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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

"Três Personagens" - Poema de Virgínia Vitorino



Ludovico Marchetti
(Italian painter, 1853-1909), A good book, 1882.



Três Personagens


Em pleno inverno e no calor de Agosto,
vejo-os passar, na tarde loira ou baça...
Ela, tem distinção, tem certa graça,
certa elegância calma, de bom gosto.

Leva um livro amarelo. Bem disposto,
um galgo inglês, cheio de nervo e raça,
acompanha-a. Sei sempre a que horas passa,
grave, serena, esfíngica; - ao Sol posto.

Quem é? Quem são?... Nem lhes conheço o nome!
O acaso, por acaso, destinou-me
a vê-los passar juntos, todos três...

Donde vêm? Onde vão? - Quem o adivinha?
O que eu sei, é que passam à tardinha
ela, o livro amarelo, e o galgo inglês...





Florestas e Homens de  Yann Arthus-Bertrand


Yann Arthus-Bertrand foi nomeado pelas Nações Unidas para produzir o filme oficial para o Ano Internacional das Florestas.
Seguindo o sucesso de Home, que foi visto por 400 milhões de pessoas, o fotógrafo começou a produzir um filme curto de 7 minutos sobre florestas, composto de imagens aéreas de Home e dos programas de televisão Vu du Ciel.
Este filme foi exibido durante uma sessão plenária da Nona Sessão do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (24 de janeiro - 4 de fevereiro de 2011), em Nova Iorque.

Mais informações sobre as ações de GoodPlanet a favor das florestas em offorestsandmen.org/pt-pt


Yann Arthus Bertrand

Nascido em 1946, Yann Arthus-Bertrand sempre foi fascinado pela natureza. Aos 20 anos, mudou-se para o centro da França para dirigir uma reserva natural. Aos 30, viajou para o Quénia acompanhado por sua esposa Anne, com quem realizou um estudo sobre o comportamento de uma família de leões na reserva Masai Mara. 
Durante os três anos de pesquisa, começou a usar a câmara fotográfica para registar suas observações e complementar suas anotações. Para ganhar a vida, também trabalhou como piloto de balão. Foi nesse período que Yann descobriu o mundo visto do céu e passou a  dedicar-se à fotografia aérea, a qual o permitiu descobrir uma nova realidade sobre os territórios fotografados e seus recursos. E assim se revelou sua vocação: testemunhar através da imagem a beleza da Terra – e também o impacto do homem no planeta. Essa aventura dará origem ao seu primeiro livro, Lions, de 1981.
Ainda na década de 1980, Yann se torna fotógrafo de grandes reportagens e trabalha para revistas como National Geographic, Géo, Life, Paris Match e Figaro Magazine. Pouco a pouco se lança em trabalhos mais pessoais, sobretudo na relação homem/animal, que darão origem aos livros Bestiaux e Chevaux. Em 1991, funda Altitude, a primeira agência de fotografia aérea do mundo.
Durante a primeira Conferência do Rio em 1992, a Eco 92, o fotógrafo decide iniciar um grande projeto fotográfico para o ano 2000 sobre o estado do mundo e de seus habitantes: A Terra vista do céu. Desde então, o livro tornou-se um sucesso internacional, com mais de três milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. A exposição fotográfica homónima, apresentada em uma centena de países, foi vista por cerca de 200 milhões de pessoas.
Enfatizando seu comprometimento com a causa ambiental, Yann Arthus-Bertrand criou a fundação GoodPlanet. Desde 2005, essa organização não governamental  dedica-se à educação para a proteção do meio ambiente, assim como à luta contra a mudança climática e suas consequências.
Na fundação, Yann desenvolve o projeto “6 bilhões de Outros”. Seu princípio é simples: ir ao encontro dos habitantes do planeta e reunir seus testemunhos. Até hoje, foram filmados mais de 7.000 testemunhos. Do pescador brasileiro à lojista chinesa, do artista alemão ao agricultor afegão, todos responderam ao mesmo questionário sobre seus medos e sonhos, suas experiências e esperanças: quarenta questões essenciais para a descoberta sobre o que nos separa e o que nos une.
Essa exposição foi apresentada em 2011 no MASP, em São Paulo.
Hoje, Yann Arthus-Bertrand é mais reconhecido como militante ecologista do que como fotógrafo. Em 2009 esse engajamento o levou a ser nomeado “Embaixador da Boa Vontade” do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (PNUMA).
Paralelamente, é o autor de Visto do Céu, uma série/documentário para a televisão em que cada episódio explora uma problemática ecológica específica. Graças a essa experiência para a televisão, Yann Arthus-Bertrand realizou o longa-metragem HOME, que aborda a realidade atual do nosso planeta. O filme, lançado em junho de 2009, simultaneamente na televisão, em DVD e nos cinemas do mundo inteiro, foi visto por quase 600 milhões de espectadores em mais de 100 países.
Em 2011, Yann dirigiu dois pequenos filmes para a ONU (um pelo ano internacional das florestas e outro sobre a desertificação), ambos apresentados durante as assembleias gerais do órgão. Nesse mesmo ano criou a Hope Production, empresa sem fins lucrativos voltada para a produção de documentários. 
Em 2012, desenvolveu dois documentários para o canal France Télévision: um sobre a água e sua distribuição, para o Fórum Mundial da Água em março de 2012, outro sobre a importância dos oceanos: “Planète Océan” para a pré-estreia mundial na Conferência Rio + 20.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Home (documentário)... de Yann Arthus Bertrand




Home (documentário)


Home é um documentário lançado em 2009, produzido pelo jornalista, fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand. O filme é inteiramente composto de imagens aéreas de vários lugares da Terra. Mostra-nos a diversidade da vida no planeta e como a humanidade está ameaçando o equilíbrio ecológico. O filme foi lançado simultaneamente ao redor do mundo em 5 de junho nos cinemas, em DVD e no YouTube. Foi estreado em 50 países diferentes e é totalmente gratuito e sem lucros comerciais.

Produção

Home foi filmado em vários estágios devido à extensão das áreas retratadas. Levando cerca de 18 meses para ser completado, o diretor Yann Arthus-Bertrand, um operador de câmera, um engenheiro de câmera e um piloto voaram num pequeno helicóptero através de várias regiões em cerca de 50 países. A filmagem foi feita utilizando câmeras Cineflex de alta definição suspensas em uma esfera giratória estabilizada, montada na base do helicóptero. Essas câmeras, originalmente fabricadas para artilharia, reduzem as vibrações ajudando a capturar imagens suaves.


Home - O Mundo é a nossa Casa - Parte 1
























domingo, 29 de janeiro de 2012

"Vozes de animais" - Poema de Pedro Dinis


Sabiá-do-campo


Vozes de animais


Palram pega e papagaio,
E cacareja a galinha;
Os ternos pombos arrulham,
Geme a rola inocentinha.

Muge a vaca, berra o touro,
Grasna a rã, ruge o leão
O gato mia, uiva o lobo,
Também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavalo,
Os elefantes dão urros
A tímida ovelha bala,
Zurrar é próprio dos burros. 

Regouga a sagaz raposa
(bichinho muito matreiro);
Nos ramos cantam as aves,
Mas pia o mocho agoureiro.

Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar;
Fazem gorjeios às vezes,
Às vezes põem-se a chilrar.

O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar:
Como os ratos e as doninhas
Apenas sabe chiar.

O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho;
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir;
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.

Bramem os tigres, as onças,
Pia, pia, o pintainho;
Cucurita e canta o galo,
Late e gane o cachorrinho.

A vitelinha dá berros;
O cordeirinho, balidos;
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.

A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
Se encontram, em pobre rima,
As vozes dos principais. 


Pedro Dinis (1826–1896),
in 'Tesouro poético da infância', 1883
(Coligido e ordenado por Antero de Quental)


Planeta Terra - compositor Jo Blankenburg



"Quando percebo, não penso o mundo, ele organiza-se diante de mim." 

Maurice Merleau-Ponty, in 'Sentido e Não-Sentido'  
[Filósofo fenomenólogo francês, 19081961]
 








"Hoje em dia não pensamos muito no amor de um homem por um animal; rimos de pessoas que são apegadas a gatos. Mas se pararmos de amar os animais, não estaremos na iminência
 de pararmos de amar os humanos, também?"
 
(Alexander Soljenítsin)

[Alexander Soljenítsin (19182008) foi romancista, dramaturgo e historiador russo cujas obras consciencializaram o mundo quanto aos gulags, sistema de campos de trabalhos forçados existente na antiga União Soviética. Recebeu o Nobel de Literatura de 1970.]





"A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo."