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sexta-feira, 31 de março de 2017

"A Música" - Poema de Charles Baudelaire




A Música


A música p'ra mim tem seduções de oceano! 
Quantas vezes procuro navegar, 
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano, 
Minha pálida estrela a demandar! 

O peito saliente, os pulmões distendidos 
Como o rijo velame d'um navio, 
Intento desvendar os reinos escondidos 
Sob o manto da noite escuro e frio; 

Sinto vibrar em mim todas as comoções 
D'um navio que sulca o vasto mar; 
Chuvas temporais, ciclones, convulsões 

Conseguem a minh'alma acalentar. 
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera, 
Que desespero horrível me exaspera! 


Tradução de Delfim Guimarães


 Saint Petersburg (Hermitage version)


"A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia." 
 
(Beethoven)


Johann Sebastian Bach (1685-1750) - Adagio
(Τhis version is made by Elise Robineau)


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

"O Segredo e o Mistério" - Poema de Edmundo Bettencourt


Claude Monet, Impression, soleil levant, 1872-1973

[Impression, soleil levant, traduzido para português Impressão, nascer do sol, é a mais célebre e importante obra do impressionista Claude Monet. É um óleo sobre tela, datado de 1872 (mas provavelmente realizado em 1873), que representa o nascer da matina no porto de Havre, com uma cerrada névoa sobre o estaleiro, os barcos e as chaminés no fundo da composição. A partir desta tela nasceu o movimento impressionista. Está exposta no Museu Marmottan.]
 


O Segredo e o Mistério


Mistérios a pouco e pouco vão morrendo 
e extenuados de vigília os anjos 
são afinal a sussurrantes sibilinas vozes 
que desvendam adivinham segredos 
atrás de sentinelas 
cuja ferocidade é uma ironia de ternura… 
Na palidez da luz 
cercando uma velha cabeça 
a quem um sono de embrião já tolda os olhos 
sorriem enigmáticos os sonhos. 


Edmundo Bettencourt, in 'Antologia Poética'


Air - Johann Sebastian Bach

terça-feira, 31 de julho de 2012

"O Espectro" - Poema de Florbela Espanca



William Powell Frith
(English painter, 1819–1909), "The Toilet", 1870


O Espectro


Anda um triste fantasma atrás de mim
Segue-me os passos sempre! Aonde eu for,
Lá vai comigo…E é sempre, sempre assim
Como um fiel cão seguindo o seu Senhor!

Tem o verde dos sonhos transcendentes,
A ternura bem roxa das verbenas,
A ironia purpúrea dos poentes,
E tem também a cor das minhas penas!

Ri sempre quando eu choro, e se me deito,
Lá vai ele deitar-se ao pé do leito,
Embora eu lhe suplique: Faz-me a graça

De me deixares uma hora ser feliz!
Deixa-me em paz!…” Mas ele, sempre diz:
“Não te posso deixar, sou a Desgraça!”


Florbela Espanca

in "Trocando olhares", 1916


Retrato de William Powell Frith

William Powell Frith (19 de janeiro de 1819 – 9 de novembro de 1909), foi um pintor inglês especialista em retratos e narrativas da Era vitoriana, eleito para Academia Real Inglesa em 1852. Ele tem sido descrito como "o melhor pintor inglês de cenas sociais desde Hogarth."



William Powell Frith, "A Private View at the Royal Academy", 1881



William Powell Frith, "Dolly Varden", 1842


 
William Powell Frith, "The Proposal", 1853  


  
William Powell Frith, "The Lovers", 1855 


Música clássica relaxante - Bach

0:00 - 3:21 Sarabande
3:21 - 5:46 Bourree II
5:46 - 7:16 Rondeau
7:16 - 8:45 Badinerie 

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 31 de março de 1685— Leipzig, 28 de julho de 1750) foi um compositor, cantor, maestro, professor, organista, cravista, violista e violinista da Alemanha.
Na apreciação contemporânea, Bach é tido como o maior nome da música barroca, e muitos o veem como o maior compositor de todos os tempos. Entre suas peças mais conhecidas e importantes estão os Concertos de Brandenburgo, o Cravo Bem-Temperado, as Sonatas e Partitas para violino solo, a Missa em Si Menor, a Tocata e Fuga em Ré Menor, a Paixão segundo São Mateus, a Oferenda Musical, a Arte da Fuga e várias de suas cantatas.