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quarta-feira, 25 de março de 2026

"As Fontes" - Poema de Sebastião da Gama

 


André Derain (Peintre, graveur, illustrateur, sculpteur et écrivain français, 18801954),
Mountains at Collioure,
1905, National Gallery of Art.


As Fontes


Havia fontes na montanha.
Mas estavam fechadas.
Ignoradas,...
beijavam só as veias da montanha.

Ora um dia
não sei que vento passou
que me ensinou
aquelas fontes que havia.

Eu tinha mãos e mocidade;
só não sabia pra quê.
Fez-se nesse momento claridade.

Rasguei o ventre dos montes
e fiz correr as fontes
à vontade.

Então
veio quem tinha sede e quem não tinha.
De todas as aldeias
vieram, cantando as moças
encher as bilhas.
E eu fui também cantando ao som das águas...

Cantavam as minhas mãos, cantavam as fontes.
Era um canto jucundo,
cheio de Sol.
Mas a meio da nota mais alegre
muita vez uma lágrima nascia.

(Ai quantos, quantos,
minha canção tornava mais conscientes
da sua melancolia
sem remédio!
Ai os que já perderam a coragem
de reclamar a sua conta de água!
Ai a mágoa
que lhes era meu hino!
Ai o insulto desumano
à sua melancolia!)

Era a meio do canto que surgia
seu travo amargo...

Mas a meu lado, as águas
iam matando a sede de quem vinha...


Sebastião da Gama (19241952) 



André Derain, View of Collioure, 1905.


"Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis,
vales de silêncio e paraísos secretos."


Antoine de Saint-Exupéry
[Escritor, ilustrador e piloto francês (1900–1944), internacionalmente reconhecido pelo seu livro "O Principezinho"]
 
 
 
Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos.” — Antoine de Saint-Exupéry

Fonte: https://citacoes.in/citacoes/580719-antoine-de-saint-exupery-em-cada-um-de-nos-ha-um-segredo-uma-paisagem-inte/

quarta-feira, 22 de julho de 2020

22 de Abril - Dia Internacional da Terra


Fotografia "The Blue Marble" (A Bolinha Azul)
obtida durante a missão Apollo 17, em 1972.


(Legenda original: Vista da Terra, assim como foi avistada pela tripulação da Apollo 17 viajando em direção à Lua. Esta fotografia translunar da costa estende-se desde a região do Mar Mediterrâneo até à calota polar da Antártica, no Polo Sul. Esta é a primeira vez que a trajetória da Apollo possibilitou a fotografia da calota polar sul. Nota-se as pesadas nuvens cobrindo o Hemisfério Sul. Quase toda a costa da África é claramente visível. A península arábica pode ser vista na borda nordeste de África. A grande ilha a leste da costa da África é Madagascar. O continente asiático está no horizonte a nordeste.)


Jacinto-dos-campos florescem em abril tornando a floresta pintada de tons de azul, em Hallerbos,
conhecido como a "Floresta Azul", na Bélgica.


Dia Internacional da Mãe Terra


Em 12 de abril de 1961, o jovem cosmonauta russo Iuri Gagarin (1934-1968), a bordo da nave Vostok-1, foi o primeiro humano a viajar pelo Espaço. A missão, uma volta em torno da Terra numa órbita a 315 km de altitude, durou 1 hora e 48 minutos. Comentou, fascinado: "A Terra é azul!".
A partir desta primeira missão espacial, muitas outras se têm sucedido.

Em 1990, a pedido do astrofísico e escritor Carl Sagan, a sonda Voyager 1 foi programada para obter várias fotografias do Sistema Solar. Uma delas mostra a Terra vista à distância de 6 mil milhões de km.


Pálido Ponto Azul(14 de fevereiro de 1990) - Fotografia de Image by NASA/JPL - Caltech


No dia 14 de fevereiro de 1990, a sonda Voyager 1 viu a Terra a uma distância de quase 6 mil milhões de quilómetros, captando uma visão do nosso planeta que foi mais tarde descrita pelo cientista Carl Sagan, por “Pálido Ponto Azul. (Daqui)

A propósito da referida foto Carl Sagan escreveu:

"A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. (...) é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica (...) um pálido ponto azul. (...) Gostemos ou não, por enquanto, a Terra é o único lugar onde podemos viver (...)."


Pôr do sol em Honeymoon Bay, na Tasmânia, na Austrália


"Para além de ser o nosso lar, o nosso planeta é extremamente belo.
Quem nunca se extasiou perante a beleza de um pôr do sol? Gosto muito do pôr do sol. Vamos ver um... Um dia eu vi o pôr do sol quarenta e três vezes!"
- Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho


A Pirâmide de Ball é uma agulha vulcânica e roca que forma um ilhéu desabitado no mar de Tasman,
no sudoeste do oceano Pacífico


Para além da beleza do pôr do sol, dos glaciares, do céu, do arco-íris, temos uma natureza pródiga na sua diversidade animal, vegetal e mineral, em montes e planícies, em rios e mares... Somos uns privilegiados.
Daí a nossa grande responsabilidade de preservar e estimar o único lar que conhecemos, este pálido ponto azul.
No dia 22 de abril de 1970, foi criado, pelo senador norte-americano Gaylord Nelson o Dia da Terra.


Os recifes de coral têm uma grande biodiversidade.


A data foi criada em 1970, pelo senador norte-americano Gaylord Nelson que resolveu realizar um protesto contra a Poluição da Terra, depois de verificar as consequências do desastre petrolífero de Santa Barbara, na Califórnia, ocorrido em 1969.

Inspirado pelos protestos dos jovens norte-americanos que contestavam a guerra, Gaylord Nelson, desenvolveu esforços para conseguir colocar o tema da preservação da Terra na agenda política norte-americana.
A população aderiu em força à manifestação e mais de 20 milhões de americanos manifestaram-se a favor da preservação da terra e do meio ambiente.

Foi reconhecido pela ONU em 2009 que instituiu o referido Dia da Terra como o Dia Internacional da Mãe Terra.


Chaminés de fada no Parque Nacional do Cânion Bryce, no Utah (2007)


Desde essa data, no dia 22 de abril milhões de cidadãos em todo o mundo manifestam o seu compromisso na preservação do ambiente e da sustentabilidade da Terra.


Monte Everest, na fronteira China-Nepal, o ponto mais alto do planeta


O objetivo principal deste dia é consciencializar todos os povos sobre a importância e a necessidade de conservar os recursos naturais do planeta e defender a harmonia entre todos os seres vivos. Só assim será possível assegurar às gerações presentes e futuras qualidade de vida ambiental, social, económica, cultural, estética. (Daqui)

Acúmulo de lixo plástico (detritos marinhos) flutuando na costa norte de Honduras
(Caroline Power Photography)


"O mundo tornou-se perigoso porque os Homens aprenderam a dominar a Natureza antes de se dominarem a si mesmos."

(Albert Schweitzer)


Albert Schweitzer, 1955, por Rolf Unterberg


Albert Schweitzer foi um teólogo, filósofo, músico, organista e médico missionário alemão nascido em 1875, em Kaysersberg (atualmente parte da França), e falecido em 1965, em Lambaréné no Gabão, na África. Estudou nas universidades de Estrasburgo (1893–1899), Paris e Berlim. Como médico missionário fundou o seu próprio hospital no Gabão. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1952, pelo esforço a favor da Irmandade das Nações. Escreveu algumas obras sobre os Livros do Novo Testamento.




O Silo Global de Sementes de Svalbard foi criado em 2008, próximo da localidade de Longyearbyen, no arquipélago Ártico de Svalbard, a cerca de 1300 km ao sul do Polo Norte.
É um gigantesco silo, com uma estrutura inteiramente subterrânea, para conservar ex-situ sementes (banco de sementes) de plantas cultiváveis de todo o mundo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

"Boas noites" - Poema de João de Deus


Camille Pissarro (Danish-French Impressionist and Neo-Impressionist painter, 1830-1903),
 'Les laveuses', 1886.
 

Boas noites


Estava uma lavadeira
A lavar numa ribeira
Quando chega um caçador:

- Boas tardes, lavadeira!

- Boas tardes, caçador!

- Sumiu-se-me a perdigueira
Ali naquela ladeira;
Não me fazeis o favor
De me dizer se a brejeira
Passou aqui a ribeira?

- Olhai que, dessa maneira,
Até um dia, senhor,
Perdereis a caçadeira,
Que ainda é perda maior.

- Que me importa, lavadeira!
Aqui na minha algibeira
Trago dobrado valor...
Assim eu fora senhor
De levar a vida inteira
Só a ver o meu amor
Lavar roupa na ribeira!

- Talvez que fosse melhor...
Ver coser a costureira!
Vir de ladeira em ladeira
Apanhar esta canseira,
E tudo só por amor
De ver uma lavadeira
Lavar roupa na ribeira...
É escusado, senhor!

- Boas noites,... lavadeira!

- Boas noites, caçador!...


João de Deus, in 'Campo de Flores'


Camille Pissarro, 'Woman bathing her feet in a brook', 1894/95


"O importante é a imensidão da alma, com os seus tempos, as suas montanhas, os seus desertos de silêncio e os seus degelos, as suas flores dependuradas, as suas águas adormecidas: tudo isso é uma garantia invisível e sublime. Nela se baseia a tua felicidade e dela não te podes separar." 


domingo, 16 de outubro de 2016

"Não queiras ser" - Poema de Cecília Meireles


Florine Stettheimer (American, 1871-1944), Self-Portrait with Paradise Birds


Não queiras ser


Não queiras ser. 
Não ambiciones. 
Não marques limites ao teu caminho. 
A Eternidade é muito longe. 
E dentro dele tu te moves, eterno. 
Sê o que vem e o que vai. 
Sem forma. 
Sem termo. 
Como uma grande luz difusa. 
Filha de nenhum sol.


Cecília Meireles, in Cânticos, 1982 


 
Florine Stettheimer, Heat, c.1919, Brooklyn Museum


"O prazer dos grandes homens consiste em fazer os outros felizes." 



Florine Stettheimer, Picnic at Bedford Hills, 1918


"Claro que te farei mal. Claro que me farás mal. Claro que podemos, mas essa é a condição da existência. Receber a Primavera significa correr os riscos do Inverno. Se desistir agora será correr o risco do desaparecimento. Amo-te."


Parte de uma carta escrita a Natalie Paley citada no livro "Sept lettres à Natalie Paley (1942 – 1943)"


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

"A Mulher" - Poema de António Ramos Rosa


Dino Valls (Spanish painter born in 1959), Mutus Liber, 1996
 


A Mulher


Se é clara a luz desta vermelha margem 
é porque dela se ergue uma figura nua 
e o silêncio é recente e todavia antigo 
enquanto se penteia na sombra da folhagem. 
Que longe é ver tão perto o centro da frescura 

e as linhas calmas e as brisas sossegadas! 
O que ela pensa é só vagar, um ser só espaço 
que no umbigo principia e fulge em transparência. 
Numa deriva imóvel, o seu hálito é o tempo 
que em espiral circula ao ritmo da origem. 

Ela é a amante que concebe o ser no seu ouvido, na corola 
do vento. Osmose branca, embriaguez vertiginosa. 
O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar. 
Quase dorme no suave clamor e se dissipa 
e nasce do esquecimento como um sopro indivisível. 


António Ramos Rosa, in "Volante Verde" 


Dino Valls, Anonymous, 1993


"Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave."

(Antoine de Saint-Exupéry)

domingo, 1 de junho de 2014

"A Luz do teu Amor" - Poema de Guilherme de Azevedo


Sir Walter  Westley Russell (British painter and art teacher, 1867‑1949), Cordelia, 1930.


A Luz do teu Amor


 Oh! Sim que és linda! a inocência 
Em tua fronte serena 
Com tal doçura reluz!... 
Tanta e tanta... que a açucena 
Tão esplêndida a existência 
Não lha doura assim à luz! 
Oh! que és linda, e mais... e mais 
Quando um traço melancólico 
Te diviso no semblante 
Nos teus olhos virginais! 
Que doçura não existe 
Ai! ó virgem, nesse instante 
Na poética beleza 
Desse traço de tristeza 
Que te vem tornar mais bela 
Mal em teu rosto pousou! 
E eu te quero assim, ó estrela, 
Que se inspira em mim a crença 
Triste... triste, que és mais linda, 
Mas dessa beleza infinda 
Das ficções da renascença 
Que a poesia perfumou! 

Fita agora os olhos lânguidos 
Na estrela que te ilumina, 
Eu não sei que luz divina 
De amor nos fala em teu rosto! 
Eu não sei, nem tu... ninguém!... 
Que a vaga luz do sol posto, 
Que a palidez da cecém, 
Que a meiguice dos amores, 
E que o perfume das flores 
Não respiram a harmonia 
Desse toque leve... leve 
Do mais puro sentimento, 
Da mais suave ilusão! 
As flores leva-as o vento; 
Mas a divinal poesia 
Que em teu peito se alimenta 
Não a desfaz a tormenta, 
Nem a consome o vulcão! 

E assim! - Lembra-me ainda 
Aquele instante suave! 
Havia paixão infinda 
No terno gorjeio da ave 
Que ao longe... ao longe se ouvia 
Ressoar na laranjeira! 
Assim foi... assim tão pálida 
Que eu te vi a vez primeira 
Naquele instante sem par! 
Sim! Oh! se a alma do poeta 
É como a ardência do mar, 
Que se calma e se aquieta 
À luz que baixa dos céus; 
Eu por ti surgi, ó bela, 
O cantor daquela estrela 
Que fulge lá no horizonte, 
Que me voa a vida em êxtase 
Quando sobre a minha fronte 
Cai a luz dos olhos teus! 

E se o passado foi triste 
Sepultei-o num abismo, 
E esqueci ao magnetismo 
Da tua doce expressão 
O gemer da tempestade, 
Mais o ralar da ansiedade 
Daqueles dias de então! 
Se já viste mesmo em sonhos 
Ressurgir graciosa e bela 
De entre os negrumes da noite 
A doce imagem da estrela 
Que sorri ao turvo mar; 
Faz ideia de minha alma 
Que em deserto triste e infindo 
Vivia sem uma palma, 
E que, um dia... um dia lindo, 
Surge à luz do teu olhar! 

E depois a melancolia, 
Aquela doce cadência 
Que tinhas então na fala, 
Tão suave como a essência 
Que somente a flor exala, 
Tudo... tudo me prendeu! 
E hoje elevo as mãos ao céu, 
E bendigo aquele instante 
em que vi a tua imagem 
de vaga luz radiante, 
Embora seja a miragem 
Que na aridez do deserto 
Um instante nos fulgura, 
E que, ora longe, ora perto, 
Bem pouco... bem pouco dura! 
Não negues um dia alento 
Aos débeis sopros de vida 
Que em mim pululam agora 
Com mais força e mais calor! 
Se vives da luz da aurora 
Que à vida te diz bonança, 
Eu só vivo da esperança 
E da luz do teu amor! 


Guilherme de Azevedo, 
in 'Antologia Poética'


Guilherme de Azevedo retratado 


Guilherme Avelino Chaves de Azevedo (Santarém, 30 de Novembro de 1839 - Paris, 6 de Abril de 1882) foi um jornalista e poeta português. 
 
Ligado à "Geração de 70", foi um dos representantes da poesia revolucionária introduzida no país por Antero de Quental ("Odes Modernas", 1865), tendo ainda recebido influências dos franceses Vitor Hugo e Charles Baudelaire.
 
Filho de um escrivão das Finanças, desde a infância mostrou-se fisicamente débil, como resultado de uma queda que o fez coxo e lhe provocou uma lesão de que viria a morrer prematuramente aos quarenta e dois anos de idade. Viveu, por essa razão, obcecado por esconder os seus males físicos. 
 
Em 1871 fundou em Santarém o periódico "O Alfageme", primeiro momento da sua carreira jornalística e onde defendeu, com escândalo no país à época, as ideias revolucionárias da Comuna de Paris
 
Após o falecimento do pai, instalou-se em Lisboa, onde abraçou definitivamente o jornalismo, profissão na qual atingiu posição relevante. Trabalhou nos periódicos "Diário da Manhã", "O Pimpão" e em "A Lanterna Mágica". Colaborou no "Primeiro de Janeiro" com um folhetim semanal, bem como no jornal O Panorama (1837-1868) e nas revistas A Mulher (1879), Ribaltas e gambiarras (1881) e Jornal de Domingo (1881-1883), e ainda na imprensa brasileira. 
 
Como poeta, foi um autor representativo, abordando temas modernos numa escrita de índole épico-social. Publicou os primeiros versos no "Almanaque de Lembranças" de 1864, sob o pseudónimo de "G. Chaves", vindo a colaborar posteriormente em vários periódicos, como o "Comércio de Lisboa", a "Revolução de Setembro" e a "Gazeta do Dia", onde, em parceria com Guerra Junqueiro, manteve as crónicas humorísticas da rubrica "Ziguezagues"
 
Fundou o O António Maria em 1879 com Rafael Bordalo Pinheiro, e, ainda ao lado deste, dirigiu e colaborou no "Álbum das Glórias". No mesmo ano, novamente com Guerra Junqueiro, redigiu a sátira teatral "Viagem à roda da Parvónia", que seria pateada e proibida, mas que Ramalho Ortigão considerou uma "fiel pintura dos costumes constitucionais" do país à época. 
 
Em 1880, em consequência da fama conquistada como cronista mundano e político, o periódico carioca "Gazeta de Notícias" nomeou-o seu correspondente em Paris, função que desempenhou nos dois últimos anos da sua vida. 
 
As suas poesias, reunidas nas três coletâneas "Aparições" (1867), "Radiações da Noite" (1871) e "Alma Nova" (1874), encarnam o novo realismo satírico de inspiração baudelairiana no país. 
Com o pseudónimo "João Rialto" deixou vários escritos com elevado humorismo. (Daqui)
 
 

Galeria de Walter Westley Russell
Walter Westley Russell, Camilla


"Do primeiro amor gosta-se mais, dos outros gosta-se melhor." 

(Antoine de Saint-Exupéry)


Sir Walter Russell, Tying her shoe


"A medida do amor é amar sem medida."

(Victor Hugo)


Sir Walter Russell, Portrait of a Lady


"Quando somos amados, não duvidamos de nada. Quando amamos, duvidamos de tudo." 

(Sidonie Colette)


Sir Walter Russell, The Morning Room


"Gosto desta ideia: que o amor é uma forma de conversação em que as palavras agem em vez de serem faladas."

(David Lawrence, O Amante de Lady Cnatterly)


Sir Walter Russell, Alice, 1926


"Muito pouco ama, quem com palavras pode expressar quanto muito ama." 

  (Dante Alighieri)


Sir Walter Russell, Alderman Robert Styring, Lord Mayor of Sheffield, 1906


"Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito." 

(Bertolt Brecht, A Ópera dos Três Vinténs)

domingo, 1 de dezembro de 2013

"A felicidade está no realizar e não no usufruir" - Texto de Antoine de Saint-Exupéry


 (Entre vinhas do aclamado e delicioso vinho do Porto, banhada pelo Rio Douro. Imagem a aérea)


A felicidade está no realizar e não no usufruir


Atolavam-se na ilusão da felicidade que extraíam dos bens possuídos. Ora a felicidade o que é senão o calor dos atos e o contentamento da criação? Aqueles que deixam de trocar seja o que for deles próprios e recebem de outrem o alimento, nem que fosse o mais bem escolhido e o mais delicado, aqueles que ouvem subtilmente os poemas alheios sem escreverem os poemas próprios, aproveitam-se do oásis sem o vivificarem, consomem cânticos que lhes fornecem, e fazem lembrar os que se apegam às mangedouras no estábulo e, reduzidos ao papel de gado, mostram-se prontos para a escravatura. 


Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"


Rio Douro, Vila Nova de Gaia / Porto, Portugal 


“Existe um artista aprisionado em cada um de nós. 
Deixe-o solto para espalhar alegria por toda parte.”

(Bertrand Russell)



Ponte Luís I, Porto, Portugal
 

“É a ambição de possuir, mais do que qualquer outra coisa,
que impede os homens de viverem de uma maneira livre e nobre.”

(Bertrand Russell)


Centro histórico da cidade do Porto

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"Não julgues segundo a soma" - Texto de Antoine de Saint-Exupéry


William J. Glackens (American realist painter, 1870-1938), La Villette, 1895 
 


Não julgues segundo a soma


Não hás de julgar segundo a soma. Vens-me dizer que não há nada a esperar daqueles acolá. São grosseria, gosto do lucro, egoísmo, ausência de coragem, fealdade. Mas se me podes falar assim das pedras, as quais são rudeza, peso morno e espessura, já o não podes daquilo que tiras das pedras: estátua ou templo. Quase nunca vi o ser comportar-se como o teriam feito prever as suas partes. Se pegares em vizinhos à parte, virás a concluir que cada um deles odeia a guerra e não está disposto a abandonar o lar, porque ama os filhos e a esposa e as refeições de aniversário; nem a derramar o sangue, porque é bom, dá de comer ao cão e faz carícias ao burro, nem a roubar outrem, pois tu bem vês que ele apenas preza a sua própria casa e puxa o lustro às suas madeiras e manda pintar as paredes e perfuma o jardim de flores. E dir-me-ás: «Eles representam no mundo o amor à paz...» No entanto, o império deles não passa de uma grande terrina onde se vai cozendo a guerra. E a bondade deles e a doçura deles pelo animal ferido e a emoção deles à vista de flores não passam de ingrediente de uma magia que prepara o tilintar das armas, da mesma maneira que aquela mistura de neve, de madeira envernizada e de cera quente prepara as grandes palpitações do coração, embora a captura não seja, como nunca é, da essência do laço.


Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), in "Cidadela"
 

 
William Glackens, Theater Scene, 1903, oil on canvas, 32.4 x 39.4 cm
 
 
William Glackens, Under the Trees, Luxembourg Gardens, 1906,
Munson Williams Proctor Institute, Utica, New York, USA


sábado, 22 de dezembro de 2012

"Não confundas o amor com o delírio da posse" - Texto de Antoine de Saint-Exupéry


Fotografia de Maureen Bisilliat


Não confundas o amor com o delírio da posse 

 
«Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. Por eu amar a Deus, meto-me a pé pela estrada fora, coxeando penosamente para o levar aos outros homens. E não reduzo o meu Deus à escravatura. E sou alimentado com o que ele dá a outros. Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.»

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"


Fotografia de Maureen Bisilliat 
 

“A série Pele preta deriva de meus tempos de estudante, quando frequentava ateliês de modelo vivo, atenta à anatomia, à movimentação do corpo e à iluminação.” - Maureen Bisilliat


Maureen Bisilliat


Sheila Maureen Bisilliat (Englefield Green, Surrey, 1931) é uma fotógrafa nascida na Inglaterra e naturalizada brasileira.
Filha da pintora Sheila Brannigan (1914 - 1994) e de um diplomata, estudou pintura com André Lhote (1885 - 1962) em Paris, em 1955, e na Art Students League de Nova Iorque, com Morris Kantor (1896 - 1974), em 1957.
Veio pela primeira vez ao Brasil em 1952, fixando-se definitivamente no país em 1957, na cidade de São Paulo. Nas palavras da fotógrafa, "o Brasil foi uma procura de raízes, que eu não tive quando criança. Nasci na Inglaterra, sim, mas vivi em muitos lugares. Meu pai era diplomata, o que me obrigou a uma vida meio camaleônica. O destino me amarrou ao Brasil. Foi um ficar querendo."
A partir de 1962, abandona a pintura e passa a dedicar-se à fotografia. Trabalha como fotojornalista para a Editora Abril, entre 1964 e 1972 - na revista Quatro Rodas mas virá a se destacar sobretudo na extinta revista Realidade.
Entre 1972 e 1992, juntamente com seu segundo marido, o francês Jacques Bisilliat, e o arquiteto Antônio Marcos Silva, funda a Galeria de Arte Popular O Bode. Nesse período, viaja pelo Brasil em busca de trabalhos de artistas populares e artesãos, para compor o acervo da galeria. Ainda nessa época, em 1988, a pedido do antropólogo Darcy Ribeiro, Maureen, Jacques e António Marcos são convidados a atuar na formação do acervo de arte popular latino-americano da Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo. Para isto, os três percorrem México, Guatemala, Equador, Peru e Paraguai, recolhendo peças para a coleção permanente do Pavilhão da Criatividade do Memorial, do qual Maureen se torna curadora desde então.
Maureen Bisilliat foi bolsista da John Simon Guggenheim Memorial Foundation (Estados Unidos), em 1970; do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1981 - 1987), da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (1984 - 1987) e da Japan Foundation (1987).
Em dezembro de 2003, sua obra fotográfica completa, com mais de 16.000 imagens, incluindo fotografias, negativos preto e branco e cromos coloridos, nos formatos 35mm e 6cmx6 cm, foi incorporada ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles. (Daqui)


Maureen Bisilliat - Primeira Foto - Família Nissei, São Paulo, 1950


Dentro do vasto acervo da fotógrafa, Pele Preta destaca-se pela estética apurada e pelo forte simbolismo que Bisilliat explorou nas sombras e cortes na composição.
Bisilliat é autora de várias reportagens fundamentais para a consolidação do fotojornalismo brasileiro e sempre teve uma forte ligação com a literatura, editando vários livros de fotografia inspirados nas obras de Mário de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha e João Cabral de Melo Neto.
O Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia, homenageou a fotógrafa com a exposição individual Pele Preta, na Galeria Zoom com realização do IMS.


Fotografia de Maureen Bisilliat  


Fotografia de Maureen Bisilliat 


 Fotografia de Maureen Bisilliat.
Catadora de caranguejos em Livramento, no Rio Paraíba do Norte, PB, 1968. 


 Fotografia de Maureen Bisilliat  


"Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa..."