia chicoteá-los...
Era uma dor de coração.
Depois cansados da viagem,
Repoisávamos na estalagem
(Que era em Casais, mesmo ao dobrar...)
Vinha a Sr.ª Ana das Dores
"Que hão de querer os meus Senhores?
Há pão e carne para assar..."

Oh, ingénuas mesas, honradas!
Toalhas brancas, marmeladas,
Vinho virgem no copo a rir...
O cuco da sala, cantando...
(Mas o Cabanelas entrando,
Vendo a hora: "É preciso partir".)

Caía a noite. Eu ia fora,
Vendo uma estrela que lá mora,
No Firmamento Português:
E ela traça-me o meu fado
"Serás Poeta e desgraçado!"
Assim se disse, assim se fez.



"Viagens na Minha Terra", in Só


Rio Douro, ponte D. Luís - Porto


Rio Douro, Vila Nova de Gaia


Rio Douro, cidade de Vila Nova de Gaia e cidade do Porto


Vila Nova de Gaia é um município português no Distrito do Porto, Região Norte e sub-região do Grande Porto. Pertence ainda à Grande Área Metropolitana do Porto. A cidade está localizada na margem sul da foz do rio Douro. As caves do famoso vinho do Porto ficam localizadas neste concelho. Formada originalmente a partir de duas povoações distintas, Gaia e Vila Nova, foi elevada a cidade a 28 de Junho de 1984. 
A ligação à cidade vizinha do Porto é particularmente forte, e não apenas através da partilha do património comum do Vinho do Porto: no passado as famílias burguesas e nobres do Porto tinham em Vila Nova de Gaia quintas e casas de férias. Devido ao forte crescimento económico e melhoria das comunicações com a margem norte nas últimas décadas, Vila Nova de Gaia progressivamente acolheu população que trabalha diariamente no Porto. Diversas opiniões apontam no sentido de fundir estes concelhos.
Com 168,7 km² de área é o maior concelho do Grande Porto. Subdividido em 24 freguesias, está limitado a norte pelo município do Porto, a nordeste por Gondomar, a sul por Santa Maria da Feira e Espinho e a oeste pelo oceano Atlântico. Este contexto permite-lhe ser um concelho de grandes contrastes, entre zonas interiores, rio e mar, bem como entre áreas urbanas, industriais e rurais.
Em termos aquíferos para além das marcantes orla atlântica e a zona fluvial do Douro, atravessam o concelho inúmeras ribeiras. Destaca-se ainda o rio Febros, que atravessa as freguesias de Pedroso e Avintes.
A localização na margem do rio Douro possibilitou a fixação de populações desde remotos períodos, pensando-se que as origens da cidade remontem possivelmente a um Castro celta, tendo sido também ocupada por Romanos (apelidada na altura de “Cale”) e pelos Mouros, embora não por muito tempo. 
O grande desenvolvimento da cidade de Vila Nova de Gaia dá-se no século XVIII, com a instalação dos famosos Armazéns do Vinho do Porto que já na época era uma muito importante indústria no norte do País. Hoje, Vila Nova de Gaia é o principal centro de produção do vinho do Porto, com o centro da cidade dominado pelos armazéns das marcas mais famosas, com mais de 50 companhias, alojados em edifícios de característicos telhados vermelhos. Uma visita a uma das muitas Caves aqui existentes é imprescindível para melhor conhecer e apreciar este prestigiado vinho, único no mundo. 
Igualmente aprazível é a Costa da região, destacando-se diversas praias e bonitos panoramas. 
Uma visita ao Cais de Gaia proporciona agradáveis momentos de lazer, nesta área turística de esplanadas, restaurantes e bares, com vista para a zona histórica da cidade do Porto, no local onde durante muitos séculos se localizou um porto fluvial de onde eram exportadas diversas mercadorias, nomeadamente o referido Vinho do Porto. Daqui partem hoje em dia os famosos Cruzeiros no Rio Douro, com destino à região do Alto Douro, onde toda a produção do vinho do Porto é adestrada.
A não perder é o Mosteiro da Serra do Pilar, com uma localização privilegiada, de onde se tem uma das mais belas vistas sobre a cidade do Porto. De facto, esta localização e vista excelente foi a escolha do Duque de Wellington para planear o seu ataque-surpresa às tropas invasoras Francesas, em 1809. 


Rio Douro, cidade de Vila Nova de Gaia e cidade do Porto


Rio Douro, cidade de Vila Nova de Gaia e cidade do Porto


Rio Douro, cidade de Vila Nova de Gaia e cidade do Porto


Rio Douro  e cidade do Porto


Rio Douro  e cidade do Porto


Rio Douro, Vila Nova de Gaia 


Rio Douro, ponte da Arrábida


Rio Douro, ponte da Arrábida


Rio Douro, barco Rabelo


Rio Douro


Rio Douro, Vila Nova de Gaia


Rio Douro, Vila Nova de Gaia, Mosteiro da Serra do Pilar


Vila Nova de Gaia, Mosteiro da Serra do Pilar


Vila Nova de Gaia, Caves do famoso vinho do Porto


Caves do vinho do Porto


Caves do vinho do Porto


Caves do vinho do Porto


Vila Nova de Gaia vista da cidade do Porto


Edvard Grieg: Peer Gynt Suite No.1



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A fauna e a flora do Parque Biológico de Gaia



Parque Biológico de Gaia
(Fotos de quadrogiz)
 

"A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável."
 

Jean-Jacques Rousseau 
[Filósofo, teórico político, escritor e compositor genebrino, 1712–1778]


Entrada do Parque Biológico (Estátuas)

Jardim exterior do Parque Biológico

Entrada interior do Parque Biológico

A hortênsia ou hidrângea ou hortense é uma planta de folhas largas
da família Hydrangeaceae, pertencente ao género Hydrangea.

Vegetação

Quinta do Parque


 
 
 Rio Febros e vegetação
 
Queda de água do  Rio Febros

Tanque e vegetação aquática

 
Cabras na quinta do Parque 

Cabras na quinta do Parque 



Vegetação do Parque

Tronco 

Vegetação característica da mata portuguesa

Vegetação

Vegetação

Lago e vegetação

Lago, animais e vegetação

Vegetação diversificada do Parque

Vegetação diversificada do Parque

Vegetação diversificada do Parque

Restos de um tronco velho

Flor amarela na orla do campo cultivado da quinta

 A cor e a beleza das plantas

Flores - Margaridas 

Vegetação do Parque - Enxertia (Preservação das espécies)


"Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso."



Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C. – 322 a.C.]


(Fotografia retirada da Internet)


"O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, 
um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo."

 
Blaise Pascal
[Matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo francês, 1623–1662]