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sábado, 3 de novembro de 2012

"Verdade" - Poema de Carlos Drummond de Andrade


Kay Sage, Room Has Two Doors, 1939


Verdade 


A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez. 

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam. 

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra. 

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


Carlos Drummond de Andrade



Galeria de Kay Sage

Katherine Linn Sage (25 de junho de 1898 - 8 de janeiro de 1963), mais conhecida como Kay Sage, foi uma artista e poetisa surrealista americana.


Photograph of Kay Sage and Yves Tanguy


Frederick Kiesler with Yves Tanguy, Kay Sage, Marcel Duchamp 
and Maria Martins in Woodburry, Connecticut 1947


Kay Sage, The Fourteen Daggers


Kay Sage, Margin of Silence, 1942


Kay Sage, J'ai vu trois cités, 1944


Kay Sage, Danger, Construction Ahead, 1940


Kay Sage, Unusual Thursday, 1951


Kay Sage, the Contrary, 1952, Walker Art Center Minneapolis, Minnesota


Kay Sage, Tomorrow Is Never, 1955


“No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele”.

Antoine de Saint-Exupéry


Kay Sage, The Upper Side of the Sky, 1944, From Dreaming with Open Eyes


"Creio que foi o sorriso,
O sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso." 


Eugénio de Andrade


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

"Praia do Esquecimento" - Poema de David Mourão-Ferreira


Kay Sage (American Surrealist artist and poet, 1898–1963), Le Passage, 1956.
 


Praia do Esquecimento 


Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada. 
A minha vida nem consente 
rumor de gente 
na praia desolada.

Apenas decisão de esquecimento: 
mas só neste momento eu a descubro 
como a um fruto rubro 
de que, sem já sabê-lo, me sustento.

E do Sol amarelo que há no céu 
somente sei que me queimou a pele. 
Juro: nem dei por ele 
quando nasceu. 


David Mourão-Ferreira,
 in "Tempestade de Verão" 


"Ainda Bem"- Marisa Monte



"O que viveu mais não é aquele que viveu até uma idade avançada, mas aquele que mais sentiu na vida."

(Jean-Jacques Rousseau)