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terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Renascimento da Vida no Pantanal


Ninho de garça-branca-grande (Ardea alba)


"Em vão, centenas de milhares de homens, amontoados num pequeno espaço, se esforçavam por desfigurar a terra em que viviam. Em vão, a cobriam de pedras para que nada pudesse germinar; em vão arrancavam as ervas tenras que pugnavam por irromper; em vão impregnavam o ar de fumaça; em vão escorraçavam os animais e os pássaros - Em vão... porque até na cidade, a primavera é primavera."

 Leon Tolstoi, em "Ressurreição"


Jacupemba (Penelope superciliaris) 


"O homem pode viver 100 anos na cidade sem perceber que já está morto há muito tempo."
Leon Tolstoi, em "Sonata a Kreutzer



Jacupemba (Penelope superciliaris)


"Os homens nunca usaram totalmente os poderes que possuem para promover o bem, porque esperam que algum poder externo faça o trabalho pelo qual são responsáveis." 

                                                                                                                               (John Dewey)

Cabecinha-vermelha


"Todo o enigma da vida está fechado na cabeça de uma formiga." 

(Teixeira de Pascoaes)


Poster


O Renascimento da Vida no Pantanal 



"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
(Albert Einstein)


Imagem de satélite do pantanal.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

"Fim de Verão" - Poema de Eugénio de Andrade


Martim-pescador (Megaceryle torquata)



Fim de Verão 


Talvez nem seja um tordo. Um pássaro
cantava. Seria o último
desse verão. A própria luz
não ajudava: não era barco
de manhã nem brisa ao fim da tarde.
Talvez o anjo do poema
pudesse em seu lugar subir aos ramos
e cantar. Mas os anjos
são tão distraídos! Deles não há
nada a esperar, a não ser fogo
de palha. Talvez nem seja um tordo.
O seu canto, só vibração do ar.


Eugénio de Andrade, 
in Poesia, Fundação Eugénio de Andrade, 2000



Manuelzinho-da-Crôa (Charadrius collaris)

Azulêjo (Molothrus bonariensis)


A Rola-vaqueira (Uropelia campestris)


Coruja Suindara (Tyto alba)


Nhauma (Anhima cornuta)


Sabiá-ponga (Turdus rufiventris)


Pintassilgo (Carduelis magellanica)


Coró coró, Green Ibis (Mesembrinibis cayennensis)


Sabiá-preto (Turdus flavipes)


Graúna ou Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi)


Socó-boi (Tigrisoma lineatum)


Japuíra, João-congo, ou Tecelão (Cacicus solitarius)


Japuíra, João-congo, ou Tecelão (Cacicus solitarius), pássaro de coloração preta com parte amarelada em sua cauda e asas, bico amarelo esbranquiçado, emite sons maviosos nas matas; vivem em bandos e seus ninhos são longos, chegando perto de um metro.


João-pobre (Serpophaga nigricans)


Jesus-meu-deus (Arremon flavirostris)

Suiriri ou Tiriri (Tyrannus melancholicus)


Quem-quem (Cyanocorax cyanopogon)


Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea), macho


O gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea) é uma ave passeriforme que habita uma larga região na América do Sul. É uma bela ave que habita partes das Guianas, Suriname, Venezuela, Brasil até a Argentina. São conhecidos em algumas regiões pelos nomes de: bonito-lindo, gaturamo-imitador, gaturamo-itê, guiratã-de-coqueiro, tem-tem-de-estrela e tem-tem-verdadeiro. O macho costuma imitar as vocalizações de uma grande variedade de espécies.
Tem tamanho aproximado de 12 cm de comprimento quando adultos, a espécie apresenta dimorfismo sexual bastante acentuado, os machos são coloridos de preto e amarelo brilhante, enquanto que as fêmeas e as aves juvenis têm cor olivácea.
São bastante sociáveis e alimentam-se basicamente de frutos, eventualmente também comem insetos. Os gaturamos possuem moela degenerada, ou seja, tem baixa capacidade de processamento mecânico dos alimentos ingeridos, o alimento é pouco aproveitado sendo eliminado poucos minutos após a ingestão, o que os leve a uma procura constante de alimentos.
Habitam bordas de floresta, clareiras, floresta secundária e plantações, e são encontrados também em áreas urbanas, arborizadas, evitando áreas abertas mais áridas, vive aos pares ou em pequenos grupos, junta-se com freqüência a bandos mistos de aves.
Atingem a maturidade sexual por volta de um ano de idade constroem os ninhos em cavidades de troncos, cada postura tem em média quatro ovos brancos que são incubados apenas pela fêmea por um período de 15 dias.


Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea), fêmea 



"Tudo que os livros me ensinassem 
os espinheiros já me ensinaram. 
Tudo que nos livros 
eu aprendesse 
nas fontes eu aprendera. 
O saber não vem das fontes?"


Manoel de Barros,
 Cantigas por um passarinho à toa


domingo, 19 de agosto de 2012

"Desejar Ser" - Poema de Manoel de Barros


Surucuá-de-Barriga-Vermelha



DESEJAR SER – 10

Mosca dependurada na beira de um ralo
– Acho mais importante do que uma jóia pendente.

Os pequenos invólucros para múmias de passarinhos
que os antigos egípcios faziam
– Acho mais importante do que o sarcófago de Tutancâmon.

O homem que deixou a vida por se sentir um esgoto
– Acho mais importante do que uma Usina Nuclear.
Aliás, o cu de uma formiga é também muito mais
importante do que uma Usina Nuclear.

As coisas que não têm dimensões são muito importantes.
Assim, o pássaro tu-you-you é mais importante por seus
pronomes do que por seu tamanho de crescer.

É no ínfimo que eu vejo a exuberância.


MANOEL DE BARROS, Compêndio para uso dos pássaros
 (Poesia reunida 1937-2004), Quasi Edições, 2007



Algumas aves do Pantanal

A garça-branca-grande 

A garça-branca-grande (Casmerodius albus, sin. Ardea alba), também conhecida apenas como garça-branca, é uma ave da ordem Pelecaniformes.


Jaburu

O jaburu (Jabiru mycteria), também conhecido como tuiuiú, tuiuguaçu, tuiú-quarteleiro, tuiupara, rei-dos-tuinins, tuim-de-papo-vermelho (no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), cauauá (no Amazonas) e jabiru (na Região Sul do Brasil), é uma ave ciconiforme da família Ciconiidae. É considerada a ave-símbolo do Pantanal. Pode ser encontrada desde o México até o Uruguai, sendo que as maiores populações estão no Pantanal e no Chaco oriental, no Paraguai.


Chora-chuva-preto

Chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons), é conhecido também como Tanguru-pará e Bico-de-brasa. Apresenta 2 subespécies:
-Monasa nigrifrons nigrifrons.
-Monasa nigrifrons canescens.



Periquito-rei, Pantanal

O periquito-rei (Aratinga aurea) é uma ave psittaciforme, das mais conhecidas e abundantes representantes da família Psittacidae no Brasil. Conhecido também como periquito-estrela, jandaia-estrela, aratinga-estrela, coquinho-de-ouro, jandaia, ararinha e maracanã-de-testa-amarela (Amapá). 

Não é considerada ameaçada. Embora seja comum e muito abundante, já desapareceu de extensões grandes da Argentina, não obstante, em outras áreas a população delas aumentou, possivelmente devido ao cultivo. É frequente em cativeiro e amplamente comercializada.


Inhambu-chororó, Pantanal

O Inhambu-chororó (Crypturellus parvirostris), como todo tinamídeo, possui capacidade limitada de voar pela pequena envergadura das asas, mas é uma ave muito arisca. Do tupi vem o nome popular “Inhambú: de o que levanta o voo rumorejando”, devido ao comportamento de levantar voo somente em último caso, numa aproximação.


Tucano

Tucano (Ramphastos toco), ave da família Ramphastidae, vive nas florestas da América Central e América do Sul


O ferreirinho-relógio 

O ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum) é uma ave passeriforme da família Rhynchocyclidae que recebe este nome vulgar devido ao seu canto que lembra o ato de dar corda a um relógio.


Gralha Picaça (Cyanocorax chrysops) 

A gralha-picaça é uma ave passeriforme da família Corvidae. Também conhecida como acaé, cancã, gralha, gralha-de-crista-negra, gralha-do-mato e uraca. 


Papagaio-galego

O papagaio-galego (Alipiopsitta xanthops) é uma espécie de papagaio sul-americana, actualmente em risco crítico de extinção
O papagaio-galego é endémico do Brasil e habita o cerrado, caatinga arbórea e zonas secas do estado de Minas Gerais e bacia do Rio São Francisco
O adulto caracteriza-se pela plumagem verde-clara, com barriga e cabeça de cor amarela, e bico rosado. Estes papagaios medem entre 25-27 cm de comprimento e pesam em torno de 300 gramas. A sua alimentação é baseada em frutas locais e sementes. Na época de reprodução, o casal constrói um ninho num tronco oco onde a fêmea põe 1-2 ovos incubados ao longo de cerca de 28 dias. 
O papagaio-galego não é timido e aprende a falar.


Gavião-do-banhado 

O gavião-do-banhado ou tartaranhão-do-brejo (Circus buffoni) é é um gavião paludícola da família Accipitridae. Também conhecida como gavião-do-alagado, gavião-do-mangue e tartaranhão-do-brejo.


Ema (Rhea americana) com seus filhotes


NOME COMUM: Ema
NOME CIENTÍFICO: Rhea americana
CLASSE: Aves
ORDEM: Rheiformes
FAMÍLIA: Rheidae 

CARACTERÍSTICAS:
Comprimento: até 2m
Envergadura: 1,50m
Peso: até 36 kg
Plumagem: cinzento e castanho
Período de incubação: 39 a 42 dias
Número de filhotes: até 15 ovos (por fêmea) 



A ema é uma ave corredora que vive nas planícies da América do Sul, do Brasil até o sul da Argentina, vive nas regiões campestres e cerrados. Embora possua grandes asas, ela não voa. Usa as asas para equilibrar-se e mudar de direção na corrida. Se faz muito calor, a ema dorme durante o dia e sai à noite para alimentar-se de insetos, roedores, répteis, capim e sementes. Bebe pouca água. Suas penas são usadas para decoração. Sua carne, embora muito mole, é comestível. É considerada a maior ave brasileira. 
Em outubro, no começo da época de acasalamento, o macho reúne um harém de 5 ou 6 fêmeas, ecolhe um território e faz o ninho. 
Em liberdade, as emas vivem em grupos mais ou menos grande. Na época do acasalamento, os noivos abrem as asas e dão os seus passos de dança. Também cantam à moda deles para as noivas (as notas do canto parecem roncos). 
Quando o ninho está cheio de ovos, cerca de uma dúzia ou mais, ele afasta as fêmeas e começa a chocá-los. Os filhotes saem seis semanas depois e são cuidados pelo pai. Em dois anos estão adultos. Os ovos são brancos e pesam 600 gramas. Os que não vingam são colocados para fora do ninho e, ao quebrarem, atraem muitas moscas, cujas larvas, posteriormente, irão alimentar os filhotes. 
Esta espécie é omnívora, ou seja, come de tudo: sementes, folhas, frutos, insetos, roedores, moluscos, terrestres e outros pequenos animais. Além disso, a Ema come muitas pedrinhas, que servem para facilitar a trituração dos alimentos. E, devido a este hábito, ela não resiste à tentação de engolir também outros objetos miúdos. 
A ema está na lista dos animais que estão em perigo de extinção.


Arara-Azul 

A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), também chamada arara-jacinto, araraúna, arara-preta, araruna, ou simplesmente arara-azul é uma ave da família Psittacidae que vive nos biomas da Floresta Amazônica e principalmente no Cerrado e Pantanal.


“Eu via a natureza como quem a veste. Eu me fechava com espumas.”

(Manoel de Barros)


"Autorretrato Falado" - Poema de Manoel de Barros


arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), também chamada arara-jacinto,
araraúna, arara-preta e araruna no Pantanal- Brasil.


Auto-Retrato Falado

Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.

Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão,
aves, pessoas humildes, árvores e rios.

Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar
entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto
meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou
abençoado a garças.

Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que
fui salvo.

Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer da moral porque só faço
coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.

Manoel de Barros



Manoel de Barros


Manoel Wenceslau Leite de Barros, advogado, fazendeiro  poeta contemporâneo brasileiro, nasceu em 1916, em Cuiabáà beira do rio Cuiabá,  no estado de Mato Grosso.
Ainda novo, foi morar em Corumbá (MS) e mais tarde iria para o Rio de Janeiro, para fazer a faculdade de Direito. Viajou pela Bolívia e Peru, morou em Nova York, captou em cada um dos lugares por onde passava um pouco da essência da liberdade, que aplicaria em suas poesias. 
Apesar de ter publicado o primeiro livro em 1937, o “Poemas Concebidos Sem Pecado”, o primeiro livro que escreveu acabou nas mãos de um policial. O jovem Manoel fez a pichação “Viva o comunismo”, num monumento, e a polícia foi em busca do autor da ousadia. Para defendê-lo, a dona da pensão em que vivia disse ao policial que o “criminoso” em questão era autor de um livro. O policial pediu para ver e levou o livro. Chamava-se “Nossa Senhora de Minha Escuridão" e Manoel nunca o teve de volta.
Formou-se em Direito, em 1941, na cidade do Rio de Janeiro. E já no ano seguinte publicou “Face Imóvel” e em 1946, “Poesias”.
Na década de 1960 foi para Campo Grande (MS) e lá passou a viver como fazendeiro.
Manoel de Barros consagrou-se como poeta nas décadas de 1980 e 1990, quando Millôr Fernandes publicava suas poesias nos maiores jornais do país. Manoel de Barros,  pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, trabalha bastante com a temática da natureza, mais especificamente, o pantanal. Mistura estilos e aborda o tema regional com originalidade.
Outros livros do autor são: ”Compêndio para Uso dos Pássaros”, de 1961, “Gramática Expositiva do Chão”, de 1969, “Matéria de Poesia”, de 1974, “O Guardador de Águas”, de 1989, “Retrato do Artista Quando Coisa”, de 1998, “O Fazedor de Amanhecer”, de 2001, entre outros. 
Alguns dos prémios que o autor recebeu: “Prémio Orlando Dantas”, em 1960, ”Prémio da Fundação Cultural do Distrito Federal”, em 1969.  "Prémio Jabuti de Literatura, na categoria Poesia, com o livro O guardador de águas, em 1989", “Prémio Nestlé”, em 1997, “Prémio Cecília Meireles” (literatura/poesia), em 1998,  "Prémio Jabuti de Literatura, na categoria livro de ficção, com O fazedor de amanhecer em 2002.


(Fotografias retiradas da Internet)


Pantanal - Património Natural

O Pantanal, é um bioma constituído principalmente por uma savana estépica, alagada em sua maior parte, com 250 mil km² de extensão, altitude média de 100 metros, situado no sul de Mato Grosso e no noroeste de Mato Grosso do Sul, ambos Estados do Brasil, além de também englobar o norte do Paraguai e leste da Bolívia (que é chamado de chaco boliviano), considerado pela UNESCO Património Natural Mundial e Reserva da Biosfera, localizado na região o Parque Nacional do Pantanal.


Extensão do Pantanal na América do Sul (visto do espaço)


O Pantanal é um dos mais valiosos patrimónios naturais do Brasil. Maior área húmida continental do planeta – com aproximadamente 140 mil km2 em território brasileiro, em parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – o Pantanal destaca-se pela riqueza da fauna, onde dividem espaço 263 espécies de peixes, 122 espécies de mamíferos, 93 espécies de répteis, 1.132 espécies de borboletas e 656 espécies de aves. As chuvas fortes são comuns nesse bioma. Os terrenos, quase sempre planos, são alagados periodicamente por inúmeros corixos e vazantes entremeados de lagoas e leques aluviais. Na época das cheias estes corpos comunicam-se e mesclam-se com as águas do rio Paraguai  renovando e fertilizando a região.


Vista aérea duma parte do Pantanal


A origem do Pantanal é resultado da separação do oceano há milhões de anos, formando o que se pode chamar de mar interior. Atraído pela existência de pedras e metais preciosos (que eram usados por indígenas, que já povoavam a região, como adornos), entre eles o ouro, o português Aleixo Garcia, em 1524, acabou sendo o primeiro branco a visitar o território, que alcançou o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje está a cidade de Corumbá. Nos anos de 1537 e 1538, o espanhol Juan Ayolas e seu acompanhante Domingos Martínez de Irala seguiram pelo rio Paraguai e denominaram Puerto de los Reyes à lagoa Gayva. Por volta de 1542-1543Álvaro Nunes Cabeza de Vaca (espanhol e aventureiro) também passou por aqui para seguir para o Peru


Garça-branca-pequena da espécie Egretta thula, Pantanal


Onça-pintada, Pantanal

A onça-pintada (Panthera onça), também conhecida como  onça-verdadeira, jaguar, jaguarapinima, jaguaretê, acanguçu, canguçu ou onça-preta (os dois últimos termos, somente no caso dos indivíduos melânicos), é uma espécie de mamífero carnívoro da família Felidae encontrada nas Américas. É o terceiro maior felino do mundo, após o tigre e o leão, e o maior do continente americano.
A onça pintada do Pantanal está ameaçada de extinção. O maior felino das Américas é um animal de hábitos noturnos, caçando capivaras, veados, peixes e aves. A onça adulta pode chegar a dois metros de comprimento e pesar 160 kg. É encontrada também em regiões de mata atlântica e Amazónia.)



Onça-pintada

A onça-pintada é o único felino que é capaz de perfurar o casco de uma tartaruga.



Capivaras, Pantanal


tuiuiú ou jaburu (Jabiru mycteria) é o símbolo do Pantanal.


A fauna pantaneira é muito rica, provavelmente a mais rica do planeta. Há 650 espécies de aves (no Brasil inteiro estão catalogadas cerca de 1800). A mais espetacular é a arara-azul-grande, uma espécie ameaçada de extinção. Há ainda tuiuiús (a ave símbolo do Pantanal), tucanos, periquitos, garças-brancas, beija-flores (os menores chegam a pesar dois gramas), socós (espécie de garça de coloração castanha), jaçanãs, emas, seriemas, papagaios, colhereiros, gaviões, carcarás e curicacas
No Pantanal já foram catalogadas mais de 1.100 espécies de borboletas. Contam-se mais de 80 espécies de mamíferos, sendo os principais a onça-pintada (atinge a 1,2 m de comprimento, 0,85 cm de altura e pesa até 150 kg), capivara, lobinho, veado-campeiro, veado catingueiro, lobo-guará, macaco-prego, cervo do pantanal, bugio (macaco que produz um ruído assustador ao amanhecer), porco do mato, tamanduá, cachorro-do-mato, anta, bicho-preguiça, ariranha, suçuarana, quati, tatu etc. 
A região também é extremamente piscosa, já tendo sido catalogadas 263 espécies de peixes: piranha (peixe carnívoro e extremamente voraz), pacu, pintado, dourado, cachara, curimbatá, piraputanga, jaú e piau são algumas das espécies encontradas. 
Há uma infinidade de repteis, sendo o principal o jacaré (jacaré-do-pantanal e jacaré-de-coroa), cobra boca-de-sapo (Jararaca), sucuri, Jiboia-constritora,Cobra-d'água, cobras-água e outras), lagartos (iguana, calango-verde) e quelônios (jabuti e cágado).



Vegetação do Pantanal


  • Flora do Pantanal 
          Lista da flora do Pantanal (Ver artigo)

A vegetação pantaneira é um mosaico de cinco regiões distintas: Floresta Amazónica, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Chaco (paraguaio, argentino e boliviano). Durante a seca, os campos  tornam-se amarelados e constantemente a temperatura desce a níveis abaixo de 0 °C, e regista geadas, influenciada pelos ventos que chegam do sul do continente.


Vista aérea do rio, vegetação do Pantanal


A vegetação do Pantanal não é homogénea e há um padrão diferente de flora de acordo com o solo e a altitude. Nas partes mais baixas, predominam as gramíneas, que são áreas de pastagens naturais para o gado — a pecuária é a principal atividade económica do Pantanal. A vegetação de cerrado, com árvores de porte médio entremeadas de arbustos e plantas rasteiras, aparece nas alturas médias. Poucos metros acima das áreas inundáveis, ficam os capões de mato, com árvores maiores como angico, ipê e aroeira.


Rio Miranda - um dos principais rios do Pantanal

Em altitudes maiores, o clima árido e seco torna a paisagem parecida com a da caatinga, apresentando espécies típicas como o mandacaru, plantas aquáticas, piúvas (da família dos ipês com flores róseas e amarelas), palmeiras, orquídeas, figueiras e aroeiras. O pantanal possui uma vegetação rica e variada, que inclui a fauna típica de outros biomas brasileiros, como o cerrado, a caatinga e a região amazónica. A camada de lodo nutritivo que fica no solo após as inundações permite o desenvolvimento de uma rica flora. Em áreas em que as inundações dominam, mas que ficam secas durante o inverno, ocorrem vegetações como a palmeira carandá e o paratudal. 



Rio Miranda - Pantanal - Fazenda San Francisco 
(Foto Heberton Alves)


Durante a seca, os campos são cobertos predominantemente por gramíneas e vegetação de cerrado. Essa vegetação também está presente nos pontos mais elevados, onde não ocorre inundação. Nos pontos ainda mais altos, como os picos dos morros, há vegetação semelhante à da caatinga, com barrigudas, gravatás e mandacarus. Ainda há a ocorrência de vitória-régia, planta típica da Amazónia. Entre as poucas espécies endêmicas está o carandá, semelhante à carnaúba.


Pantanal do Miranda alagado


A vegetação aquática é fundamental para a vida pantaneira: imensas áreas são cobertas por batume, plantas flutuantes como o aguapé e a salvínia. Essas plantas são carregadas pelas águas dos rios e juntas formam verdadeiras ilhas verdes, que na região recebem o nome de camalotes.
 Há ainda no Pantanal áreas com mata densa e sombria. Em torno das margens mais elevadas dos rios ocorre a palmeira acuri, que forma uma floresta de galerias com outras árvores, como o pau-de-novato, a embaúba, o jenipapo e as figueiras.



Vista aérea da vegetação do Pantanal


  • Rio Paraguai


O rio Paraguai é um rio da América do Sul que banha quatro países. Nasce na Chapada dos Parecis, no estado brasileiro de Mato Grosso e banha também o estado de Mato Grosso do Sul, sendo afluente do rio Paraná. O rio, ao contrário da perceção popular comum, não define a fronteira Bolívia-Brasil, mas sim parte da fronteira Brasil-Paraguai e da fronteira Argentina-Paraguai



Vista do Rio Paraguai na altura de Corumbá


Corumbá: cidade mais importante do Pantanal em termos económicos, culturais e populacionais. Constitui o mais importante porto do estado de Mato Grosso do Sul e um dos mais importantes portos fluviais do Brasil e do mundo. Corumbá é conhecida como cidade branca pela cor clara de sua terra, pois está assentada sobre uma formação de calcário. Localizado na margem esquerda do rio Paraguai, grande parte do município é ocupado pelo Complexo do Pantanal. Em razão disso, o apelido capital do pantanal denota a importância de Corumbá, que é a principal e mais importante zona urbana da região alagada.





Bovinos numa fazenda do Pantanal


Barco com Turistas no Pantanal


O incentivo dado pelos governos a partir da década de 1960 para desenvolver a região Centro-Oeste através da implantação de projetos agropecuários, trouxe muitas alterações nos ambientes do cerrado ameaçando a sua biodiversidade. Preocupada com a conservação do Pantanal a Embrapa instalou, em 1975, em Corumbá, uma unidade de pesquisa para a região, com o objetivo de adaptar, desenvolver e transferir tecnologias para o uso sustentado dos seus recursos naturais. As pesquisas iniciaram-se com a pecuária bovina, principal atividade económica e, hoje, além da pecuária, abrange as mais diversas áreas, como recursos vegetais, pesqueiros, faunísticos e hídricos, climatologia, solos, avaliação dos impactos causados pelas atividades humanas e sócio-economia. 
Nos últimos anos houve investimentos maciços no setor do ecoturismo, com diversas pousadas pantaneiras praticando esta modalidade de turismo sustentável.



tuiuiú ou jaburu (Jabiru mycteria), Pantanal, Brasil


tuiuiú ou jaburu (Jabiru mycteria), Pantanal, Brasil


Em Português, o pássaro é chamado jabiru, jaburu, tuiuiú, tuim-de-papo-vermelho ("tuim de pescoço vermelho", em Mato Grosso ) e cauauá (na Bacia Amazónica). O tuiuiú nome também é usado no sul do Brasil para a cegonha de madeira (Mycteria americana).


O ninho do Jabiru, Pantanal, Brasil

O tuiuiú ou jaburu (Jabiru mycteria), uma das maiores aves da América do Sul e o símbolo do Pantanal, além do seu tamanho, chama a atenção pelo seu enorme ninho feito de galhos de arbustos secos, construído em árvores como o "manduvi" (Sterculia striata), a "piúva" (Tabebuia impetigosa) ou em troncos de árvores mortas.



“Quando as aves falam com as pedras 
e as rãs com as águas 
- é de poesia que estão falando.” 

(Manoel de Barros)


Tucano, Pantanal

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