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sábado, 15 de agosto de 2020

"Cantar de Ceifa" - Poema de Félix Lope de Vega


Anna Ancher (Danish artist associated with the Skagen Painters, 1859–1935), Harvesters, 1905
 


Cantar de Ceifa


Tão branca tanto que eu era,
quando entrei para ceifar;
deu-me o sol, fiquei morena.

Tão branca soía eu ser
antes de vir a ceifar,
mas não quis o sol deixar
branco o fogo em meu poder.
No tempo do amanhecer
era eu brilhante açucena:
deu-me o sol, fiquei morena.


Félix Lope de Vega
(1562-1635)
Tradução de Jorge de Sena 



Achille Beltrame (Italian painter, illustrator and commercial artist, 1871-1945), Untitled


Indiscrição


 O vento contou:
uma rosa floresceu
no jardim vizinho.

Helena Kolody
(Haicai)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Não te amo" - Poema de Almeida Garrett


Achille Beltrame (italian, 1871-1945), Girl with lilacs 



Não te amo


Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma. 
E eu n'alma - tenho a calma, 
A calma - do jazigo. 
Ai! não te amo, não. 

Não te amo, quero-te: o amor é vida. 
E a vida - nem sentida 
A trago eu já comigo. 
Ai, não te amo, não! 

Ai! não te amo, não; e só te quero 
De um querer bruto e fero 
Que o sangue me devora, 
Não chega ao coração. 

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela. 
Quem ama a aziaga estrela 
Que lhe luz na má hora 
Da sua perdição? 

E quero-te, e não te amo, que é forçado, 
De mau, feitiço azado 
Este indigno furor. 
Mas oh! não te amo, não. 

E infame sou, porque te quero; e tanto 
Que de mim tenho espanto, 
De ti medo e terror... 
Mas amar!... não te amo, não. 


 in 'Folhas Caídas' 


Achille Beltrame, Marché à tunis, 1912, Watercolor


"Os jornais noticiam tudo, menos uma coisa tão banal que ninguém se lembra: a vida."