segunda-feira, 2 de julho de 2012

"Tarde no mar" - Poema de Florbela Espanca



Mário Cesariny (Poeta e pintor surrealista português, 1923–2006)
 

Tarde no mar


A tarde é de oiro rútilo: esbraseia 
O horizonte: um cato purpurino. 
E a vaga esbelta que palpita e ondeia, 
Com uma frágil graça de menino, 

Poisa o manto de arminho na areia 
E lá vai, e lá segue ao seu destino! 
E o sol, nas casas brancas que incendeia. 
Desenha mãos sangrentas de assassino! 

Que linda tarde aberta sobre o mar! 
Vai deitando do céu molhos de rosas 
Que Apolo se entretém a desfolhar... 

E, sobre mim, em gestos palpitantes, 
As tuas mãos morenas, milagrosas, 
São as asas do sol, agonizantes... 


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"


'Retrato de Mário Cesariny' por Botelho


Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006) foi pintor e poeta, considerado o principal representante do surrealismo português. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador (polémico) das atividades surrealistas em Portugal.


Obra de Mário Cesariny - Óleo sobre cartão


Obra de Mário Cesariny
 

Obra de Mário Cesariny


"(…) O homem tem necessidade de beleza.(…) A arte clarifica os espíritos e dignifica o homem. A arte humaniza. (…)." - Nadir Afonso
 

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