Branquinho da Fonseca (1905–1974) foi um poeta, tradutor (Georges Duhamel, Stendhal, entre outros), autor dramático e ficcionista, filho de Tomás da Fonseca (1877–1968).
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, exerceu a profissão de conservador de registo civil e dirigiu, desde a sua criação, o Serviço de Bibliotecas Fixas e Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian.
Com Afonso Duarte, Vitorino Nemésio, António de Sousa e João Gaspar Simões, dirigiu a revista coimbrã Tríptico (1924); com José Régio e João Gaspar Simões, fundou, em 1927, a "Folha de Arte e Crítica" Presença, e, após uma dissidência com o grupo presencista, fundou com Adolfo Rocha (Miguel Torga) a efémera revista Sinal (1930). Além destas publicações, colaborou em O Diabo, Manifesto e Litoral. É nas páginas da Presença que publica os textos dramáticos A Posição de Guerra e Os Dois (posteriormente recolhidos com Curva do Céu, A Grande Estrela, Rãs e Quatro Vidas, no volume único de Teatro, publicado, em 1939, com o pseudónimo de António Madeira), numa dramaturgia que, segundo Luiz Francisco Rebello (100 Anos de Teatro Português, Porto,
1984, p. 75), combina "elementos de progénie simbolista com certas
experiências surrealistas", e que, na opinião do mesmo estudioso,
prolongam, "na geração presencista, o vanguardismo de Orpheu, de que no setor dramatúrgico Almada Negreiros foi o mais lídimo representante".
Revelou-se, em 1926, com Poemas,
coletânea que estabelece a continuidade com o modernismo "tanto pela
aguda desconfiança a alternar com a crença desmedida nos poderes da
palavra, como pelo reiterado pendor para a visão alucinatória do
concreto e para a expressão aparentemente cândida do insólito."
(MOURÃO-FERREIRA, David - posfácio a O Barão, Lisboa,
1969, p. 119).
Mas é sobretudo na ficção que o escritor atinge a sua
maturidade, através de uma escrita espessa, que se presta a
interpretações psicológicas, sociais, simbólicas, numa hábil capacidade
de misturar o real e o imaginário, o fantástico e o concreto, e de que a
famosa novela O Barão - amplamente traduzida - constitui um dos exemplos mais significativos. (daqui)

Tomás da Fonseca com Clotilde Madeira e os filhos Branquinho da Fonseca
e Tomás Branquinho (Coimbra, cerca de 1923). (daqui)