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domingo, 1 de junho de 2014

"Retrato de Mulher Triste" - Poema de Cecília Meireles


Walter Westley Russell, Isabella


Retrato de Mulher Triste 


Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.” 


 Cecília Meireles


Walter Westley Russell, The Amber Beads


"A arte existe no instante em que o artista se afasta da natureza."

(Jean Cocteau)
 

sábado, 10 de maio de 2014

"Exausto" - Poema de Adélia Prado


Dod Procter (1892‑1972), The Orchard, 1934 



Exausto


Eu quero uma licença de dormir, 
perdão pra descansar horas a fio, 
sem ao menos sonhar 
a leve palha de um pequeno sonho. 
Quero o que antes da vida 
foi o profundo sono das espécies, 
a graça de um estado. 
Semente. 
Muito mais que raízes. 


in 'Bagagem' 


Dod Procter, Self -Portrait


Dod Procter, nascida Doris Margaret Shaw, (1890-1972) foi uma artista Inglesa e esposa do artista Ernest Procter. Dod Procter e seu marido frequentaram escolas de arte na Inglaterra e em Paris em conjunto, onde ambos foram influenciados pelos movimentos de arte: Impressionismo e Pós-impressionismo
 

Dod Procter, Early Morning, 1927


Dod Procter, Kitchen at Myrtle Cottage, c.1930-5


Dod Procter, Autumn Flowers, 1946 


Dod Procter, The Pearl Necklace, ca. 1932-1941


"Os sonhos são a literatura do sono."

(Jean Cocteau)



Jean Maurice Eugène Clément Cocteau (Maisons-Lafitte, 5 de julho de 1889 — Milly-la-Forêt, 11 de outubro de 1963) foi um poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, ator, e encenador de teatro francês. 
 
Em conjunto com outros Surrealistas da sua geração (Jean Anouilh e René Char, por exemplo), Cocteau conseguiu conjugar com mestria os novos e velhos códigos verbais, linguagem de encenação e tecnologias do modernismo para criar um paradoxo: um avant-garde clássico. 
 
As suas peças foram levadas aos palcos dos Grandes Teatros, nos Boulevards da época parisiense emque ele viveu e que ajudou a definir e criar. A sua abordagem versátil e nada convencional e a sua enorme produtividade trouxeram-lhe fama internacional.

Cocteau realizou sete filmes e enquanto argumentista foi narrador em mais alguns. Todos ricos em simbolismos e imagens surreais. É considerado um dos mais importantes cineastas de todos os tempos.

Em 1940, Le Bel Indifférent, a peça de teatro que Cocteau escreveu para Édith Piaf, teve um tremendo sucesso. Trabalhou também com Pablo Picasso em diversos projetos e fez amizade com inúmeros artistas europeus. 
 
Lutou contra o seu vício de ópio por toda a sua vida adulta e foi abertamente gay, embora tenha tido breves e complexos romances com várias mulheres, para além de Natalie Paley. Publicou um considerável número de ensaios criticando a homofobia.

Os filmes de Cocteau, que na sua maioria foram escritos e realizados por ele mesmo, foram particularmente importantes para a introdução do Surrealismo no Cinema francês, e influenciaram até um certo grau, o futuro género Nouvelle Vague. Os seus filmes mais conhecidos são Les Parents terribles (1948), La Belle et la Bête, (1946) e Orpheus (1949). (Daqui)


domingo, 17 de fevereiro de 2013

"Frémito do meu corpo a procurar-te" - Poema de Florbela Espanca


Marta DahligUmbrella Sky
(Arte Digital Surrealista)


Frémito do meu corpo a procurar-te 


Frémito do meu corpo a procurar-te, 
Febre das minhas mãos na tua pele 
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel, 
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te, 

Olhos buscando os teus por toda a parte, 
Sede de beijos, amargor de fel, 
Estonteante fome, áspera e cruel, 
Que nada existe que a mitigue e a farte! 

E vejo-te tão longe! Sinto tua alma 
Junto da minha, uma lagoa calma, 
A dizer-me, a cantar que não me amas... 

E o meu coração que tu não sentes, 
Vai boiando ao acaso das correntes, 
Esquife negro sobre um mar de chamas... 


in "A Mensageira das Violetas"


Marta Dahlig, Moths


“Um belo livro é aquele que semeia em abundância os pontos de interrogação.”

(Jean Cocteau)


Jean Cocteau, 1923 


Jean Maurice Eugène Clément Cocteau (Maisons-Lafitte, 5 de julho de 1889 — Milly-la-Forêt, 11 de outubro de 1963) foi um poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, ator, e encenador de teatro francês. 
 
Em conjunto com outros Surrealistas da sua geração (Jean Anouilh e René Char, por exemplo), Cocteau conseguiu conjugar com mestria os novos e velhos códigos verbais, linguagem de encenação e tecnologias do modernismo para criar um paradoxo: um avant-garde clássico. O seu círculo de associados, amigos e amantes incluiu Jean Marais, Henri Bernstein, Édith Piaf e Raymond Radiguet.
 
As suas peças foram levadas aos palcos dos Grandes Teatros, nos Boulevards da época parisiense em que ele viveu e que ajudou a definir e criar. A sua abordagem versátil e nada convencional e a sua enorme produtividade trouxeram-lhe fama internacional. 
 
Jean Cocteau foi um dos mais talentosos artistas do século XX. Actuou activamente em diversos movimentos artísticos, nomeadamente o conhecido Groupe des Six (grupo dos seis) cujo núcleo era Georges Auric (1899–1983), Louis Durey (1888–1979), Arthur Honegger (1892–1955), Darius Milhaud (1892–1974), Francis Poulenc (1899–1963), Germaine Tailleferre (1892–1983). Além destes, outros também tomaram parte, como Erik Satie e Jean Wiéner.
 
Em 1955, Cocteau foi eleito membro da Académie française e da Académie royale de Belgique. Foi agraciado com o grau de comandante da Legião de Honra (França), membro da Academia Mallarmé, da Academia alemã (Berlim), da Academia americana Mark Twain, presidente honorário do Festival de Cinema de Cannes e da Associação de Amizade França-Hungria, e presidente da Academia de Jazz e da Academia do Disco. 
 
Jean Cocteau é considerado um dos mais importantes cineastas de todos os tempos. A frase "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez" é muitas vezes atribuída a Jean Cocteau. Contudo, outros a atribuem à Mark Twain: "They did not know it was impossible, so they did it!".


Eric Clapton - Wonderful Tonight