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domingo, 11 de agosto de 2019

"Amar na luz" - Poema de Carlos Nejar



Peleg Franklin Brownell, Bathing Beach, Massachusetts, 1916



Amar na luz


Amar na luz ou à sombra de um cometa,
com o tempo fungível, fugitivo.
O barulho das ondas afugenta
o que restou de mim sob o rochedo.

Amar com as horas todas, aturdindo
os corpo nus, as almas, os sentidos.
E perceber que a amada está fluindo
até o som, e aos peixes perseguindo.

E é por isso que neles vou descendo
e não sei se é amor, que já me invade,
ou por ele que morro em toda a parte.

Ou terei de morrer, se já me fogem
as vagas de um viver, que à vida solvem,
apenas por estar com o amor fluindo.


in“Amar, a mais alta constelação”.
 Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1991.



Peleg Franklin Brownell, The Beach, St. Kitts, 1913


“Adoro os prazeres simples. Eles são o último refúgio dos homens complicados.”

(Oscar Wilde) 



sábado, 27 de julho de 2019

"Se perguntas onde fui" - Poema de Carlos Nejar


Jan van Beers (1852–1927), An Elegant Woman on a Balcony at the Sea



Se perguntas


I

Se perguntas onde fui,
devo dizer: o mar.
Estive sempre ali,
mesmo estando a mudar.

Foi ali que escrevi
tua pele, teu suor.
Ao tempo, seus faróis.
Não mudei de mudar.

II

O que mudou em mim,
senão andar mudando
sem nunca mais mudar?

Quem mudará em mim,
se não sei mudar?

III

Ou me mudei. Sou outro.
Outra ventura, outra
virtude, cadência,
remota criatura.

Então que se apresente.
Seja tenaz, plausível
esse rosto invisível
e áspero.

Mudei. Soprava o mar.
Mudei de não mudar.
 in 'Árvore do Mundo' 

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