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sábado, 1 de janeiro de 2022

"Trompe l’œil" - Poema de Alexandre O'Neill

 


[O Santuário de Santa Luzia, também referido como Santuário do Monte de Santa Luzia, Basílica de Santa Luzia, Templo de Santa Luzia e Templo do Sagrado Coração de Jesus, localiza-se no alto do monte de Santa Luzia, na freguesia de Santa Maria Maior, na cidade, concelho e distrito de Viana do Castelo, em Portugal
Um dos "ex libris"" da cidade, do seu sítio descortina-se uma vista ímpar da região, que concilia o mar, o  rio Lima com o seu vale, e todo o complexo montanhoso envolvente, panorama considerado um dos melhores do mundo segundo a National Geographic.
A Basílica no alto do monte de Santa Luzia foi principiada em 1903, por iniciativa do padre António Martins Carneiro, com projeto do arquiteto
Miguel Ventura Terra (1898). A última etapa da sua construção, sob a direção do arquiteto Miguel Nogueira Júnior a partir de 1925, é considerada como inspirada na Basílica de Sacré Cœur, em Paris. 
Os trabalhos de cantaria em granito são de responsabilidade do mestre canteiro, Emídio Pereira Lima. Aberto ao culto em 1926, os trabalhos estenderam-se até 1943. Desde 1923 o santuário é servido pelo Elevador de Santa Luzia.
O santuário compreende ainda o "Núcleo Museológico do Templo-Monumento de Santa Luzia", constituído por uma sala na parte inferior da basílica. O acervo é constituído por talha, imagens, azulejos, e outros.]
(Daqui)
 
 
 
 

Trompe l’œil


Lembras-te jóia, daquele bacalhau
que comemos em Viana do Castelo?
Parece que foi ontem, mas já lá vão dez anos!
Ainda tinhas tu muito cabelo…

Chovia nesse dia, bem me lembro.
Deixaste no comboio o guarda-chuva.
Quem te mandou levar toda a viagem
a fazer olhinhos à viúva?

Contos largos… Mas quando o bacalhau,
como tu disseste: deu à costa,
esqueceste o guarda-chuva e a viúva
e perguntaste a mim: góta não góta?

Ó jóia! E o azeitinho! Aquilo sim!
P’ra comer só no Norte, só no Norte!
E depois… Na pensão… Os pés juntinhos…
Foi mais forte que nós, muito mais forte! 
 
 
 
 
 Monte de Santa Luzia, Santuário e estuário do rio Lima, Viana do Castelo, Portugal
 (Fotografia de Arménio Belo)
 
 
 
Viana do Castelo

 
Viana do Castelo, conhecida como a “Princesa do Lima” e pelas suas festas da  Senhora da Agonia, é uma das mais bonitas cidades do Norte de Portugal. A sua participação nos Descobrimentos portugueses e, mais tarde, na pesca do bacalhau mostram a sua tradicional ligação ao mar.

A Viana do Castelo depressa se acede a partir da cidade do Porto, ou de Valença para quem vem de Espanha. Do monte de Santa Luzia pode observar-se a situação geográfica privilegiada da cidade, junto ao mar e à foz do rio Lima. Esta vista deslumbrante e o Templo do Sagrado Coração de Jesus, edifício revivalista de Ventura Terra, de 1898, podem ser o ponto de partida para visitar a cidade.

Viana enriqueceu-se com palácios brasonados, igrejas e conventos, chafarizes e fontanários que constituem uma herança patrimonial digna de visita. No Posto de Turismo pode-se pedir uma brochura e fazer percursos de inspiração manuelina, renascença, barroca, art deco ou do azulejo. Percorrendo algumas das ruas do centro histórico sempre se chega à Praça da República, o coração da cidade. É onde ficam o edifício da Misericórdia e o chafariz, quinhentistas, assim como os antigos
Paços do Concelho. Não longe fica a românica ou Igreja Matriz.

Virada para o mar que fez a história de Viana, uma igreja barroca guarda a imagem da Senhora da Agonia, da devoção dos pescadores. Sai todos os anos a 20 de agosto para abençoar o mar numa das festas mais coloridas de Portugal, onde são de referir a beleza e riqueza dos trajes típicos que desfilam nas festas.

É que Viana - conhecida também pela filigrana em ouro - tem sabido manter as suas tradições, como se pode ver no Museu do Traje (traje e ouro), no Museu Municipal (especial relevo para a típica louça de Viana que aqui se expõe) ou no navio Gil Eannes. Construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para apoiar a pesca do bacalhau, o navio aqui está de novo ancorado para memória das tradições marítima e de construção naval da cidade.

Mas Viana do Castelo é também considerada uma “Meca da Arquitetura” graças aos muitos e importantes nomes da arquitetura portuguesa contemporânea que assinam equipamentos e espaços da cidade. É o caso da Praça da Liberdade de Fernando Távora, da Biblioteca de Álvaro Siza Vieira, da Pousada da Juventude de Carrilho da Graça, do Hotel Axis de Jorge Albuquerque ou ainda do Centro Cultural de Viana do Castelo de  Souto de Moura, entre muitos outros.

Nas redondezas da cidade podemos fazer um passeio pela ciclovia litoral ou fluvial ou por um dos muitos trilhos assinalados, assim como praticar surf, windsurf ou kitesurf e bodyboard em praias de areia fina e dourada. E ainda fazer jet-ski, vela, remo ou canoagem no rio Lima.

  • Viana é mar
 
Viana do Castelo, ao longo dos seus 24 quilómetros de costa litoral, tem vindo a ver reconhecido o valor patrimonial, natural e paisagístico das suas praias que, por seu lado, têm sido alvo de diversas intervenções de qualificação e valorização. Esta especial atenção reflecte-se nos vultuosos investimentos que vão da requalificação das praias à defesa dos cordões dunares e da respectiva flora e à organização de campanhas de educação que visam estimular a conservação, valorização e defesa do litoral vianense.

Por isso, Viana do Castelo tem vindo a ser galardoada com a Bandeira Azul, símbolo máximo da qualidade das praias e, agora, o litoral de Viana do Castelo pretende tornar-se um “Território de Excelência” com a implementação do denominado Polis do Litoral Norte – Operações de Requalificação e Valorização da Orla Costeira. Este ambicioso plano reconhece a importância estratégica da zona costeira e considera que as intervenções no litoral devem prosseguir objetivos concretos de modernidade e inovação, tais como a valorização dos aglomerados populacionais, a beneficiação das vias de acesso e reordenamento das áreas de estacionamento, a proteção costeira, para além de uma ciclovia, da criação de apoios de prática balnear e de apoio à prática desportiva náutica.
 
  • Viana é cor
 
O concelho é rico em tradições e o traje tradicional de Viana do Castelo é mesmo um símbolo do país, reconhecido como marca em Portugal e no estrangeiro pelo colorido e originalidade das suas peças. De destaque é também a ourivesaria de Viana, enquanto retrato fiel das suas tradições. As arrecadas, as custódias, os brincos à rainha, as laças, os trancelins e os fios em filigrana elaborada são parte integrante do nome da cidade, intimamente ligado ao traje à vianesa e à imagem da cidade.

A música faz parte da vida da comunidade Vianense, assumindo um simbolismo especial no acolhimento dos seus visitantes. A diversidade dos grupos etnográficos é igualmente acompanhada pelas escolas de música que florescem no concelho, formando tocadores de concertina, cavaquinhos, gaitas de fole e acordeão, que integram orquestras, bandas e conjuntos musicais responsáveis pela variada animação cultural.

  • Viana é monumental
 
As origens de Viana do Castelo remontam à Idade do Ferro, como confirma a Citânia erguida nessa altura no Monte de Santa Luzia. Mas a sua História, sempre ligada aos mares, relata um conjunto de acontecimentos que fizeram de Viana um dos principais portos comerciais do país. Em 1258, D. Afonso III concedeu-lhe o primeiro Foral, chamando-lhe Viana da Foz do Lima, antevendo assim a sua vocação marítima. Mais tarde, a 20 de Janeiro de 1848 e por decreto de D. Maria II, Viana é elevada a cidade e adopta o nome pelo qual é conhecida hoje: Viana do Castelo.

Plena de História, a cidade conta com inúmeros pontos de interesse cultural e turístico, aos quais se juntam o mar, o rio e a montanha, os três ecossistemas intimamente ligados à cidade e à sua História.

  • Viana é turística
 
Num cenário natural de indescritível beleza, a cidade de Viana do Castelo está destinada ao turismo, com um conjunto de espaços dedicados à recepção e acolhimento de quem visita Viana do Castelo e quer conhecer a sua cultura, a sua arte e as suas tradições. De destaque são os museus e o seu riquíssimo acervo e ainda os núcleos museológicos espalhados pelas freguesias e dedicados às tradições.

O Museu de Arte e Arqueologia está instalado numa distinta mansão senhorial do século XVIII e possui uma das mais importantes e valiosas colecções de faiança antiga portuguesa dos séculos XVII a XIX, que inclui diversas peças da famosa fábrica de louça de Viana. Para além de um importante acerco de pintura, desenho e peças de arte sacra, destaca-se a bela coleção de mobiliário indo-português do século XVIII. Neste espaço, é possível ainda descobrir o espólio da azulejaria portuguesa e hispano-árabe, único na sua variedade e riqueza, a que se junta a parte arqueológica da Igreja das Almas e da Casa dos Nichos.

Situado num espaço nobre da cidade - a Praça da República - está o Museu do Traje, instalado num edifício Estado Novo recuperado e que alberga um excelente espólio de trajes e de ourivesaria tradicional, promovendo, valorizando e recuperando um valioso património concelhio. Com esse mesmo objetivo, foi criado um conjunto de núcleos museológicos, nomeadamente as Azenhas de D. Prior, onde está situado o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental de Viana do Castelo (que integra a Rede Portuguesa de Moinhos) ou o Museu do Pão de Outeiro, situado na antiga escola primária e que mostra todas as alfaias agrícolas do ciclo do milho e do pão e que integra também um moinho de água.

Viana do Castelo é ainda a descoberta de uma rota de galerias e museus, festas e tradições, artesanato, ourivesaria e, claro, gastronomia.
 
  • Romaria de Nossa Senhora da Agonia
 
Se é verdade que é em Maio, com a Festa das Rosas ou dos Cestos Floridos de Vila Franca do Lima, que começa o ciclo das Festas Vianenses é, sem dúvida, em Agosto, na incomparável e magnífica Romaria de Nossa Senhora d'Agonia, que a tradição atinge o seu maior expoente. A procissão ao mar e as ruas da Ribeira, enfeitadas com os tapetes floridos, são testemunhos da profunda devoção religiosa. A etnografia tem o seu espaço nos desfiles do Cortejo Etnográfico e na Festa do Traje, onde se pode admirar os belos trajes de noiva, mordoma e lavradeira, vestidos por lindas minhotas que ostentam peitos repletos de autênticas obras de arte em ouro. A festa continua... tocam as concertinas e os bombos, dançam as lavradeiras... A grandiosa serenata de fogo de artifício ilumina toda a cidade, começando pela ponte de Gustave Eiffel, passando pelo Castelo de Santiago da Barra, até ao Templo - Monumento de Santa Luzia... É um abraço dos Vianenses a todos que nos visitam no mês de Agosto.

A Romaria d’Agonia junta-se à história da igreja d’Agonia. Data de 1674 a história da igreja em honra da padroeira dos pescadores. Na altura, foi edificada uma capela em invocação ao Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário e, um pouco acima, uma capelinha devota a Nossa Senhora da Conceiçã
o.
Informações e Fotos: CM Viana do Castelo (daqui)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

"Gaivota" - Poema de Alexandre O’Neill


 
Laurie Snow Hein (Native Florida artist, b. 1949), 'Seagull I', 2019.



Gaivota

 
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro
dos sete mares andarilho
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração. 


Alexandre O'Neill

[Letra de Alexandre O’Neill, música de Alain Oulman,
Amália Rodrigues e Sónia Tavares (The Gift) cantam a “Gaivota”
(aqui)]
 

  
Laurie Snow Hein, 'Foot Prints'
 

"O correr das águas, a passagem das nuvens, o brincar das crianças, o sangue nas veias.
 Esta é a música de Deus."

(Hermann Hesse)
 
 
Hermann Hesse tinha uma cativante predileção por gatos
(Acervo: Arquivo Suíço de Literatura)  (daqui)
 
 
Hermann Hesse nasceu a 2 de julho de 1877, na Alemanha, e morreu a 9 de agosto de 1962 na Suíça, onde se refugiou durante a Primeira Guerra Mundial e adquiriu a nacionalidade em 1923. Em 1946 foi distinguido com o Nobel de Literatura. É considerado um verdadeiro escritor de culto, uma referência universal ancorada na exaltação que faz do indivíduo e na celebração de um certo misticismo oriental. Uma visita à Índia fê-lo descobrir uma cultura e modos de sentir que o fascinaram: Siddhartha, publicado em 1922, é o resultado prático dessa experiência.
 

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

"Louvor e Simplificação de Mário Cesariny de Vasconcelos" - Poema de Alexandre O’Neill


 
Alexandre O'Neill (1924-1986),  A linguagem, 1948,  
Museu Nacional de Arte Contemporânea



Louvor e Simplificação de Mário Cesariny de Vasconcelos



Sobreviveste, Mário (como assim!) de Vasconcelos,
aos grilos da paróquia.
Entre os blocos de prédios cada vez mais enevoados,
conténs os teus sapatos, como outrora.

Não houve pão-de-ló, nem malvasia,
naquele piquenique no Rossio.
Houve um anão. (Os burros da Malveira
ficaram retidos na fronteira.)

E o anão, que era um trotador,
fez questão de saltar-te para o ombro.
Com a voz grilada pôs-se a gritar «É a Hora!»
Oh, Mário, e tu mandaste-o embora!

Murmurações, cricris acompanharam
o teu gesto nada paternal.
Finalmente os burros liberaram.
Num chouto desesperado aqui chegaram
e estão a comer o teu bornal.

Mário, faz mal? 
 

Alexandre O'Neill
Poesias Completas & Dispersos
(edição de Maria Antónia Oliveira) 
 
 

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

"E de novo, Lisboa" - Poema de Alexandre O’Neill


Jorge Barradas, As Varinas, 1930, Guache sobre cartão, 62,5 × 62,5 cm
Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea
 
 [Pintura de costumes. Duas varinas de roupas coloridas e aventais brancos, com duas canastras de peixe na cabeça, descem as escadinhas de uma ruela lisboeta banhada pelo sol, em direção a um arco, no fundo. Atrás delas, à esquerda, vê-se roupa estendida ao sol, um algeiroz junto da parede iluminada e dois gatos pretos. No fundo, à direita, vêem-se através do arco um prédio antigo com águas-furtadas e um candeeiro.(Daqui)]


E de novo, Lisboa


E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés: esvaído, o boi no gancho,
ou o outro vermelho que te molha.

Sangue na serradura ou na calçada,
que mais faz se é de homem ou de boi?
O sangue é sempre uma papoila errada,
cerceado do coração que foi.

Groselha, na esplanada, bebe a velha,
e um cartaz, da parede, nos convida
a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:
dizem que o sangue é vida; mas que vida?

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
(1924-1986)
Poesias Completas & Dispersos
(edição de Maria Antónia Oliveira) 


domingo, 13 de junho de 2021

"A meu favor" - Poema de Alexandre O’Neill


Heinrich Campendonk (German, 1889–1957), Young Couple, 1915



A meu favor

 
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos.
No Reino da Dinamarca.
 Lisboa: Guimarães, 1958


 
Heinrich Campendonk, Bucolic Landscape, 1913


"Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados."

(Albert Schweitzer
 

Heinrich Campendonk, Mann, Pferd, Kuh, 1918
 
 
"Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mais sábia é a sua mente."
 

domingo, 25 de abril de 2021

"Um adeus português" - Poema de Alexandre O’Neill



José Malhoa, O Ateliê do Artista (Antes da Sessão) ou Descanso do Modelo, 1893/1894,
 

Um adeus português 


Nos teus olhos altamente perigosos
vigora agora o mais rigoroso amor
a luz de ombros puros e a sombra
de uma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
E avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta cama comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Não tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.
 

Alexandre O'Neill,  
  no livro ''No Reino da Dinamarca'', 1958
 
 
 No Reino da Dinamarca, «Poesia e Verdade»,
 Lisboa, Guimarães Editores; 2.ª ed., Lisboa, 
Relógio d’Água, 1997. (Daqui
 
 
 A história de um Poema
Alexandre O’Neill

Quando escrevi «Um Adeus Português», há quase quarenta anos, estava a sofrer pressões inacreditáveis, por parte de alguém da minha família, para não «ir atrás da francesa». A francesa, a minha querida e já falecida amiga Nora Mitrani, queria que eu fosse ter com ela a Paris, onde vivia. «Vens, ficas cá e depois se vê», era o que o seu otimismo me dizia por carta. Mas as coisas não se passaram assim. 

 A pressão (ou, melhor, a perseguição) chegou ao ponto de ter sido metida uma cunha à polícia política para que o passaporte me fosse denegado, o que aconteceu, não sem que eu, primeiro, tivesse sido convocado para a própria sede dessa polícia e interrogado pelo subinspetor Seixas. Seixas usou comigo de uma linguagem descomedida. Perguntou-me que ia eu fazer a Paris. Respondi: ‑ Turismo.
 
Quis saber se eu conhecia a senhora N. M. Eu disse que sim. Então Seixas retorquiu: ‑ Se calhar V.   quer ir porque essa gaja lhe meteu alguma coisa na cachola. Com a serenidade que me foi possível, fiz-lhe saber que se enganava, que N. M. não era uma gaja e que eu não tinha cachola. Pareceu surpreendido. Depois, irritado, mandou-me sair. E assim estive anos sem conseguir passaporte. 
 
Claro que o poema não se gerou apenas desta situação, mas ela contribuiu poderosamente, com outros fatores circunstanciais bem conhecidos, para que o poema aparecesse. Era uma época em que tudo cheirava e sabia a ranço, em que o amor era vigiado e mal tolerado, em que um jovem não era senhor dos seus passos (errados ou certos, não interessa). 
 
Semanas depois, «nascia» o poema e, com ele publicado, uma relativa notoriedade. É que o poema, ingénuo como é, tem realmente a força do nojo e do desespero combinados com um derrame/contenção sentimental que não mais igualei. Então, durante algum tempo, fiquei conhecido como o poeta de «Um Adeus Português». 
 
A minha amiga, que não voltei a ver (quando a fui procurar em Paris já tinha morrido), ainda tomou conhecimento deste poema. Escreveu-me: «Li o teu Adeus. Fiquei atrozmente comovida.» 
 
Claro que um poema não é feito de nojos, desesperos e derrames sentimentais, mas, no caso, a felicidade de expressão foi vivamente alimentada por uma raiva e um amor desmesurados, quer dizer, adolescentes. E o poema foi ficando e passando para as antologias.
 
Explico tudo isto porque outro dia me chegou às mãos um número da Europe dedicado à literatura de Portugal. E lá aparece, numa tradução bastante pobre, o tal «Adeus... ». Não é que, na nota proemial, em que me definem como sarcástico, desesperado e terno, dizem que o poema foi inspirado por Nora Mitrani! Eu acho que, por enquanto, isso é comigo. Também o João Botelho (o do excelente filme Conversa Acabada) me telefonou a pedir-me autorização para usar o título do poema para título de um 
novo filme seu. Dei-lha logo. E nem sequer lhe perguntei se o que ele vai fazer tem a ver com o poema ou não. Isso é lá com ele. Como, insisto, é só comigo que Nora Mitrani tenha sido ou não a inspiradora de «Um Adeus Português». Pelo menos antes da presente explicação.  
Tempos. 

Alexandre O'Neill, Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 94, 1984
 
 
Alexandre O’Neill

"Há mar e mar, há ir e voltar."   
 
[Ficaram famosos alguns slogans publicitários da sua autoria, e este que foi encomendado pelo Instituto de Socorros a Náufragos, para uma campanha de prevenção dos afogamentos nas praias portuguesas, converteu-se em provérbio.] 
 

 - Alexandre O’Neill -
 
Poeta português, Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões nasceu a 19 de dezembro de 1924, em Lisboa, e morreu a 21 de agosto de 1986, na mesma cidade. 
Para além de se ter dedicado à poesia, Alexandre O'Neill exerceu a atividade profissional de técnico publicitário. 
Fundador do Grupo Surrealista de Lisboa, com Mário Cesariny, António Pedro, José-Augusto França, diretamente influenciado pelo surrealismo bretoniano, desvinculou-se do grupo a partir de Tempo de Fantasmas (1951), embora a passagem pelo surrealismo marque indelevelmente a sua postura estética. 
A sua distanciação em relação a este movimento não obstou a que um estilo sarcástico e irónico muito pessoal se impregnasse de algumas características do Surrealismo, abordando noutros passos o Concretismo, preocupando-se não em fazer "bonito", mas sim "bom e expressivo".
Para Clara Rocha, a poesia de Alexandre O'Neill coincide com o programa surrealista a dois níveis: "a libertação total do homem e a libertação total da arte. O que implica: primeiro, uma poesia de 'intervenção', exortando os homens a libertarem-se dos constrangimentos de toda a ordem que os tolhem e oprimem (familiares, sociais, morais, quotidianos, psicológico, políticos, etc.); segundo, a libertação da palavra de todas as formas de censura (estética, moral, lógica, do bom senso, etc.)" (cf. ROCHA, Clara - prefácio a Poesias Completas, 1982, p. 12). 
Para Fernando J. B. Martinho (retomando um artigo de Quadernici Portoghesi), a diferença de O'Neill relativamente à poética surrealista situa-se na "preferência, relativamente à oposição 'falar/imaginar', pelo primeiro polo", numa consequente atenção dispensada, nos livros posteriores a Tempo de Fantasmas, como No Reino da Dinamarca ou Abandono Vigiado, "à sociedade portuguesa de que vai traçar como que a radiografia, surpreendendo-a na sua mediocridade, nos seus ridículos, nos seus pequenos vícios provincianos" (MARTINHO, Fernando J. B., op. cit., 1996, pp. 39-40). 
Nessa medida, e ainda segundo o mesmo crítico, se "o surrealismo ortodoxo põe a sua crença na existência de um 'ponto do espírito em que [...] o real e o imaginário' deixariam 'de ser percebidos contraditoriamente', em Alexandre O' Neill toda a busca parece centrar-se na 'vida' e no 'real'" (id. ibi, p. 40).
Recebeu, pelas suas Poesias Completas, o Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários (1983). (Daqui)
 
 
 
 José Malhoa (1855 – 1933),  O Fado, 1910
 
[“O Fado”, de 1910, é considerada uma das obras-primas do autor e está em exposição no Museu do Fado. Nesta obra, Malhoa retrata Amâncio, um conhecido marginal ou “fadista” – então sinónimo e tocador de guitarra da Mouraria – e Adelaide da facada, uma mulher de má vida, conhecida por exibir no rosto uma cicatriz provocada por uma navalha. Este magnifico quadro é uma evocação da boémia e da marginalidade – da sociedade lisboeta do inicio do século XX -, representando não só a melancolia do género musical que o inspirou, mas toda uma classe social que raramente era representada em obras de arte na época.] (Daqui)
 
 
- José Malhoa -
 
Pintor português, nascido a 28 de abril de 1855 nas Caldas da Rainha, José Malhoa frequentou a Academia de Belas Artes, sendo discípulo de Lupi e Anunciação.

Assumiu integralmente a pintura em 1881, após o sucesso do quadro Seara Invadida. Imprimiu uma certa crueza à tradição romântica de que fora herdeiro, pintando o quotidiano do homem do campo, impregnado de sentimentalismo cristão e de um pitoresco paganismo, ou ainda o meio popular dos fadistas. Os Bêbados (1907) e O Fado (1910) figuram entre as suas obras mais conhecidas.

Por último, representou o outono (1918) com uma sensibilidade já impressionista. O prestígio atingido ainda em vida valeu a José Malhoa numerosas consagrações e homenagens, assim como muitos discípulos e seguidores. Veio a falecer em Figueiró dos Vinhos em 1933. (Daqui)


 
 
José Malhoa pretende estabelecer uma sensação outonal através de uma cortina de pequenas pinceladas luminosas. Ramalho Ortigão entende esta obra como o resultado da influência de Claude Monet na pintura portuguesa e mais tarde, a crítica situa-o como exemplo intencional do divisionismo da estética pós-impressionista.
Na verdade, há uma tentativa de mostrar o indizível de uma paisagem em jogos luminosos, e de sobrepor, à evocação do motivo, jogos de pincelada solta, geradora de luz, característica de uma divulgação internacional, e tardia, do impressionismo de 1870. Como se Malhoa quisesse provar a sua capacidade de ser moderno.
No entanto, foi um exercício empírico e sem consequências, revelando a sua proverbial facilidade plástica sem pôr em causa um culto fixado nos valores celebratórios de um específico naturalismo. 
 
Maria Aires Silveira  (Daqui)
 

domingo, 24 de setembro de 2017

"A História da Moral" - Poema de Alexandre O'Neill



Ivan Kap (Italian digital artist and graphic designer, b. 1972), 'Conversation'


A História da Moral


Você tem-me cavalgado,
seu safado!
Você tem-me cavalgado,
mas nem por isso me pôs
a pensar como você.

Que uma coisa pensa o cavalo;
outra quem está a montá-lo.


Alexandre O'Neill,
in "De ombro na ombreira", 1969


Ivan Kap, 'The poker player'


"A tentativa de trazer o céu para a terra invariavelmente produz o inferno."

(Karl Popper)

"Os Amantes de Novembro" - Poema de Alexandre O'Neill



Leopold Burger (Austrian painter, 1861–1903), 'Liebespaar am Wiesenrand' 
(Sommer), Teil des Zyklus 'Die vier Jahreszeiten', 1894


Os Amantes de Novembro 


Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.


Alexandre O'Neill,
in 'No Reino da Dinamarca'

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Os convencidos da vida" - Texto de Alexandre O'Neill


Painel exterior do Tribunal de Ovar, de Jorge Barradas, 1965


Os convencidos da vida


Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear. 
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força. 
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista. 
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?

(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. 
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. 
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.


Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"


Revista ABC, número 360, ano VII, 9 de Junho de 1927.
Capa de Jorge Barradas (1894-1971)


Pintor português, Jorge Nicholson Moore Barradas nasceu em 1894, em Lisboa. Os seus primeiros trabalhos, incursões no campo da caricatura e da ilustração, recolheram da crítica da época os melhores elogios. Enquanto ilustrador, colaborou em importantes jornais e revistas, como a Ideia Nacional, Seara Nova e Ilustração Portuguesa.
A experiência no campo das artes gráficas influenciou as suas primeiras obras, caracterizadas por um equilíbrio de cor, texturas e luz, associado a uma simplicidade do tratamento das formas.
Jorge Barradas estabeleceu a ligação entre a inspiração naturalista e a tendência fauve em representações da cidade de Lisboa e das suas gentes. Os seus quadros mais famosos retratam as lavadeiras e as vendedoras ambulantes de Lisboa, na azáfama do dia a dia. Na sua obra pictórica, executada sobre suportes de grande formato, a linearidade e simplificação dos corpos humanos convive com jogos de contraste de cor e luz, caracterizadores do Fauvismo. Em meados dos anos 40, estende a sua atividade artística à cerâmica, produzindo peças de cariz decorativo.
Ainda nessa década, contribui para a decoração do café "A Brasileira" e do "Bristol Clube" em Lisboa. Faleceu na capital no ano de 1971.

Jorge Barradas. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 


Revista ABC, número 315, ano III, 29 de Julho de 1926.
Capa de Jorge Barradas (1894-1971)


Revista ABC, número 334, ano VII, 9 de Dezembro de 1926.
Capa de Jorge Barradas (1894-1971)


Revista ABC, número 362, ano VII, 23 de Junho de 1927.
Capa de Jorge Barradas (1894-1971)

segunda-feira, 19 de março de 2012

"Poema pouco original do medo" - Alexandre O'Neill


Graça Morais, Série Sombras do Medo 2012, Pastel e Carvão sobre papel, 111,3 x 75,8 cm 



Poema pouco original do medo 


O medo vai ter tudo 
pernas 
ambulâncias 
e o luxo blindado 
de alguns automóveis 
Vai ter olhos onde ninguém o veja 
mãozinhas cautelosas 
enredos quase inocentes 
ouvidos não só nas paredes 
mas também no chão 
no tecto 
no murmúrio dos esgotos 
e talvez até (cautela!) 
ouvidos nos teus ouvidos. 

O medo vai ter tudo 
fantasmas na ópera 
sessões contínuas de espiritismo 
milagres 
cortejos 
frases corajosas 
meninas exemplares 
seguras casas de penhor 
maliciosas casas de passe 
conferências várias 
congressos muitos 
ótimos empregos 
poemas originais 
e poemas como este 
projetos altamente porcos 
heróis 
(o medo vai ter heróis!) 
costureiras reais e irreais 
operários 
(assim assim) 
escriturários 
(muitos) 
intelectuais 
(o que se sabe) 
a tua voz talvez 
talvez a minha 
com a certeza a deles. 

Vai ter capitais 
países 
suspeitas como toda a gente 
muitíssimos amigos 
beijos 
namorados esverdeados 
amantes silenciosos 
ardentes 
e angustiados. 

Ah o medo vai ter tudo 
tudo 
(Penso no que o medo vai ter 
e tenho medo 
que é justamente 
o que o medo quer). 

O medo vai ter tudo 
quase tudo 
e cada um por seu caminho 
havemos todos de chegar 
quase todos 
a ratos.


Alexandre O'Neill


Maria João - A Outra
 
 
"É bastante fácil fazer surgir sentimentos na alma das multidões, mas é dificílimo refreá-los. Desenvolvendo-se, convertem-se em forças que não é possível dominar."

(Gustave Le Bon)


Gustave Le Bon


Gustave Le Bon, psicólogo social francês, nasceu em 1841 em Nogent-le-Rotrou, França, e faleceu em 1931, em Paris.
Após concluir estudos em medicina, empreendeu viagens pela Europa, Norte de África e Ásia que lhe ofereceram material para vários escritos nas áreas da antropologia e da arqueologia.
 
As suas numerosas obras abrangem temas de biologia, psicologia, antropologia, química e física. Mas foram as suas tentativas para encontrar uma explicação cientificamente credível das multidões e da sua ação que o notabilizaram. É pioneiro nos estudos acerca da natureza do comportamento coletivo. 
 
Na sua obra As Leis Psicológicas da Evolução dos Povos (1894) desenvolveu a teoria de que a história resulta de características nacionais e raciais e de que a força dominante da evolução social não é a razão, mas a emoção. 
 
Em A Psicologia das Massas (1895), a sua obra mais difundida, defende que, numa multidão, a personalidade do indivíduo é dominada pelo comportamento coletivo. Assim, as suas formulações vieram a ser incluídas entre as "teorias do contágio", que descrevem o comportamento da multidão como uma resposta irracional e cega à situação psicológica criada pela circunstância da multidão. Para Le Bon, a energia das multidões influencia todos os acontecimentos da vida social e política.

Obras principais de Le Bon:
1894, As Leis Psicológicas da Evolução dos Povos
1895, Psicologia das Massas

Gustave Le Bon. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-03-19].