Mostrar mensagens com a etiqueta Frederick McCubbin. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Frederick McCubbin. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 7 de junho de 2023

"Tu e eu meu amor" - Poema de Manuel da Fonseca


 
Frederick McCubbin (Australian artist, art teacher and prominent member of the Heidelberg School 
art movement, also known as Australian impressionism, 1855 –1917), Bush Idyll, 1893.
 


Tu e eu meu amor 
 

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu. 
in "Poemas para Adriano", 1972
 
["Poemas para Adriano" é o conjunto de nove poemas de Manuel Fonseca escritos especialmente para o álbum Que nunca mais, lançado pelo músico português Adriano Correia de Oliveira, em 1975. Com esse álbum, o músico foi eleito o Artista do Ano, pela revista inglesa Music Week.]
 
 
 
 Adriano Correia de Oliveira - "Tu e eu meu amor"
do disco "Que Nunca Mais" (LP 1975)

 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

"A Despedida da Morte" - Poema de Alberto da Costa e Silva


Frederick McCubbin, Bush Sawyers, 1910


A Despedida da Morte


Falo de mim porque bem sei que a vida 
lava o meu rosto com o suor dos outros, 
que também sou, pois sou tudo o que posto 

ao meu redor se cala, e é pedra, ou, água, 
cicia apenas — O teu tempo é a trava 
que te impede de ter a calma clara 

do chão de lajes que o sol recobre, 
este esperar por tudo que não corre, 
nem pára e nem se apressa, e é só estado, 

e nem sequer murmura: — O que te trazem 
é o riso e o lamento, o ser amado 
e o roçar cada dia a tua morte, 

que não repõe em ti o, sem passado, 
ficar no teu escuro, pois herdaste 
e legas um sussurro, um som de passos, 

uma sombra, um olhar sobre a paisagem, 
memória, cálcio, húmus, eis que o mundo 
nada rejeita, sendo pobre e triste 
no esplendor que nos dá. A madrugada. 


in 'Antologia Poética'


Frederick McCubbin, Lost, 1907


"A presença do perigo confere génio ao homem sensato." 


sábado, 31 de dezembro de 2011

"De que são feitos os dias?" - Poema de Cecília Meireles


 


De que são feitos os dias? 


De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...


Cecília Meireles,
In Canções




"O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quando o destino." - Antoine de Saint-Exupéry


Biografia de Saint-Exupéry
Antoine de Saint-Exupéry


Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry (Lyon, 29 de junho de 1900 - Mar Mediterrâneo, 31 de julho de 1944) foi um escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial, terceiro filho do conde Jean Saint-Exupéry e da condessa Marie Foscolombe. 

Faleceu durante uma missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy. Em 3 de novembro, em homenagem póstuma, recebeu as maiores honras do exército. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilómetros da costa de Marselha. Seu corpo jamais foi encontrado.

As suas obras são caracterizadas por alguns elementos como a aviação e a guerra. Também escreveu artigos para várias revistas e jornais da França e outros países, sobre muitos assuntos, como a guerra civil espanhola e a ocupação alemã da França.
Destaca-se O Pequeno Príncipe (O Principezinho, em Portugal) (1943), livro de grande sucesso de Saint-Exupéry. Foi escrito durante o exílio nos (EUA), quando teria feito visitas ao Recife.

O pequeno príncipe pode parecer simples, porém apresenta personagens plenos de simbolismos: o rei, o contador, o geógrafo, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros. O personagem principal vivia sozinho num planeta do tamanho de uma casa que tinha três vulcões, dois ativos e um extinto. Tinha também uma flor, uma formosa flor de grande beleza e igual orgulho. Foi o orgulho da rosa que arruinou a tranquilidade do mundo do pequeno príncipe e o levou a começar uma viagem que o trouxe finalmente à Terra, onde encontrou diversos personagens a partir dos quais conseguiu repensar o que é realmente importante na vida.
O romance mostra uma profunda mudança de valores, e sugere ao leitor quão equivocados podem ser os nossos julgamentos, e como eles podem nos levar à solidão. O livro nos leva à reflexão sobre a maneira de nos tornarmos adultos, entregues às preocupações diárias, e esquecidos da criança que fomos e somos.

Livros

Adele - Turning Tables 


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"Não me peçam razões" - Poema de José Saramago



Frederick McCubbin, 'The Midday Rest', 1888


Não me peçam razões


Não me peçam razões, que não as tenho, 
Ou darei quantas queiram: bem sabemos 
Que razões são palavras, todas nascem 
Da mansa hipocrisia que aprendemos. 

Não me peçam razões por que se entenda 
A força de maré que me enche o peito, 
Este estar mal no mundo e nesta lei: 
Não fiz a lei e o mundo não aceito. 

Não me peçam razões, ou que as desculpe, 
Deste modo de amar e destruir: 
Quando a noite é de mais é que amanhece 
A cor de primavera que há de vir. 


in "Os Poemas Possíveis"



Frederick McCubbin, 'Autumn Memories', 1899


"O carácter não é esculpido em mármore, não é algo sólido e inalterável. É algo vivo e mutável, e pode tornar-se doente, como se torna doente o nosso corpo."

George Eliot

[George Eliot, pseudónimo de Mary Ann Evans (1819–1880), foi uma romancista britânica.]