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quinta-feira, 3 de julho de 2014

"A Paz sem Vencedor e sem Vencidos" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


Umberto Boccioni, sketch of "The City Rises", 1910.


A Paz sem Vencedor e sem Vencidos 


Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 
A paz sem vencedor e sem vencidos 
Que o tempo que nos deste seja um novo 
Recomeço de esperança e de justiça 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 

A paz sem vencedor e sem vencidos 

Erguei o nosso ser à transparência 
Para podermos ler melhor a vida 
Para entendermos vosso mandamento 
Para que venha a nós o vosso reino 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 

A paz sem vencedor e sem vencidos 

Fazei Senhor que a paz seja de todos 
Dai-nos a paz que nasce da verdade 
Dai-nos a paz que nasce da justiça 
Dai-nos a paz chamada liberdade 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos 

A paz sem vencedor e sem vencidos 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Dual", 1972.
 

Umberto Boccioni, Self-portrait, 1905.
 
Umberto Boccioni foi um pintor e escultor italiano, nascido no dia 19 de outubro de 1882, em Reggio di Calabria, e falecido no dia 16 de agosto de 1916, em Sorte (Verona), em consequência de uma queda de cavalo durante manobras militares. 
Foi um dos representantes máximos do movimento futurista que defendia o progresso acidental, a máquina e o estilo de vida ruidoso e agitado da vida urbana. 


Umberto Boccioni, Self-portrait, oil on canvas, 1905,
 Metropolitan Museum of Art.
 
Em 1901, mudou-se para Roma para estudar, acabando por fazer amizade com outros pintores, pertencentes a este movimento. No início, mostrou-se interessado na pintura impressionista, principalmente na obra de Cézanne. Fez então algumas viagens a Paris, São Petersburgo e Milão.


Umberto Boccioni, The City Rises, 1910.
 
Regressando em 1910, entrou em contacto com Carlo Carrà, Luigi Russolo e Filippo Tommaso Marinetti e, um ano depois, encontrava-se entre os autores do "Manifesto Futurista de Pintura", do qual foi um dos principais teóricos. Foi com a intenção de procurar as bases dessa nova estética que viajou para Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso e Georges Braque.


Horizontal Volumes by Umberto Boccioni, 1912.
 
Ao retornar, em 1912, publicou o "Manifesto Técnico da Pintura Futurista", no qual foram registados os princípios teóricos da arte futurista: condenação do passado, desprezo pela representação naturalista, indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados à pintura. 
Nesse mesmo ano, participou da primeira exposição futurista mas as suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os conceitos propostos pelo cubismo. Os retratos deformados pelas sobreposições de planos ainda não conseguiam expressar com clareza a sua conceção teórica. 


Umberto Boccioni, Dynamism of a Cyclist, 1913.

Um ano mais tarde, com sua obra Dinamismo de um Jogador de Futebol, Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do movimento por meio de cores e planos desordenados, como num pseudofotograma.


Umberto Boccioni, Unique Forms of Continuity in Space, 1913.
 
Em 1911, inicia a sua atividade como escultor, com obras menos numerosas que as suas pinturas mas mais livres e atrevidas e onde sempre afloram elementos neoimpressionistas, conseguindo um intercâmbio surpreendente entre o côncavo e o convexo, superando as experiências cubistas. 


'Development of a Bottle in Space', bronze sculpture 
by Umberto Boccioni, 1913, Metropolitan Museum of Art.
 
Nas suas obras escultóricas, que combinam madeira, ferro e cristal, Boccioni pretende ilustrar a interação que se estabelece entre um objeto em movimento e o espaço que o rodeia.
Apesar de tudo, permaneceu sempre muito ligado a uma conceção romântica e tradicional do movimento e do quadro como janela. 
Em 1915, participou como voluntário na Primeira Guerra Mundial e, é nesta altura que começa a distanciar-se do futurismo (da velocidade e do dinamismo), aproximando-se de uma análise das imagens plásticas, isto é, dos volumes arredondados e mais estáticos, influenciado por Cézanne.

Umberto Boccioni. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-07-03].


Portrait of Ferruccio Busoni, 1916 by Umberto Boccioni


Umberto Boccioni, Landscape-Mountains, 1916.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"A um crucifixo" - Poema de Antero de Quental


Carlo Carrà (Italian painter, 1881–1966), Futurism, Metaphysical art



A um crucifixo


Não se perdeu teu sangue generoso,
Nem padeceste em vão, quem quer que foste,
Plebeu antigo, que amarrado ao poste
Morreste como vil e faccioso.

Desse sangue maldito e ignominioso
Surgiu armada uma invencível hoste...
Paz aos homens e guerra aos deuses! - pôs-te
Em vão sobre um altar o vulgo ocioso...

Do pobre que protesta foste a imagem:
Um povo em ti começa, um homem novo:
De ti data essa trágica linhagem.

Por isso nós, a Plebe, ao pensar nisto,
Lembraremos, herdeiros desse povo,
Que entre nossos avós se conta Cristo. 
 
 
in 'Os sonetos completos de Anthero de Quental', 
publicados por J. P. Oliveira Martins. - [1ª ed.],
 Porto : Livraria Portuense de Lopes, 1886
 


Galeria de Carlo Carrà (3)

Carlo Carrà


Carlo Carrà


Carlo Carrà


Carlo Carrà


Carlo Carrà


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Carlo Carrà


Carlo Carrà


Carlo Carrà


Carlo Carrà


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Carlo Carrà


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Carlo Carrà


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"Cantilena para um tocador de flauta cego" - Poema de Marguerite Yourcenar



Carlo Carrà
(Italian painter, 1881-1966), Woman on the Balcony, 
(Simultaneità, La donna al balcone), 1912, Collezione R. Jucker, Milan, Italy



Cantilena para um tocador de flauta cego


Flauta da noite que se cerra,
Presença líquida de um pranto,
Todos os silêncios da terra
São as pétalas do teu canto.

Espalha teu pólen na alfombra
Do catre que por fim te acoite
Mel de uma boca de sombra
Como um beijo na boca da noite

E pois que as escalas que cansas
Nos dizem que o dia acabou,
Faz-nos crer que os céus dançam
Porque um cego cantou.


Marguerite Yourcenar (1903-1987)
In "Rosa do Mundo - 2001 Poemas Para o Futuro"
Tradução: Mário Cesariny



Galeria de Carlo Carrà (2)

Carlo Carrà


Carlo Carrà


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Carlo Carrà


Carlo Carrà

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"Exílio" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


Carlo Carrà (1881-1966), L'austérité du paysage, 1939
 

Exílio


 
Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades. 
 


Galeria de Carlo Carrà (1)

 Carlo Carrà

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 Carlo Carrà

 Carlo Carrà

 Carlo Carrà

 Carlo Carrà


 Carlo Carrà, The Engineer's Mistress (L'amante dell'ingegnere), 1921


  Carlo Carrà


Carlo Carrà, A musa metafísica, 1917, óleo sobre tela , 89 cm x 65 cm 
Pinacoteca di Brera, em Milão, Itália.
 

Carlo Carrà (Quargnento, 1881 — Milão, 1966), foi um pintor italiano do futurismo. Participou em diversas edições da Bienal de Arte de São Paulo. 

Na sua obra utiliza o mesmo repertório de George de Chirico, mas com tons e objectivos efectivamente diferentes. Em Carrà, a reacção ao dinamismo futurista e a adesão ao mundo imóvel da metafísica coincide com uma vocação pessoal.
 
Em 1917 Carrà conheceu De Chirico e passou a adotar suas imagens de manequins colocados em espaços claustrofóbicos. Anteriormente, o trabalho de Carrà havia passado por uma fase futurista tendo sido ele um dos signatários do Manifesto Futurista de 1910. 

Na sua fase de pintura metafísica, como na obra “A musa metafísica”, num aposento de paredes baixas foi colocada uma jogadora de tênis modelada em gesso, com cabeça de manequim. A figura está perto de um mapa da Grécia, simbolizando a viagem de Ulisses. No fundo, aparece uma figura geométrica colorida atrás de uma tela com fábricas. As imagens parecem oníricas e estão irracionalmente justapostas e parecem curiosamente perturbadas. Essa obra, de acordo com especialistas, é vinculada à escola da Pintura Metafísica
 
A partir de 1924, o artista afastou-se da pintura metafísica e passou para a pintura realista, inspirado pelos mestres italianos da Renascença.