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quinta-feira, 30 de julho de 2026

"Nana mamãe" - Poema de Pedro Bandeira

 

Paul Hermann Wagner (German painter, 1852–1937),
'Consolation in Suffering', 1895. Oil on canvas.



Nana mamãe


A mamãe
não me bota mais no colo,
não bota mais,
não me embala mais o sono,
não embala mais,
não canta pra eu dormir...
não canta mais...
não bota mais,
não embala mais,
não canta mais...

Eu bem sei que já faz tempo
que ela ainda me embalava,
mas me lembro muito bem,
era assim que ela cantava:

"Dorme, dorme, filhinho,
meu anjinho inocente,
dorme, meu queridinho,
que a mamãe está contente..."

Mas o tempo passou,
passou, passou,
e a cantiga calou,
calou, calou...
e o menino foi crescendo,
crescendo, cresceu, cresceu,
mas aquela voz ficou.
ficou, ficou...

Eu agora já sou grande,
tenho quase a altura dela.
Vai chegar a minha vez
de poder cantar para ela...


Pedro Bandeira, em 'Cavalgando o Arco-íris', 
São Paulo, Moderna, 1985.

 

terça-feira, 7 de julho de 2026

"Mentir é muito feio" - Poema de José Jorge Letria

 


Paul Hermann Wagner
(German painter, 1852–1937), Title unknown, n.d.


Mentir é muito feio


Mentir é muito feio
porque faz mal à verdade,
deixa a verdade a meio
e instaura a falsidade.

Neste inundo de mentira
dela não faças a regra;
nem sempre nos absolvem
por aquilo que se nega.

E se a mentira é um vício, pode
tornar-se doença
que custa para se curar
muito mais do que se pensa.

O mentiroso altera
aquilo que vê e escuta;
a verdade e a mentira
nele estão sempre em luta.

E no fundo o mentiroso
a si mesmo se desmente
pois falseando a verdade
tudo à mentira consente.

José Jorge Letria, em "Porta-te bem!"
Porto, Ambar, 2003.