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terça-feira, 30 de junho de 2015

"Cena Familiar " - Poema de Affonso Romano de Sant’Anna


Judith Leyster (1609-1660), O Casal Feliz, 1630, Museu do Louvre



Cena Familiar


Densa e doce paz na semiluz da sala. 
Na poltrona, enroscada e absorta, uma filha 
desenha patos e flores. 
Sobre o couro, no chão, a outra viaja silenciosa 
nas artimanhas do espião. 
Ao pé da lareira a mulher se ilumina numa gravura 
flamenga, desenhando, bordando pontos de paz. 
Da mesa as contemplo e anoto a felicidade 
que transborda da moldura do poema. 
A sopa fumegante sobre a mesa, vinhos e queijos, 
relembranças de viagens e a lareira acesa. 
Esta casa na neblina, ancorada entre pinheiros, 
é uma nave iluminada. 
Um oboé de Mozart torna densa a eternidade. 






"Paz e harmonia: eis a verdadeira riqueza de uma família." 



Woman playing a Virginal, de Jan Miense Molenaer, 
marido da pintora Judith Leyster


"A alegria é a pedra filosofal que tudo converte em ouro."



Jan Miense Molenaer, His Family portrait, 1635.
 

"Um bom exemplo é o melhor sermão."

(Benjamin Franklin)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A flautear em vale agreste" - Poema de William Blake



Judith Leyster (Dutch Golden Age painter, 1609–1660),
Young Flute Player, c. 1630.


A flautear em vale agreste


A flautear em vale agreste,
A flautear canção feliz,
Das nuvens uma criança
Vem sorridente e me diz:

“Toca a canção de um Cordeiro!”
Toquei-a com alegria.
“Flautista, toca de novo.”
Toquei: a chorar me ouvia.

“Deixa a flauta, a fácil flauta;
Canta os cantos de alegria.”
Cantei tudo o que tocara;
De gozo a chorar me ouvia.

“Senta-te e escreve, flautista,
Num livro, a que possam ler.”
E ela sumiu-me da vista:
E um junco então fui colher,

E fiz uma pena rude,
E manchei as águas mansas,
E escrevi minhas canções
Que hão de alegrar as crianças…


William Blake, in 'Poesia e prosa selecionadas'.
Introdução, seleção, tradução e notas Paulo Vizioli.
Edição bilíngue. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.


 
 
Judith Leyster, Self-Portrait, c. 1630, National Gallery of Art.



Quando vozes de crianças se ouvem na relva,
E risos se ouvem nas colinas
Meu coração descansa no meu peito,
E todo o resto fica sereno.




Nelly Furtado - All Good Things (Come To An End)