Jean Siméon Chardin (French painter, 1699–1779), Soap Bubbles, ca.1733-1734,
oil on canvas, 93 x 74.6 cm., National Gallery of Art.
Bolas de sabão
oil on canvas, 93 x 74.6 cm., National Gallery of Art.
Bolas de sabão
Assenta-se no chão a criancinha
cruza as pernitas,
e na ponta do tubo incham e crescem
aqueles vagos, pequeninos mundos
que, como todos os mundos,
aqueles vagos, pequeninos mundos
que, como todos os mundos,
evolucionam e desaparecem.
Já profundos, os seus olhos
contemplam nessas quebradiças bolas
a sua aérea evolução etérea.
Débeis, duma ideal fragilidade
tão frágil que, suspensa e receosa,
inda mais leve, mais, que suspirando,
com vago sentimento de ansiedade
é que o contido bafo as vai lançando…
São corpos cuja alma vaporosa
apenas é um sopro de criança.
E continua, absorta; o rosto sério,
como de quem trabalha e não descansa;
cresce uma…, e parte-se; outra…, já soçobra.
E brincando, embebido no mistério,
esse poeta cria a sua obra…
Mas o sol, que ali vem do céu distante,
trespassa-as, colorindo-as reverbera:
e então a luz cintila deslumbrante
em cada efémera esfera.
Cada raio de sol que vem pôr
o seu divino ser, vai, glorioso,
criando com poder maravilhoso
a maravilha da cor!
Assim por elas, num deslumbramento,
canta, perpassa, brilha à claridade,
este abismo infinito dum momento:
Já profundos, os seus olhos
contemplam nessas quebradiças bolas
a sua aérea evolução etérea.
Débeis, duma ideal fragilidade
tão frágil que, suspensa e receosa,
inda mais leve, mais, que suspirando,
com vago sentimento de ansiedade
é que o contido bafo as vai lançando…
São corpos cuja alma vaporosa
apenas é um sopro de criança.
E continua, absorta; o rosto sério,
como de quem trabalha e não descansa;
cresce uma…, e parte-se; outra…, já soçobra.
E brincando, embebido no mistério,
esse poeta cria a sua obra…
Mas o sol, que ali vem do céu distante,
trespassa-as, colorindo-as reverbera:
e então a luz cintila deslumbrante
em cada efémera esfera.
Cada raio de sol que vem pôr
o seu divino ser, vai, glorioso,
criando com poder maravilhoso
a maravilha da cor!
Assim por elas, num deslumbramento,
canta, perpassa, brilha à claridade,
este abismo infinito dum momento:
um pouco de Eternidade.
Afonso Lopes Vieira, in O Pão e as Rosas,
Livraria Ferreira - Editora, Lisboa, 1908.
Afonso Lopes Vieira, in O Pão e as Rosas,
Livraria Ferreira - Editora, Lisboa, 1908.
,%20Soap%20Bubbles,%20ca.1733-1734,.jpg)
,%20oil%20on%20canvas,%2046.2%20x%2037%20cm.,%20Alte%20Pinakothek.jpg)

,%202nd%20wife%20of%20Chardin%20(1775),%20pastel,%2046%20x%2038%20cm.,%20Louvre.jpg)
,%20Saint-P%C3%A9tersbourg,%20mus%C3%A9e%20de%20l'Ermitage..jpg)

