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sábado, 27 de agosto de 2016

"Amo-te muito, meu amor, e tanto" - Poema de Jorge de Sena


José de Campos Contente, Fonte do Areal (Figueiró dos Vinhos), 1940.

 

Amo-te muito, meu amor, e tanto


Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.

Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,

um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,

tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça. 
 

Jorge de Sena, in "As Evidências", 1955.

sábado, 16 de abril de 2016

"Do Mar" - Poema de Fiama Hasse Pais Brandão


João Vaz (Pintor e professor português, 1859-1931), Rochedos, Peniche, s.d.

 
Do Mar


Aqueles de um país costeiro, há séculos,
contêm no tórax a grandeza
sonora das marés vivas.
Em simples forma de barco, 
as palmas das mãos. 
Os cabelos são banais
como algas finas. O mar
está em suas vidas de tal modo
que os embebe dos vapores do sal.

Não é fácil amá-los
de um amor igual à
benignidade do mar.


Fiama Hasse Pais Brandão



José de Campos Contente, Dunas na Costa da Caparica, 1935


"O mar é o habilidoso desenhador de ausências."

Venenos de Deus, Remédios do Diabo