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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

"As Três Parcas" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


 
Bernardo Strozzi (Italian Baroque painter and engraver, 1581–1644),
The Three Fates (Parcas - Controladoras do destino)
 

As Três Parcas


As três Parcas que tecem os errados
Caminhos onde a rir atraiçoamos
O puro tempo onde jamais chegamos
As três Parcas conhecem os maus fados.

Por nós elas esperam nos trocados
Caminhos onde cegos nos trocamos
Por alguém que não somos nem amamos
Mas que presos nos leva e dominados.

E nunca mais o doce vento aéreo
Nos levará ao mundo desejado
E nunca mais o rosto do mistério

Será o nosso rosto conquistado
Nem nos darão os deuses o império
Que à nossa espera tinham inventado.


Sophia de Mello Breyner Andresen,
in Mar Novo, 1958.


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

"A uma oliveira" - Poema de António Cabral


Vincent van Gogh,  Olive Trees with yellow sky and sun, 1889


A uma oliveira


Velha oliveira, ó irmã do tempo e do silêncio,
algo de ti se me tornou hoje perceptível;
algo que eu não conhecia e me fez parar
na ténue sombra que teces no caminho;
algo que é uma doce corola de contacto.

Já os passos da luz se afastam na colina
e um rumor de pérolas quebradas
desce, lentamente desce por toda a serrania.
Já as aves tuas amigas procuram na folhagem
a doçura acumulada nos favos da noite.
E também já são horas
de nós os homens, nós os que passamos,
suspendermos as cítaras do pensamento.

Entretanto, ó canção do crepúsculo, velha oliveira,
eu paro sob os longos cílios da tua ramagem.
Paro e, ao sentir nas mãos o teu enrugado tronco,
e, nos olhos, a serenidade das tuas folhas,
começo a entender uma bela mensagem:
a paz, ah a paz!, a rosa da paz.

É como se uma gota de azeite descesse,
Brandamente descesse pelas coisas.


António Cabral,
 
 
 António Cabral  (1931 - 2007)
 
 
António Cabral, poeta e dramaturgo, nascido em 1931, em Castelo do Douro, Alijó, desempenhou funções de docente. Tendo encetado a sua carreira literária no domínio de uma poesia que se ressente da implantação transmontana, a sua produção literária ganhou relevo sobretudo no domínio do teatro com peças que, beneficiando de um esforço de descentralização da atividade dramática, se centram sobre temáticas sociais. (Daqui)

 
Vincent van Gogh, Olive grove, 1889,  Kröller-Müller Museum   


"E com um ramo de oliveira o homem se purifica totalmente."
 
 
 
 

Árvore 

(mitologia)

 
Alimento, habitação, ferramentas, abrigo, pulmão vivo e uma grande beleza são algumas das características das árvores. Simbolizam o cosmos em toda a sua extensão, já que as suas raízes são o nível subterrâneo, o tronco é a terra e os seus ramos simbolizam o céu. São sinónimo de evolução e de regeneração cíclica ao longo das estações, frutificando a terra com as suas sementes.

Têm em si os quatro elementos: a terra junto às raízes, a água na sua seiva, o ar respirado pelas suas folhas e o fogo através da sua madeira. Dado encontrar-se simultaneamente em contacto com a terra e o céu, a árvore é também um símbolo da relação entre estes dois elementos e uma espécie de centro ou eixo do mundo. E isto tanto na tradição judaico-cristã, como nas culturas africanas ou asiáticas. Em certas regiões do Norte da Índia, aquele que abate uma árvore é condenado à morte, porque a vida de uma árvore tem mais valor do que a vida humana.

Certos tipos particulares de árvores são preferidos por certas culturas: é o caso do carvalho entre os celtas, o abeto junto dos gregos, a tília para os germânicos, o freixo pelos nórdicos, a oliveira para os islâmicos e os cristãos, ou o cedro entre os hebreus e os assírios.

As árvores do mundo e as árvores da vida também fazem parte de muitas tradições do Mundo, inclusive do Japão e no Irão. A árvore é importante na simbologia bíblica do paraíso como a árvore da sabedoria e do conhecimento. A árvore da vida está representada na tradição cristã pela árvore do Génesis e a cruz onde Cristo se torna o centro do Mundo. Foi debaixo de uma árvore que Buda alcançou a iluminação e essa árvore representa por vezes o próprio Buda, dizendo-se na Índia que é uma manifestação da trindade: as suas raízes são Brama, o seu tronco Shiva e os seus ramos Vixnu.

Em algumas culturas a árvore é também um símbolo de fertilidade, o que faz com que as mulheres a ela recorram, pintando-a nos seus corpos, como acontece em certas tribos da Ásia, ou então, como é hábito no Mediterrâneo e na Índia, prendendo nas árvores os seus lenços vermelhos.

No Sul da Índia, entre os dravidianos, as mulheres têm o costume de se unir a uma árvore antes de casar com o marido, para garantir a vinda dos filhos. Nesta mesma parte do Mundo, marido e mulher plantam uma árvore fêmea e uma árvore macho, cujas raízes são entrelaçadas para garantir a fecundidade das árvores e do casal que as plantou.

Noutras culturas é o noivo que é amarrado à árvore no dia do seu casamento, simbolizando a força e capacidade de procriação.

A 21 de março, comemora-se o Dia Mundial da Árvore e das Florestas. (Daqui)
 
 
Vincent van Gogh, Couple Walking among Olive Trees in a Mountainous Landscape 
with Crescent Moon, May-1890, Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, Brasil 
 
 

Ode ao Azeite


A oliveira
De volume prateado,
Severa e suas linhas,
Em seu torcido coração terrestre:
As graciosas azeitonas
Polidas pelos dedos que fizeram
A pomba e o caracol marinho:
Verdes, inumeráveis,
Puríssimos mamilos da natureza,
E ali nos secos olivais
De onde tão somente o céu azul com cigarras,
E terra dura existem,
Ali o prodígio,
A cápsula perfeita da oliva
Preenchendo com suas constelações as folhagens,
Mais tarde as vasilhas, o milagre,
O Azeite.
 


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

"O Poema" - Casimiro de Brito


Giovanni Domenico Tiepolo (1727–1804), The Procession of the Trojan Horse in Troy, c. 1760, 
 inspired by Virgil's Aeneid, National Gallery
 


O Poema


Poemas, sim, mas de fogo
devorador. Redondos como punhos
diante do perigo. Barcos decididos
na tempestade. Cruéis. Mas de uma
crueldade pura: a do nascimento,
a do sono, a da morte.

Poemas, sim, mas rebeldes.
Inteiros como se de água, e,
como ela, abertos à geometria
de todos os corpos. Inteiros
apesar do barro e da ternura
do seu perfil de astros.

Poemas, sim, mas de sangue.
Que esses poemas brotem do
oculto. Que libertem o seu pus
na praça pública. Altos, vibrantes
como um sismo, um exorcismo
ou a morte de um filho.



Pierre-Narcisse Guérin (1774–1833), Eneias descreve a queda de Troia a Dido,  
rainha de Cartago, 1815.  Museu do Louvre


"Inconstante e sempre mutável é a mulher."

Virgílio
(Públio Virgílio Maro, 70 a.C. 19 a.C.), in Eneida

domingo, 11 de junho de 2017

“Eros e Psique” - Poema de Fernando Pessoa


William-Adolphe Bouguereau (1825-1905), 'The Abduction of Psyche', c.1895


Eros e Psique


Conta a lena que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
 



François Gérard (French painter, 1770-1837), 'Cupid and Psyche', 1798,
also known as 'Psyche Receiving Cupid's First Kiss'. 


"A única anormalidade é a incapacidade de amar."



Jacques-Louis David, 'Cupid and Psyche', 1817


Eros e Psique


William-Adolphe Bouguereau, 'Cupido' (Love on the look out), 1890
 
 
Eros, o deus grego do amor e do desejo, conhecido na mitologia romana como Cupido, é filho de Afrodite e de um dos prováveis deuses: Ares, ou Hermes, ou Zeus. Sendo o mais jovem dos deuses, Eros é geralmente representado como uma criança alada, com arco e flecha, pronto a disparar sobre o coração de deuses e de mortais, suscitando-lhes o desejo e o amor. As flechas eram de dois tipos: as douradas, de penas de pomba, que suscitavam o amor, e as flechas de chumbo, com penas de coruja, que causavam a indiferença. Frequentemente com os olhos vendados para simbolizar a cegueira do amor, Eros tornava-se perigoso para os demais, pois disparava setas em todas as direções, chegando mesmo a atingir a própria mãe, que o castigava retirando-lhe as asas e o arco. 
Uma das lendas mais conhecidas do deus do Amor é a aventura amorosa com Psique, nome que em grego significa alma. 


 Jacques-Louis David, 'Psyché Abandonné', 1795, huile sur toile,
 collection particulière


Psique era uma princesa de uma beleza tão exultante que fazia ciúmes à própria Afrodite. Esta deusa deu instruções ao filho, Eros, para punir a audácia da princesa, fazendo com que esta se apaixonasse pelo homem mais feio do mundo, e Eros obedeceu. O pai da jovem, verificando que Psique era a única das suas três filhas que ainda não tinha casado, resolveu consultar o oráculo. Este revelou-lhe que deveria preparar Psique como para uma cerimónia nupcial e, em seguida, abandoná-la numa montanha junto de um rochedo, onde um monstro, seu futuro marido, a iria buscar. Assim se passou e, enquanto aguardava resignada a sua triste sorte, Psique foi recolhida pelos braços de Zéfiro, que a levou para um lindo palácio. Psique estava quase a adormecer, quando um ser misterioso apareceu na escuridão do seu quarto e lhe disse que era o marido a quem ela estava destinada. Era o belo Eros que desempenhava o papel de marido, tentando desta forma executar o castigo que Afrodite pedira, mas, ao ver Psique, apaixonou-se imediatamente por ela. Antes de desaparecer, pouco antes do amanhecer, Eros obrigou Psique a jurar que nunca tentaria ver o seu rosto. 

Com o passar do tempo, Psique apaixonou-se pelo ser misterioso até que um dia, ao visitar as irmãs, invejosas da sua felicidade, foi instigada a ver o rosto do seu marido. Então, curiosa, Psique resolveu seguir o conselho das irmãs. Assim, enquanto o marido estava a dormir silenciosamente, Psique acendeu uma vela e, em vez do monstro, encontrou o belíssimo Eros. Aproximando-se para o ver melhor, deixou cair uma gota de cera no ombro do deus. Eros acordou e, furioso, reprimiu-a pela sua curiosidade e pela quebra da promessa que lhe tinha feito e retirou-se. Ao mesmo tempo, desapareceu o palácio e Psique encontrou-se, de novo, na montanha, onde, desgostosa, tentou suicidar-se, atirando-se a um rio, mas as águas levaram-na de volta às margens. A partir de então, vagueou pelo mundo à procura do seu amor, e, perseguida pela ira de Afrodite, foi sujeita a muitos perigos que conseguiu vencer devido a uma misteriosa proteção. Finalmente, Eros, impressionado pelo arrependimento de Psique e pela fidelidade do seu amor, implorou a Zeus que deixasse Psique juntar-se a ele. Zeus concedeu a imortalidade a Psique, Afrodite esqueceu os seus ciúmes e o casamento foi celebrado, no Olimpo, com grandes festejos. 


Jacques-Louis David, 'Cupid and Psyche in the nuptial bower', oil, 1792-93


Nos vasos gregos antigos, Psique é representada com corpo de pássaro ecabeça humana ou como uma borboleta. Uma obra de arte que popularizou o mito de Eros e Psique é a obra escultórica de Antonio Canova (1757-1822), na qual "Psique é reanimada pelo beijo de Eros", e que se encontra no Louvre, em Paris (França). (daqui)


Antonio Canova (1757-1822), 'Psique é reanimada pelo beijo de Eros', versão do Louvre.


"O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições. Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho." 

domingo, 6 de dezembro de 2015

"O Julgamento de Páris " - Mitologia Grega



(Julgamento de Páris é um conto da mitologia grega que é um prelúdio para a Guerra de Tróia.)


De acordo com o mito grego, a Guerra de Tróia viria a ser causada por um simples evento, normalmente chamado "O Julgamento de Páris", cujos contornos gerais descrevo em seguida:

Apesar de terem sido muitos os convidados para um banquete em que se celebrava o casamento de Peleu e Tétis, Éris, deusa da discórdia, não foi uma das divindades convidadas. Irritada, a deusa enviou ao evento um maçã de ouro, na qual se podia ler a inscrição "Para a mais bela". Três deusas - Hera, Atena e Afrodite - responderam a esse desafio.
Zeus, incapaz de escolher uma vencedora, atribuiu tal honra a Páris, um mortal cujos dotes já estavam comprovados. Aparecendo a este herói, cada uma das deusas tentou atribuir um suborno a Páris: Hera dar-lhe-ia o trono da Ásia e Europa, Atena torná-lo-ia mais sábio e Afrodite dar-lhe-ia o amor da mais bela mulher, caso ele escolhesse cada uma delas para vencedora.
Talvez movido pela luxúria, Páris deu a maçã a Afrodite, com os efeitos desta decisão (e o posterior rapto de Helena, a mais bela mulher) a originarem a Guerra de Tróia.

Apesar de trivial, a decisão de Páris foi bastante importante para o desenvolvimento da Guerra de Tróia. São poucos os mitos que referem os dotes físicos de Atena, uma divindade associada ao dom da sabedoria, mas em termos de beleza física Hera é, normalmente, considerada como superior a Afrodite, uma deusa cujos atributos são mais ligados ao dom da paixão e do complexo amor. Poderão ter sido muitas as razões para a decisão que Páris tomou, mas o interesse no amor de uma bela mulher parece ser o mais óbvio.

É importante constatar que ambas as deusas preteridas apresentaram um papel fundamental na Guerra de Tróia, com Atena a participar diretamente no conflito. A escolha do herói apresenta, também, um papel claramente metafórico, em que a este é proposta uma escolha entre dons físicos e atributos mentais, altura em que Páris parece favorecer o amor em detrimento da riqueza ou sabedoria. Também o famoso rei Midas, um mito referido anteriormente, teria opções similares, vindo a sofrer terríveis consequências.

Vítima da promessa de Afrodite, Helena tornar-se-ia amante de Páris, razão pela qual seria levada para Tróia e originaria o mais famoso conflito da Grécia Clássica. O tema de uma mulher causadora de infelicidade, seja diretamente ou de forma indireta, é frequente nesta mitologia, como também pode ser visto no mito de Pandora. 

Apenas para dar uma nota final, é importante frisar que esta maçã de ouro pouco tem a ver com outros famosos frutos, as Maçãs das Hespérides, apesar de partilharem algumas características físicas.

sábado, 31 de dezembro de 2011

"Sísifo" - Poema de Miguel Torga


Titian (Tiziano Vecellio), "Sísifo", c. 1548-1549



Sísifo


Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.


Miguel Torga, Diário XIII


 

Ticiano Vecellio ou Vecelli, em italiano Tiziano Vecellio, (Pieve di Cadore, ca.1473/1490 — Veneza, 27 de agosto de 1576) foi um dos principais representantes da escola veneziana no Renascimento antecipando diversas características do Barroco e até do Modernismo. Ele também é conhecido como Tizian Vecellio De Gregorio, Tiziano, Titian ou ainda como Titien.
Reconhecido pelos seus contemporâneos como "o sol entre as estrelas", Ticiano foi um dos mais versáteis pintores italianos, igualmente bom em retratos ou paisagens, temas mitológicos ou religiosos.
Se tivesse morrido cedo, teria sido conhecido como um dos mais influentes artistas do seu tempo, mas como viveu quase um século, mudando tão drasticamente seu modo de pintar, vários críticos demoram a acreditar  tratar-se do mesmo artista. O que une as duas partes de sua obra é seu profundo interesse pela cor, sua modulação policromática sem precedentes na arte ocidental. (Daqui)




 
Sísifo, rei da Tessália e de  Enarete, era o filho de Éolo. Foi o fundador da cidade de Éfira, que mais tarde veio a chamar-se Corinto, e também dos jogos de Ístmia (ou Ístmicos). 
Sísifo tinha a reputação de ser o mais habilidoso e esperto dos homens e por esta razão dizia-se que era pai de Odisseu
Sísifo despertou a ira de Zeus quando contou ao deus dos rios, Asopo, que Zeus tinha sequestrado a sua filha Égina. Zeus mandou o deus da morte, Tânato, perseguir Sísifo, mas este conseguiu enganá-lo e prender Tânato.
A prisão de Tânato impedia que os mortos pudessem alcançar o Reino das Trevas, tendo sido necessário que fosse libertado por Ares. Foi então que Sísifo, não podendo escapar ao seu destino de morte, instruiu a sua mulher a não lhe prestar exéquias fúnebres. 
Quando chegou ao mundo dos mortos, queixou-se a Hades, soberano do reino das sombras, da negligência da sua mulher e pediu-lhe para voltar ao mundo dos vivos apenas por um curto período, para a castigar.
Hades deu-lhe permissão para regressar, mas quando Sísifo voltou ao mundo dos vivos, não quis mais voltar ao mundo dos mortos. 
Hermes, o deus mensageiro e condutor das almas para o Além, decidiu então castigá-lo pessoalmente, infligindo-lhe um duro castigo, pior do que a morte. 
Sísifo foi condenado para todo o sempre a empurrar uma pedra até ao cimo de um monte, caindo a pedra invariavelmente da montanha sempre que o topo era atingido. Este processo seria sempre repetido até à eternidade. (Daqui)