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sábado, 5 de março de 2022

"Um dia virá" - Poema de Rosa Lobato de Faria



Auguste Toulmouche
 (1829-1890), The blue dress, 1872
 
 

Um dia virá
 
 
Um dia virá
em que a minha porta
permanecerá fechada
em que não atenderei o telefone
em que não perguntarei
se querem comer alguma coisa
em que não recomendarei
que levem os casacos
porque a noite se adivinha fresca.

Só nos meus versos poderão encontrar
a minha promessa de amor eterno.

Não chorem; eu não morri
apenas me embriaguei
de luz e de silêncio.


Rosa Lobato de Faria
in A Noite Inteira já não Chega 
Poesia: 1983-2010. Livros reunidos e poemas dispersos.
Lisboa, Guimarães
Editores, 2012
 

Auguste Toulmouche, Rêveries, 1890 
 
 
Amizade


"A amizade não se alimenta de encontros episódicos ou de feitos extraordinários. A amizade é um contínuo. Tem sabor a vida quotidiana, a espaços domésticos, a pão repartido, a horas vulgares, a intimidade, a conversas lentas, a tempo gasto com detalhes, a risos e a lágrimas, à exposição confiada, a peripécias à volta de uma viagem ou de um dia de pesca. A amizade tem sabor a hospitalidade, a corridas atarefadas e a tempo investido na escuta."
 

José Tolentino de Mendonça, no livro "Nenhum Caminho Será Longo", 2012 (daqui)


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

"Eu te prometo" - Poema de Rosa Lobato Faria


Antonio García Mencía (Madrid, 1853-1920), O Colar, s/d



Eu te prometo


Eu te prometo meu corpo vivo.
Eu te prometo minha centelha
minha candura meu paraíso
minha loucura meu mel de abelha
eu te prometo meu corpo vivo.

Eu te prometo meu corpo branco
meu corpo brando meu corpo louco
minha inventiva meu grito rouco
tudo o que é muito tudo o que é pouco
meu corpo casto meu corpo santo.

Eu te prometo meu corpo lasso
mar de aventura mar de sargaço
vaga de náufrago onda de espanto
orla de espuma do meu cansaço
eu te prometo meu doce pranto.

Eu te prometo todo o meu corpo
ardendo eterno na nossa cama
como um abraço como um conforto.

P´ra que me lembres além da chama
eu te prometo meu corpo morto.


Rosa Lobato de Faria,
in A Noite Inteira já não Chega
(Poesia 1983-2010, Babel Ed., 2013)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"Conheço esse Sentimento" - Poema de Rosa Lobato de Faria


Oliveira Tavares, Olhar


Conheço esse Sentimento 


Conheço esse sentimento
que é como a cerejeira
quando está carregada de frutos:
excessivo peso para os ramos da alma.

Conheço esse sentimento
que é o da orla da praia
lambida pela espuma da maré:
quando o mar se retira
as conchas são pequenas saudades
que doem no coração da areia.

Conheço esse sentimento
que é o dos cabelos do salgueiro
revoltos pelas mãos ágeis da tempestade:
na hora quieta do amanhecer
pendem-lhe tristemente os braços
vazios do amado corpo do vento.

Conheço esse sentimento
que passa nos teus olhos e nos meus
quando de mãos dadas
ouvimos o Requiem de Mozart
ou visitamos a nave de Alcobaça.

Pedro e Inês
a praia e a maré
o salgueiro e o vento
a verdade e o sonho
o amor e a morte
o pó das cerejeiras
tu.
e eu.


Rosa Lobato Faria,
 in 'Dispersos'


Rosa Lobato de Faria


Rosa Lobato de Faria, atriz, escritora e autora de canções, nasceu a 20 de abril de 1932, em Lisboa, mas ficou com muitas ligações ao Alentejo devido a laços familiares. Faleceu a 2 de fevereiro de 2010, aos 77 anos. Foi empregada numa loja de eletrodomésticos antes de se dedicar à representação no teatro e em diversos programas de televisão.

A estreia no cinema ocorreu em 1973 em Perdido por Cem..., seguindo-se na Sétima Arte interpretações em Paisagem Sem Barcos (1983), Jogo de Mão (1984), O Barão de Altamira (1986), O Vestido Cor de Fogo (1986), Aqui na Terra (1993), Tráfico (1998) e A Mulher Que Acreditava Ser Presidente dos Estados Unidos da América (2003).

Rosa Lobato de Faria fez sucesso como atriz de teatro, cinema e televisão e como autora de canções. Quatro das suas letras venceram o Festival da Canção e foram à Eurovisão, e duas marcaram presença no Festival da OTI. No Festival Eurovisão estiveram presentes as músicas "Amor de Água Fresca", interpretada por Dina em 1992, "Chamar a Música", cantada por Sara Tavares, em 1994, "Baunilha e Chocolate", com voz de Tó Cruz, em 1995, e "Antes do Adeus", por Celia Lawson, em 1997. Ganhou ainda por duas vezes o prémio da Grande Marcha Popular de Lisboa, nas únicas vezes em que concorreu.

Rosa Lobato de Faria escreveu o argumento de duas telenovelas Passerelle (1987) , a meias com Ana Zanatti, para a RTP e Telhados de Vidro (1994), para a TVI. Escreveu também o guião de quatro séries de televisão, três da RTP- Nem o Pai Morre... (1987), Pisca-Pisca (1988) e Tudo ao Molho e Fé em Deus (1994)-, e uma da TVI, Trapos e Companhia (1995). Colaborou também em diversos programas do humorista Herman José, mais recentemente, protagonizou as séries humorísticas A Minha Sogra é uma Bruxa (2003) e Aqui Não Há Quem Viva (2006).

Já com uma longa carreira noutras áreas culturais, em 1995 estreia-se na escrita de romances com O Pranto de Lúcifer, seguindo-se, sucessivamente, Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camilla S. (1997), Romance de Cordélia (1998), O Prenúncio das Águas (1999), A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), Os Linhos da Avó (2004), A Flor do Sal (2005), A Alma Trocada (2007), A Estrela de Gonçalo Enes (2008) e As Esquinas do Tempo (2008).

Com O Prenúncio das Águas, Rosa Lobato de Faria ganhou o Prémio Máxima de Literatura em 2000. Tem obras traduzidas em alemão e francês. Mas, para além do romance, a autora também publicou poesia, como a antologia Poemas Escolhidos e Dispersos (1997) e A Gaveta de Baixo (1999), um longo poema acompanhado por aguarelas de Oliveira Tavares, e Os Melhores Poemas Para Crescer (2007).

Em finais de 2002, estreou no teatro a peça Sete Anos, a primeira escrita por Rosa Lobato de Faria. Paralelamente a todas estas atividades, deu aulas de dicção na Universidade e ensinou Poesia Portuguesa num curso de formação de atores.


Rosa Lobato de Faria. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-08-07]


Oliveira Tavares, Sem Titulo, Acrilico s/tela 60x73cm


Oliveira Tavares

OLIVEIRA TAVARES nasceu em Lisboa em 1961. Viveu e trabalhou em Bruxelas e Paris. Reside actualmente na Ericeira, Portugal. Frequentou o curso de Engenharia do Instituto Superior Técnico de Lisboa, o Curso de Desenho no A.R.C.O. e o Curso de História de Arte na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Workshop de Gravura com Bartolomeu Cid dos Santos – Casa das Artes – Tavira. Membro da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Quando se contempla um quadro de Oliveira Tavares, a nossa atenção concentra-se nas personagens provenientes de imagens mais antigas, de Velasquez a Vermeer. Mas um segundo olhar revela-os, muitas vezes, transformados, transfigurados, atéreos. Depois, o nosso olhar vai ainda mais longe e aparece então uma pintura abstracta, geométrica ou gestual. A partir de agora, a cor evidencia-se, com as suas pulsações particulares. Não se trata, por consequência, de uma pintura histórica, mas de uma pintura de recordação. Uma lembrança profundamente enraizada no presente, nas novas possibilidades de expressão descobertas no séc. XX. (Daqui)


Oliveira Tavares, Abraço


Edgardo Xavier, Crítico de artes plásticas, A.I.C.A / Portugal, Estoril, 2002

"Tão disciplinada como a linguagem estética dos clássicos e tão apta a reflectir as pulsões de um artista livre e emocionado, esta pintura remete-nos para a polivalência humana em todo o seu esplendor. Exercício de apropriação de um real que se desdobra e domina, os trabalhos de Oliveira Tavares surpreendem o observador com o inesperado convívio de formas que se avultam ou diluem no magma dos seus registos.

Importa referir que é na diversidade de impulsos, cores, texturas e na multiplicidade de ritmos propiciatórios que as distintas partes da obra se articulam, como se de um puzzle se tratasse ou como se houvesse intenção de pôr em paralelo as porções heterogéneas do todo. O resultado tem a ver com o sucesso da procura de grafismos ou de elementos que estabeleçam o equilíbrio e sejam capazes de transmitir harmonia. Radica nesta dinâmica o principal da pesquisa a que se vem dedicando este artista plástico desde o seu início.

Muitas destas presenças são-nos familiares. Corpos, cabeças, rostos e mãos pertencem a outros enquadramentos e, na origem, narram histórias diferentes. Aqui são como que evocações do afecto, elegias ou meras referências que operam como pontos de partida para um novo e actual discurso, espécie de repto a que o autor responde com a sua própria caligrafia pictórica. Adequando as imagens previamente seleccionadas ao clima que pretende comunicar, aceitando-as na sua força peculiar ou alterando o sentido da sua integração no presente contexto, o pintor interage com o mote para aceder a uma criatividade pessoal.

A virtude primordial desta linguagem reside, quanto a nós, no facto de coexistirem, no mesmo espaço, pelo menos duas atitudes opostas. Com efeito, oscilando entre o rigor inerente à reprodução fiel e a inquieta divagação que culmina no equilíbrio destes contrários, Oliveira Tavares a si mesmo se retrata e justifica. Ei-lo, consequentemente, em sua riqueza de sensibilidades e técnicas, seu temperamento, seu amor pela figuração e a sua apetência pela liberdade, de tradução muitas vezes gestual.

A Arte também se entende como um vasto repositório de informação e, num tal contexto, estas telas afirmam a ductilidade integradora deste caminhar de séculos em busca da unidade virtual para que tendem o passado, o presente e o futuro sempre que, ultrapassando os preconceitos, concluimos pertencer ao mesmo universo de valores. São meramente formais as diferenças quando se coloca o homem na origem e no destino do acto criador!

O cromatismo intenso que percorre as áreas dos poucos planos envolventes e a utilização de vocábulos para ler, estar ou significar, acabam por assumir plasticidades ricas que abrem para uma multiplicidade de leituras esta pintura intemporal. A obra surge-nos, assim, como algo que se irá fruindo, com crescente profundidade, como função da simples persistência do olhar."


Ilustração do Livro “A Gaveta de Baixo”, de Rosa Lobato de Faria 




"A poesia tem comunicação secreta com o sofrimento do homem."



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"Quem me quiser" - Poema de Rosa Lobato de Faria


Steven Kenny (nascido em 1962, Peekskill, Nova Iorque),
The Crux II, 2010, óleo sobre linho, 22 x 60 polegadas


Quem me quiser


Quem me quiser há de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há de saber os beijos e as uvas
há de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
– Ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.


Rosa Lobato de Faria


 Steven Kenny, The Mirror, oil on linen 24 x 18 in.


"A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem."

Monteiro Lobato 


Monteiro Lobato 


José Bento Renato Monteiro Lobato (Taubaté, 18 de abril de 1882 – São Paulo, 4 de julho de 1948) foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX.

Foi um importante editor de livros inéditos e autor de importantes traduções. Seguido a seu precursor Figueiredo Pimentel ("Contos da Carochinha") da literatura infantil brasileira, ficou popularmente conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui aproximadamente a metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo de contos (geralmente sobre temas brasileiros), artigos, críticas, crónicas, prefácios, cartas, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro, e um único romance, O Presidente Negro, o qual não alcançou a mesma popularidade que suas obras para crianças, que entre as mais famosas destaca-se Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939).

Contista, ensaísta e tradutor, este grande nome da literatura brasileira nasceu na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, no ano de 1882. Formado em Direito, atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber herança deixada pelo avô. Diante de um novo estilo de vida, Lobato passou a publicar seus primeiros contos em jornais e revistas, sendo que, posteriormente, reuniu uma série deles no livro Urupês, obra prima deste famoso escritor.

Nma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou Lisboa, Monteiro Lobato tornou-se também editor, passando a editar livros também no Brasil. Com isso, ele implantou uma série de renovações nos livros didáticos e infantis.

Este notável escritor é bastante conhecido entre as crianças, pois  dedicou-se a um estilo de escrita com linguagem simples onde realidade e fantasia estão lado a lado. Pode-se dizer que ele foi o precursor da literatura infantil no Brasil.

Suas personagens mais conhecidas são: Emília, uma boneca de pano com sentimento e ideias independentes; Pedrinho, personagem que o autor se identifica quando criança; Visconde de Sabugosa, a sabia espiga de milho que tem atitudes de adulto, Cuca, vilã que aterroriza a todos do sítio, Saci Pererê e outras personagens que fazem parte da inesquecível obra: O Sítio do Pica-Pau Amarelo, que até hoje encanta muitas crianças e adultos.

Escreveu ainda outras incríveis obras infantis, como: A Menina do Nariz Arrebitado, O Saci, Fábulas do Marquês de Rabicó, Aventuras do Príncipe, Noivado de Narizinho, O Pó de Pirlimpimpim, Emília no País da Gramática, Memórias da Emília, O Poço do Visconde, e A Chave do Tamanho.

Fora os livros infantis, este escritor brasileiro escreveu outras obras literárias, tais como: O Choque das Raças, Urupês, A Barca de Gleyre e O Escândalo do Petróleo. Neste último livro, demonstra todo seu nacionalismo, posicionando-se totalmente favorável a exploração do petróleo, no Brasil, apenas por empresas brasileiras.


 
 Steven Kenny, The Lion Tamer's Daughter


"De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça.
 Mas para crianças um livro é todo um mundo."

 Monteiro Lobato 


Site de Steven Kenny
www.stevenkenny.com

terça-feira, 22 de julho de 2014

"De ti só quero o cheiro dos lilases" - Poema de Rosa Lobato de Faria


George Cochran Lambdin, Roses and Azaleas, 1880



De ti só quero o cheiro dos lilases


De ti só quero o cheiro dos lilases
e a sedução das coisas que não dizes
De ti só quero os gestos que não fazes
e a tua voz de sombras e matizes

De ti só quero o riso que não ouço
quando não digo os versos que compus
De ti só quero a veia do pescoço
vampira que já sou da tua luz

De ti só quero as rosas amarelas
que há nos teus olhos cor das ventanias
De ti só quero um sopro nas janelas
da casa abandonada dos meus dias

De ti só quero o eco do teu nome
e um gosto que não sei de mar e mel
De ti só quero o pão da minha fome
mendiga que já sou da tua pele.


Rosa Lobato de Faria,
 in A Noite Inteira já não chega 


George Cochran Lambdin, Still Life with Straw Hat


"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer." 

Florbela EspancaCorrespondência (1916)


quinta-feira, 10 de maio de 2012

"A Alma do Ganhão" - Poema de Rosa Lobato Faria


Alentejo, Monte do Azinhal, Lavre, Momtemor-o-Novo


A Alma do Ganhão 


Ó terra morena deitada ao sol
Quero ser a alma do ganhão 
Cheia de horizonte, cântico de fonte 
Catedral de trigo, azeite e pão 

Ó terra morena deitada ao sol 
Quero ser a alma da cegonha 
Que sobe no vento e ouve o lamento 
Do homem que ao sul, trabalha e sonha 

Alentejo das casas de cal 
Alentejo do sobo e do sal 
Alentejo poejo, alecrim 
Alentejo das terras sem fim 

Ó terra morena deitada ao sol 
Quero ser a alma do sobreiro 
Estática, selvagem, dona da paisagem 
Afrontando o tempo a corpo inteiro.





AVES

Águia d'asa redonda (Buteo buteo)

Cartaxo-comum (Saxicola 

Cegonha-branca (Ciconia ciconia)

Chamariz (Serinus serinus)

Chapim-real (Parus major)

Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo)

Ferreirinha-comum (Prunella modularis)

Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis) 

Galeirão-comum (Fulica atra)

Guarda-rios (Alcedo atthis) 

Guarda-rios (Alcedo atthis)

Guarda-rios (Alcedo atthis)

Híbrido (Pato-real x Pato-mudo)

Merganso-grande (Mergus merganser)

Mocho-galego (Athene noctua) 

Mocho-galego (Athene noctua)

Pega-rabuda (Pica pica)

Pega-rabuda (Pica pica)

Perdiz-comum (Alectoris rufa)

Perna-verde-comum (Tringa nebularia) 

Perna-verde-comum (Tringa nebularia)

Piadeira-do-chile (Anas sibilatrix)

Picanço-barreteiro (Lanius senator)

Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula)

Poupa (Upupa epops)

Rola-do-mar (Arenaria interpres)

Tartaranhão-caçador (Circus pygargus) melânico

Verdilhão (Carduelis chloris) 

Verdilhão (Carduelis chloris)


"Não basta adquirir sabedoria; é preciso, além disso, saber utilizá-la." 
 
(Cícero)

quinta-feira, 29 de março de 2012

"Se eu morrer de manhã" - Poema de Rosa Lobato de Faria



Edward Hopper (American realist painter, 1882-1967), Eleven A.M, 1926.


Se eu morrer de manhã


Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.

Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.

Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
- o único que sei.

Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.

Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.

Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei.


in "Poemas Escolhidos e Dispersos"
 

Vida e obra de Edward Hopper
Edward Hopper, Sunlight in a Cafeteria, 1958.


Edward Hopper (Nyack, 22 de julho de 1882 — 15 de maio de 1967) foi um pintor norte-americano conhecido por suas misteriosas pinturas de representações realistas da solidão na contemporaneidade. Em ambos os cenários urbanos e rurais, as suas representações de reposição fielmente recriadas reflete a sua visão pessoal da vida moderna americana. Realista imaginativo, esse artista retratou com subjetividade a solidão urbana e a estagnação do homem causando ao observador um impacto psicológico. 
A obra de Hopper sofreu forte influência dos estudos psicológicos de Freud e da teoria intuicionista de Bergson, que buscavam uma compreensão subjetiva do homem e de seus problemas. O tema das pinturas de Hopper são as paisagens urbanas, porém, desertas, melancólicas e iluminadas por uma luz estranha. "Os edifícios, geralmente enormes e vazios, assumem um aspeto inquietante e a cena parece ser dominada por um silêncio perturbador". (Proença, 1990, p. 165). Obras de estilo realista imaginativo. Arte individualista, embora com temas identificados aos da Ashcan School. Expressão de solidão, vazio, desolação e estagnação da vida humana, expresso pelas figuras anónimas que jamais se comunicam. Pinturas que evocam silêncio, reserva, com um tratamento suave, exercendo frequentemente forte impacto psicológico. Semelhança com a pintura metafísica.



Edward Hopper, Approaching a City, 1946.



Edward Hopper, The City, 1927.
 


Edward Hopper, Sun on Prospect Street (Gloucester, Massachusetts), 1934.



Edward Hopper, Lighthouse at Two Lights, 1929.


Edward Hopper
 

Edward Hopper, The Barber Shop, 1931.


Edward Hopper, Western Motel, 1957.



Edward Hopper, Room in New York, 1932.



Edward Hopper, Sheridan Theatre, 1937.



Edward Hopper, Night Windows, 1928
 


Edward Hopper, Self-Portrait, 1925-1930.
 

"A pintura é uma gravação da emoção."

(Edward Hopper)