sexta-feira, 8 de maio de 2026

"Gato" - Poema de Francisco Carvalho


 
Bruno Liljefors (Swedish artist, 1860–1939), "Jeppe" (Portrait of his cat), 1884.

Gato 
 
I

As retinas do gato 
dardejam no escuro 
da pele do rato

arauto das noites 
o gato passeia 
no dorso do muro

tenso como um arco 
o gato desenha 
os moldes do salto

crivado de fúrias 
salto que o liga 
à ponte do olfato.

II

Onde se esconde 
este sósia de conde?

Por onde passeia 
o dorso que se alteia?

Seu dorso de vaga 
que se acende e se apaga?

Quantas rotinas 
têm as suas retinas?

Quantos sóis de cobalto 
nas arcadas do salto?

Quando o seu faro pulsa 
sente o odor da Ursa?

Ou apenas preserva 
seu contorno na treva?

O gato não esconde 
o seu fulgor de conde.


Francisco Carvalho (1927-2013),
in "Raízes da Voz", 1996.



Bruno Liljefors, "Cat with European Green Woodpecker", 1890.
 

 
Bruno Liljefors"A Cat (Jeppe) and a Chaffinch", 1885.
 
 
Escritores e gatos

Os escritores, tal como os gatos, são criaturas solitárias, ciosas do seu espaço e da sua liberdade, que gostam de silêncio, de concentração e de companhia quanto baste. Os gatos não exigem demais de quem vive com eles nem reclamam atenção a toda a hora, e os escritores aceitam de bom grado essa situação, que os deixa à vontade e não lhes cria sentimentos de culpa quando estão ausentes.

Os gatos parecem pacíficos e domésticos, mas nunca cortaram realmente o elo com o mundo selvagem. Basta ver um gato assanhado para perceber de onde vêm as suas unhas em garra, as orelhas pontiagudas, os dentes afiados, a boca aberta bufando. Basta vê-los caçar para os descobrir como felinos, da estirpe do gato bravo, do tigre ou da pantera.

Os escritores também têm esse lado nunca domesticado nem domesticável. Por muito que se tente convertê-los às convenções, ao que se considera correto (politicamente ou não), eles encontram saídas e saltam para fora.Também eles são da estirpe dos felinos.

Tal como os gatos, também eles são sensuais, com todos os sentidos despertos para o mundo à sua volta. Dotados de olhos multifacetados, que veem longe e perto, na luz e na sombra. Ou no escuro.

Se for esse o caso, também eles sabem ser ternos, partilhar com o outro a sua pele macia, o calor do seu corpo.

E, tal como os gatos, também os escritores têm sete vidas. Quando enfrentam perigos e são atacados, empurrados para quedas de grande altura, usam todos os seus recursos de defesa (que são muitos) e sabem cair de pé.

(A quem se interessar por este tema e quiser saber mais, sugiro que leia o capítulo II do meu romance A Cidade de Ulisses).

Teolinda Gersão (Professora universitária e premiada escritora portuguesa, n. 1940) (daqui) 
 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

"Em Creta, com o dinossauro" - Poema de Ana Luísa Amaral


 
Delphin Enjolras (French painter, 1857
1945), 'On the Terrace', s.d.


Em Creta, com o dinossauro  

 
Nunca lá estive,
mas gostava.

Também de me sentar a mesa de café
descontraída (mesa e eu)
e ter à minha frente
o dinossauro.

Pata traçada sobre a rocha,
aquela onde Teseu
não descobrira entrada de caverna.
Conversaríamos os dois, eu
na cadeira, ele
altamente herbívoro e escamoso,
olho macio e muito social.

Depois, o fio!

Que Ariadne traria, pouco solene
e debaixo do braço.
Um fio de seda ou prumo ou aço.
E o dinossauro,
de pouco habituado (ainda assim)
a um tempo tão nosso,
perguntaria para que era aquilo.

"Para guiar Teseu", era
a resposta de Ariadne. E depois,
piscando o olho, ainda mais macio
que o do monstro escamado,
"Ou para o confundir"

Convirá referir neste momento
que Teseu: entretido no palácio
a estudar labirintos com o rei,
ignorante de tudo.

Na rocha, cheia de algas macias
de veludo,
abriria o dinossauro em gesto largo
as patas dianteiras, aprovando
a ideia.

Estávamos bem, os três,
beberricando calmos o café
servido por meteco – bem cheiroso.
Enquanto no palácio, o labirinto inchava
e Teseu, ansioso por agradar ao Rei,
queimava, de frenético, nobres pestanas
gregas.

No ar minóico, rescendia
o perfume a laranjas,
e, entre vários cafés e golos de retsina,
o dinossauro mastigava calmo
quatro quilos (à vez) de
ameixas secas e doces
tangerinas,

narrando a nobre paz
que se seguira ao caos:
não sabia se estrelas em cósmica viagem
de chuva de brilhantes,
se glaciar medonho
reconcertando o ritmo da Terra,
se só o seu tamanho – imenso

e desumano –
a dar lugar ao mito.

Em labirinto
de muitos milhões de anos,
tinha chegado ali. Sem saber como.
"É como o fio que eu trago
aqui, para Teseu", Ariadne
diria, "O de aço, seda, ou prumo,
que conduz ou confunde, conforme
ocasião."

– A traição!

Derivaria Ariadne, então,
falando de Teseu: da traição que,
julgava ela,
o levaria a abandoná-la em Naxos
e do compasso incerto do que fora
anterior à traição.

Poseidon pelas águas reluzia,
o destino de Minos e de Cnossos
ainda por marcar;
só o monstro sabia como deuses e homens:
comuns a odiar.

Sabia, mas calava. Que silêncio:
a virtude maior
de sáurio que se preza.
E a conversa seria tão calma, tão amena,
que esquecia Ariadne derivações
de mito,
juntando-se à retsina.

"Um brinde", proporia o dinossauro,
em gesto social.
"Um brinde", repetiríamos nós (princesa
e eu).

E o fio de renda fina voaria
qual pássaro pré-histórico,
até ao mar Egeu.

Pata a tapar a boca de franjas
inocentes,
palitaria então o Dinossauro os dentes...

(E do palácio já saiu Teseu.
Mapa e espada na mão.
Mas sem o fio.)


Ana Luísa Amaral (1956–2022)
 
 

Delphin Enjolras, 'Young Woman on the Terrace', s.d.



"O poeta é como o príncipe das nuvens. [...] As suas asas de gigante não o deixam caminhar."

"Le Poete est semblable au prince des nuées [...] Ses ailes de géant l’empêchent de marcher."


Charles Baudelaire (18211867), in 'L’Albatros 'Les Fleurs du mal', 1861.
 

"Ah, abram-me outra realidade!" - Poema de Álvaro de Campos



Paul Signac (French Neo-Impressionist painter, 1863–1935),
'Capo di Noli', 1898, oil on canvas, 93.5 × 75 cm,
Wallraf–Richartz Museum, Cologne.


Ah, abram-me outra realidade!


Ah, abram-me outra realidade! 
Quero ter, como Blake, a contiguidade dos anjos 
E ter visões por almoço. 
Quero encontrar as fadas na rua! 
Quero desimaginar-me deste mundo feito com garras, 
Desta civilização feita com pregos. 
Quero viver como uma bandeira à brisa, 
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer!

Depois encerrem-me onde queiram. 
Meu coração verdadeiro continuará velando 
Pano brasonado a esfinges, 
No alto do mastro das visões 
Aos quatro ventos do Mistério. 
O Norte — o que todos querem 
O Sul — o que todos desejam 
O Este — de onde tudo vem 
O Oeste — aonde tudo finda 
— Os quatro ventos do místico ar da civilização 
— Os quatro modos de não ter razão, e de entender o mundo.

04-04-1929

Álvaro de Campos, in 'Livro de Versos' - Fernando Pessoa.
(Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.)
Lisboa: Estampa, 1993. - 99.


Paul Signac
(French Neo-Impressionist painter, 1863–1935),
'Portrait of Félix Fénéon' (French art critic, gallery director, writer
and anarchist, 1861–1944), 1890, Museum of Modern Art.



Neoimpressionismo

O Neoimpressionismo foi um movimento artístico  do final do século XIX, iniciado pelo pintor francês Georges Seurat (18591891), que, retomando a atenção dada pelo impressionismo ao tratamento da luz e da cor, introduziu novas técnicas e conceitos, como o Pontilhismo ou o Divisionismo. (daqui)

Pós-impressionismo

O Pós-impressionismo  foi um movimento artístico que, entre o final do século XIX e o início do século XX, procurou superar o Impressionismo, contribuindo para o despontar de diferentes vanguardas como o Expressionismo, o Fauvismo, o Cubismo, etc. (daqui) 

O movimento pós-impressionista surgiu como uma intelectualização do Impressionismo, entendido pelos artistas que o integraram como um método empírico de perceção da realidade. O pintor Georges Seurat (18591891) foi considerado o principal teorizador deste movimento e o primeiro a desenvolver a técnica do pontilhismo. Através da sua "pintura ótica", Seurat apresentou os fundamentos desta nova técnica, posteriormente seguida por outros pintores como Paul Signac (1863–1935). 

Ao contrário dos impressionistas que aplicavam e misturavam a tinta sobre a paleta, Seurat colocava-a diretamente sobre a tela em pequenos pontos de concentração variável, correspondentes às cores do objeto visto de perto. Por sua vez, estes pontos eram compostos na retina, através de um processo de mistura ótica. Um maior efeito lumínico e cromático era desta forma conseguido, pelo contraste simultâneo. Dando forma e expressão às formulações no campo da teoria da cor, Seurat tentou racionalizar as sensações causadas pela pintura. Na obra 'Grande Jatte', realizada entre 1884 e 1885, concretiza os fundamentos da sua estética e pesquisa pictórica.

Os seus contemporâneos Vincent van Gogh (18531890) Paul Gauguin (1848–1903) contribuíram igualmente para a definição de uma pintura baseada na simbologia codificada da cor, como meio de expressão de sentimentos e tensões.
Paul Cézanne (1839–1906) desenvolve uma representação objetiva, menos emotiva, que se revela tendência para a geometrização dos elementos formais da composição. 
(daqui)


Paul Signac, 'In the Time of Harmony: the Golden Age is not in the Past, it is in the Future'
('Au temps d'harmonie'), 
1893–95, oil on canvas, 310 x 410 cm.


quarta-feira, 6 de maio de 2026

"As nuvens" - Poema de João Cabral de Melo Neto

 


Auguste-Émile Pinchart (French painter and designer, 1842–1920),
'A young girl with a parasol', Unknown date.



As nuvens


As nuvens são cabelos
crescendo como rios;
são os gestos brancos
da cantora muda;

são estátuas em voo
à beira de um mar;
a flora e a fauna leves
de países de vento;

são o olho pintado
escorrendo imóvel;
a mulher que se debruça
nas varandas do sono;

são a morte (a espera da)
atrás dos olhos fechados;
a medicina, branca!
nossos dias brancos.


João Cabral de Melo Neto, in "O Engenheiro", 1945;
in "Poesia Completa", Editora Alfaguara, 2020.
 
 

João Cabral de Melo Neto - Poesia Completa
Organização: Antonio Carlos Secchin
Capa: Gustavo Soares. Páginas: 896
Editora: Alfaguara, 2020
 

RESUMO

Esta edição comemora os cem anos do escritor, poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto, ícone da poesia brasileira
 
Um dos maiores poetas de língua portuguesa do século XX, João Cabral de Melo Neto ficou conhecido pelo estilo conciso, rigor formal e apurada crítica social — numa comparação feita por ele mesmo, o poeta seria como um escultor, que incessantemente corta a pedra até que a escultura surja de dentro dela.
 
Sua produção foi reunida nesta Poesia completa, que traz seus primeiros poemas e depois seu primeiro livro, Pedra do sono, lançado no início dos anos 1940, passando por textos que já se tornaram clássicos da nossa literatura como O cão sem plumas, Morte e vida Severina, A educação pela pedra, Museu de tudo, Auto do frade, até Sevilha andando, seu derradeiro livro.
 
O autor faleceu em 1999, deixando uma obra de força descomunal. Para comemorar seu centenário, esta Poesia completa traz ainda textos póstumos, dispersos e inéditos, organizados por Antônio Carlos Secchin com a colaboração de Edneia Ribeiro. 
 
“Mudou profundamente não só a poesia, mas a cultura brasileira.” — João Alexandre Barbosa
 
“Na sua geração, não tem quem o iguale, mesmo em dimensão universal.” — Augusto de Campos
 
“Cortava a poesia com a faca só lâmina de sua extraordinária força vocabular, criando impactos ao mesmo tempo plásticos e fundamentais. Nunca usava o enfeite como complemento da essência, tudo nele era inaugural, primeiro, único.” — Carlos Heitor Cony
 
“Ela [a poesia de João Cabral] trata as palavras como se fossem coisas e organiza essas coisas de tal maneira como se fossem conceitos.” — Antonio Candido



Auguste-Émile Pinchart (French painter and designer, 1842–1920),
'At the quayside', Unknown date.


"Os sonhos são verdadeiros enquanto duram, e não vivemos nos sonhos?"

Alfred Tennyson, in "The Higher Pantheism", 1867.

 
 
“Os sonhos são verdadeiros enquanto duram, e não vivemos nos sonhos?”

Fonte: https://citacoes.in/autores/alfred-tennyson/
“Os sonhos são verdadeiros enquanto duram, e não vivemos nos sonhos?” Alfred Tennyson De sonhos

Fonte: https://citacoes.in/autores/alfred-tennyson/

"Sabedoria" - Poema de José Régio

 

 
Carl Georg Naumann (German painter, 1827–1902), 
 'The Escaped Canary', 1875.
 

Sabedoria


Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.

Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.

Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar...
E venha a morte quando Deus quiser.

Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.


José Régio, in "A Chaga do Lado", 1954.

 
Carl Georg Naumann'Man Walking his Dog by a Pond', 1881.



"A sabedoria nasce menos da inteligência e mais do coração."

Peter Rosegger (Escritor e poeta austríaco, 1843–1918),
Schriften: Die Schriften des Waldschulmeisters.
 23. Aufl‎ - Página 254, Harleben, 1897.
 

terça-feira, 5 de maio de 2026

"Talvez tenhamos tempo" - Poema de Pablo Neruda



Peter Paul Rubens (Flemish artist and diplomat, 1577–1640),
'The Four Continents', c. 1615, Kunsthistorisches Museum.


Talvez tenhamos tempo


Talvez tenhamos tempo ainda
para ser e para ser justos.
De uma maneira transitória
agonizou ontem a verdade
e embora o saiba todo o mundo
todo o mundo bem o disfarça:
ninguém mandou algumas flores:
ela morreu e ninguém chora.

Entre o esquecimento e a aflição
um pouco antes do funeral
teremos a oportunidade
da nossa morte e nossa vida
para sair de rua em rua,
de mar em mar, de porto em porto,
de cordilheira em cordilheira,
e sobretudo de homem em homem,
a perguntar se a assassinámos
ou se a mataram os outros,
se foram os nossos inimigos
ou o nosso amor o assassino.
Porque a verdade já morreu
e agora podemos nós ser justos.

Antes devíamos lutar
com armas de calibre escuro
e por ferir-nos esquecemos
qual era o fim da nossa luta.

Nunca se soube de quem era
o sangue que nos envolvia,
acusamos outros sem cessar,
sem cessar fomos acusados,
eles sofreram e sofremos,
e depois de eles terem ganho
e termos ganho nós também
a verdade tinha morrido
de antiguidade ou violência.
Não há nada a fazer agora:
todos perdemos a batalha.

Por isso penso que talvez
por fim pudéssemos ser justos
ou por fim pudéssemos ser:
temos este último minuto
e depois mil anos de glória
para não ser e não voltar.


Pablo Neruda, in 'Memorial de La Isla Negra', 1964;
in 'Antologia', seleção e tradução de José Bento,
Relógio D’Água Editores, Lisboa, 1998.


 
Antologia Poética de Pablo Neruda. 
Tradução: José Bento. Nº de páginas: 462.
Relógio D’Água, 1998.
 

"Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra."

Pablo Neruda (1904-1973), 
Prémio Nobel da Literatura em 1971.

"Rio abaixo" - Poema de Olavo Bilac



Winslow Homer (American landscape painter and illustrator, 1836–1910),
"The Blue Boat', 1892, Museum of Fine Arts Boston.

["The Blue Boat" is a work by Winslow Homer done in his favorite medium of watercolor, measuring about 15.1 by 21.5 inches. It is an outdoor scene depicting 2 men fishing from a small blue canoe. It is a work that is alive with color and motion, and the artist's perspective of a viewer some distance away allows for the addition of rich detail for the sky, the water, and the land.
The watercolor work was completed in 1892. It is thus a later product of his long career in naturalism, done after he had earned a reputation as one of the great American painters.
As an independent and successful artist, Homer painted the subjects of his choice. He lived near the sea for most of the latter half of his life, and many of his major works reflect his lifelong interest in related topics such as the sea, beaches, boats, and bathers.]
 (daqui)
 

Rio Abaixo


Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.

Vivo, há pouco, de púrpura, sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.

Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:

E o seu reflexo pálido, embebido
Como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.


Olavo Bilac
, in "Poesias, 1884/1887", 1ª. ed. 1888
(Inclui Panóplias - Via-Láctea - Sarças de fogo),
Poema integrante da série Sarças de Fogo.