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domingo, 2 de março de 2025

"Estações do Ano" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



Veloso Salgado (Pintor português, 1864–1945), Juventude (Youth), 1923,
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, Portugal.
 

Estações do Ano


Primeiro vem Janeiro
Suas longínquas metas
São Julho e são Agosto
Luz de sal e de setas

A praia onde o vento
Desfralda as barracas
E vira os guarda-sóis
Ficou na infância antiga
Cuja memória passa
Pela rua à tarde
Como uma cantiga

O verão onde hoje moro
É mais duro e mais quente
Perdeu-se a frescura
Do verão adolescente

Aqui onde estou
Entre cal e sal
Sob o peso do sol
Nenhuma folha bole
Na manhã parada
E o mar é de metal
Como um peixe-espada 


Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "O Nome das Coisas", 1977.

 

 
Sophia de Mello Breyner Andresen
retratada por Bottelho (19642014). 
 

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto em 1919, mas viveu grande parte da sua vida em Lisboa, onde morre em 2004. Considerada como uma das maiores escritoras portuguesas, foi a primeira mulher a receber o Prémio Camões.
O Mar é transversal à vida e obra da poeta: a Praia da Granja subentende os primeiros anos da sua vida e adolescência; o Algarve a vida adulta e a passagem do Mar revolto do norte para o soalheiro sul. A Grécia, mais do que uma idade, representa o encontro com um ideal de beleza que percorre toda sua poesia, porque o gosto pela Grécia parte do seu gosto pelo Mar, levando-a a apaixonar-se pela cultura helénica muito antes de visitar a Grécia. (daqui)


Veloso Salgado, Autorretrato, 1931. 

José Veloso Salgado, pintor português, nasceu a 2 de abril de 1864, em Ourense, e faleceu a 22 de julho de 1945, em Lisboa. Foi professor na Escola de Belas Artes de Lisboa.
Executou variadíssimas obras que marcaram a pintura da sua época. Merecem destaque Amor e Psique, os painéis decorativos do Palácio da Bolsa e a Alegoria às Cortes de 1820, no Palácio de S. Bento. De sua autoria são igualmente o pano de boca e decoração do Teatro Politeama, em Lisboa. (daqui)


Veloso Salgado, Retrato de Senhora, 1917.
 

Porque nasci no Porto
 
Nasci no Porto. 
 
A cidade, os seus arredores, as praias próximas, descendo para o sul, permanecem para mim a pátria dentro da pátria, a Terra materna, o lugar primordial que me funda. 

Ali estão as tílias enormes, as manhãs de nevoeiro, as praias saturadas de maresia, os rochedos cobertos de algas e anémonas, as primaveras botticellianas, os plátanos, a cerejeira, as camélias. 

Ali o rio, as casas em cascata, os barcos deslizando rente à rua nas tardes cor de frio do inverno. 

Ali o cais, a Ribeira, os rostos, as vozes, os gritos, os gestos. Uma beleza funda, grave, rude e rouca. Escadas, arcadas, ruelas abrindo para o labirinto do fundo do mar da cidade. E, aqui e além, um rosto emergindo do fundo do mar da vida. 

Porque ali é a cidade onde pela primeira vez encontrei os rostos de silêncio e de paciência cuja interrogação permanece. 

Porque ali é o lugar onde para mim começaram todos os maravilhamentos e todas as angústias. 

Cidade onde sonhei cidades distantes, cidade que habitei e percorri na ilimitada disponibilidade interior da adolescência. 

Descia pelo Campo Alegre, passava a Igreja de Lordelo, seguia entre muros de jardins fechados. 

Através das grades de ferro dos portões viam-se rododendros, buxos, cameleiras. 

Depois surgia um rio e ao longo do rio eu caminhava sobre os cais de pedra, até à barra, até aos rochedos onde se espraiam as ondas. 

Histórias de naufrágios, de barcos perdidos, de navios encalhados. Por isso nas noites de temporal se rezava pelos pescadores. Ouvia-se ao longe o tumulto do mar onde navegavam os pequenos barcos da Aguda tentando chegar à praia. Quando a trovoada estava próxima, a luz apagava-se. Então se acendiam velas e se rezava a Magnífica. […]
 
Porque nasci no Porto sei o nome das flores e das árvores e não escapo a um certo bairrismo. Mas escapei ao provincianismo da capital.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Eugénio de Andrade,
Daqui Houve Nome Portugal
, Antologia de verso e prosa sobre o Porto.
 

quarta-feira, 19 de abril de 2023

"A uma ovelha" - Poema de Teixeira de Pascoaes


Franz von Lenbach (German painter, 1836–1904), A shepherd boy, 1860,  
 
 
A uma ovelha

 
Entre as meigas ovelhas pobrezinhas
Que eu guardo pelos montes, uma existe
Que anda longe, balindo, sempre triste
E vive só das ervas mais sequinhas.

Que pressentes na alma? Que adivinhas?
Etérea voz de dor acaso ouviste?
Que foi que tu nas nuvens descobriste?
Não és irmã das outras ovelhinhas!

Sobes às altas fragas inclinadas,
E contemplas o sol que desfalece
E as primeiras estrelas acordadas...

E assim ficas a olhar o céu profundo;
Faminta dessa relva que enverdece
Os outeiros e os vales do Outro Mundo.
 
 
Teixeira de Pascoaes, in Vida Etérea, 1906


Franz von Lenbach, Shepherd boy on a grass hill, ca. 1859, Lenbachhaus 
 

Sem Poesia não há Humanidade
 
 

“Sem Poesia não há Humanidade. É ela a mais profunda e a mais etérea manifestação da nossa alma. A intuição poética ou orfaica antecede, como fonte original, o conhecimento euclidiano ou científico. E nos dá o sentido mais perfeito e harmónico da vida. Aperfeiçoando o ser humano, afasta-o do antropoide e aproxima-o dos antropos. Que a mocidade atual, obcecada pela bola e pelo cinema, reduzida quase a uma fotografia peculiar e uma espécie de máquina de fazer pontapés, despreza o seu aperfeiçoamento moral; e, com o seu fato de macaco, prefere regressar à Selva a regressar ao Paraíso. E assim, igualando-se aos bichos, mente ao seu destino, que é ser o coração e a consciência do Universo: o sagrado coração e o santo espírito. Eis o destino do homem, desde que se tornou consciente. E tornou-se consciente, porque tal acontecimento estava contido nas possibilidades da Natureza. Sim, a nossa consciência é a própria Natureza numa autocontemplação maravilhosa. Ou é o próprio Criador numa visão da sua obra, através do homem. E, vendo-a, desejou corrigi-la, transfigurando-se em Redentor.” 

Teixeira de Pascoaes (1877-1952), in “A Saudade e o Saudosismo – Dispersos e Opúsculos (1998)
 
[Em A Saudade e o Saudosismo apresenta-se um conjunto de artigos dispersos, escritos por Teixeira de Pascoaes de 1910 a 1952, mas que o autor não pensou publicar em vida.
Organizado cronologicamente por Pinharanda Gomes, este livro inclui os artigos iniciais de  A Águia e os que aludem ao estatuto doutrinal da Renascença Portuguesa, bem como o núcleo da polémica com António Sérgio, as conferências sobre a “Saudade”, e os estudos de alguns poetas, como António de Magalhães e João Lúcio.]
 

Teixeira de Pascoaes por Bottelho (1964-2014) 
 
 
 
Teixeira de Pascoaes
 Por Maria das Graças Moreira de Sá
 

Uma das figuras mais proeminentes da literatura e da cultura portuguesas do século XX, Teixeira de Pascoaes (Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos) é estruturalmente um poeta-filósofo, mesmo quando se instaura como mentor do Saudosismo ou resvala da poesia para outros géneros literários, cujo hibridismo (de géneros e de linguagem) tem vindo a ser explorado pela crítica moderna.

Nascido a 2 de novembro de 1877, em Amarante (Gatão), cursa Direito em Coimbra (1896-1901) e chega a exercer profissão, durante dez anos, no Porto, entregando-se depois, e até à data da sua morte (1952), à escrita, recolhido no solar cujo nome adotou (Pascoaes), no seio da paisagem da sua intimidade – o Marão e o Tâmega, que eleva, enquanto canto à Terra e à Natureza, em termos míticos e místicos, a uma figura integral do Mundo e do destino humano.

A sua estreia no parnaso português, numa procura de rumo entre as diversas tendências herdadas da viragem do século, não foi brilhante. Em 1895 publica a primeira obra poética, Embriões, que merece a crítica menos favorável de Guerra Junqueiro. Nas obras que imediatamente se seguem, Belo I (1896) e Belo II (1897) e À Minha Alma (1898), transparece já uma vivência original, que toma o Homem como centro e caminho de uma ascensão espiritual crescente, transformando o material em espiritual, a memória em sonho, o Real em Irreal, a presença corpórea em ausência saudosa. As coordenadas do seu universo imaginário, já imbuído do que mais tarde chamaria Saudade, estavam lançadas. Mas a sua consagração só seria alcançada com Sempre (1898), que simboliza o encontro do poeta consigo mesmo. Nesta obra estão já patentes traços que tornarão a sua poesia inconfundível: a fusão do subjetivo e do objetivo; o sentimento religioso das coisas, esse além que, num mesmo instante, se esconde e se revela nas sombras, nos fantasmas e nos espectros; o fascínio pelo mistério e pela substância enigmática de tudo o que o rodeia; a vocação mística, que tudo transforma.

Depois de Sempre, o seu ímpeto de criação parece imparável: surgem Terra Proibida (1900), À Ventura (1901), Jesus e Pã (1903), Para a Luz (1904), Vida Etérea (1906), As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marânus (1911) e Regresso ao Paraíso (1912), ou seja, grandes coletâneas de poesia, cuja redação acompanha a reformulação consecutiva da sua obra, em que refunde, amplia e transfere poemas, o que demonstra, contrariamente à visão tradicional que se possuía do poeta, uma atenção extrema pelo aperfeiçoamento formal da sua escrita. Um breve apontamento a algumas destas composições: Para a Luz, dedicado ao irmão que se suicidou, representa, pelos poemas de intuito realista e social que contém, um certo desvio a uma poesia vocacionada para a transcendência; Vida Etérea é, enquanto hino à harmonia cósmica e à procura ansiosa de Absoluto, considerado um dos melhores livros do poeta; As Sombras têm merecido destaque por mais tipicamente desenharem a atmosfera espiritual pascoaesiana; de Senhora da Noite afirma a crítica ter inspirado os dois “finais” de “Ode de Álvaro de Campos”; finalmente, em Jesus e Pã, destaca-se o pendor filosófico do poema, onde estão já presentes os princípios orientadores do Saudosismo como doutrina de restauração nacional, que consubstanciarão também Marânus e Regresso ao Paraíso. De fôlego e estrutura épica, estas duas obras exaltam a Saudade, embora o cunho nacionalista da primeira (a Saudade como deusa portuguesa da redenção) se veja, na segunda, amplificado a uma dimensão universal (a Saudade como valor humano mais perfeito que reconduzirá o Homem ao Paraíso).

Serão estes dois vetores da Saudade – o nacional e o universal – que ditarão a cruzada saudosista do poeta nas páginas d’A Águia, de que é o diretor artístico desde que esta revista se torna órgão da “Renascença Portuguesa” em 1912. Vulto maior desta Associação, transforma-se no teorizador, por excelência, da Saudade, nos seus aspetos políticos, filosóficos e estéticos, entendendo esta como sentimento-ideia caracterizador da fisionomia lusitana e motor do ressurgimento nacional, mas também, enquanto ideia, como criadora de tensões dinâmicas (Lembrança/Esperança, Passado/Futuro, Matéria/Espírito, etc.), nunca abandonadas por completo na sua obra posterior. Desta atividade, a que o seu nome ficou sempre ligado e que obscureceu, durante largos anos, a potencialidade estética da sua escrita, incluem-se textos e conferências como O Espírito Lusitano e o Saudosismo (1912), O Génio Português na sua Expressão Filosófica, Poética e Religiosa (1913), A Era Lusíada (1914), Arte de Ser Português (1915) e, já afastado da revista onde se mantém até 1917, Os Poetas Lusíadas (1919). Pela força da sua personalidade e pela grandeza da sua obra, reúne à sua volta, apesar da célebre polémica sobre a Saudade que, nas páginas d’ A Águia, o opôs a António Sérgio, uma série de poetas de tendências afins, os chamados poetas saudosistas, de que se salientam aqui António Correia de Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Afonso Duarte ou Mário Beirão.

Depois de Elegias (1912) e de O Doido e a Morte (1913), onde, com mais intensidade, a conceção filosófica se une ao lirismo emotivo, a edição de Verbo Escuro (1914) inaugura uma nova via de expressão, a da prosa poética. Prosa e verso passam a coexistir na obra do autor. Citem-se, por exemplo, O Bailado (1921) e O Pobre Tolo (1924), onde os aforismos invadem a tónica lírica da escrita, ou os Cantos Indecisos (1921) e os Cânticos (1925), ou, ainda, a versão, em elegia satírica, de O Pobre Tolo (1930). O acento lírico da prosa e o prosaísmo filosófico do verso tornam-se uma constante na obra de Pascoaes. Desta época, e ainda em verso, são o drama D. Carlos (1925), espécie de contrapanfleto da Pátria de Junqueiro – experiência teatral a que se junta a colaboração com Raul Brandão na tragicomédia Jesus Cristo em Lisboa (1924) –, Painel (1935), curiosa panorâmica de Portugal vislumbrada do Marão, Versos Pobres (1949) e Últimos Versos (1953). A Versos Brancos, de que ainda hoje se não conhece a totalidade das composições, referia-se Pascoaes já como “pensamentos metrificados”.

A partir, pois, de 1914, a prosa conquista terreno no panorama literário do autor, com grande variedade de géneros e de interesses, desembocando na redação de grandes biografias que lhe deram renome internacional. A Beira (Num Relâmpago), de 1916, é um livro de viagens que propicia a entrada no mundo imagético do autor – tal como acontece em Duplo Passeio (1942) –, onde cada pormenor avistado, paisagem ou gesta humana, é símbolo de uma realidade transcendente, desveladora do sentido mais íntimo das coisas; O Bailado (1921) constitui-se como, nas palavras de Pascoaes, “uma espécie de romaria”, viagem pelos “outros” na tentativa de construção de um “eu” simultaneamente individual e universal; O Pobre Tolo, de teor autocaricatural, dá conta do drama da existência humana na sua consciência de Ser e de não Ser ao mesmo tempo; o Livro de Memórias (1927), mais do que um documento histórico preciso, é uma anotação autobiográfica que prima pela reelaboração imposta pela memória, tal como acontece em Uma Fábula (o Advogado e o Poeta), de publicação póstuma em 1978.

Mas é em 1934 que Pascoaes envereda pelas biografias romanceadas que lhe abrem novos caminhos na perscrutação da alma humana. Todos os biografados são figuras relevantes na história espiritual do Homem ou são movidos por sentimentos ou ideias de alcance universal. Irrompem, assim, São Paulo (1934), São Jerónimo (1936), Napoleão (1940), O Penitente: Camilo Castelo Branco (1942) e Santo Agostinho (1945). Porque polémicas (sobretudo a primeira), as biografias contribuíram para chamar, mais uma vez, a atenção do nosso meio cultural para a obra de Pascoaes. Talvez por isso tenha o autor sentido a necessidade de esclarecer quer o seu pensamento poético, o que faz em O Homem Universal (1937), quer o seu conceito religioso, que explicita em A Minha Cartilha, escrita em 1951, mas só editada em 1954.

Duas obras de ficção narrativa marcam ainda a última fase do percurso vivencial do poeta: O Empecido (1950) e Dois Jornalistas (1951), onde, respetivamente, o tema da Saudade e o do Medo são tratados com uma ironia que mais realça o sentido da dúvida que se pretende inculcar como fonte dinamizadora do sentir e do pensar do Homem.

Herdando, pois, o neogarrettismo e o idealismo finissecular, este antipositivista e antinaturalista por definição (com ecos de Antero, Junqueiro, Gomes Leal, António Nobre e da poética simbolista do Vago e do Indefinido), Teixeira de Pascoaes cria algo de novo na literatura portuguesa com o seu universo imaginário virado para o mistério da alma, para a essência das coisas, para o paradoxo da existência em que tudo e o seu contrário se implicam numa amálgama inesperada, feita de antinomias que, conceptualmente, se harmonizam. Desligando-o do Saudosismo de escola, que, descontextualizado, passou a ser lido como sinónimo de nacionalismo reacionário, a crítica dos últimos vinte anos tem vindo a valorizar, no campo literário e no filosófico, inúmeros aspetos da modernidade de Pascoaes, quer pela conceção filosófica do Homem (ser imaginante e imaginário) como substância mesma da Realidade (Eduardo Lourenço), quer pela virtualidade da sua escrita, com aspetos ainda hoje surpreendentes. A publicação, em curso, da imensa obra de Teixeira de Pascoaes pela Assírio & Alvim, depois de ter ficado incompleto o projeto das suas Obras Completas (ed. de Jacinto do Prado Coelho) pela Livraria Bertrand, os numerosos estudos críticos entretanto surgidos e, até, a recente atenção pela sua obra plástica, revelam o interesse renovado na redescoberta de Pascoaes.

Bibliografia ativa sumária

(por ordem cronológica da 1ªedição)

  • Belo / À Minha Alma / Sempre / Terra Proibida [1896-97 / 1898 / 1898 / 1900], introdução de António Cândido Franco, Lisboa, Assírio & Alvim, 1997.
  • As Sombras / À Ventura / Jesus e Pã [1907 / 1901 / 1903], introdução de Gil de Carvalho, Lisboa, Assírio & Alvim, 1996.
  • Para a Luz / Vida Etérea / Elegias / O Doido e a Morte [1904 / 1906 / 1912 / 1913], prefácio de A. Fernandes da Fonseca, Lisboa, Assírio & Alvim, 1998.
  • Senhora da Noite / Verbo Escuro [1909 / 1914], apresentação de Mário Garcia, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999.
  • Marânus [1911], prefácio de Eduardo Lourenço, Lisboa, Assírio & Alvim, 1990.
  • Regresso ao Paraíso [1912], introdução de Agostinho da Silva, Lisboa, Assírio & Alvim, 1986.
  • Arte de Ser Português [1915], introdução de Miguel Esteves Cardoso, 2ªed., Lisboa, Assírio & Alvim, 1993.
  • A Beira (Num Relâmpago) / Duplo Passeio [1916 / 1942], introdução de António Mega Ferreira, Lisboa, Assírio & Alvim, 1994.
  • Os Poetas Lusíadas [1919], introdução intitulada “Reflexões sobre Teixeira de Pascoaes por Joaquim de Carvalho refletidas por Mário Cesariny”, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987.
  • O Bailado [1921], introdução de Alfredo Margarido, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987.
  • O Pobre Tolo, Prosa e Poesia [1924 / 1930], apresentação de José Tolentino Mendonça, Lisboa, Assírio & Alvim, 2000.
  • Livro de Memórias [1927], prefácio de António Cândido Franco, Lisboa, Assírio & Alvim, 2001.
  • São Paulo [1934], apresentação de António-Pedro de Vasconcelos, ed. de António Cândido Franco, 2ª ed. Lisboa, Assírio & Alvim, 2002.
  • São Jerónimo e a Trovoada [1936], introdução de António M. Feijó, Lisboa, Assírio & Alvim, 1992.
  • O Homem Universal e Outros Escritos [1937 / Outras datas], fixação do texto, prefácio e notas de Pinharanda Gomes, Lisboa, Assírio & Alvim, 1993.
  • O Penitente (Camilo Castelo Branco) [1942], apresentação de António-Pedro Vasconcelos, ed. de António Cândido Franco, 2ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 2002.
  • Epistolário Ibérico, Cartas de Unamuno e Pascoaes [1957], introdução de José Bento, Lisboa, Assírio & Alvim, 1986.
  • A Saudade e o Saudosismo (Dispersos e Opúsculos), compilação, introdução, fixação do texto e notas de Pinharanda Gomes, Lisboa, Assírio & Alvim, 1988.
  • Teixeira de Pascoaes, Desenhos, Lisboa, Assírio & Alvim, 2002.
  • Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita (Opúsculos e Dispersos), compilação, apresentação e notas de Pinharanda Gomes, Lisboa, Assírio & Alvim, 2004.

Bibliografia passiva sumária

  • Andrade, Eugénio e Gonçalves, Dario, Uma Casa para a Poesia, Amarante, Edições do Tâmega, 1990.
  • Barata, Gilda Nunes, A Presença na Ausência em Teixeira de Pascoaes e Mário Beirão, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2004.
  • Casulo, José Carlos de Oliveira, Filosofia da Educação em Teixeira de Pascoaes, Braga, Universidade do Minho, 1997.
  • Cesariny, Mário [antologia organizada por; ed. António Cândido Franco], Poesia de Teixeira de Pascoaes, Lisboa, Assírio & Alvim, 2002.
    • [selecção e organização de], Aforismos, Teixeira de Pascoaes, Lisboa, Assírio & Alvim, 1998.
  • Coelho, Jacinto do Prado, A Poesia de Teixeira de Pascoaes e Outros Escritos Pascoaesianos [seguido de] A Educação do Sentimento Poético (org. de A. Cândido Franco e Luís Amaro, prefácio de Fernando Guimarães), 2ª ed., Porto Lello Editores, 1999.
  • Coutinho, Jorge, O Pensamento de Teixeira de Pascoaes – Estudo Hermenêutico e Crítico, Braga, Publicações da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, 1995.
  • Dias, J.M.de Barros, Miguel de Unamuno e Teixeira de Pascoaes, Compromissos Plenos para a Educação dos Povos Peninsulares, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2002.
  • Franco, António Cândido, A Literatura de Teixeira de Pascoaes, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2000.
  • Uma Bibliografia de Teixeira de Pascoaes [Separata da Obra A Literatura de Teixeira de Pascoaes], Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2000.
  • Garcia, Mário, Teixeira de Pascoaes: Contribuição para o Estudo da sua Personalidade e para a Leitura Crítica da sua Obra, Braga, Publicações da Faculdade de Filosofia, 1976.
  • Mesquita, Armindo Teixeira, Espiritualidade Poética de Teixeira de Pascoaes, Guimarães, Editora Cidade Berço, 2001.
  • Morão, Paula e Sá, Maria das Graças Moreira (org. de), Encontro com Teixeira de Pascoaes – No Cinquentenário da sua Morte, Actas do Colóquio, Lisboa, Edições Colibri e Departamento de Literaturas Românicas da Universidade de Lisboa, 2004.
  • Nova Renascença, Revista trimestral de Cultura, Actas do “Colóquio sobre Teixeira de Pascoaes”, Porto, Fundação Eng. António de Almeida, Inverno / Verão, 1997.
  • Patrício, Manuel Ferreira, O Messianismo de Teixeira de Pascoaes e a Educação dos Portugueses, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1996.
  • Sá, Maria das Graças Moreira de, Estética da Saudade em Teixeira de Pascoaes, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1992.
  • O Essencial sobre Teixeira de Pascoaes, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1999.
  • Samuel, Paulo, Teixeira de Pascoaes na Revista “A Águia”, Edições Caixotim, 2004.
  • Viajar com… Teixeira de Pascoaes, Edições Caixotim, 2004.
  • Sena, Jorge de [estudo prefacial, selecção e notas de], A Poesia de Teixeira de Pascoaes, Porto, Brasília Editora, 1982.
  • Teixeira de Pascoaes, Actas do “Colóquio Olhares – Cinquenta anos da Morte de Teixeira de Pascoaes”, Revista da Faculdade de Letras, Série de Filosofia, II série, Volume XXI, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004. (Daqui)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Eu Sou Português Aqui" - Poema de José Fanha


Júlio Pomar, Café Nicola - Serigrafia



Eu Sou Português Aqui


Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Júlio Pomar
Retrato de Júlio Pomar por Bottelho
(Carlos Botelho ou Bottelho (Chaves, 1964) é um pintor e escultor português.)


Artista português, Júlio Pomar nasceu a 10 de janeiro de 1926, na rua das Janelas Verdes, em Lisboa. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e inscreveu-se aos 16 anos na ESBAL. A primeira exposição, juntamente com Vespeira, Fernando Azevedo e Pedro Oom, foi realizada num atelier da rua das Flores, e aí Almada Negreiros comprou-lhe o primeiro quadro, Saltimbancos.


Júlio Pomar, O Gadanheiro, 1945

Na Escola de Belas-Artes do Porto conhece o arquiteto e pintor Fernando Lanhas. Por esta época defende uma arte de intervenção, exemplificada em O Gadanheiro (1945) e, mais tarde, no conhecido O Almoço do Trolha, que ficaria para a História como um símbolo de uma época.



Júlio Pomar, O almoço do trolha, 1946-50, óleo sobre tela, 120 x 150 cm

Durante a prisão em Caxias, consequência da sua atividade militante, retrata o futuro presidente da república Mário Soares, na altura um companheiro de cela.


 Júlio Pomar, Retrato de Mário Soares


 Nos anos 50 é representado na Bienal de São Paulo e viaja até Espanha e França. Inicia neste período um dos seus numerosos ciclos, o "ciclo do arroz", fase em que se aproxima do chamado realismo socialista. É um dos fundadores da Cooperativa "Gravura" e é representado na Bienal de gravura de Tóquio. Trabalha ainda em cerâmica e em escultura para decoração. 
Em 1961 ganha o prémio de Pintura da Fundação Gulbenkian e começa o ciclo das Tauromaquias. Parte para Paris em 1962 como bolseiro da Gulbenkian e dois anos depois faz a sua primeira exposição individual na capital francesa. Participa em inúmeros certames internacionais, nos Estados Unidos e no Japão.



Júlio Pomar - O Luxo, 1979, Tela da série Os tigres 


 Depois da série dos Tigres, do início dos anos 80, inicia uma reflexão sobre figuras da História portuguesa: Fernando Pessoa, Luís de Camões, Mário de Sá-Carneiro, Fernão Mendes Pinto.



Júlio Pomar - Fernando Pessoa


O Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian organiza uma exposição antológica da obra do artista, apresentada em Brasília, em São Paulo e no Rio de Janeiro em 1996, e em Lisboa em 1997. Em O Paraíso e outras histórias, exposição integrada no programa de Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura, reúne uma série de trabalhos datados de 1991 a 1994 em que evoca cenas bíblicas e episódios mitológicos sem negligenciar o tom irónico.



Júlio Pomar - D. Quixote 


Nos anos 90 Júlio Pomar reparte o seu tempo entre Paris e Lisboa. A galeria Piltzer, na exposição "Les Joies de Vivre", patente ao público em Paris de 12 de dezembro de 1997 a 29 de janeiro de 1998, apresenta 6 trípticos e 2 quadrípticos em que os temas mitológicos, a personagem de D. Quixote ou o percurso do artista por terras brasileiras servem de pretexto para a exaltação do prazer dos sentidos. 
Para além de pintor, Pomar revelou-se como poeta na "International Poetry Magazine" em 1973, estando os seus poemas reunidos no livro Alguns Eventos, editado pela D. Quixote em 1992. Em Da Cegueira dos Pintores (edição portuguesa - 1986) publica ensaios sobre a arte e a criação.

Júlio Pomar. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-04-21].



Júlio Pomar - I



Júlio Pomar - II



segunda-feira, 2 de julho de 2012

"Tarde no mar" - Poema de Florbela Espanca


Obra de Mário Cesariny 
 


Tarde no mar


A tarde é de oiro rútilo: esbraseia 
O horizonte: um cacto purpurino. 
E a vaga esbelta que palpita e ondeia, 
Com uma frágil graça de menino, 

Poisa o manto de arminho na areia 
E lá vai, e lá segue ao seu destino! 
E o sol, nas casas brancas que incendeia. 
Desenha mãos sangrentas de assassino! 

Que linda tarde aberta sobre o mar! 
Vai deitando do céu molhos de rosas 
Que Apolo se entretém a desfolhar... 

E, sobre mim, em gestos palpitantes, 
As tuas mãos morenas, milagrosas, 
São as asas do sol, agonizantes... 


in "Charneca em Flor"


Retrado de Mário Cesariny por Botelho


Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006) foi pintor e poeta, considerado o principal representante do surrealismo português. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador (polémico) das actividades surrealistas em Portugal.


Obra de Mário Cesariny - Óleo sobre cartão


Obra de Mário Cesariny
 

Obra de Mário Cesariny


"(…) O homem tem necessidade de beleza.(…) A arte clarifica os espíritos e dignifica o homem. A arte humaniza. (…)." - Nadir Afonso
 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"O Cavalo" - Poema de Natália Correia

 
René Magritte, The anger of gods, 1960



O Cavalo 


Teus poros exalam o fumo
Do lar dos deuses de onde vieste.
Rompante de espuma e de lume
És sol quadrúpede ou mar equestre?

Desfilando derramas o ouro
Do teu rio inacabável,
Desmedido relâmpago louro
De um deus equídeo possante e frágil.

Tudo existiu para que fosses
No contraluz desta madrugada
Mitológica proporção perfeita
Em purpúrea bruma recortada.

Pois que te é divino mister
Humanos olhos extasiar
A dúvida é só perceber
Se vieste do sol ou do mar. 


Natália Correia
Poesia Completa / 
Inéditos, 1985/90
 Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1999
 

Natália Correia retratada por Bottelho


Natália de Oliveira Correia (Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993) foi uma intelectual, poetisa e activista social açoriana, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). 

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras. Foi uma figura central das tertúlias que reuniam em Lisboa nomes centrais da cultura e da literatura portuguesas nas décadas de 1950 e 1960. Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas. Na madrugada de 16 de Março de 1993, morreu, subitamente, com um ataque cardíaco, em sua casa, depois de regressada do Botequim que fundou em 1971, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa.

A sua morte precoce deixou um vazio na cultura portuguesa muito difícil de preencher. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa) constante de muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca privada. (Fonte: wikipédia)


Paul Gauguin, Riders on the Beach I (Cavaliers sur la plage I), 1902
 Museum Folkwang, Essen
 

"Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!"

(William Shakespeare)


Paul Gauguin, Riders on the Beach II, 1902


"A carne é o alimento de certos animais. Todavia, nem todos, pois os cavalos, os bois e os elefantes se alimentam de ervas. Só os que têm índole bravia e feroz, os tigres, os leões etc. podem saciar-se em sangue. Que horror é engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos." - Pitágoras


Edvard Munch, Horse Team, 1919


"A raça humana não pode prosperar enquanto não aprender que há tanta dignidade em cultivar campos quanto em escrever um poema." - Booker Washington 


Booker Taliaferro Washington, (5 de abril de 1856, em Condado de Franklin, Virginia, EUA - 15 de novembro de 1915) foi um escritor e educador estadunidense. Por falta de recursos da família não frequentou a escola e, aos nove anos, começou a trabalhar para sobreviver, inicialmente numa fábrica de sal e, depois, em minas de carvão. Determinado a estudar, entrou para o Instituto Normal e de Agricultura de Hampton (1872), onde trabalhou como zelador para custear os estudos. Graduado (1875), passou a lecionar para crianças e adultos. Julgando a cultura e a qualificação profissional mais eficazes que a luta política pelos direitos civis, conseguiu entrar para a administração de Hampton (1879) e participou de um bem-sucedido programa experimental de educação indígena. Foi nomeado diretor da nova escola normal de negros em Tuskegee, Alabama (1881), onde ficou até sua morte. Seu sucesso nessa função tornou-o porta-voz dos negros americanos. Entre seus livros destacaram-se duas autobiografias, Up from Slavery (1901) e My Larger Life (1911). (Fonte: wikipédia)
 
 
Walter Crane, "Neptune's Horses", 1892

domingo, 18 de setembro de 2011

"A Maior Flor do Mundo" - José Saramago




"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?" - José Saramago
 


A Maior Flor do Mundo


“Se quiseres falar ao coração de um homem, conta uma história. Dessas em que não faltam animais, ou deuses e muita fantasia. Porque é assim, suave e docemente que se despertam consciências”. - Jean de La Fontaine


Retrato de José Saramago por Bottelho
 

"O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses." - José Saramago