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sábado, 3 de dezembro de 2016

"Natal" - Poema de Jorge de Sena


Eugène Delacroix [French Romantic Painter, 1798-1863], Orphan Girl at the Cemetery, 1823
 (Paris, Musée du Louvre)



Natal


Fim... Não se sabe donde sopra o vento...
As terras e o mar olham com espanto
a extensão afogada em desencanto,
em falsa verdade, em legal tormento.

Houve, dizem, em tempos um momento...,
Deves saber, de sacrifício santo...
se houve... nós fizemos do teu manto
o inverno deste nosso pensamento.

Sim... Procura ter dentro da bondade
um sentimento de oportunidade
e vê na lama... a cor azul que é linda...

E vê que nunca a noite foi tamanha...,
nem houve tantos, em torno da montanha,
olhando o céu, esperando a tua vinda...


24/12/38




Eugène Delacroix, Autorretrato, c. 1837



"O que há de mais real para mim são as ilusões que crio com a minha pintura. O resto são areias movediças." 



Ferdinand Victor Eugène Delacroix (Saint-Maurice, 26 de abril de 1798 — Paris, 13 de agosto de 1863) foi um importante pintor  francês do Romantismo.
Delacroix é considerado o mais importante representante do romantismo francês. Na sua obra convergem a voluptuosidade de Rubens, o refinamento de Veronese, a expressividade cromática de William Turner e o sentimento patético de seu grande amigo Géricault. O pintor, que como poucos soube sublimar os sentimentos por meio da cor, escreveu: "…nem sempre a pintura precisa de um tema". E isso seria de vital importância para a pintura das primeiras vanguardas.
Delacroix nasceu em Saint-Maurice, numa família de grande prestigio social, e seu pai virou ministro da república. Acreditava-se que seu pai natural teria sido na realidade o príncipe Talleyrand, seu mecenas. O facto é que Delacroix teve uma educação esmerada, que o transformou num erudito precoce: frequentou grandes colégios de Paris, teve aulas de música no Conservatório e de pintura na Escola de Belas-Artes. Também aprendeu aguarela com o professor Soulier e trabalhou no ateliê do pintor Pierre-Narcisse Guérin, onde conheceu Géricault. Visitava quase todos os dias o Louvre, para estudar as obras de Rafael Sanzio e Rubens. (Daqui)



Eugène DelacroixThe Annunciation, Louvre Museum, Paris



"Nossa Senhora" - Poema de José Régio


O Arcanjo Gabriel anuncia à Santa Maria que ela conceberá e dará luz a Jesus de Nazaré, Filho do Altíssimo
Arte sacra cristã: Pintura em madeira por Robert Campin, c. 1420-1440, Bruxelas.



NOSSA SENHORA


Tenho ao cimo da escada, de maneira
Que logo, entrando, os olhos me dão nela,
Uma Nossa Senhora de madeira
Arrancada a um Calvário de capela.

Põe as mãos com fervor e angústia. O manto
Cobre-lhe a testa, os ombros, cai composto;
E uma expressão de febre e espanto
Quase lhe afeia o fino rosto.

Mãe das Dores, seus olhos enevoados
Olham, chorosos, fixos, muito além...
E eu, ao passar, detenho os passos apressados,
Peço-lhe: - «A sua benção, Mãe!»

Sim, fazemo-nos boa companhia,
E não me assusta a sua dor: quase me apraz.
O Filho dessa Mãe nunca mais morre. Aleluia!
Só isto bastaria a me dar paz.

- «Por que choras, Mulher?» - docemente a repreendo.
Mas à minh'alma, então, chega de longe a sua voz
Que eu bem entendo:
- «Não é por Ele...»
- «Eu sei! Teus filhos somos nós».




domingo, 20 de abril de 2014

A Arte inspirada nas Histórias da Bíblia - "A Ressurreição de Jesus"


William Blake (1757-1827), Ressurreição - Os Anjos rolam a pedra do sepulcro



Ressurreição de Jesus 


A Ressurreição de Jesus é o nome dado à fé cristã de que Jesus Cristo retornou à vida no domingo seguinte à sexta-feira na qual ele foi crucificado. É uma doutrina central da fé e da teologia cristã e parte do Credo Niceno: "Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras"



"Ressurreição", 1569-1600 por El Greco
atualmente no Museu do Prado, em Madrid.


No Novo Testamento, depois dos romanos terem crucificado Jesus, ele é ungido e sepultado num túmulo novo por José de Arimateia, ressuscitou dos mortos e apareceu para muitas pessoas durante um período de quarenta dias, quando então ascendeu ao céu para se sentar à direita do Pai. Os cristãos celebram a ressurreição no Domingo de Páscoa, o terceiro dia depois da Sexta-Feira Santa, o dia da crucificação. A data da Páscoa correspondeu, a grosso modo, com a Páscoa judaica, o dia de observância dos judeus associado com o Êxodo, que é calculado como sendo a noite da primeira lua cheia depois do equinócio.


"Ressurreição de Jesus", 1619–1620 por Francesco Boneri


A história da ressurreição aparece em mais de cinco diferentes locais na Bíblia. Em diversos episódios nos evangelhos canônicos, Jesus profetiza sua morte e posterior ressurreição, que ele afirma ser o plano de Deus Pai. Os cristãos veem a ressurreição de Jesus como parte do plano de salvação e redenção através da expiação pelos pecados do homem. Estudiosos céticos questionaram a historicidade da ressurreição por séculos; por exemplo, "...o consenso académico do século XIX e início do século XX descarta as narrativas sobre a ressurreição como sendo relatos tardios e lendários". Diversos estudiosos modernos expressaram suas dúvidas sobre a historicidade dos relatos sobre a ressurreição e continuam debatendo suas origens, enquanto que outros consideram os relatos bíblicos sobre o episódio como sendo derivados das experiências dos seguidores de Jesus e, particularmente, do apóstolo Paulo. (Daqui)


Perugino, Ressurreição de Cristo, c. 1499Museus Vaticanos.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

"Como é bom ser bom!" - Poema de Martins Fontes


Michelangelo, visão parcial do teto da Capela Sistina



Como é bom ser bom! 


Tu, que vês tudo pelo coração,
Que perdoas e esqueces facilmente,
E és, para todos, sempre complacente,
Bendito sejas, venturoso irmão.

Possuis a graça como inspiração
Amas, divides, dás, vives contente,
E a bondade que espalhas, não se sente,
Tão natural é a tua compaixão.

Como o pássaro tem maviosidade,
Tua voz, a cantar, no mesmo tom,
Alivia, consola e persuade.

E assim, tal qual a flor contém o dom.
De concentrar no aroma a suavidade,
Da mesma forma, tu nasceste bom.


 Martins Fontes
(1884 - 1937)




Michelangelo Buonarroti
(Miguel  Ângelo)

Retrato de Michelangelo, por Sebastiano del Piombo, 1520 -1525


Escultor, pintor, arquiteto e poeta, Michelangelo Buonarroti, conhecido também por Miguel Ângelo, nasceu em 1475 e iniciou-se na pintura aos 13 anos, como aprendiz de Ghirlandaio, fazendo-se notar pela firmeza e força do seu traço. Trabalhou depois numa oficina de escultura patrocinada por Lourenço de Medicis, vindo a frequentar a sua casa e o círculo intelectual de que se fazia rodear. A sua estadia em Roma, de 1496 a 1501, é essencialmente marcada pela primeira obra-prima, Pietà (1500?), um dos trabalhos mais acabados do artista.
Em 1501 regressa a Florença onde, na primavera desse ano, é já acolhido como artista consagrado. Nessa data inicia um dos seus mais famosos trabalhos a estátua de David, que termina em 1504. Outras obras terminadas durante a sua estadia em Florença são a Virgem de Bruges (1506) e A Sagrada Família. O papa Júlio II reclama os serviços do escultor para Roma em 1505, mas é o pintor que durante três anos de trabalho intenso vai decorar os tetos da Capela Sistina. O pintor, mas igualmente o arquiteto, que adota uma nova estrutura para a organização de toda a obra. A força das figuras vem de uma eficaz utilização das sombras e da cor que emprestam a todo o conjunto uma solene simplicidade eminentemente clássica. Esta obra exprime exemplarmente as tendências neoplatónicas de que se tinha impregnado na corte dos Medicis. O teto é terminado em 1512 e a reputação de Michelangelo estava confirmada. Era considerado o maior artista desde a época clássica.Voltou depois ao projeto, iniciado anteriormente, do túmulo de Júlio II, que nunca chegou a ser realizado tal como tinha sido concebido. Para esse projeto executou Moisés e os Escravos. O papa Leão X encomendou-lhe o modelo de uma nova fachada para a Igreja de S. Lourenço de Florença, que não foi possível levar até ao fim. De 1536 a 1541, de novo em Roma, executou o fresco O Juízo Final, um trabalho que se distingue dos frescos anteriores pelo tom geral de pessimismo e de angústia que vai caracterizar igualmente os trabalhos da Capela Paulina.
Muito provavelmente trabalhava na estátua Pietà Rondanini antes de falecer, com oitenta anos, em 1564. Esta obra, complexa na expressão dos sentimentos, atinge quase a abstração, do ponto de vista formal. O estilo de Michelangelo influenciou grandemente as gerações posteriores de artistas italianos. A sua celebridade está patente no facto de, ainda em vida, ter sido objeto de duas biografias.

Michelangelo Buonarroti. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-07-22].



Michelangelo, Deus criando o Sol e a Lua, Capela Sistina 


Michelangelo, Deus criando o Sol e a Lua (detalhe)


Michelangelo, Deus separando a Luz das Trevas


Michelangelo, Prisca


Michelangelo,O sacrifício de Noé


Michelangelo, Dilúvio


Michelangelo, Pecado original


Michelangelo, Dafne


Michelangelo, Judite e Holofernes


Michelangelo, O Juízo Final, Capela Sistina


Michelangelo, David, 1501 - 1504
 Galleria dell'Accademia, Florença



"O amor é a asa rápida que Deus deu à nossa alma para que ela voe até o céu." 

(Miguel Ângelo)



sexta-feira, 6 de abril de 2012

"Chamo-Te" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


"Criação do sol e da lua" 



Chamo-Te 


Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio 
E suportar é o tempo mais comprido. 

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, 
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe. 

Há muitas coisas que não quero ver. 

Peço-Te que sejas o presente. 
Peço-Te que inundes tudo. 
E que o Teu reino antes do tempo venha 
E se derrame sobre a Terra 
Em Primavera feroz precipitado. 





Miguel Ângelo, Autorretrato


Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (Caprese, 6 de março de 1475Roma, 18 de fevereiro de 1564), mais conhecido simplesmente como Michelangelo ou Miguel Ângelo, foi um pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente.
Ele desenvolveu o seu trabalho artístico por mais de setenta anos entre Florença e Roma, onde viveram seus grandes mecenas, a família Medici de Florença, e vários papas romanos. Iniciou-se como aprendiz dos irmãos Davide e Domenico Ghirlandaio em Florença. Tendo o seu talento logo reconhecido, tornou-se um protegido dos Medici, para quem realizou várias obras. Depois fixou-se em Roma, onde deixou a maior parte de suas obras mais representativas. Sua carreira se desenvolveu na transição do Renascimento para o Maneirismo, e seu estilo sintetizou influências da arte da Antiguidade clássica, do primeiro Renascimento, dos ideais do Humanismo e do Neoplatonismo, centrado na representação da figura humana e em especial no nu masculino, que retratou com enorme pujança. 
Várias de suas criações estão entre as mais célebres da arte do ocidente, destacando-se na escultura o Baco, a Pietà, o David, as duas tumbas Medici e o Moisés; na pintura o vasto ciclo do teto da Capela Sistina e o Juízo Final no mesmo local, e dois afrescos na Capela Paulina; serviu como arquiteto da Basílica de São Pedro implementando grandes reformas em sua estrutura e desenhando a cúpula, remodelou a praça do Capitólio romano e projetou diversos edifícios, e escreveu grande número de poesias.
Ainda em vida foi considerado o maior artista de seu tempo; chamavam-no de o Divino, e ao longo dos séculos, até os dias de hoje, vem sendo tido na mais alta conta, parte do reduzido grupo dos artistas de fama universal, de fato como um dos maiores que já viveram e como o protótipo do génio. Miguel Angelo foi um dos primeiros artistas ocidentais a ter sua biografia publicada ainda em vida. Sua fama era tamanha que, como nenhum artista anterior ou contemporâneo seu, sobrevivem registros numerosos sobre sua carreira e personalidade, e objetos que ele usara ou simples esboços para suas obras eram guardados como relíquias por uma legião de admiradores. Para a posteridade Michelangelo permanece como um dos poucos artistas que foram capazes de expressar a experiência do belo, do trágico e do sublime numa dimensão cósmica e universal. (Daqui)


Miguel Ângelo: Autorretrato 


Miguel Ângelo: visão parcial do teto da Capela Sistina


Miguel Ângelo, The Original Creation


Miguel Ângelo, A criação de Adão, Capela Sistina





Miguel Ângelo, Maria e Jesus, detalhe do Juízo Final, 1534–41, Capela Sistina

 
Miguel Ângelo, um dos nus do teto da Capela Sistina


"Se cada um cultivar afeto, beleza e lealdade em seu ambiente, por pequeno que seja, isso há de espalhar claridade no mundo"



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