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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

"Juventude" - Poema de Pedro Homem de Mello


 
Franz von Defregger (Austrian artist, 1835–1921), Going to school, n.d.



Juventude


Lembras-te, Carlos, quando, ao fim do dia,
Felizes, ambos, íamos nadar
E em nossa boca a espuma persistia
Em dar ao Sol o nome do Luar?

Tudo era fácil, melodioso e longo.
Aqui e além, um súbito ditongo
Ecoava em nós certa canção pagã.

Contudo o azul do mar não tinha fundo
E o mundo continuava a ser o mundo
Banhado pela aragem da manhã!...


Pedro Homem de Melo,
in "O Rapaz da Camisola Verde"


OneRepublic - Good Life



sábado, 14 de abril de 2012

"Lição sobre a água" - Poema de António Gedeão




Lição sobre a água


Este líquido é água. 
Quando pura 
é inodora, insípida e incolor. 
Reduzida a vapor, 
sob tensão e a alta temperatura, 
move os êmbolos das máquinas que, por isso, 
se denominam máquinas de vapor. 

É um bom dissolvente. 
Embora com exceções mas de um modo geral, 
dissolve tudo bem, bases e sais. 
Congela a zero graus centesimais 
e ferve a 100, quando à pressão normal. 

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão, 
sob um luar gomoso e branco de camélia, 
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia 
com um nenúfar na mão.
 

António Gedeão,
in'Obra Completa', 2ªedição,
Relógio d’Água, Lisboa 2007. 
 

















Nos altos ramos de árvores frondosas


Nos altos ramos de árvores frondosas 
O vento faz um rumor frio e alto. 
Nesta floresta, em este som me perco 
E sozinho medito. 
Assim no mundo, acima do que sinto, 
Um vento faz a vida, e a deixa, e a toma, 
E nada tem sentido — nem a alma 
Com que penso sozinho. 

20-4-1928 
 
Ricardo Reis, Odes
Heterónimo de Fernando Pessoa
 

OneRepublic - Mercy



- Pensamentos -




"Receio que os animais considerem o homem como um ser da sua espécie, mas que perdeu da maneira mais perigosa a sã razão animal, receio que eles o considerem como o animal absurdo, como o animal que ri e chora, como o animal desastroso." 
 
Friedrich Nietzsche
[Filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão, 1844–1900]





"O pensamento é grande, rápido e livre: é a luz do mun­do e a glória maior do ser humano."
 
Bertrand Russell
[Matemático, filósofo, ensaísta e historiador inglês, 1872–1970]





"Sinto pena de mulheres que continuam comprando casacos de pele, pois nelas faltam dois dos mais importantes requisitos para uma mulher: coração e sensibilidade."

Jayne Meadows

[Atriz, autora e palestrante americana, 1919–2015]
 




"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido." 
 
 [Matemático, filósofo, ensaísta e historiador inglês, 1872–1970] 
 



 
"Existe um artista aprisionado em cada um de nós. 
Deixe-o solto para espalhar alegria por toda parte." 
 
[Matemático, filósofo, ensaísta e historiador inglês, 1872–1970]  
 
 



"Matar um animal para fazer um casaco é um pecado. Nós não temos esse direito. Uma mulher realmente tem classe quando rejeita que um animal seja morto para ser colocado sobre os seus ombros. Só assim ela será verdadeiramente bela."

Doris Day

[Atriz e cantora americana, 1922–2019]
 
              


 
"Uma vida boa é aquela inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento." 
 
[Matemático, filósofo, ensaísta e historiador inglês, 1872–1970] 
 
 



"Temer o amor é temer a vida, e aqueles que temem a vida já estão praticamente mortos." 
 
 [Matemático, filósofo, ensaísta e historiador inglês, 1872–1970] 
 




"Sabemos muito e sentimos muito pouco. Pelo menos, sentimos muito pouco 
daquelas emoções criativas das quais uma vida boa surge." 
 
 [Matemático, filósofo, ensaísta e historiador inglês, 1872–1970] 
 




"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira."

Leo Tolstoy
[Escritor russo, 1828–1910]
 






quinta-feira, 22 de março de 2012

"É Primavera agora, meu Amor!" - Poema de Florbela Espanca



Émile Vernon (British painter, 1872–1919), 'The Fancy Bonnet'
 

É Primavera agora, meu Amor!


É Primavera agora, meu Amor! 
O campo despe a veste de estamenha; 
Não há árvore nenhuma que não tenha 
O coração aberto, todo em flor! 

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor 
Da vida... não há bem que nos não venha 
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha! 
Não há bem que não possa ser melhor! 

Também despi meu triste burel pardo, 
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo 
E ando agora tonta, à tua espera... 

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos... 
Parecem um rosal! Vem desprendê-los! 
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!... 


Florbela Espanca, in 'Reliquiae', 1934


Pinturas de Emile Vernon






Émile Vernon, 'The three Graces'


Sonhei um sonho 

 
Sonhei um sonho 
e lembrei-me do sonho 
e esqueci-me do sonho 
e sonhei que procurava 
em sonho aquele sonho 
e pergunto se a vida 
não é um sonho que procura um sonho. 

1959

Cecília Meirelesin 'Poesia Completa'



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