Poetisa angolana, Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu a 9 de junho de 1930, em Benguela.
Tendo vindo para Portugal muito nova, concluiu em Lisboa o ensino
secundário. Distinguiu-se como aluna no Colégio de Paula Frassinetti da
cidade de Sá da Bandeira - hoje Lubango - e no Liceu D. Maria Amália Vaz
de Carvalho, em Lisboa, onde terminou o 7.º ano.
Começando por
frequentar a Faculdade de Medicina de Lisboa, acabou o curso em
Coimbra,
onde apresentou uma tese sobre "Psiquiatria Infantil". Reconhecida no
meio académico, esta tese proporcionou-lhe um convite para se
especializar em Paris, para que depois ingressasse num estabelecimento
psiquiátrico de Lisboa. Contudo, a sua dedicação e amor à Terra-Mãe
impediu-a de responder a esta solicitação.
Irmã do escritor Ernesto Lara Filho,
casou-se com o escritor Orlando de Albuquerque, também médico de
profissão, e frequentou, como muitos outros seus conterrâneos, a da Casa
dos Estudantes do Império (CEI), onde desenvolveu imensa atividade.
Com uma grande ligação ao mundo literário, Alda Lara era reconhecida
pela sua capacidade de declamação, cuja singularidade atraiu, entre
outros, os poetas africanos. Assim, fez vários recitais em Lisboa e Coimbra,
transformando estes lúdicos momentos em verdadeiros veículos de
divulgação da poesia negra, até então ainda muito desconhecida.
Foi colaboradora de alguns jornais e revistas, nomeadamente do Jornal de Benguela, do Jornal de Angola, do ABC e Ciência
e da revista Mensagem da CEI, da responsabilidade do Departamento
Cultural da Associação dos Naturais de Angola (ANANGOLA). Nesta revista
publicou, no número de abril de 1952, o poema "Rumo", dedicado ao
falecido estudante e contista moçambicano João Dias.
Integrando a Geração da Mensagem, fortemente influenciada formal e
tematicamente pela corrente Modernista de 1922 e pelo Neorrealismo
português, a autora vai saciar-se nas origens do seu povo,
descaracterizado por imposição da cultura colonial. Neste pretérito
ancestral, metaforicamente designado por "Mãe África", a autora, assim
como todos os "poetas mensageiros" vai encontrar a Alma da sua produção
textual através da qual procura "despir-se" da camisa opressiva da
história colonial.
O drama dos contratados, a situação da
mulher angolana, a repressão exercida sobre o uso das línguas nativas, o
desejo de regressar, etc., são, por isso, temas recorrentes e abordados
de forma avassaladora: "Quando eu voltar / que se alongue sobre o mar / o
meu canto ao Criador! / Porque me deu a vida e o amor, / para voltar? / Ah!
Quando eu voltar? / Hão de as acácias rubras, / a sangrar / numa verbena sem
fim, / florir só para mim. / E o sol esplendoroso e quente, / o sol
ardente, / há de gritar na apoteose do poente, / o meu prazer sem lei? / A
minha alegria enorme de poder / enfim dizer: / Voltei!?".
Tendo
sido publicada postumamente num volume de poesia e num caderno de contos
pelo seu marido, Orlando de Albuquerque, a sua obra figura em diversas
antologias, a saber: Antologia de poesias angolanas, Nova Lisboa, 1958; Amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, n.º 3, Lisboa, 1959; Antologia da Terra Portuguesa - Angola, Lisboa, s/d; Poetas Angolanos, Lisboa, 1962; Poetas e Contistas Africanos, S. Paulo, 1963; Mákua 2, Antologia Poética, Sá da Bandeira, 1963; Contos Portugueses do Ultramar- Angola, 2.º volume, Porto, 1969; Livros Póstumos: Poemas, Sá da Bandeira, 1966; Tempo de Chuva, Lobito, 1973.
Com uma atividade diversificada, fez também algumas conferências, uma
das quais - "Conferência sobre problemas da Assistência Médica
Missionária em África" - se encontra publicada, dada a sua importância e
repercussão.
Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia.
Faleceu em Cambambe, no Cuanza Norte, a 30 de janeiro de 1962. (daqui)