Silva Porto (Pintor português, 1850-1893), 'Moinho do Estevão, Alcochete', 1887.
Tenho a vida feita num novelo
Tenho a vida feita num novelo,
não pertenço a lado nenhum,
não tenho
país ou terra, nenhuma raiz,
nem escolhas ou nome,
nada a dizer, nada a calar,
nem harmonias ou crenças
nem desígnios.
Uma linha apenas
num mar de mós
sem moinhos.
Helga Moreira, 'Os dias todos assim, & etc.', 1996, pág. 85.
Música de Portugal
A história da música portuguesa no século XX (principalmente a segunda metade), pode ser divida no período que antecede a revolução de 25 de Abril e pós-revolução.
Durante o Estado Novo, a música portuguesa era muito influenciada pelo concurso televisivo da RTP, Festival RTP da Canção, a que se caracterizou por Nacional-cançonetismo, devido à clara influência do Estado nos temas abordados. Simone de Oliveira é um dos muitos nomes.
No lado oposto, desenvolveu-se a música de intervenção, com o intuito de criticar o Estado Novo e chamar a atenção do povo. Sérgio Godinho, José Mário Branco e Zeca Afonso são três de muitos músicos que ficaram conhecidos.
No entanto, já desde o final da década de 1950 que se fazia Rock em Portugal.
Joaquim Costa, Os Babies (de José Cid), Os Conchas e Daniel Bacelar são alguns dos pioneiros.
Na década seguinte, anos de surf e yé-yé, o
Conjunto Mistério, Victor
Gomes e os Gatos Negros, Os Titãs são alguns dos nomes que, juntamente
com o
Conjunto Académico João Paulo, Os Ekos, Quinteto Académico, Jets,
os Sheiks e os Chinchilas marcaram essa década.
A entrar na década de 1970, a semelhança da música de intervenção o
rock também fica mais politizado como se pode ouvir nos discos dos
Quarteto 1111, Steamer's, Filarmónica Fraude, Banda do Casaco, entre
outros.
Se a
Amália ainda é o nome mais conhecido na música portuguesa, na década de 1980 surgem bandas seminais para o enriquecimento da cultura musical portuguesa, como por exemplo os Heróis do Mar, os Sétima Legião, os GNR e os Madredeus.
O Fado
começa também a sua transformação e continua a evoluir muito
também, no sentido de se tornar o Fado que conhecemos hoje, praticado
por artistas como Camané ou Mariza.
Hoje em dia existem também bandas e/ou artistas musicais
contemporâneos que dão contributos culturais muito significativos em
todos os estilos e formas de música, do
rock-canção, com os Ornatos Violeta, à
canção pop, com os Clã, ao B
lack/Gothic/Folk/Heavy Metal, com os Moonspell, ao
Hip-Hop falado em português, com Sam the Kid ou Valete, da
fusão Rock–Hip-Hop, do qual são exemplo os Da Weasel, no
Rock, Soul e Blues, dos quais os Wraygunn são um exemplo perfeito, ao Jazz e
à música de dança, com os Buraka Som Sistema. A música tradicional mantém-se popular, embora tendo sido modernizada, especialmente na região de Trás-os-Montes.
Na década de 1990, embora já existisse música do género, é cunhado o termo Música Pimba, a partir de uma canção de Emanuel, para se referir a um tipo música ligeira com expressões de duplo sentido, muitas vezes sexuais, com Quim Barreiros um dos nomes mais conhecidos.
(daqui)