Martial Caillebotte ficou viúvo duas vezes antes de casar-se com a mãe do pintor,
Céleste Daufresne (1819-1878), que teve mais dois filhos após
Gustave:
René Caillebotte (1851-1876) e
Martial Caillebotte (1853-1910).
Gustave Caillebotte, Young Man at his Window (René Caillebotte), 1875,
Private collection
Foi provavelmente por volta de 1866 quando Caillebotte começou a desenhar e pintar. Muitas das pinturas de Caillebotte exibem os membros de sua família na vida doméstica; Young Man at His Window, 1875, mostra René na casa da rue de Miromesnil, The Orange Trees, 1878, exibe Martial Jr. e sua prima Zoë no jardim da propriedade da família em Yerres, e, mostra a mãe de Caillebotte junto com sua tia, primos, e um amigo da família.
Caillebotte formou-se em advocacia em 1868 e uma obteve licença para praticar direito em 1870. Pouco tempo depois, ele foi convocado para lutar na
Guerra Franco-Prussiana, e serviu à
Guarde Nationale Mobile de la Seine.
Após a guerra, Caillebotte começou a visitar o estúdio do pintor
Léon Bonnat, onde ele iniciou seus estudos de arte. Em 1873, Caillebotte entrou na
École des Beaux-Arts, mas aparentemente não a frequentou por muito tempo. Por volta dessa época, Caillebotte encontrou e se tornou amigo de vários artistas que não eram da academia francesa, incluindo
Edgar Degas e
Giuseppe De Nittis. Caillebotte compareceu, mas não participou da primeira exibição
Impressionista de 1874.
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A abastada pensão que
Caillebotte recebia, somada à herança que ele recebeu após a morte de seu pai em 1874 e de sua mãe em 1878, permitiram-lhe pintar sem a pressão de vender seus trabalhos. Isso também permitiu-o ajudar a financiar exibições impressionistas e a dar suporte a companheiros artistas e amigos (incluindo
Claude Monet,
Auguste Renoir, e
Camille Pissarro, dentre outros), ao comprar seus trabalhos e, pelo menos no caso de Monet, pagar o aluguer de seus estúdios. Além disso, Caillebotte usou sua fortuna para financiar vários hobbies pelos quais ele era apaixonado, incluindo colecionar selos (sua coleção encontra-se atualmente no
Museu Britânico, cultivo de orquídeas, construção de iates, e até mesmo design de modelos (as mulheres nas pinturas
Madame Boissière Knitting, 1877, e
Portrait of Madame Caillebotte, 1877, poderiam estar trabalhando em modelos criados por Caillebotte).
Gustave Caillebotte, Portraits à la campagne, 1876, Musée Baron Gérard, Bayeux
O estilo de
Caillebotte pertence à escola do
Realismo. Como fizeram seus predecessores
Jean-Francois Millet e
Gustave Courbet, assim como seu contemporâneo
Edgar Degas, Caillebotte tinha como objetivo pintar a realidade como ela existia e como a via, tentando reduzir ao máximo a teatricidade inerente à pintura. Ele também compartilhava do comprometimento com a verossimilhança ótica dos Impressionistas.

Caillebotte pintou muitas cenas domésticas, familiares, interiores, e figuras na paisagem de Yerres, mas ele é mais conhecido por suas pinturas da cidade de Paris, como The Floor Scrapers, 1875, Le pont de l'Europe, 1876, e Paris Street, Rainy Day, 1877. Estas pinturas são um tanto controversas por mostrarem cenas banais e mundanas, e por sua perspectiva profunda. O piso inclinado comum a essas pinturas é bastante característico dos trabalhos de Caillebotte, o que pode ter sido fortemente influenciado por telas japonesas e a nova tecnologia da fotografia. Técnicas como cropping e zoom são facilmente encontradas nas obras de Caillebotte, o que pode ter sido o resultado de seu interesse por fotografia.
Um considerável número dos trabalhos de Caillebotte também emprega um ponto de vista muito alto, incluindo muitos de suas pinturas de varandas, como Vue des toits, effet de neige, 1878, e Boulevard vu d'en haut, 1880.
Gustave Caillebotte, Vue des toits, effet de neige, 1878
A carreira de pintor de
Caillebotte diminuiu seu ritmo drasticamente na década de 1880, quando ele parou de produzir telas de tamanho grande e de exibir seus trabalhos. Ele adquiriu uma propriedade em
Petit Gennevilliers, na margem do canal perto de Argenteuil, em 1881, e se mudou para lá permanentemente em 1888.
Gustave Caillebotte, Homme portant une blouse, 1884, collection privée
Ele devotou seu tempo à jardinagem e a construir iates de corrida, e passou muito tempo junto a seu irmão Martial, e seu amigo Renoir, que frequentemente visitava Petit Gennevilliers.
Caillebotte morreu enquanto trabalhava em seu jardim em Petit Gennevilliers, em 1894, de congestão pulmonária, e foi enterrado no Cemitério de Père Lachaise em Paris.
Gustave Caillebotte, Nasturces, 1892
Gustave Caillebotte, Le jardin du Petit Gennevilliers en hiver, 1894, private collection.