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quinta-feira, 5 de junho de 2025

"O Narciso" - Poema de Miguel Torga


Dirck van Baburen (Dutch painter, c. 1595–1624), 
 "Narcissus Gazing at His Reflection", Private collection.


O Narciso

 
O desenho impreciso
De cada rosto humano, refletido!
Mas, o velho Narciso
Continua fiel e debruçado
Sobre o ribeiro...
Porque há de ver-se inteiro
Quem todo se deseja revelado?

Devorador da vida lhe chamaram,
A ele, artista, sábio e pensador,
Que denodadamente se procura!

À movediça e trágica tortura
De velar dia e noite a líquida corrente
Que dilui a verdade,
Quiseram-lhe juntar a permanente
Ironia
Desse labéu de pérfida maldade
Que turva mais ainda a imagem fugidia...
 
 
Miguel Torga, Cântico do homem, 1950.
Poesia Completa (Dom Quixote, 2000), p. 388.
 

"Narcissus at the Spring" by Jan Roos (Flemish artist, 1591–1638)
depicts Narcissus gazing at his own reflection.


Narciso
 
Narciso era filho de Cefísio, rei da Fócida, e da ninfa Liríope, que era filha do Oceano e de Tétis, sua mulher. Quando já era jovem, era tão formoso, que todas as ninfas o amavam e desejavam, sem que ele se deixasse prender por nenhuma delas. A ninfa Eco, filha do Ar e da Terra, que vivia nas margens do Rio Cefísio, não tendo conseguido seduzi-lo, morreu de amor.
Tirésias, adivinho famoso, preveniu os familiares de Narciso de que este só viveria enquanto não chegasse a contemplar a sua imagem. E um dia, de regresso de uma longa caçada, sentou-se à beira de uma fonte para beber e refrescar-se e viu-se no espelho da água. Ficou tão enamorado de si próprio, que morreu extasiado.
Foi metamorfoseado em flor, à qual foi dado o seu nome. (daqui)
 
 
Jan Cossiers (Flemish painter and draughtsman, 1600–1671),
Narcissus, 17th century, Museo del Prado.
 

"O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido
em que se libertou do seu ego."

Albert Einstein (Nobel de Física, 1921)
 
 
Gerard van Kuijl (Dutch Golden Age painter, 1604–1673),
Narcissus, c. 1645. John and Mable Ringling Museum of Art
 

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

"Mania da Solidão" - Poema de Cesare Pavese


 Dining Table (Cuadro de Comedor), 1864, Museo Soumaya.
 


Mania da Solidão


Como um jantar frugal junto à clara janela,
Na sala já está escuro mas ainda se vê o céu.
Se saísse, as ruas tranquilas deixar-me-iam
ao fim de pouco tempo em pleno campo.
Como e observo o céu — quem sabe quantas mulheres
estão a comer a esta hora — o meu corpo está tranquilo;
o trabalho atordoa o meu corpo e também as mulheres.

Lá fora, depois do jantar, as estrelas virão tocar
a terra na ancha planura. As estrelas são vivas,
mas não valem estas cerejas que como sozinho.
Vejo o céu, mas sei que entre os tetos de ferrugem
brilha já alguma luz e que, por baixo, há ruídos.
Um grande golo e o meu corpo saboreia a vida
das árvores e dos rios e sente-se desprendido de tudo.
Basta um pouco de silêncio e as coisas imobilizam-se
no seu verdadeiro sítio, como o meu corpo imóvel.

Cada coisa está isolada ante os meus sentidos,
que a aceita impassível: um cicio de silêncio.
Cada coisa na escuridão posso sabê-la,
como sei que o meu sangue circula nas veias.
A planura é água que escorre entre a erva,
um jantar de todas as coisas. Cada planta e cada pedra
vivem imóveis. Escuto os alimentos e eles alimentam-me as veias
com todas as coisas que vivem nesta planura.

A noite importa pouco. O retângulo de céu
sussurra-me todos os fragores e uma estrela miúda
debate-se no vazio, longe dos alimentos,
das casas, distinta. Não se basta a si mesma
e precisa de muitas companheiras. Aqui no escuro, sozinho,
o meu corpo está tranquilo e sente-se soberano.
 

Cesare Pavese, in "Trabalhar cansa".
Tradução e introdução de Carlos Leite.
Lisboa; Edições Cotovia.


José Agustín Arrieta, Still Life with Cat and Birds, oil on canvas, 63 x 86 cm.
 

"Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade.” 
 
Albert Einstein (Nobel de Física, 1921)
 
 
José Agustín Arrieta, Dining room (Cuadro de Comedor), c. 1857 - 1859.
 

"Ser vegetariano é discordar: discordar do curso que as coisas tomaram hoje. Fome, crueldade, desperdício, guerras - precisamos nos posicionar contra essas coisas. O vegetarianismo é a minha forma de me posicionar." 
 
 Isaac Bashevis Singer (Nobel de Literatura, 1978)
 

José Agustín Arrieta, Dining Table, c. 1840 - 1860Museo Soumaya
 
 
"Um jantar! Que horrível! Estão me usando como pretexto para matar todos aqueles pobres animais. Obrigado por nada. Agora se fosse um jejum solene de três dias, em que todos ficassem sem comer animais em minha honra, eu poderia pelo menos fingir que estou desinteressado. Mas não, sacrifícios de sangue não estão na minha lista."
 
George Bernard Shaw (Nobel de Literatura, 1925), em carta de 30 de dezembro de 1929,
perante a possibilidade de ser homenageado com um banquete com grande diversidade de carnes.
 
 

Jose Agustin Arrieta, Still Life, c. 1870, San Diego Museum of Art.


"Eu não tenho dúvidas de que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais, tal como as tribos selvagens deixaram de se comer umas às outras quando entraram em contacto com os mais civilizados."

Henry David Thoreau, em "Walden ou A Vida nos Bosques", 1854.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

"Um dia não muito perto não muito longe" - Poema de Ruy Belo



Patrick William Adam (Scottish painter, 1854–1929), 'The Yellow Bed', 1917



Um dia não muito perto não muito longe


Às vezes sabes sinto-me farto
por tudo isto ser sempre assim
Um dia não muito longe não muito perto
um dia muito normal um dia quotidiano
um dia não é que eu pareça lá muito hirto
entrarás no quarto e chamarás por mim
e digo-te já que tenho pena de não responder
de não sair do meu ar vagamente absorto

farei um esforço parece mas nada a fazer
hás de dizer que pareço morto
que disparate dizias tu que houve um surto
não sabes de quê não muito perto
e eu sem nada para te dizer
um pouco farto não muito hirto e vagamente absorto
não muito perto desse tal surto
queres tu ver que hei de estar morto?


Ruy Belo
, in Homem de Palavra[s]
Assírio & Alvim
 
 

Patrick William Adam, 'Afternoon Light'



"No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade."


(Albert Einstein)
 


Patrick William Adam, 'Interior looking through to morning room' 


"Eu nunca penso no futuro. Ele não tarda em chegar." 
 
 

sábado, 5 de setembro de 2020

"Meu Credo" - Texto de Albert Einstein



Jan Steen (Dutch Golden Age painter, c. 1626 -1679), The Prayer Before the Meal, 1660


'Meu Credo'


"É uma bênção especial pertencer entre aqueles que podem dedicar suas melhores energias para a contemplação e exploração de coisas objetivas e atemporais. Quão feliz e grato eu sou por ter recebido essa bênção, que dá um grande grau de independência em relação ao destino pessoal de alguém e a atitude de seus contemporâneos. No entanto, essa independência não deve nos habituar à consciência dos deveres que constantemente nos prendem ao passado, presente e futuro da humanidade em geral.

Nossa situação na terra parece estranha. Cada um de nós aparece aqui, involuntariamente e sem ser convidado, para uma estadia curta, sem saber o porquê e para quê. Em nossa vida diária sentimos apenas que o homem está aqui para o bem dos outros, para aqueles a quem amamos e por muitos outros seres cujo destino está ligado com o nosso. Muitas vezes me perturba a ideia de que a minha vida é baseada em grande parte no trabalho dos meus companheiros seres humanos, e estou ciente da minha grande dívida para com eles.

Eu não acredito no livre-arbítrio. Palavras de Schopenhauer: “O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer”, me acompanham em todas as situações ao longo de minha vida e me reconciliam com as ações dos outros, mesmo que elas sejam bastante dolorosas para mim. Esta consciência da falta de livre arbítrio me impede de levar a mim mesmo e aos meus colegas muito a sério como indivíduos de ação e decisão, e de perder o meu temperamento.

Eu nunca cobicei riqueza e luxo e até mesmo os desprezo de certa forma. Minha paixão pela justiça social muitas vezes me levou a um conflito com as pessoas, assim como a minha aversão a qualquer obrigação e dependência que eu não considero absolutamente necessárias. Eu tenho um grande respeito pelo indivíduo e uma aversão insuperável pela violência e o fanatismo. Todos estes motivos me fizeram um pacifista apaixonado e antimilitarista. Sou contra qualquer chauvinismo, mesmo sob o disfarce de mero patriotismo.

Privilégios com base na posição e propriedade sempre me pareceram injustos e perniciosos, assim como qualquer culto exagerado à personalidade. Eu sou um adepto do ideal da democracia, embora eu saiba bem as fraquezas da forma democrática de governo. A igualdade social e a proteção económica do indivíduo sempre me pareceram os objetivos comuns importantes do estado.

Embora eu seja um solitário típico na vida diária, a minha consciência de pertencer à comunidade invisível daqueles que lutam pela verdade, beleza e justiça me impede de me sentir isolado.

A experiência mais bela e mais profunda que um homem pode ter é o sentido do mistério. É o princípio fundamental da religião, bem como de todo esforço sério na arte e na ciência. Aquele que nunca teve essa experiência parece-me que, se não está morto, então, está pelo menos cego.

Perceber que por trás de tudo o que pode ser experimentado há uma coisa que a nossa mente não pode compreender, cuja beleza e magnificência nos alcança apenas indiretamente: isso é religiosidade. Neste sentido, sou religioso. Para mim, basta questionar estes segredos e tentar humildemente entender com a minha mente uma mera imagem da estrutura elevada de tudo que existe”.
Jan Steen, A Peasant Family at Meal-time ('Grace before Meat') 



''É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores. Tem de aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom.''

O «Ensina-me» - Poema de Bertold Brecht


Ralph Hedley, The Sculptor John Graham Lough in his Studio, 1881



O «Ensina-me» 


Quando era novo, mandei fazer numa tábua
A canivete e nanquim a figura dum velho
A coçar-se no peito por causa da sarna
Mas de olhar implorativo porque esperava que o ensinassem.
Uma segunda tábua pra o outro canto do quarto,
Que devia representar um moço a ensiná-lo,
Nunca mais foi feita.

Quando era novo tinha a esperança
De encontrar um velho que se deixasse ensinar.
Quando for velho, espero
Que se encontre um moço e eu
Me deixe ensinar.


Bertolt Brecht,
in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela


Ralph Hedley, Self-portrait, 1895


"Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre."

(Albert Einstein)

terça-feira, 1 de setembro de 2020

"Domínio do Destino" - Texto de Novalis


Henri Jules Jean Geoffroy, Embarassed Schoolboy, 1908


Domínio do Destino


"O destino que nos oprime é a inércia do nosso espírito. Através do alargamento e formação da nossa atividade transmutamo-nos, nós próprios, em Destino.
Tudo parece fluir para nós vindo do exterior, porque nós não fluímos para o exterior. Somos negativos, apenas, porque o queremos - quanto mais positivos nos tornarmos, mais negativo será o mundo à nossa volta - até que, por fim, já não haverá negação e nós seremos tudo em tudo.
Deus quer deuses.
Se o nosso corpo, em si mesmo, não é senão um centro de ação comum dos nossos sentidos - se nós possuímos o domínio dos nossos sentidos - se os podemos fazer agir à vontade - se os podemos centrar em comunidade, então não depende senão de nós o darmos a nós próprios o corpo que queremos.
Sim, se os nossos sentidos não são senão modificações do órgão pensante - do elemento absoluto - então poderemos, também, pela dominação deste elemento, modificar e dirigir, como nos agradar, os nossos sentidos.''

 Novalis (1772–1801)

 
Novalis, 1799, portrait by Franz Gareis


 De seu verdadeiro nome Friedrich von Hardenberg, o escritor alemão Novalis nasceu em 1772 e morreu ainda jovem, em 1801. Poeta, romancista e teórico do Romantismo, teve nesta tripla qualidade apreciável influência a nível europeu. 

Membro de uma família aristocrática, fez estudos universitários em Iena, Lípsia e Wittenberg. A sua curta vida foi depois ocupada pelo trabalho na administração de minas. Entretanto, travava conhecimento com Friedrich Schiller, os irmãos Schlegel (Friedrich Schlegel encarregar-se-ia de organizar e publicar a sua obra, postumamente) e a filosofia idealista do seu tempo, com destaque para a de Kant e a de Fichte. 

A obra de Novalis encontrava-se praticamente toda inacabada e por publicar na altura da sua morte. De qualquer forma, os seus escritos foram recuperados, encontrando-se entre eles, além de tentativas literárias juvenis de interesse menor, um conjunto muito significativo de textos líricos e narrativos, e mesmo ensaísticos plenos de simbolismo e interesse filosófico. A própria variedade das realizações de Novalis constitui prova de se tratar de uma figura excecional.

Os Hymnen an die Nacht (Hinos à Noite, 1800) constituem uma das grandes expressões do lirismo noturno, melancólico, da literatura ocidental moderna. Exprimem uma temática mística sobrevindo à dor (segundo algumas interpretações, a génese destas poesias pode identificar-se com a morte da amada de Novalis), com a antecipação de uma união sublimada dos amantes num futuro pós-mortal. 

Os célebres fragmentos de Novalis - designadamente os coligidos em Blüthenstaub (Grãos de Pólen) - são tentativas, de grande profundidade filosófica, de compreensão do mundo, de Deus, do lugar do Homem, do absoluto. 

O romance inacabado Heinrich von Ofterdingen (Henrique de Ofterdingen) é a história de um jovem poeta em busca do seu ideal. Por isso, tem sido inúmeras vezes interpretada como a narrativa paradigmática das demandas românticas do século XIX, e o facto de se encontrar inacabada só lhe tem conferido um poder ainda maior de atração. 

Finalmente, o ensaio Die Christenheit oder Europa (A Cristandade ou a Europa), que só conheceria publicação póstuma, foi altamente polémico no seu tempo. Partindo de uma visão idealizada da Idade Média, que para ele constituia uma época de unidade espiritual e de harmonia política e institucional na Europa, o autor perspetiva a restauração apocalíptica dessa mesma ordem num futuro próximo, em linguagem plena de expressão simbólica. Novalis junta-se, assim, ao rol daqueles que, ao longo dos séculos, mantiveram o sonho de uma Europa unida, com a particularidade de, para ele, essa unidade ser mais uma coesão espiritual do que uma realidade política.(Daqui)
Henri Jules Jean Geoffroy, Une leçon de dessin, 1895 


Mensagem a alunos e professores 


"A arte mais importante do professor é a de despertar a alegria pelo trabalho e pelo conhecimento.

«Queridos estudantes!


Regozijo-me por vos ver hoje diante de mim, alegre juventude de um país abençoado.
Lembrai-vos de que as coisas maravilhosas que ireis aprender nas vossas escolas são a obra de muitas gerações, levada a cabo por todos os países do mundo, à custa de muito entusiasmo, muito esforço e muita dor. Tudo é depositado nas vossas mãos, como uma herança, para que a aceitem, honrem, desenvolvam e a transmitam fielmente um dia aos vossos filhos. Assim nós, embora mortais, somos imortais nas obras duradouras que criamos em comum.
Se tiverem esta ideia sempre em mente, encontrarão algum sentido na vida e no trabalho e poderão formar uma opinião justa em relação aos outros povos e aos outros tempos.»"


Albert Einstein (1879-1955), in 'Como Vejo o Mundo',1934


quarta-feira, 30 de maio de 2018

"A luta para a supressão radical das guerras" - Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'


Charles Spencelayh (English painter, 1865–1958), Why War?, 1938
 


A luta para a supressão radical das guerras


A minha participação na produção da bomba atómica consistiu numa única ação: assinei uma carta dirigida ao presidente Roosevelt, na qual se sublinhava a necessidade de levar a cabo experiências em grande escala, para investigação das possibilidades de produção duma bomba atómica. 
Tive bem consciência do grande perigo que significava para a Humanidade o êxito desse empreendimento. Mas a probabilidade de que os Alemães trabalhassem no mesmo problema e fossem bem sucedidos, obrigou-me a dar este passo. Não tinha outra solução, embora tivesse sido sempre um pacifista convicto. Foi, portanto, uma reação de legítima defesa. 

Enquanto, porém, as nações não estiverem resolvidas a trabalhar em comum para suprimir a guerra, a resolverem os seus conflitos por decisão pacífica e a protegerem os seus interesses de maneira legal, vêem-se obrigadas a preparar-se para a guerra. Vêem-se, mais, obrigadas a preparar todos os meios, mesmo os mais detestáveis, para não se deixarem ficar para trás, na corrida geral aos armamentos. Este caminho conduz fatalmente à guerra que, nas condições atuais, significa destruição geral.
Nestas condições, a luta contra os meios não tem probabilidades de êxito. Só ainda pode valer a supressão radical das guerras e do perigo de guerra. É para isso que se deve trabalhar e estar resolvido a não se deixar arrastar para atos que sejam contrários a tal fim. É esta uma dura exigência feita ao indivíduo consciente da sua dependência social. Mas não é uma exigência irrealizável. 

Gandhi, o maior génio político dos nossos tempos, indicou o bom caminho e fez ver de que sacrifícios os homens são capazes quando o reconhecem. A sua obra em prol da libertação da Índia é um testemunho vivo de que a vontade, dominada por uma firme convicção, é mais forte que a força material aparentemente invencível.





"Cada guerra é uma destruição do espírito humano."


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

"Letreiro" - Poema de Miguel Torga


James Taylor Harwood (American artist, 1860-1940), All the World's a Stage, Liberty Park, 1893


Letreiro


Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
De insatisfação -,
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.


Orfeu Rebelde. 1958


James Taylor HarwoodBoys fishing on a summer day


"Algo só é impossível até que alguém duvida e acaba provando o contrário." 

(Albert Einstein)


quinta-feira, 7 de maio de 2015

"O que há de mais belo na nossa vida" - Texto de Albert Einstein


O que há de mais belo na nossa vida 

 
O que há de mais belo na nossa vida é o sentimento do mistério. É este o sentimento fundamental que se detém junto ao berço da verdadeira arte e da ciência. Quem nunca o experimentou nem sabe já admirar-se ou espantar-se. Pode considerar-se como morto, sem luz, totalmente cego! A vivência do mistério — embora com laivos de temor — criou também a religião. A consciência da existência de tudo quanto para nós é impenetrável, de tudo quanto é manifestação da mais profunda razão e da mais deslumbrante beleza e, que só é acessível à nossa razão nas suas formas mais primitivas, essa consciência, esse sentimento, constituem a verdadeira religiosidade. Nesse sentido, e em mais nenhum, pertenço à classe dos homens profundamente religiosos. Não posso conceber um Deus que recompense e castigue os objectos da sua criação, ou que tenha vontade própria, de puro arbítrio no género da que nós sentimos dentro de nós. Nem tão-pouco consigo imaginar um indivíduo que sobreviva à sua morte corporal; as almas fracas que alimentem tais pensamentos fazem-no por medo ou por egoísmo ridículo. A mim basta-me o mistério da eternidade da vida, a consciência e o pressentimento da admirável elaboração do ser, assim como o humilde esforço para compreender uma partícula, por mais pequena que seja, da razão que se manifesta na natureza. 
 
 
Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'


Catedral de Santa Maria del Fiore. Desde o Renascimento, a harmonia, simetria 
e proporções corretas são consideras elementos essenciais da beleza universal.



"É durante a noite que é belo acreditar na luz."

(Jean Rostand)

Jean Rostand (30 de outubro de 1894 — 3 de setembro de 1977) foi um biólogo, filósofo moralista e historiador francês.



Esta breve animação, criada por Fernando Baptista e Matthew Twomblym e apresentada pelo National Geographic, oferece uma ideia de como pode ter sido construída a cúpula. 
Em 1419, o projeto de Filippo Brunelleschi foi o vencedor do concurso de arquitetura 
para a construção da cúpula da Santa Maria del Fiore, em Florença, Itália.


quinta-feira, 23 de abril de 2015

"A Falta de Cultura Ética da Nossa Civilização" - Texto de Albert Einstein




A Falta de Cultura Ética da Nossa Civilização


Creio que o exagero da atitude puramente intelectual, orientando, muitas vezes, a nossa educação, em ordem exclusiva ao real e à prática, contribuiu para pôr em perigo os valores éticos. Não penso propriamente nos perigos que o progresso técnico trouxe diretamente aos homens, mas antes no excesso e confusão de considerações humanas recíprocas, assentes num pensamento essencialmente orientado pelos interesses práticos que vem embotando as relações humanas. 
O aperfeiçoamento moral e estético é um objectivo a que a arte, mais do que a ciência, deve dedicar os seus esforços. É certo que a compreensão do próximo é de grande importância. Essa compreensão, porém, só pode ser fecunda quando acompanhada do sentimento de que é preciso saber compartilhar a alegria e a dor. Cultivar estes importantes motores de ação é o que compete à religião, depois de libertada da superstição. Nesse sentido, a religião toma um papel importante na educação, papel este que só em casos raros e pouco sistematicamente se tem tomado em consideração. 
O terrível problema magno da situação política mundial é devido em grande parte àquela falta da nossa civilização. Sem «cultura ética», não há salvação para os homens. 


Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"Diálogo" - Poema de Albano Martins


Os alunos atravessam uma ponte suspensa danificada, Lebak, Indonésia
 
 

Diálogo


Levarás 
pela mão 
o menino 
até ao rio. Dir-lhe-ás 
que a água é cega 
e surda. Muda, 
não. Que o digam 
os peixes, que em silêncio 
com ela sustentam 
seu diálogo 
líquido, de líquidas 
sílabas 
de submersas 
vogais. 


Albano Martins, 
in "Castália e Outros Poemas"


 Lebak, Indonésia


Os mais perigosos e bizarros caminhos do mundo para ir para a escola

  • Para deleite de alguns e desespero de outros, o novo ano letivo está prestes a começar para milhões de crianças em todo o mundo. Se para muitas crianças ir para a escola é uma banalidade para outros é um grande luxo.

Delhi, India


  • São muitas as crianças que todos os dias têm de percorrer caminhos bastante perigosos e bizarros, muitas vezes em transportes sobrelotados, para conseguirem chegar à escola e receber a educação que muitas outras crianças dão por garantida.

Sri Lanka

  • De acordo com a UNESCO, o progresso de ligação entre as crianças e as escolas abrandou nos últimos cinco anos, o que torna ainda mais difícil a muitas crianças deslocarem-se para os locais de aprendizagem, escreve o Bored Panda

Pili, China

  • Os caminhos perigosos que todos os dias têm de atravessar são um dos principais motivos para a grande taxa de abandono escolar nos países mais desfavorecidos ou nas regiões isoladas.

Gulu, China

  • A solução pode parecer simples: construam-se pontes e estradas, comprem-se autocarros e contratem-se motoristas. Contudo, a falta de dinheiro e os desastres naturais que frequentemente destroem as construções que permitem às crianças ir à escola tornam difícil o acesso à educação que muitos necessitam.

Zhang Jiawan Village, Southern China


"Tenho de procurar nas estrelas aquilo que me é negado na Terra."

 

Padang, Sumatra, Indonesia


"Qual é o sentido da nossa vida em especial, e qual o sentido da vida de todos os seres em geral? Saber responder a esta pergunta equivale a ser-se religioso. Hão-de perguntar: fará sentido pôr-se esta questão? Respondo: Quem considere a sua própria vida e a dos seus semelhantes como desprovida de sentido, não é somente infeliz, como ainda incapaz de viver."
Albert Einstein
 
Padang, Sumatra, Indonesia


"Dificuldades e obstáculos são fontes valiosas de saúde e força para qualquer sociedade."

Albert Einstein

Rio Negro, Colômbia


"Deus é a lei e o legislador do Universo."

Albert Einstein

Rio Negro, Colômbia


"O comportamento ético do homem deve basear-se eficazmente na compaixão, na educação e nos laços sociais, e não necessita de base religiosa. Triste seria a condição humana se os homens precisassem de ser refreados pelo temor do castigo ou pela esperança da recompensa depois da morte."

Albert Einstein

Gulu, China


"Feliz aquele que atravessou a vida ajudando o seu semelhante, que não conheceu o medo e se manteve alheio à agressividade e ao ressentimento! É dessa madeira que são esculpidas as figuras ideais, que consolam a Humanidade nas situações de sofrimento que ela própria criou."


Albert Einstein

Gulu, China


"Tudo quanto o espírito inventivo do homem criou nos últimos cem anos, poderia assegurar-nos uma vida despreocupada e feliz se o progresso em matéria de organização tivesse caminhado a par do progresso técnico. Mas, assim, tudo quanto se conseguiu à custa de muito esforço, lembra, nas mãos da nossa geração, uma lâmina de barbear na mão duma criança de três anos. A aquisição de maravilhosos meios de produção não nos trouxe a liberdade, mas sim a preocupação e a fome."

Albert Einstein

Cilangkap Village, Indonesia

"Só quando se suprimir a guerra, se conseguirá também realizar a educação da juventude no espírito de conciliação, de alegre afirmação da vida e de amor para com todos os seres vivos. Nem é de desejar que, precisamente os moços mais valorosos, sejam entregues à destruição, levada a cabo pela engrenagem, atrás da qual se erguem três potências formidáveis: a estupidez, o medo e a avidez."


Albert Einstein

A girl riding a bull to school, Myanmar


"O trabalho esforçado e a contemplação da natureza de Deus são os anjos que, conciliadores, fortificadores e, contudo, impiedosamente severos, me guiarão através do tumulto da vida."

Albert Einstein, Correspondência (1897), a um amigo 
 

Riau, Indonésia


"A comodidade de vida, o conforto, têm nos Estados Unidos um papel predominante. A eles se sacrifica o sossego, a despreocupação e a segurança. O Americano vive mais para um objectivo, para o futuro, que o Europeu. A vida é um evoluir constante e nunca um estado. Nesse sentido é menos parecido ainda com o Russo e o Asiático do que o Europeu."


Albert Einstein

The Root Bridge, India


"Aquilo que considero verdadeiramente valioso na engrenagem da Humanidade não é o Estado, mas sim o indivíduo criador e emotivo, a personalidade: só ela é capaz de criar aquilo que é nobre e sublime, enquanto o povo em si permanece embotado no pensar e frígido no sentir."

Albert Einstein

Zanskar, Indian Himalayas


"A interrupção do treino intelectual nos anos decisivos do desenvolvimento, deixa fácilmente, atrás de si, uma lacuna que dificilmente poderá ser depois preenchida."

Albert Einstein

Rizal Province, Philippines


"A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro."

Albert Einstein


Rizal Province, Philippines


"A vontade, dominada por uma firme convicção, é mais forte que a força material aparentemente invencível."

Albert Einstein


Rizal Province, Philippines


"Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe por provar o contrário."

 
Albert Einstein

Rizal Province, Philippines


"O ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos que aquilo que se lhes ensina é uma dádiva preciosa e não uma amarga obrigação."

Albert Einstein

Beldanga, India

Fontes:
Green Savers
Bored Panda