"Educai as crianças e não será preciso punir os homens." (Pitágoras - filósofo e matemático grego)
sábado, 30 de setembro de 2017
"Sucedem-se os dias húmidos por dentro da minha espera" - Poema de Dórdio Guimarães
"Cismar" - Poema de Álvares de Azevedo

sexta-feira, 29 de setembro de 2017
"À Flor da Pele" - Poema de João Camilo
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
"Ode ao Cidadão Anónimo" - Poema de E. M. de Melo e Castro
Ode ao Cidadão Anónimo
Tu, cidadão anónimo, igual a ti próprio e a mim/outro
Que compras tudo o que és capaz de comprar
E deitas para o lixo tudo o que compraste
Que ganhas a tua vida perdendo a tua vida
Vida que é pequena e que só tens uma
Mas finges ignorar
Que pagas as contas que fazes sem saber porquê
Mas esperas descontos nos contos do vigário
que os teus credores te contam
Tu que ainda há pouco alimentavas a ilusão
de que o que fazes é produtivo para o teu país,
vais verificando dia a dia
que o teu trabalho é inútil principalmente para ti
porque um dia te despedem
até ficares despido
porque quem não precisa de ti não quer senão o teu voto
e tu que te lixes no lixo
porque o trabalho que fizeste toda a vida
é muito mais bem feito por qualquer robot
e ninguém dá por isso se não for feito
por isso és despedido
Assim desfruta a tua liberdade de desempregado
o melhor que puderes
porque és livre e por isso descartável
Está é a mais extraordinária descoberta da sociologia neoliberal
cibernetizada e deves ficar feliz com isso!
Mas não digas a ninguém.
Chora essa tua felicidade sozinho.
Se és velho, nunca vás para uma casa de repouso.
Finge que trabalhas.
Finge que te pagam, mesmo sabendo que nada recebes
Porque dá mais gozo não receber um salário venenoso
Que é teu
Mas irá fortalecer o sistema capitalista
E o igualmente selvagem neoliberalismo…
De que tanto gostas
E em que votaste à toa!
E. M. de Melo e Castro
(n. Covilhã, 1932),
in '15 Odes Ocas'
"[...] para mim, trabalhar o verso, trabalhar a prosa, trabalhar o signo não verbal, quer com meios gráficos convencionais ou com meios tecnológicos avançados, faz parte de um processo total que eu chamo poiésis, isto é, a produção do artefato, a produção do objeto, mas do objeto novo, evidentemente. E é justamente nesta inovação, ou nos aspetos transgressivos em relação às normas estabelecidas para a produção de versos, de poemas em prosa ou até mesmo de poemas visuais, é na transgressão que, para mim, se encontra o ponto crucial dessa produção".
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
"Passeio ao Campo" - Poema de Florbela Espanca

segunda-feira, 25 de setembro de 2017
"Passa uma borboleta por diante de mim" - Poema de Alberto Caeiro

domingo, 24 de setembro de 2017
"A História da Moral" - Poema de Alexandre O'Neill

Você tem-me cavalgado,
seu safado!
Você tem-me cavalgado,
mas nem por isso me pôs
a pensar como você.
Que uma coisa pensa o cavalo;
outra quem está a montá-lo.
"Os Amantes de Novembro" - Poema de Alexandre O'Neill

sábado, 23 de setembro de 2017
"A Cor da tua Alma" - Poema de Juan Ramón Jiménez
Adolf Hölzel (German painter, 1853–1934), 'The Love Letter', 19th century.
A Cor da tua Alma
Enquanto eu te beijo, o seu rumor
nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro
que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro
da árvore que é a árvore de meu amor.
Não é fulgor, não é ardor, não é primor
o que me dá de ti o que te adoro,
com a luz que se afasta; é o ouro, o ouro,
é o ouro feito sombra: a tua cor.
A cor de tua alma; pois teus olhos
vão-se tornando nela, e à medida
que o sol troca por seus rubros seus ouros,
e tu te fazes pálida e fundida,
sai o ouro feito tu de teus dois olhos
que me são paz, fé, sol: a minha vida!
Juan Ramón Jiménez, in "Ríos que se Van"
Tradução de José Bento
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
"O Bailador de Fandango" - Poema de Pedro Homem de Mello
A grande divergência entre as várias versões de fandango existentes na Península reside na coreografia da dança que apresenta diferenças significativas. Em Portugal, o fandango dança-se com diferentes coreografias. Na zona raiana, o fandango dança-se como em Espanha, com sapateado e com os braços ondulando em arco por cima da cabeça - o El Musafaha dos mouros e ciganos -, as mãos com castanholas a marcar o ritmo, os bailarinos aproximam-se e afastam-se com volteios de verdadeira sedução, em movimentos herdados do maneio dos quadris e da umbigada trazidos de África. Este tipo de dança seria provavelmente o mais popular em toda a península até ao fim do século XIX, já que tanto o bolero e o flamengo espanhóis como o fado dançado português e posteriormente as danças luso-brasileiras da fofa e do lundum viriam a ser influenciadas pelo fandango.
No Ribatejo, o fandango apresenta um carácter talvez único em toda a península, sendo dançado unicamente com os pés, como num jogo, que nada tem a ver com o sapateado andaluz com os dançarinos colocados um face ao outro. Os braços estão imobilizados junto ao corpo e as mãos são encostadas à parte superior do peito com os polegares estendidos e encostados às axilas. A arte desta versão ribatejana do fandango está no jogo de pés que inclui algumas mudanças de flexão das pernas com elevação lateral com as mãos a descer e a tocar os pés de forma não sincronizada. O corpo mantém-se estático durante praticamente toda a dança e alguns dançarinos são tão hábeis que chegam a dançar com cestos ou copos na cabeça. (Daqui)
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
"Lisboa com suas casas" - Poema de Álvaro de Campos
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
"Em Lisboa com Cesário Verde" - Poema de Eugénio de Andrade
Carlos Botelho (Pintor, ilustrador e caricaturista português, 1899–1982),
'Ramalhete de Lisboa', 1935, óleo sobre contraplacado, 72 x 100 cm.
Nesta cidade, onde agora me sinto
mais estrangeiro do que um gato persa;
nesta Lisboa, onde mansos e lisos
os dias passam a ver as gaivotas,
e a cor dos jacarandás floridos
se mistura à do Tejo, em flor também;
só o Cesário vem ao meu encontro,
me faz companhia, quando de rua
em rua procuro um rumor distante
de passos ou aves, nem eu já sei bem.
Só ele ajusta a luz feliz dos seus
versos aos olhos ardidos que são
os meus agora; só ele traz a sombra
de um verão muito antigo, com corvetas
lentas ainda no rio, e a música,
sumo do sol a escorrer da boca,
ó minha infância, meu jardim fechado,
ó meu poeta, talvez fosse contigo
que aprendi a pesar sílaba a sílaba
cada palavra, essas que tu levaste
quase sempre, como poucos mais,
à suprema perfeição da língua.
Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes…”
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.
Eu sei. E tu, sabias?
Esta névoa sobre a cidade, o rio,
as gaivotas doutros dias, barcos, gente
apressada ou com o tempo todo para perder,
esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,
nada mais quero de degrau em degrau.
São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.
Denominado pela crítica como “pintor de Lisboa”, Carlos Botelho é autor de uma das mais importantes colecções de Arte Moderna Portuguesa. Tendo a cidade de Lisboa por cenário, real ou fictício, o pintor encontrou uma paleta característica que varia entre os tons de rosa velho e amarelo torrado, com os seus telhados vermelhos, as janelas e mansardas geometricamente arrumadas entre azulejos e gradeamentos, construindo composições ricas em cor e volume. Botelho faz também de Lisboa laboratório de impressões e experiências que traz de outras cidades e de outros pintores, cruzando-as com as suas próprias viagens por Lisboa, na escolha dos motivos e dos modos de os registar. (daqui)
"Só é arte o espontâneo que se submete ao consciente."
sábado, 9 de setembro de 2017
"A Lavadeira" - Poema de Cora Coralina
Editora Global
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
"Caminho" - Poema de João de Barros

quarta-feira, 6 de setembro de 2017
"Lembranças de Morrer" - Poema de Álvares de Azevedo
A Jovem Itália foi uma associação política, fundada em Marselha em julho de 1831 por Giuseppe Mazzini, cujo programa foi publicado num periódico ao qual foi dado o mesmo nome. Seu objetivo era transformar a Itália numa república democrática unitária, mediante a promoção de uma revolução geral nos Estados reacionários italianos e nas terras ocupadas pelo Império Austríaco.
Mazzini, antigo membro da carbonária italiana fundou a Jovem Itália, ao constatar a ineficácia prática daquela sociedade secreta para seus objetivos políticos. Suas palavras de ordem eram: direito dos homens, progresso, igualdade jurídica e fraternidade. A sociedade organizou células revolucionárias em toda a Península Itálica.
Aqueles que faziam parte dessa associação usavam como pseudónimo o nome de personagens da Idade Média italiana. Nos anos de 1833 e 1834, durante o período de processos no Piemonte e o fracasso da expedição a Saboia, nas quais vários de seus membros foram presos e executados pela polícia do Reino da Sardenha, a associação desapareceu por quatro anos, reaparecendo somente em 1838 na Inglaterra.
Outras revoluções promovidas na Sicília, Abruzzi, Toscana, Reino Lombardo-Vêneto, Romagna (1841 e 1845), Bolonha (1843) também falharam.
Dez anos depois do reaparecimento, em 5 de maio de 1848, a associação foi definitivamente abandonada por Mazzini que fundou, em seu lugar, a Associação Nacional Italiana. A Jovem Itália começou, em seguida, a fazer parte de uma outra associação política mazziniana, a Jovem Europa, juntamente a outras associações similares como a Jovem Alemanha, a Jovem Polónia e a Jovem França.
Também teve curta duração da República Romana de 1848-1849, a qual foi esmagada por um exército francês chamado a ajudar o papa Pio IX (que inicialmente era citado por Mazzini como o mais provável paladino de uma unificação liberal da Itália).
Os movimentos de Mazzini foram basicamente destruídos depois de uma última revolta fracassada contra o Império Austríaco em Milão em 1853, destruindo a esperança de uma Itália democrática em favor da reacionária monarquia dos Saboia, que conseguiu a unificação nacional alguns anos depois.
Entre os membros da Jovem Itália, figuravam Giuseppe Garibaldi e Luigi Rossetti. (daqui)























