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sábado, 16 de junho de 2012

"Meus olhos que por alguém" - Poema de António Botto


Gustav Klimt, Friso Stoclet - O cumprimento, 1904-1909 (detalhe)
 
 

Meus olhos que por alguém


Meus olhos que por alguém
deram lágrimas sem fim
já não choram por ninguém
- basta que chorem por mim.

Arrependidos e olhando
a vida como ela é,
meus olhos vão conquistando
mais fadiga e menos fé.

Sempre cheios de amargura!
Mas se as coisas são assim,
chorar alguém - que loucura!
- Basta que eu chore por mim.
 
 


Obras de Gustav Klimt

Gustav Klimt, O Chapéu de Plumas Negras


Gustav Klimt, Retrato de  Hermine Gallia, 1904. 
National Gallery, London


Pintura de Gustav Klimt 


Gustav Klimt, Adele Bloch-Bauer I


Gustav Klimt, Mäda Primavesi, 1912
Metropolitan Museum of Art, New York.
 

Pintura de Gustav Klimt
 

Pintura de Gustav Klimt


Gustav Klimt, Retrato de Emilie Flöge, 1902
 

"Qualquer novo conhecimento provoca dissoluções e novas integrações".
 
Hugo von Hofmannsthal, "O Livro dos Amigos" 


Pintura de Gustav Klimt
 
 
"As palavras desintegravam-se na minha boca como cogumelos mofados". 

 Hugo von Hofmannsthal citado em "Texto/contexto: ensaios‎" - Página 264, de Anatol Rosenfeld - publicado por Perspectiva, 1969 - 266 páginas 
 

Gustav Klimt, Expectation


- A História de Amor de Gustav Klimt -

 Emilie FlögeGustav Klimt


Grande percursor da Art Nouveau no século XX, conhecido por quadros dourados, florais e que usavam livremente da sexualidade, Klimt teve sua época mais produtiva entre o final do séuculo XIX e começo do século XX, pintando até 1918 quando morreu de apoplexia.
Mulherengo convicto e aventureiro foi aclamado em Veneza por pintar vários retratos femininos, dentre um deles o de Emilie Flöge.


Emilie Flöge, 1902


Tal dama em questão ficou conhecida por ter sido amante e grande amor de Klimt, tendo dado lenha para dois livros e um filme, a história pouco divulgada gerou um dos quadros mais famosos do pintor ” Retrato de Emilie Flöge” e consequentemente o quadro mais famoso ” O Beijo “.


 The Kiss, 1907–1908 

Emilie foi uma renomada modista veneziana, irmã da mulher do irmão de Klimt, começou a ter um romance com o pintor quando tinha 18 anos, após a morte de Ernest Klimt.
Atuantes na Secessão de Viena, grupo de artistas que variavam entre arquitetos, designs e pintores, tendo assim um relacionamento não só pessoal como profissional.
Conta-se que uma das frases mais marcantes de Klimt foi dita para Emilie antes de sua morte “Todo ano, custe o que custar, em vez de me casar vou dar uma pintura para você”, o que deixa o rumor de que eram realmente amantes.O romance durou até sua morte, tendo Emilie herdado metade dos bens e a outra metade tendo ficado para a família Klimt.
Os últimos anos do casal se passaram na Austria, porém, muitos historiadores acreditam que viviam como amigos, dormiam em camas separadas e mantinham um amor ‘fraternal’. Ambos eram discretos com a vida pessoal, após se mudarem muito se perdeu, os poucos documentos da época foram queimados pelo Governo Nazista. Quase todas as obras de Klimt foram roubadas ou tomadas, só sendo reavidos após anos e outra grande quantia foi destruída. Emilie mesmo após a morte do pintor manteve o ateliê intacto e preservou rascunhos e quadros, muitos nunca mostrados, selados a sete chaves no acervo pessoal da família.
Na época de ouro de Klimt e Flöge ambos abriram juntos uma casa de alta costura onde a grandes da aristocracia veneziana faziam questão de frequentar, com um design único os vestidos seguiam o padrão ‘solto’ da reforma dos vestidos, com estampas florais e adornos fluídos. Feminista assumida, Emilie marcou a época com seus vestidos e protagonizou uma história de amor que muito nos lembra a de Sartre com Beauvoir.
Enquanto vivo conta que podia-se ver Klimt com sua túnica solta pintando paisagens e Emilie ao seu lado, com vestidos coloridos.


Retrato de Gustav Klimt feito por Egon Schiele (1890–1918)



EGON SCHIELE - A FOME E O SEXO

Por Helena Vasconcelos

Egon Schiele, um dos expoentes máximos do expressionismo austríaco, nasceu em Junho de 1890 na estação de combóios de Tulln, onde o seu pai, Adolf, trabalhava ao serviço da Companhia de Caminhos de Ferro Austríacos e morreu em 1918, com apenas 28 anos. Durante a sua curta vida produziu uma obra importantíssima que define e prefigura, como nenhuma outra, a “malaise” de um século violento e trágico.
Na terra natal de Egon Schiele, nas margens do Danúbio, não existia nenhuma escola e, em 1901, o jovem foi enviado primeiro para Krems e depois para Klosterneuburg, nos arredores de Viena para onde toda a família se mudou devido ao estado de saúde de Adolf que morreu em 1905, depois de ter sido oficialmente consideradado louco. Na adolescência, Schiele assumiu o desaparecimento do pai como um trauma, desenvolvendo uma doentia aversão em relação à mãe a quem, à semelhança de Hamlet, culpava por não ter chorado convenientemente o marido e de quem se queixava de falta de afecto. A instabilidade emocional do jovem Egon, predispunha-o para o desenvolvimento das capacidades artísticas que manifestou desde muito cedo, embora se insurgisse contra os que o incentivavam a seguir a carreira de pintor. (“Os meus grosseiros professores foram sempre os meus piores inimigos”, gostava ele de afirmar).
Precoce, arrebatado, absolutamente seguro da sua genialidade, Schiele associava os comboios da sua infância à ideia de evasão, de viagem. Com apenas dezassete anos arrastou a sua adorada irmã Gertie, de treze anos, que lhe despertava um amor incestuoso, até Trieste e, em 1913 deslocou-se a Varsóvia, Krumau, Munique, Villach, Tarvis e Altmunster no lago Traun. A sua inquietação não lhe permitia qualquer tipo de relações estáveis mas a sua entrada para a Academia de Belas-Artes de Viena, contrariando as intenções do seu tio e tutor Leopold, foi determinante para a sua carreira. Passou brilhantemente no exame de admissão, apenas com dezaseis anos e, em 1908, expôs pela primeira vez, em Klosterneuburg.
Por essa altura, Viena, a capital do império austrohúngaro, era um lugar de grande efervescência cultural, a “cidade dos sonhos” de Musil. Mas, a par do fausto dos salões e da sumptuosidade das festas, grassavam a fome, as doenças e a pobreza extrema, criando um clima de catástrofe que culminou na 1ª Guerra Mundial. Nesse ambiente de contrastes, floresceram a arte, a ciência, a filosofia, a literatura, a música, a arquitectura. Foi nessa Viena, em que conviviam Freud, Wittgenstein, Schoenberg, Alban Berg, Anton von Webern, Gustav Mahler, Schnitzler, von Hofmannsthal, Musil, Karl Kraus, Stefan Zweig, Otto Wagner, Adolf Loos, Josef Hoffman, e muitos outros, que Schiele se instalou, aos 17 anos, sob a protecção de Gustav Klimt (1862-1918). Mas, ao contrário de Klimt, mais ligado ao Simbolismo e à chamada Arte Nova, que procurava mostrar principalmente o lado “imperial” da sociedade vienense, com as suas mulheres voluptuosas, plenas de uma sensualidade insolente, entregues a todo o tipo de prazeres, cobertas de ouro e tecidos preciosos, Egon Schiele desenhou e pintou a crueldade de um mundo em adiantado estado de decomposição. 
Principalmente nos seus desenhos é possível descortinar uma análise psicológica austera e violenta que não abrange qualquer condescendência em relação a uma sociedade que ele observava a cavar impiedosamente a sua própria sepultura. (Quem estiver interessado em aprofundar a dicotomia entre a obra de Klimt e a de Schiele – e tomar consciência de duas visões antagónicas da mesma realidade - poderá comparar o tratamento dado em relação a temas idênticos como é o caso do retrato que ambos fizeram de Frederike Maria Beer).
Em 1911, Schiele conheceu Wally Neuzil, uma jovem de dezassete anos que fora modelo de Klimt e, provavelmente, sua amante. Egon pintou e desenhou Wally naquelas que são consideradas algumas das suas melhores obras. Viveram juntos durante algum tempo, mudando-se primeiro para a pequena cidade de Krumau e mais tarde para Neulengbach, em parte para escapar ao ambiente de Viena e também para satisfazer o desejo de evasão de Schiele que sofria de fobias diversas e de mania da perseguição. Mas a forma de vida de ambos, boémia e desregrada – Schiele tinha sempre a casa cheia de crianças e jovens vadios de ambos os sexos, fugidos a maus tratos em casa ou simplesmente com fome - criou problemas em comunidades pequenas e conservadoras e eles foram sucessivamente rechaçados e perseguidos.
Schiele procurou uma verdade profunda e oculta nos olhares emaciados, e por vezes pesadamente maquilhados das mulheres, e nos corpos nus e pré púberes de crianças, revelando assim a experiência do despertar da sensualidade e da procura espiritual. O carácter explicitamente sexual e obsessivo das suas obras, as suas relações eróticas, ambíguas e desregradas, bem como o facto de ter utilizado crianças para posarem para ele, valeram-lhe uma denúncia pública. Foi preso em Abril de 1912 e a polícia apreendeu mais de cem desenhos considerados pornográficos. O processo instaurado incluía o rapto e sedução de uma criança e embora esta última acusação não tenha sido provada o juiz condenou-o por “exibir cenas eróticas num lugar onde havia crianças” e sentenciou-o a três dias de cadeia. Como punição extra, um dos seus desenhos foi queimado na sua presença, pelo próprio magistrado. Durante o tempo que passou na cadeia, Schiele produziu uma enorme quantidade de auto-retratos e colocou-se no papel de vítima injusticada, afirmando sentir-se “purificado” por aquela provação. 
A sua atitude consistentemente narcisista pode ser constatada através das suas múltiplas declarações. Em Março de 1913 escreveu à mãe o seguinte: 
“ em mim estão reunidas todas as mais belas e nobres qualidades... serei o fruto que deixará o legado da eterna vitalidade, mesmo depois da dissolução final. Como deve sentir-se imensamente feliz por ter dado à luz um ser como eu!”
A partir de 1912 as tendências exibicionistas e a jactância de Schiele foram aumentando de intensidade, principalmente depois de ter começado a trabalhar com um importante “marchand”, Hans Goltz , de Munique. Em 1914 conheceu as irmãs Adéle e Edith, pelas quais se sentiu simultaneamente atraído até acabar por se fixar em Edith, com quem se casou em 1915, a dois dias de ser chamado para a “frente” e depois de ter “despedido” sumariamente Wally a quem, no entanto, propôs que passassem férias juntos, no futuro. ( Wally recusou e acabou por morrer de tifo, no cumprimento do dever como enfermeira, durante a Guerra). 
Schiele sobreviveu a esses terríveis anos e a sua popularidade continuou a crescer tendo sido convidado, em 1918, a participar na 49ª edição da Sezession para a qual produziu um “poster” que reproduzia a cena da Ultima Ceia, com ele próprio no papel de Jesus. Mudou-se com Edith para uma casa maior e melhor mas a 19 de Outubro de 1918 Edith, que estava grávida, adoeceu com a gripe espanhola que grassava por toda a Europa. Morreu a 28 de Outubro e Egon teve a mesma sorte, três dias depois.
Schiele foi um artista condenado por denunciar a corrupção de uma sociedade hipócrita e decadente, como Sade e Oscar Wilde. Ele mais não fez do que expressar o horror do ser humano levado ao extremo da sua degradação. Para Schiele a Natureza era tanto mais fascinante quanto mais animada por um declínio irrevogável. Ao contrário de artistas como por exemplo Van Gogh, que pintou os célebres “Girassóis” como força triunfante, solar e vital, Egon preferiu ilustrar a qualidade outonal das plantas em decomposição, no processo de desintegração. Explorou sem complacência a antevisão da morte em tudo, nas belas flores já ressequidas, nos traços de fome, de vício, de devassidão, de doença em corpos ainda jovens, nas visões alucinatórias de cidades imersas em escuridão. Muitos dos corpos masculinos e femininos que desenhou, angulosos, distorcidos e de uma atroz magreza, parecem antecipar os horrores dos campos de concentração. Mas a sua sensualidade demonstra bem a fome do sexo e a ânsia do ser humano de sobreviver a todas as tragédias.

Nota: Egon Schiele deixou uma vasta obra - cerca de 250 pinturas e 2000 desenhos.Uma parte significativa do espólio encontra-se no Egon Schiele Art Center na cidade medieval de Ceský Crumlov na Republica Checa.


  Egon Schiele, Autorretrato
 
 
"Não se pode pretender que alguém conheça tudo, mas sim que, conhecendo alguma coisa, tenha conhecimento de tudo". 

Hugo von Hofmannsthal, "O Livro dos Amigos"

Hugo von Hofmannsthal, pseudónimo de Hugo Laurenz August Hofmann (1 de fevereiro de 1874, em Viena, Áustria; 15 de julho de1929, em Rodaun, Áustria) foi um escritor austríaco.
 

sábado, 9 de junho de 2012

"Alentejo" - Poema de Miguel Torga


Simão César Dórdio Gomes (1890-1976), Paisagem Alentejana com Pastor, Ovelhas e Cão, 
 Óleo sobre tela (100x70 cm), Colecção particular 



Alentejo


A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...


Miguel Torga,
1974,
in "Antologia Poética"


Lisa Gerrard (Dead Can Dance) - Sanvean


"Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?"

Cecília Meireles, 
In Mar Absoluto e Outros Poemas (1945)


Lisa Gerrard

Lisa Gerrard (nascimento: 12 de Abril de 1961) é musicista, cantora e compositora australiana, que ganhou renome internacional como parte do grupo musical Dead Can Dance com o amigo irlandês Brendan Perry. Sua carreira começou em 1981 e continua até hoje, estando envolvida numa gama variada de projetos. Lisa Gerrard recebeu o prémio Globo de Ouro e uma indicação ao Óscar em 2000 pelo seu trabalho no filme Gladiator. Além de cantar, Lisa faz música instrumental na como parte de seu trabalho, geralmente utilizando o Yangqin (uma cítara chinesa chamada dulcimer tocada com dois pequenos martelos).
 

Lisa Gerrard


A voz de Lisa Gerrard é classificada como contralto. Pode, contudo, chegar a meio-soprano dramático em canções como The Host of Seraphim, Elegy, Space Weaver, Come This Way e One Perfect Sunrise; noutras — Sanvean, Sacrifice', Largo e Not Yet, por exemplo — Gerrard vai a contralto dramático
Em muitas de suas canções, tais como Now We Are Free, Come Tenderness, Serenity, The Valley of the Moon, Tempest, Pilgrimage of Lost Children, Coming Home e Sanvean, Lisa Gerrard usa uma idioglóssia (uma linguagem idiossincrática) que ela desenvolve desde seus doze anos de idade.
A primeira experiência de Lisa Gerrard na composição para o cinema surgiu em 1989 no filme espanhol El Niño de la Luna, dirigido por Agustín Villaronga. A trilha do filme foi composta pela banda Dead Can Dance e o filme foi estrelado por Lisa Gerrard como atriz pela primeira vez. El Niño de la Luna conta a história de um jovem órfão com poderes especiais, David, que escapa de uma instituição com ajuda de sua amiga Georgina, papel de Lisa Gerrard. 
Lisa participou em várias trilhas mas ficou em destaque como produtora de filme após gravação de The Insider em 1999, com Pieter Bourke, e Gladiator em 2000, com Hans Zimmer. Em 2005 colaborou com Ennio Morricone no filme Fateless.


Lisa Gerrard 

"A pintura transforma o espaço em tempo; a música, o tempo em espaço." 



sábado, 5 de maio de 2012

"Rosa Pálida" - Poema de Almeida Garrett


Pintura de Rob Hefferan



Rosa Pálida


Rosa pálida, em meu seio
Vem, querida, sem receio
Esconder a aflita cor.
Ai!, a minha pobre rosa!
Cuida que é menos formosa
Porque desbotou de amor.

Pois sim... quando livre, ao vento,
Solta de alma e pensamento,
Forte de tua isenção,
Tinhas na folha incendida
O sangue, o calor e a vida
Que ora tens no coração.

Mas não eras, não, mais bela,
Coitada, coitada dela,
A minha rosa gentil!
Coravam-na então desejos,
Desmaiam-na agora os beijos...
Vales mais mil vezes, mil.

Inveja das outras flores!
Inveja de quê, amores?
Tu, que vieste dos Céus,
Comparar tua beleza
Às filhas da natureza!
Rosa, não tentes a Deus.

E vergonha!... de quê, vida?
Vergonha de ser querida,
Vergonha de ser feliz!
Porquê?... porquê em teu semblante
A pálida cor da amante
A minha ventura diz?

Pois, quando eras tão vermelha
Não vinha zângão e abelha
Em torno de ti zumbir?
Não ouvias entre as flores
Histórias dos mil amores
Que não tinhas, repetir?

Que hão-de eles dizer agora?
Que pendente e de quem chora
É o teu lânguido olhar?
Que a tez fina e delicada
Foi, de ser muito beijada,
Que te veio a desbotar?

Deixa-os: pálida ou corada,
Ou isenta ou namorada,
Que brilhe no prado flor,
Que fulja no céu estrela,
Ainda é ditosa e bela
Se lhe dão só um amor.

Ai!, deixa-os, e no meu seio
Vem, querida, sem receio
Vem a frente reclinar.
Que pálida estás, que linda!
Oh!, quanto mais te amo ainda
Dês que te fiz desbotar.


 
 

Pintura de Rob Hefferan


"Por causa da rosa, a erva daninha acaba sendo regada." 

(Provérbio Árabe)


Pintura realista de Rob Hefferan 


"A pintura transforma o espaço em tempo; a música, o tempo em espaço." 

(Hugo von Hofmannsthal) 


Pintura realista de Rob Hefferan 


“Só quem cria o que é mais delicado pode criar o que é mais forte.”

(Hugo von Hofmannsthal)
 

Pintura realista de Rob Hefferan


"Não se pode pretender que alguém conheça tudo, mas sim que, 
conhecendo alguma coisa, tenha conhecimento de tudo".

(Hugo von Hofmannsthal)



Hugo von Hofmannsthal, 1893


Hugo von Hofmannsthal (Viena, 1 de fevereiro de 1874 — Rodaun, perto de Viena, 15 de julho de 1929), foi um escritor austríaco, que alcançou prestígio internacional graças a sua colaboração com o compositor Richard Strauss (1864-1949). 
Filho de um rico banqueiro, ainda adolescente publicou poemas simbolistas (1890) que lhe trouxeram celebridade instantânea. 
Estudou direito e escreveu uma série de pequenas obras teatrais em verso (1891-1899), também consideradas de mais alto nível lírico e de grande sucesso, tais como Gestern (1891), Der Tod des Tizian (1892), Der Tor und der Tod (1893) e Das kleine Welttheater (1897). 
Casou-se e saindo do seu característico lirismo de até então, publicou o ensaio Ein Brief (1902). 
Nos anos seguintes compôs algumas de suas mais notáveis tragédias, como Elektra (1903), Der Rosenkavalier (1911), Ariadne auf Naxos (1912) e Die Frau ohne Schatten (1919), entre outras, convertidas em ópera por Richard Strauss. 
Antes da I Guerra Mundial associou-se com o diretor teatral Max Reinhardt (1873-1943) e criou o Festival de Salzburgo, um dos pontos altos da vida cultural internacional e onde representou Jedermann (1911), sua peça dramática mais conhecida. 
Sua última peça, Der Turm (1925), era uma reflexão sobre o destino da cultura ocidental, inspirada no poeta espanhol Don Pedro Calderón de la Barca (1600-1681). 
Consagrado como um dos principais representantes da brilhante geração de escritores austríacos do fim do século XIX, morreu em Rodaun, perto de Viena, com 55 anos de idade.