domingo, 27 de setembro de 2026

"O circo do contrário" - Poema de Pedro Bandeira

 


Ilustração de Regina Shadhan


O circo do contrário


Lá no circo do contrário,
o leão pega o chicote
e obriga o domador
a pular todo sem jeito
para cima do banquinho.

Lá no circo do contrário,
tem a bola colorida
que joga os malabaristas
para cima, para o alto,
sem deixar cair nenhum.

Lá no circo do contrário,
o espetáculo é maluco,
pois de dentro da cartola
o coelho tira o mágico!

Lá no circo do contrário,
os palhaços batem palmas
pois quem faz as palhaçadas
é um menino como eu!

Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno"
Editora Moderna

♥♥♥

 
Ilustração de Regina Shadhan
 
 
"É divertido fazer o impossível." 

Walt Disney, citado em "Walt Disney's Disneyland",
Martin A. Sklar - Walt Disney Productions, 1965.


 
Ilustração de Regina Shadhan


"Eu prefiro entreter e esperar que as pessoas aprendam, 
do que ensinar e esperar que as pessoas se divirtam."

Walt Disney
 
 
 
Ilustração de Regina Shadhan
 

"O riso é atemporal. A imaginação não tem idade. E os sonhos são para sempre."

Walt Disney
 
 
 
 
"Eu tento construir um tipo de felicidade que se torne permanente."
 
Walt Disney

[Walt Disney (1901–1966) foi um cineasta norte-americano, que revolucionou o cinema de animação.
Utilizou novas técnicas e inventou novas personagens. Os primeiros desenhos animados do Rato Mickey apareceram em 1928. Mais tarde surgiram as longas metragens Branca de Neve e os Sete Anões (1937), Fantasia (1940), Pinóquio (1940), Dumbo (1941) e Peter Pan (1953).
A Disneylândia foi fundada por Walt Disney em 1955
.] (daqui)


sábado, 26 de setembro de 2026

"Polvo" - Poema de José Jorge Letria



Jody Keen
(Australian artist), 'Octupus deep blue sea',
Acrylic, 50 x 40 cm. 


Polvo


Senhor polvo, o que nos traz de novo?
Eu sei que não tem tentáculos a medir
e que sem sair do mesmo sítio
parece que está sempre a partir.

Senhor polvo, o que nos traz de novo?
Eu sei que é veloz e inteligente
e que até usa para escrever
a mais negra tinta permanente.

Senhor polvo, o que nos traz de novo?
Com o seu olhar penetrante,
agitando os braços todos
parece mesmo um gigante.

Senhor polvo, o que nos traz de novo?
Se quiser tornar-se escritor
terá pela certa muito para contar
nas páginas feitas de algas
que cobrem as sereias no fundo do mar. 


José Jorge Letria,
em "O Alfabeto dos Bichos"
 
 
 
 O Alfabeto dos Bichos de José Jorge Letria (n. 1951),
Ilustrações de André Letria (n. 1973),
Oficina do Livro, 2005.
 

SINOPSE 


O Alfabeto dos Bichos de José Jorge Letria e André Letria

Idade recomendada: 6 a 9 anos

Da águia à zebra, sem esquecer o macaco, o tubarão e até o quivi, este livro ajuda as crianças a conhecer melhor uma série de animais, ao mesmo tempo que lhes relembra o alfabeto.
Os textos, pequenos poemas em rima a apresentar os diferentes bichos, são da autoria de José Jorge Letria e as ilustrações, duas para cada animal, do seu filho, André Letria. (daqui)
 
 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Onde está o Gato? - Poema de Luísa Ducla Soares



Shawn Braley
(American illustrator, b. 1972), 'Magic carpet ride'
 

Onde está o Gato?


Os burros tocam viola.
Os ratos varrem a rua,
As meninas usam barba,
Eu vivo sempre na lua.

Os carapaus têm lã,
As galinhas têm espinhas,
As vacas coca-cola
E chocolates as vinhas.

Os gatos calçam sapatos,
Olha a trança das serpentes,
As moscas falam francês,
Os galos lavam os dentes.

As casas voam no ar,
As nuvens dormem no chão,
Os olhos fazem chichi
E crescem rosas na mão.

Miúdo que estás a ouvir-me,
Pois tens orelhas de rã,
Diz lá o que está errado
Ou faço queixa à mamã.


Luísa Ducla Soares, in Conto estrelas em ti;
17 poetas escrevem para a infância.



'Conto estrelas em ti' - 17 poetas escrevem para a infância.
Coordenação: José António Gomes; Ilustração: 
João Caetano 
Porto: Campo das Letras, 2000.

 

SINOPSE

Conto estrelas em ti
dezassete vozes,
dezassete modos
de escrever poesia
para crianças e jovens.

Autores: Albano Martins, Álvaro Magalhães, Ana Saldanha, António Mota, António Torrado, Fernando Miguel Bernardes, Francisco Duarte Mangas, João Pedro Mésseder, Luísa Dacosta, Luísa Ducla Soares, Maria Alberta Menéres, Mário Castrim, Papiniano Carlos, Raul Malaquias Marques, Teresa Guedes, Vergílio Alberto Vieira e Violeta Figueiredo.
Coordenação: José António Gomes. 
 
 
 Ilustrações de Shawn Braley

Shawn Braley, 'Watchful'
 
 

Shawn Braley, 'Lean on me'
 
 

Shawn Braley, 'Best Friends'
 
 

Shawn Braley, 'Osmosi'
 
 

Shawn Braley, 'Thinking Outside the Box'


"A inteligência no gato é menosprezada."

"Intelligence in the cat is underrated."

Louis Wain,
in "The Quotable Feline"‎, de Jim Dratfield - Chronicle Books Llc, 1997.


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

"Chegou o Outono" - Poema de Alice Gomes

 


Albert Anker (Swiss painter and illustrator, 1831–1910),
 "Under the Umbrella"
("Enfants allant à l'école sous un parapluie"), 1884.


Chegou o Outono


Chega o Outono!
As andorinhas
despedem-se das outras avezinhas
e vão pelos ares fora
vão-se embora
embora?
Não!
Que voltam, voltarão…
Quando a bela estação
da Primavera
que antecede ao Verão
oferecer melhor vida.
Não têm agasalhos nem comida,
vão para terras quentes
à procura do sol que as consola
Mas nós, crianças, 
nós, 
todos contentes
partimos para a escola.


Alice Gomes, in 'Bichinho Poeta', 1970;
in 'Poesia portuguesa para crianças - Antologia'

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

"Mistérios da Escrita" - Poema de Álvaro Magalhães



Georgia O'Keeffe (American modernist painter and draftswoman,
1887–1986), "Sunflower", 1921

 

Mistérios da Escrita


Escrevi a palavra flor.
Um girassol nasceu,
No deserto de papel.
Era um girassol
como é um girassol.
Endireitou o caule,
sacudiu as pétalas
e perfumou o ar.
Voltou a cabeça
à procura do Sol.
E deixou cair dois grãos de pólen
sobre a mesa.
Depois cresceu até ficar
com a ponta de uma pétala
fora da Natureza.


Álvaro Magalhães
in "O Limpa-Palavras e outros poemas", 
Porto, Edições Asa, 2000.



Georgia O'Keeffe, "Sunflower", 1940–1942. Oil on canvas, 
 Private Collection.


Sol no girassol.
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.


Aníbal Beça (1946–2009) 
 
 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

"Fim de Verão" - Poema de Paulo Henriques Britto



Jim Daly (American painter, born 1940), Summer’s End



Fim de Verão

XIV

A noite total tarda a chegar:
aproveite-se a luz que há.

É um lume sensato, difuso,
que não dissipa o lusco-fusco

porém o disfarça e matiza,
atenuando o tom de cinza

com laivos quase sinceros
de azul, vermelho e amarelo,

proporcionando às retinas
já habituadas à rotina

de emprestar às sombras de agora
tons subtraídos da memória

uma oportunidade tardia
de gozar um quase dia.

Quase, sim: melhor do que nada,
melhor que o nada.


Paulo Henriques Britto
,
Fim de Verão, 2022
 
 

Jim Daly, The Immigrant Spirit, 1992 

At the 1904 St. Louis World's Fair, a concessionaire who was selling ice cream ran out of cups. The concessionaire next to him was selling crisp, wafer-like pastry baked on a flat waffle iron. It was his idea to roll one of his wafers into a cornucopia, let it cool, and put a scoop of ice cream into it. 
The idea was an immediate hit and the "World's Fair Cornucopia", or ice cream cone, was born. Both the concessionaires were immigrants, and in my painting, The Immigrant Spirit, I wanted to show that spirit of enterprise and innovation. 
The same spirit brought the immigrants through Ellis Island and carried them through the new land. Thy were truly "pillars of a nation." —
 Jim Daly
 
 
 
Jim Daly, Her Secret Place, 1991


⁠"Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças."

Manoel de Barros,
Trecho do poema Exercícios de ser criança.
in Poesia completa, São Paulo: LeYa, 2010.
 

sábado, 12 de setembro de 2026

"Desaparecido" - Poema de Carlos Queirós Ribeiro

 


Ryan Mutter
 (Scottish artist, b. 1978), 'Crail', 2021.
Oil on Canvas, 50 × 40 cm, Private Collection.


Desaparecido


Sempre que leio nos jornais:
"De casa de seus pais desapareceu..."
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto de arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
— Livre o instinto, em vez de coagido,
"De casa de seus pais desapareceu..."
Eu, o feliz desaparecido! 


Carlos Queirós Ribeiro (1907–1949), 
in 'Desaparecido', 1935



Desaparecido: poemas de Carlos Queiroz, 1935.
Contém dedicatória autógrafa a Fernando Pessoa 
datado de 31-10-1935 oferecendo propositadamente
o exemplar com o nº 13.
 (daqui)


Sobre Desaparecido, de Carlos Queiroz
por Fernando Pessoa


A beleza do livro começa pelo livro. A edição é lindíssima. A beleza do livro continua pelo livro fora: os poemas são admiráveis.
Não se pode dizer deste livro o que é vulgar dizer-se, elogiosamente, de um primeiro livro, sobretudo de um jovem: — que é uma bela promessa. O livro de Carlos Queiroz não é uma promessa, porque é uma realização. Cumpriu, sem ter prometido, sem ter tido que prometer. 
Assim se deveria fazer sempre, ou quase sempre. Pertence ao mais íntimo da probidade literária e artística o não se apresentar ao público sem ter plena consciência de que na obra apresentada está tudo quanto em nós haja de forte. Não escrevia Milton um soneto sem que o fizesse como se desse soneto dependesse toda a sua fama futura.
E que prazer o de se poder escrever isto sem que a amizade que tenho pelo poeta, que é muita, uma só palavra me dite; sem o que o gosto de incitar quem é jovem, e tenho esse gosto, me faça sublinhar uma só frase; de poder escrever isto sem mais entendimentos que com a justiça, sem mais combinações que com a verdade.

1935

Fernando Pessoa, Textos de Crítica e de Intervenção. Lisboa: Ática, 1980. 
1ª publ. in Revista de Portugal, nº 2. Coimbra: Jan. 1938
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Ryan Mutter (Scottish artist, b. 1978), 'Dockland Life'.
Oil on Canvas, 
 60 × 60 cm, Private Collection.
 

"O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação."
 [Escritor, poeta e dramaturgo irlandês, 1854–1900]