Poeta, romancista e ensaísta português,
Hélder Malta Macedo nasceu a 30 de novembro de 1935, em Krugersdorp, na África do Sul. Passou a infância em Moçambique e regressou a Lisboa
com 12 anos, tendo mais tarde frequentado a Faculdade de Direito de
Lisboa. Ainda na fase da juventude, deu os primeiros passos no domínio
da ficção literária, escrevendo um romance e alguns contos que o regime
ditatorial instaurado em Portugal
censurou, impedindo a sua publicação - o livro foi, após a revolução de
1974, revisto pelo autor, que decidiu não o publicar. Contudo,
conseguiu editar o seu primeiro livro de poemas com 21 anos de idade.
Empenhado na sua vida académica,
fez uma pausa na escrita que só retomou anos mais tarde. Jovem de
convicções anti-fascistas, foi perseguido pela PIDE (Polícia de
Intervenção e Defesa do Estado). Aquando da campanha de Humberto Delgado, que recebeu o seu empenhamento entusiasta, não conseguiu iludir a vigilância da ditadura e foi preso.
Exilou-se em Londres em 1960, vindo a formar-se em Literatura e
História. Docente do King's College, aí realizou os seus estudos de
doutoramento.
Em 1991 e 1998 editou os romances
Partes de África e
Pedro e Paula,
respetivamente, que considera serem reflexo da sua identidade,
declarando que neles "há, salvo o erro, uma dicção, uma voz própria,
minha?". Intelectual humanista, afirma que a sua obra narrativa, apesar
de idealista, "não é de ilusões". Concretamente,
Pedro e Paula,
romance político e cívico, retrata o que é fundamental numa época, a
época de 60, vivenciada pelo autor e caracterizada pela total ausência
de liberdade e por uma guerra colonial que afetava milhares de famílias
portuguesas. Por isso, afirma Hélder Macedo que esta obra "prende-se com
a sua própria memória portuguesa dos anos de ditadura e guerra
colonial". Reavaliando a história portuguesa de um passado muito
recente, este romance constituiu um sucesso no meio editorial.
Coorganizador de
Folhas de Poesia, Hélder Macedo colaborou em várias publicações, como
Graal,
Hidra I ou
Colóquio/Letras.
No domínio do ensaio, Hélder Macedo distinguiu-se com estudos de
crítica literária que apresentavam perspetivas inovadoras sobre a
conexão do texto literário com o horizonte mental e cultural em que foi
produzido. Dessa bibliografia ensaística merecem especial destaque os
conhecidos estudos
Do Significado Oculto da "Menina e Moça" (prémio da Academia de Ciências de Lisboa) e
Camões e a Viagem Iniciática,
onde o privilégio de uma interpretação esotérica permitiu a explanação
de um sentido novo para textos clássicos da literatura portuguesa.
No domínio da poesia, Hélder Macedo, tendendo a estabelecer nexos de
intertextualidade a nível de temas e formas com alguns dos seus autores
de eleição, nomeadamente com Camões e Cesário Verde,
ocupa pelo equilíbrio que mantém entre discursividade e formas
rítmicas, entre metaforização e expressão pessoal, um lugar singular na
atual poesia portuguesa.
Publicou
Vícios e Virtudes (2000) e o livro
Viagem de Inverno e Outros Poemas, uma coletânea da sua poesia, editada pela Editora Record, do Brasil.
Tendo vivido em Portugal
entre 1975 e 1980, onde exerceu, durante um curto período, funções
públicas e políticas, Hélder Macedo tornou-se professor de Literatura
Portuguesa no
King's College de Londres, onde se encontra a viver há anos, embora nunca abdicando da sua condição de português livre.
(daqui)