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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

"Gaivota" - Poema de Alexandre O’Neill


 
Laurie Snow Hein (Native Florida artist, b. 1949), 'Seagull I', 2019.



Gaivota

 
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro
dos sete mares andarilho
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração. 


Alexandre O'Neill

[Letra de Alexandre O’Neill, música de Alain Oulman,
Amália Rodrigues e Sónia Tavares (The Gift) cantam a “Gaivota”
(aqui)]
 

  
Laurie Snow Hein, 'Foot Prints'
 

"O correr das águas, a passagem das nuvens, o brincar das crianças, o sangue nas veias.
 Esta é a música de Deus."

(Hermann Hesse)
 
 
Hermann Hesse tinha uma cativante predileção por gatos
(Acervo: Arquivo Suíço de Literatura)  (daqui)
 
 
Hermann Hesse nasceu a 2 de julho de 1877, na Alemanha, e morreu a 9 de agosto de 1962 na Suíça, onde se refugiou durante a Primeira Guerra Mundial e adquiriu a nacionalidade em 1923. Em 1946 foi distinguido com o Nobel de Literatura. É considerado um verdadeiro escritor de culto, uma referência universal ancorada na exaltação que faz do indivíduo e na celebração de um certo misticismo oriental. Uma visita à Índia fê-lo descobrir uma cultura e modos de sentir que o fascinaram: Siddhartha, publicado em 1922, é o resultado prático dessa experiência.
 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"Poema da buganvília" - António Gedeão


Gloria Lima, Buganvília


Poema da buganvília 


Algum dia o poema será a buganvília 
pendente deste muro da Calçada da Graça. 
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família, 
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa. 

Mas antes desse dia há de secar a buganvília 
e o varredor há de levar as flores secas para o monturo. 
Depois cairá o muro. 
E como o tempo passa 
mesmo contra a vontade, 
também há de acabar a Calçada da Graça 
e o resto da cidade. 

Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso 
que é o mais leve de tudo que se pode supor, 
será esse o momento de o poema ser flor, 
mas já não é preciso. 


Obra Poética 
Edições João Sá da Costa, 2001


Gloria Lima, Casa do Campo (Buganvília)


Buganvília  é uma trepadeira comum em Portugal, cujas flores no Verão atraem a atenção de quem passa onde quer que se encontre. A mais comum é a de cor roxa, mas nos anos mais recentes podem facilmente encontrar-se outras cores em qualquer viveiro. O seu nome provém de Louis Antoine de Bougainville, capitão de navio, advogado, matemático e explorador, que se juntou à armada francesa por volta de 1767 no Canadá, onde viria a conhecer e a fazer amizade com Philibert Commerson, viajante e botânico francês que em 1760 viajava ao serviço de Sua Majestade e veio a descobrir esta planta no Brasil, de onde é originária. Daí o nome de Bougainvillea.
 

The Gift - Fácil de Entender

"O sorriso é o arco-íris do rosto."