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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

"Espelho" - Poema de Sylvia Plath


Olga Della-Vos-Kardovskaya Little Woman, 1910, portrait of the artist's daughter



Espelho


Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito do outro lado da parede.
Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele falha.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.

Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.

Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça ·


terça-feira, 27 de agosto de 2019

"Vinte e um. Noite. Segunda-feira." - Poema de Anna Akhmátova


Olga Della-Vos-Kardovskaya, Anna Akhmátova, 1914



Poema


Vinte e um. Noite. Segunda-feira.
A silhueta da cidade na neblina.
Algum desocupado inventou
essa história de que há amor no mundo.
E por preguiça ou por tédio,
todos acreditaram nele e assim viveram:
esperando encontros, temendo ruturas
e cantando canções de amor.
Mas a outros será revelado o segredo
e sobre estes recairá o silêncio…
Eu tropecei nele casualmente e, desde então,
sinto-me como se estivesse doente.

1917
Petersburgo


Anna Akhmátova
Tradução de Lauro Machado Coelho


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