Mário Cesariny (Poeta e pintor surrealista português, 1923–2006), 'Untitled'
Tarde no mar
A tarde é de oiro rútilo: esbraseia
O horizonte: um cato purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,
Poisa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá segue ao seu destino!
E o sol, nas casas brancas que incendeia.
Desenha mãos sangrentas de assassino!
Que linda tarde aberta sobre o mar!
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...
E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizantes...
Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"
'Retrato de Mário Cesariny' por Bottelho (n. 1964)
Mário Cesariny de Vasconcelos (Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006) foi pintor e poeta, considerado o principal representante do surrealismo português. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador (polémico) das atividades surrealistas em Portugal.
Mário Cesariny, 'Untitled' - Óleo sobre cartão
Mário Cesariny, 'O Papá que veio de Leste', 1980
Mário Cesariny, 'Heliogabalo'
"(…) O homem tem necessidade de beleza. (…) A arte clarifica os espíritos e dignifica o homem.
A arte humaniza. (…)"
Nadir Afonso
[Arquiteto, pintor e pensador português, n. 1920]



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