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domingo, 1 de setembro de 2024

"Setembro" - Poema de Vasco Graça Moura

 


Damião Martins
(Pintor cubista brasileiro desde 1978), Colheita de uva, s.d.


Setembro


agora o outono chega, nos seus plácidos
meneios pelas vinhas, um dos vizinhos passa
um cabaz de maçãs por sobre a vedação:
redondas, verdes, o seu perfume vai
dentro de quinze dias ser mais forte.

a noite cai mais cedo e apetece
guardar certos vermelhos da folhagem
e amarelos e castanhos nas ladeiras
de setembro. a rádio fala no tempo variável
que vem aí dentro de dias. talvez caia

uma chuvinha benfazeja, a pôr no ponto certo
os bagos de uva. e há poalhas morosas, mais douradas.
aproveita-se o outono no macio
enchimento dos frutos para colhê-lo a tempo.
devagar, devagar. é mais doce no outono a tua pele. 


Vasco Graça Moura
, in "Poesia 2001/2005",
Quetzal Editores, 2006.


Damião Martins, Vindimas, s.d.
 
 
Vindimas

 
As vindimas consistem na colheita dos cachos de uvas, destinados à produção de vinho, quando estas atingem o grau indicado de amadurecimento. Os cachos são então enviados para os lagares, onde começa a produção de diversos tipos de vinhos. Para obter uma boa qualidade de vinho é necessário escolher a data exata em que se deve iniciar as vindimas.

As vindimas têm lugar, habitualmente, em setembro, após uma decisão nesse sentido tomada pelos enólogos, que desde o final de agosto anterior analisam amostragens para controlar a maturação das uvas, assim como a acidez, peso e cor. É necessário encontrar o grau de acidez indicado porque com o passar do tempo os ácidos transformam-se em açúcares, o que leva a um aumento do álcool.

Cabe aos produtores, em função da casta, determinar a relação que mais lhes convém em função do tipo de vinho que pretendem produzir. Posteriormente, deve ser feito o transporte dos cachos nas melhores condições, já que, devido ao calor próprio da época, as uvas amassadas começam a fermentar antes do tempo.

Também é possível prever a melhor altura para as vindimas através de um método popular que consiste em verificar quando murcham os pés das uvas e as peles dos bagos começam a contrair.

Marcada a data da vindima, a cada propriedade onde há cultivo de uvas acorrem então dezenas de trabalhadores sazonais, normalmente oriundos das terras vizinhas, e é iniciado um dos mais característicos momentos da etnografia portuguesa. Muitas vezes são famílias completas que se deslocam para as vindimas, numa tradição que atravessa gerações: as mulheres, auxiliadas pelas crianças, cortam os cachos, que são colocados em cestas de vime. Cabe então aos homens transportar estes cestos para os lagares. Antigamente eram grupos de homens que pisavam as uvas, sistema que gradualmente foi sendo substituído por métodos mecânicos.

Na época das vindimas são organizadas nas diferentes terras ou regiões onde existe esta atividade as chamadas Festas das Vindimas, uma tradição histórica que atrai imensos turistas, como acontece, por exemplo, na região do Douro, a mais antiga região demarcada de vinho do mundo. (daqui)
 
 
Damião Martins, Vindima, s.d.
 

Provérbios do Mês de Setembro
 
  • Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro; de vinte e oito, só há um, e os mais têm trinta e um.
  • Em Setembro, ardem os montes e secam as fontes.
  • Em Setembro, planta, colhe e cava que é mês para tudo.
  • Setembro a comer e a colher.
  • Setembro molhado, figo estragado.
  • Setembro ou seca as fontes ou leva as pontes.
  • Agosto, debulhar, Setembro, vindimar.
  • Corra o ano como for, haja em Agosto e Setembro calor.
  • Arranja bom Setembro, com a burra fico eu.
  • Chuvas verdadeiras, em Setembro as primeiras.
  • Em Setembro palha no palheiro e meninas ao candeeiro.
  • Em Setembro ramo curto, vindima longa.
  • Em Setembro secam as fontes e as chuvas lavam as pontes.
  • Em Setembro semeia o teu pão.
  • No pó semeia, que Setembro to pagará.
  • Se em Setembro a cigarra cantar, não compres trigo para guardar.
  • Setembro cara de poucos amigos, cara de figos.
  • Setembro é o Maio do Outono.
  • Setembro que enche o celeiro dá triunfo ao rendeiro.
  • Agosto tem a culpa, e Setembro leva a fruta.
  • Nuvens em Setembro: chuva em Novembro e neve em Dezembro.
  • Agosto madura, Setembro vindima.
  • Em Setembro tem Deus a mesa posta.
  • Para vindimar deixa o Setembro acabar.
  • Vindima molhada, pipa depressa despejada.
  • Agosto arder, Setembro beber.
  • Em Agosto secam os montes e em Setembro as fontes.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

"Os romances" - Texto de Camilo Castelo Branco


 
Amadeo de Souza Cardoso, 'Os galgos', 1911, óleo sobre tela


“Os romances fazem mal a muita gente. Pessoas propensas a adaptarem-se aos moldes que admiram e invejam na novela, perdem-se na contrafacção, ou dão-se em pábulo ao ridículo. Nestes últimos tempos, há muitos exemplos desta verdade, e tanto mais sensíveis, quanto a nossa sociedade é pequena para se nos esconderem, e intolerante para admiti-los sem rir-se. Homens, sem originalidade, ou originalmente tolos, macaqueiam tudo que sai da esfera comum.”


Camilo Castelo Branco, Onde está a felicidade? (Elites…)



Vida e Obra de Amadeo de Souza Cardoso
 
Amadeo de Souza Cardoso


Amadeo no seu atelier, Rue Ernest Cresson, 20, Paris, 1912


Amadeo de Souza-Cardoso  (Manhufe, freguesia de Mancelos, Amarante, 14 de Novembro de 1887 – Espinho, 25 de Outubro de 1918) foi um pintor português
Pertencente à primeira geração de pintores modernistas portugueses, Amadeo de Souza-Cardoso destaca-se entre todos eles pela qualidade excecional da sua obra e pelo diálogo que estabeleceu com as vanguardas históricas do início do século XX. "O artista desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com os artistas do seu tempo". A sua pintura articula-se de modo aberto com movimentos como o cubismo o futurismo ou o expressionismo, atingindo em muitos momentos – e de modo sustentado na produção dos últimos anos –, um nível em tudo equiparável à produção de topo da arte internacional sua contemporânea. 
A morte aos 30 anos de idade irá ditar o fim abrupto de uma obra pictórica em plena maturidade e de uma carreira internacional promissora mas ainda em fase de afirmação. Amadeo ficaria longamente esquecido, dentro e, sobretudo, fora de Portugal: "O silêncio que durante longos anos cobriu com um espesso manto a visibilidade interpretativa da sua obra [...], e que foi também o silêncio de Portugal como país, não permitiu a atualização histórica internacional do artista"; e "só muito recentemente Amadeo de Souza-Cardoso começou o seu caminho de reconhecimento historiográfico" [Continua].


Amadeo de Souza Cardoso, Les Faucons (Os falcões), 1912,
Tinta-da-china sobre papel


Amadeo de Souza Cardoso, Cozinha da Casa de Manhufe, c. 1913,
Óleo sobre madeira


Amadeo de Souza Cardoso, Título desconhecido, c. 1917.
Óleo sobre tela com colagem pontual e localizada de outros materiais (fósforos de cera, madeira)


Amadeo de Souza Cardoso, Título desconhecido (Coty), c. 1917.
Óleo sobre tela com colagem de materiais (areia, cola, pedaços de espelhos, vidros, 
ganchos, um colar de missangas e papel)


Amadeo de Souza Cardoso, Retrato de Francisco Cardoso


Amadeo de Souza Cardoso, Menina dos cravos
 

Amadeo de Souza Cardoso, Barcos


“Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa.

  Antoine de Saint-Exupéry, em o "O Pequeno Príncipe"


sábado, 11 de agosto de 2012

"A lucidez perigosa" - Texto Clarice Lispector


Still Life with Checked Tablecloth, Juan Gris, 1915
 
 

A lucidez perigosa 


"Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém."

(Clarice Lispector, 1920-1977) 


Galeria de Juan Gris
Guitar and clarinet, Juan Gris


 Fantômas, Juan Gris, 1915


 Still Life before an Open Window - Place Ravignan, Juan Gris, 1915
 
 
Le Lavabo, Juan Gris


Arlequín, Juan Gris


El violín, Juan Gris


Retrato de un hombre, Juan Gris


Pierrot, Juan Gris


Cubismo

 
Cubismo é um movimento artístico que surgiu no século XX, nas artes plásticas, tendo como principais fundadores Pablo Picasso e Georges Braque e tendo se expandido para a literatura e a poesia pela influência de escritores como Guillaume Apollinaire, John dos Passos e Vladimir Maiakovski
 
O quadro "Les demoiselles d'Avignon", de Picasso, 1907 é conhecido como marco inicial do Cubismo. Nele ficam evidentes as referências a máscaras africanas, que inspiraram a fase inicial do cubismo, juntamente com a obra de Paul Cézanne
 
O Cubismo tratava as formas da natureza por meio de figuras geométricas, representando todas as partes de um objeto no mesmo plano. A representação do mundo passava a não ter nenhum compromisso com a aparência real das coisas. 
 
Historicamente o Cubismo originou-se na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe do que Cézanne. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. É como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas. 
 
O pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes.


Evolução do movimento 

  • Fase analítica ou hermética - 1909 a 1912 caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos. Decompondo a obra em partes, o artista regista todos os seus elementos em planos sucessivos e sobrepostos, procurando a visão total da figura, examinado-a em todos os ângulos no mesmo instante, através da fragmentação dela. Essa fragmentação dos seres foi tão grande, que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. A cor se reduz aos tons de castanho, cinza e bege.
  • Cubismo Sintético - 1911 reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também no observador as sensações táteis. 
 
Desta última fase decorrem dois movimentos:

Principais características 

Geometrização das formas e volumes; Renúncia à perspectiva; O claro-escuro perde sua função; Representação do volume colorido sobre superfícies planas; Sensação de pintura escultórica; Cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave. Cores fechadas.

Cubistas e artistas com obras cubistas 

Artes plásticas:

Literatura e poesia:

Com influência cubista (uso de técnicas)


Newspaper and Fruit Dish, Juan Gris, 1916

 
"Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo. - Hermann Hesse