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quinta-feira, 28 de maio de 2026

"De que valem a experiência e o conhecimento na velhice?" - Texto de Jean-Jacques Rousseau

 
 
Jan Steen (Dutch Golden Age painter, 1625/1626–1679),
'The way you hear it, is the way you sing it', c. 1665, Mauritshuis.
 

De que valem a experiência e o conhecimento na velhice? 


«Envelheço aprendendo sempre» - Sólon (c. 630 – c. 560 a.C.), na sua velhice, repetia muitas vezes este verso. O sentido que esse verso possui permitir-me-ia dizê-lo também na minha; mas é bem triste o conhecimento que, desde há vinte anos, a experiência me fez adquirir: a ignorância ainda é preferível. A adversidade é, sem dúvida, um grande mestre, mas faz pagar caro as suas lições e muitas vezes o proveito que delas se tira não vale o preço que custaram. Aliás, a oportunidade de nos servirmos desse saber tardio passa antes de o termos adquirido. 
A juventude é o tempo próprio para se aprender a sabedoria; a velhice é o tempo próprio para a praticar. A experiência instrui sempre, confesso, mas não é útil senão durante o espaço de tempo que temos à nossa frente. É no momento em que se vai morrer que se deve aprender como se deveria ter vivido?
De que me servem os conhecimentos que tão tarde e tão dolorosamente adquiri sobre o meu destino e sobre as paixões alheias de que ele é o fruto? Não aprendi a conhecer os homens senão para melhor sentir a desgraça em que me mergulharam e esse conhecimento, embora me revelasse todas as suas armadilhas, não me permitiu evitar nenhuma delas. Porque não permaneci nesse estado de confiança, insensata mas ditosa que durante tantos anos fez de mim a presa e o joguete dos meus ruidosos amigos, sem que tivesse a mínima suspeita de todas as tramas em que estava envolvido? Troçavam de mim e eu era vítima deles, é verdade, mas acreditava que me amavam, e o meu coração deliciava-se com a amizade que eles me tinham inspirado e pensava que sentiam por mim uma amizade igual. Essas doces ilusões estão destruídas. A triste verdade, que o tempo e a razão me revelaram, ao fazer-me sentir a minha infelicidade, permitiu-me ver que não havia remédio e que não me restava senão resignar-me. Por isso, para mim, na minha situação atual, todas as experiências da minha idade não têm utilidade presente nem proveito futuro. 
Ao nascermos, iniciamos uma luta que só termina com a morte. De que serve aprender a conduzir melhor o seu carro quando se está no fim da estrada? Então, já não resta senão pensar em como sair dele. O estudo de um velho, se é que ainda tem algo a estudar, consiste unicamente em aprender a morrer, e é precisamente o que menos se faz na minha idade, em que se pensa em tudo menos nisso. Os velhos estão mais agarrados à vida do que as crianças e saem dela com mais má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos se destinaram a essa mesma vida, ao chegarem ao fim, veem que os seus esforços foram inúteis. Todos os seus cuidados, todos os seus bens, todos os frutos das suas laboriosas vigílias, tudo abandonam quando partem. Em vida, não pensaram em adquirir algo que pudessem levar consigo quando morressem.

Jean-Jacques Rousseau (1712–1778), in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'
 


'Os Devaneios do Caminhante Solitário' de Jean-Jacques Rousseau.
Tradução de Miguel Serras Pereira. Lisboa: Antígona, 2024.

 
Derradeira obra de Jean-Jacques Rousseau, inacabada e publicada postumamente, Devaneios do Caminhante Solitário (1782) eram, segundo o autor, «um apêndice das Confissões» e encerram algumas das suas mais belas linhas. Este «registo fiel dos passeios solitários e dos devaneios que os preenchem», nas cercanias de Paris e no lago de Bienne, é, além de um duro balanço de vida, na sequência da proscrição de que Rousseau foi alvo, um eloquente conjunto de meditações que abarcam a velhice e a insatisfação com a mundanidade, o refrigério na natureza e a perseguição movida por uma sociedade hostil. Livro que antecipou a sensibilidade romântica, é uma reflexão maior sobre o exílio e as poderosas cadeias que sempre tolheram a liberdade individual. (daqui)
 


Jan Steen, 'The Card Players in an Interior', c. 1660,
Rose-Marie and Eijk van Otterloo Collection
 

"Só depois de me ter desprendido das paixões sociais e do seu triste cortejo, 
redescobri a natureza com todos os seus encantos."

Jean-Jacques Rousseau,
 in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'

terça-feira, 28 de abril de 2026

"Os velhos poderosos" - Crónica de Miguel Esteves Cardoso



Louis Moeller (American genre painter, 1855–1930), Conversation, undated,
oil on canvas, New Britain Museum of American Art.



Os velhos poderosos


E se a maneira como olhamos para os velhos for o contrário do que faz sentido?
E se a velhice for um jogo em que todos os anos se arranjam para os concorrentes, cada vez mais velhos, novos impedimentos e novas sobrecargas, exortando-os: "Desiste! Desanima!" Começa para aí aos 50 anos. Apetece logo desanimar. Começam a morrer pessoas de quem gostamos muito. Com surpresas. Más. Começam as doenças. Começam as dores. Começam os preconceitos. Começam os cansaços.
Cada vez que aparece o monstro – o monstro da vida, o monstro da idade com novos encolhimentos da nossa alegria de viver, ele grita-nos "Desanima! Desiste! Ao menos, entristece..." Mas os velhos picam-se. Gostam do jogo. Não é como se houvesse outro para jogar. Sentem-se desafiados: "Ai é? Ai é? Então já vais ver!"
"Então já vais ver, vida madrasta de um raio – ou julgavas que eu me deixava ir abaixo com tão pouco?"
Os velhos engolem os pais mortos, os amigos mortos, as coisas que já não podem fazer, mais a cara que os fita no espelho, com a língua de fora, e as cidades que se tornaram irreconhecíveis, e as paisagens que nunca mais voltarão, e as análises que estão cada vez piores. Engolem, enchem o peito, secam os olhos e apalpam a alma para ver se desanimou. Não desanimou. Ainda lá está. E é assim que ganham força: ainda estou de pé, ainda me rio, ainda me apetece brincar, ainda sou um gatinho.
Os velhos que não desanimaram são muito mais fortes do que os jovens que nunca foram desafiados a desanimar.
Aliás, desanimar com pouco é próprio da juventude: é um luxo deitarmo-nos abaixo com tão pouco. O monstro dos jovens não é o monstro dos velhos. Não é a morte. É pior do que a morte: o monstro dos jovens é a ignorância. E uma ignorância invencível, por muito que se leia e se viva. Leva a grandes desperdícios. Entrega-se de corpo e alma a grandes desânimos, todos redundantes.
Já os velhos sabem. Sabem e mesmo assim não desanimam. Não são só sobreviventes. São vencedores.

Crónica de Miguel Esteves Cardoso, in Jornal 'Público', 9 de Janeiro de 2026 (daqui)
 
 

Louis Moeller, The Dubious Tale, Private collection.



"Embora a memória e o raciocínio sejam duas faculdades essencialmente diferentes,
uma só se desenvolve completamente com a outra."

Jean-Jacques Rousseau (Escritor e filósofo suíço, 1712–1778),
em 'Emílio, ou da Educação', 1762.
 

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

"Asa no Espaço" - Poema de Fernanda de Castro



 


Asa no Espaço


Asa no espaço, vai pensamento!
Na noite azul, minha alma, flutua!
Quero voar no braços do vento,
quero vogar nos barcos da Lua!

Vai, minha alma, branco veleiro,
vai sem destino, a bússola tonta.
Por oceanos de nevoeiro,
corre o impossível, de ponta a ponta.

Quebra a gaiola, pássaro louco!
Não mais fronteiras, foge de mim,
que a terra é curta, que o mar é pouco,
que tudo é perto, princípio e fim.

Castelos fluidos, jardins de espuma,
ilhas de gelo, névoas, cristais,
palácios de ondas, terras de bruma,
asa, mais alto, mais alto, mais!
 
 ★ ★ ★

Imagens de Abdullah Evindar 
[Abdullah Evindar é um artista digital turco autodidata que manipula imagens para criar arte, combinando silhuetas com elementos da natureza, uma opção estética que confere uma sensação de surrealismo hipnótico ao seu trabalho.]
 

 
 
 
 
 
 
 


 
"O mundo da realidade tem seus limites. O mundo da imaginação não tem fronteiras." 

Jean-Jacques Rousseau
, "Émile, ou De l’éducation" - Volume 1, Página 152.
 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

"Por mostrar o poder da formosura" - Soneto de Bernardo de Brito


Axel Ender (Norwegian painter and sculptor1853 – 1920), Woman at lookout



Por mostrar o poder da formosura


Por mostrar o poder da formosura, 
que cativo me fez o peito isento, 
desenastrava Sílvia ao fresco vento 
os cabelos sobre uma fonte pura: 

E vendo ao natural sua figura 
tão bela no cristal húmido e lento 
sentiu grande paixão no pensamento, 
não vendo nele arder nova quentura. 

E largando a mão resplandecente, 
inquietou as águas sossegadas 
dizendo não sereis mais tão ditosas, 

Que pois com minha vista morre a gente, 
se com me ver não sois chamas tornadas 
é porque tendes frio de invejosas. 


Bernardo de Brito, in 'Sílvia de Lisardo'


Axel EnderGirl with flower bouquet
 

"A Juventude é a época de se estudar a sabedoria; a velhice é a época de a praticar."

Jean-Jacques Rousseau, em 'Devaneios de um Caminhante Solitário'


Axel Ender, The Shepherdess


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Natal" - Poema de António Salvado


Augustus Edwin Mulready (British painter, 1844–1905), Uncared for, 1871


Natal


Que nos trazes a não ser 
lágrimas cada vez mais, 
natal eterno a nascer 
de outros natais... 
Ligeira esperança que toca 
os nossos olhos molhados 
e o sangue da nossa boca, 
amordaçados... 

Ah bruxuleante luz 
acenando ao longe em vão 
e que a dor nos reproduz 
em ilusão... 
Ternura dum breve instante 
que o próprio instante desterra, 
morta no facto constante 
de tanta guerra... 




Augustus Edwin Mulready, Fatigued Minstrels, 1883


"Sejamos bons e depois seremos felizes. Ninguém recebe o prémio sem primeiro fazer por isso."


domingo, 21 de fevereiro de 2016

"Cantiga Felina" - Poema de José Fanha



Arthur Hacker (English classicist painter, 1858–1919), 'Fire Fancies', c. 1890.
 

Cantiga Felina


Eu sou uma gata gatona gatinha
pequena ladina
feroz e feliz e felina.
Eu sou uma gata que come
fanecas e figos
Feijão e favona e favinha
e…
comigo ninguém faz farinha!

Eu sou uma gata gatona gatinha
faceira furtiva
fadista fiel e festiva.
Eu sou uma gata que foge
da fúria do fogo
fanhosa felpuda fininha
e…
comigo ninguém faz farinha!

Eu sou uma gata gatona gatinha
uma bela figura
que fala que funga e que fura.
Eu sou uma gata que veste
um fatinho forrado
com fita fivela e fitinha
e…
comigo ninguém faz farinha!


José Fanha
(Arquiteto, poeta e escritor de literatura infantojuvenil português, n. 1951) 



Lotte Laserstein
(German-Swedish painter, 1898–1993),
'Girl with Cat', c. 1932-33, Private collection.


"Observe um gato quando entra num quarto pela primeira vez. Procura cheiros, não fica quieto um momento, não confia em nada até que examinou e travou conhecimento com tudo." 



Lotte Laserstein (German-Swedish painter, 1898–1993),
'Provençal Girl with Cat', 1951.


"A veneração dos egípcios pelos gatos não era nem tola nem infantil. Por meio do gato, 
o Egito definiu e refinou sua complexa estética."




Nancy Guzik
(American painter, b. 1954), 'Zorro and the painter'



"Existem duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos."

 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

"O Ciclo do Progresso" - Texto de Jean Jacques Rousseau


Vista noturna da Ponte de Santo Ângelo sobre o Rio Tibre, com a Basílica de São Pedro ao fundo ao crepúsculo, vistas da ponte Umberto I.


O Ciclo do Progresso


Da sociedade e do luxo que ela engendra, nascem as artes liberais e mecânicas, o comércio, as letras, e todas essas inutilidades que fazem florescer a indústria, enriquecem e perdem os Estados. A razão desse deperecimento é muito simples. É fácil ver que, pela sua natureza, a agricultura deve ser a menos lucrativa de todas as artes, porque, sendo o seu produto de uso mais indispensável para todos os homens, o preço deve estar proporcionado às faculdades dos mais pobres. Do mesmo princípio pode-se tirar a regra de que, em geral, as artes são lucrativas na razão inversa da sua utilidade, e de que as mais necessárias, finalmente, devem tornar-se as mais negligenciadas. Por ai se vê o que se deve pensar das verdadeiras vantagens da indústria e do efeito real que resulta dos seus progressos. Tais são as causas sensíveis de todas as misérias em que a opulência precipita, finalmente, as nações mais admiradas. 
À medida que a indústria e as artes se estendem e florescem, o cultivador desprezado, carregado de impostos necessários à manutenção do luxo, e condenado a passar a vida entre o trabalho e a fome, abandona o campo para ir procurar na cidade o pão que devia levar para lá. Quanto mais as capitais impressionam de admiração os olhos estúpidos do povo, tanto mais seria preciso lastimar o abandono dos campos, as terras incultas e as estradas cheias de cidadãos desgraçados transformados em mendigos ou ladrões, e destinados um dia a acabar a sua miséria pelos caminhos ou sobre um monte de esterco. É assim que o Estado se enriquece por um lado, e se enfraquece e se despovoa, por outro, e que as mais poderosas monarquias, após muitos trabalhos para se tornarem opulentas e desertas, acabam por se tornar a presa de nações pobres que sucumbem à funesta tentação de as invadir, e que são invadidas e enfraquecem por sua vez, até que elas mesmas sejam invadidas e destruídas por outras. 


Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), in 'Discurso Sobre a Origem da Desigualdade'


Retrato de Rousseau em 1753, pintado por 


"O homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros. Quem se julga o senhor dos outros
 não deixa de ser tão escravo quanto eles."


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"Na idade dos porquês" - Poema de Alice Gomes


Harold N. Anderson (American, 1894–1973), Young boy studying, c. 1950.


Na idade dos porquês


Professor diz-me porquê?
Por que voa o papagaio
que solto no ar
que vejo voar
tão alto no vento
que o meu pensamento
não pode alcançar?

Professor diz-me porquê?
Por que roda o meu pião?
Ele não tem nenhuma roda
E roda gira rodopia
e cai morto no chão...

Tenho nove anos professor
e há tanto mistério à minha roda
que eu queria desvendar!
Por que é que o céu é azul?
Por que é que marulha o mar?
Porquê?
Tanto porquê que eu queria saber!
E tu que não me queres responder!

Tu falas falas professor
daquilo que te interessa
e que a mim não interessa.
Tu obrigas-me a ouvir
quando eu quero falar.
Obrigas-me a dizer
quando eu quero escutar.
Se eu vou a descobrir
Fazes-me decorar.

É a luta professor
a luta em vez de amor.

Eu sou uma criança.
Tu és mais alto
mais forte
mais poderoso.
E a minha lança
quebra-se de encontro à tua muralha.

Mas
enquanto a tua voz zangada ralha
tu sabes professor
eu fecho-me por dentro
faço uma cara resignada
e finjo
finjo que não penso em nada.

Mas penso.
Penso em como era engraçada
aquela rã
que esta manhã ouvi coaxar.
Que graça que tinha
aquela andorinha
que ontem à tarde vi passar!...

E quando tu depois vens definir
o que são conjunções
e preposições...
quando me fazes repetir
que os corações
têm duas aurículas e dois ventrículos
e tantas
tanta mais definições...
o meu coração
o meu coração que não sei como é feito
nem quero saber
cresce
cresce dentro do peito
a querer saltar cá para fora
professor
a ver se tu assim compreenderias
e me farias
mais belos os dias.


Alice Gomes (1946)  


Alice Gomes

Alice Gomes, nascida em 1910, em Tabuaço, e falecida em Lisboa, em 1983, era irmã de Soeiro Pereira Gomes e foi casada com Adolfo Casais Monteiro.
Escritora, pedagoga, conferencista e dramaturga, Alice Gomes foi uma mulher de ação, que deixou publicados vários contos, poesias, traduções, ensaios e outros tantos por publicar. 
De toda a sua experiência de convívio e estudo da criança resulta uma obra diversificada onde a formação de pedagoga se associa à imaginação e ao humor. É com subtileza que procura incutir princípios que dignificam o futuro das crianças e é também com alegria que os procura atrair para a leitura, de modo a que não percam o gosto e a necessidade de ler. 
Em estilo dialogante e comunicativo conta histórias do real retocado pelo maravilhoso ou pelo sonho em o Vidrinho de Cheiro e Contos Risonhos, para logo em os Ratos e o Trovador enveredar pelo teatralização da lenda do flautista de Hamlim. A Lenda das Amendoeiras e Nau Catrineta são duas outras peças teatrais de Alice Gomes. Poesia Para a infância (1955) é uma antologia de poesia portuguesa e brasileira. Outras das suas obras dedicadas à poesia são Poesia de infância (1966) e Bichinho poeta (1970), livro de poemas que ocupa um lugar destacado na obra desta escritora que foi elemento proeminente de várias actividades ligadas à criança.
Traduziu para português Le Petit Prince (O Principezinho) de Saint-Exupéry. As reflexões que deixou expressas em Aprender sorrindo e Literatura para a Infância, 1979, demonstram a sua contínua atividade de escritora e divulgadora de literatura infantil. 
Alice Gomes não se considerava escritora, conforme escreve na introdução de Pensamento da Poesia e Prosa da Vida (1989) “(…) gostaria de avisar que não sou escritora, mas apenas representa a fuga do meu espírito em dias de solidão…”.




Pensamentos


"Eis o que é terrível, ainda mais que o sofrimento e a morte dos animais. É o facto de o homem, sem necessidade, suprimir a suprema susceptibilidade espiritual de sentir compaixão e piedade para com os seres vivos como ele. É o facto do homem se tornar cruel violando as leis da Natureza matando para comer." - Leon Tolstoi 
 



"Os animais que você come não são aqueles que devoram outros, você não come as bestas carnívoras, você as toma como padrão. Você só sente fome pelas criaturas doces e gentis que não ferem ninguém, que o seguem, o servem, e que são devoradas por você como recompensa de seus serviços." -
Jean Jacques Rousseau 
 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Se um dia a juventude voltasse" - Poema de Al Berto



Albert Bierstadt (German-American painter, 1830–1902), 'California Spring', 1875. 
 

Se um dia a juventude voltasse 


Se um dia a juventude voltasse
na pele das serpentes atravessaria toda a memória
com a língua em teus cabelos dormiria no sossego
da noite transformada em pássaro de lume cortante
como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida

sulcaria com as unhas o medo de te perder... eu
veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza
apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras
porque só aquele que nada possui e tudo partilhou
pode devassar a noite doutros corpos inocentes
sem se ferir no esplendor breve do amor

depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio
de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos
mas aconteça o que tem de acontecer
não estou triste não tenho projetos nem ambições
guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos
espalho a saliva das visões pela demorada noite
onde deambula a melancolia lunar do corpo

mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim
com suas raízes de escamas em forma de coração
e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido
pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu
humilde e cansado piloto
que só de te sonhar me morro de aflição.


Al Berto, in "Rumor dos Fogos"
Assirio & Alvim, 1983


Albert Bierstadt, 'In the Foothills'



Albert Bierstadt, 'On the Saco'
 

"Não há nada que esteja menos sob o nosso domínio que o coração, 
e, longe de podermos comandá-lo, somos forçados a obedecer-lhe."

(Jean Jacques Rousseau)


Nickelback - Photograph

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Praia do Esquecimento" - Poema de David Mourão-Ferreira


Kay Sage (American Surrealist artist and poet, 1898–1963), Le Passage, 1956.
 


Praia do Esquecimento 


Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada. 
A minha vida nem consente 
rumor de gente 
na praia desolada.

Apenas decisão de esquecimento: 
mas só neste momento eu a descubro 
como a um fruto rubro 
de que, sem já sabê-lo, me sustento.

E do Sol amarelo que há no céu 
somente sei que me queimou a pele. 
Juro: nem dei por ele 
quando nasceu. 


David Mourão-Ferreira,
 in "Tempestade de Verão" 


"Ainda Bem"- Marisa Monte



"O que viveu mais não é aquele que viveu até uma idade avançada, mas aquele que mais sentiu na vida."

Jean-Jacques Rousseau (Escritor e filósofo suíço, 1712–1778)
 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

"Ser poeta" - Poema de Newton Fernandes



Patrick William Adam (Scottish painter, 1854–1929), 'A quiet corner', n.d.


Ser poeta


Ser poeta é ter em si o sol resplandecente
A aurora, o crepúsculo e a noite enluarada
A montanha, o mar, a chuva, a estrela cadente
E a tudo isso amar com a alma apaixonada

É viver cheio de fé e mil sonhos de esplendores
Cultivar a fantasia nas sementes da fria realidade
Ter o perfume do jasmim e as asas dos condores
No mundo ver belezas e de tudo ter saudade

É olhar para o horizonte e acreditar no infinito
Descrever lindas manhãs e também tardes sombrias
Embelecer esses contrastes com seu estro, com seu grito

E quando se apaixona é um oceano imenso de ternura
Colocando sua musa em suas noites e seus dias
Em constante desejar… e exaltar-lhe a formosura.


Newton Fernandes


 
Patrick William Adam, Sunlit Garden, 1928
 

"A maioria de nossos males é obra nossa e os evitaríamos, quase todos, conservando uma forma de viver simples, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza." 

Jean Jacques Rousseau
[Filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata suíço, 1712–1778]
 
 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A fauna e a flora do Parque Biológico de Gaia



Parque Biológico de Gaia
(Fotos de quadrogiz)
 

"A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável."
 

Jean-Jacques Rousseau 
[Filósofo, teórico político, escritor e compositor genebrino, 1712–1778]


Entrada do Parque Biológico (Estátuas)

Jardim exterior do Parque Biológico

Entrada interior do Parque Biológico

A hortênsia ou hidrângea ou hortense é uma planta de folhas largas
da família Hydrangeaceae, pertencente ao género Hydrangea.

Vegetação

Quinta do Parque


 
 
 Rio Febros e vegetação
 
Queda de água do  Rio Febros

Tanque e vegetação aquática

 
Cabras na quinta do Parque 

Cabras na quinta do Parque 



Vegetação do Parque

Tronco 

Vegetação característica da mata portuguesa

Vegetação

Vegetação

Lago e vegetação

Lago, animais e vegetação

Vegetação diversificada do Parque

Vegetação diversificada do Parque

Vegetação diversificada do Parque

Restos de um tronco velho

Flor amarela na orla do campo cultivado da quinta

 A cor e a beleza das plantas

Flores - Margaridas 

Vegetação do Parque - Enxertia (Preservação das espécies)


"Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso."



Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C. – 322 a.C.]


(Fotografia retirada da Internet)


"O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, 
um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo."

 
Blaise Pascal
[Matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo francês, 1623–1662]