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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

"Quando esse esbelto corpo teu" - Poema de Aleksander Púchkin


Kees van Dongen, La robe rose (Ève Francis), c.1919



Quando esse esbelto corpo teu


Quando esse esbelto corpo teu
Entre meus braços aprisiono,
E às expressões deste amor meu,
Arrebatado, me abandono,
Das mãos prementes, sem um som,
O talhe airoso, sem detença,
Livras e me respondes com
Sorriso de funda descrença.
Lembrando com aplicação
Das mutações minha a história,
Pões-te a escutar-me, merencória,
Sem simpatia ou atenção.
Maldigo as proezas astuciosas
De minha juventude atroz
E as entrevistas amorosas
Nos jardins, nas noites sem voz.
Maldigo do oaristo os cicios,
Dos versos os encantos magos,
Das virgens simples os afagos,
O pranto e os queixumes tardios.

(1830)

Aleksander Púchkin, em "Poesias escolhidas"
Tradução de José Casado


Kees van Dongen, Femme aux bas noirs (Woman with black stockings), c.1907


"Nas ligações do coração, como nas estações, os primeiros frios são os mais sensíveis."



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

"Canção Báquica" - Poema de Aleksander Púchkin


Charles Courtney CurranHollyhocks and Sunlight, 1902



Canção Báquica


Que fez calar a alegre voz?
Ressoai, canções licenciosas!
Bem-vindas, moças carinhosas
E esposas tão jovens que amáveis a nós!
As taças enchei sem tardança!
No vinho a espumar,
No fundo, o jogar
Vinde (e ouvi-las soar) cada aliança!
Cada taça se erga, de vez seja finda!
Bem-vindas, ó musas; Razão, sê bem-vinda!
Astro sagrado, arde tu, sol!
Como o lampião empalidece
Ao claro surgir do arrebol,
Assim o saber falso hesita e esvanece
Ante o imortal sol da Razão.
Bem-vindo sê tu, sol; vai-te negridão!

(1825)

Aleksander Púchkin, em "Poesias escolhidas" 
Tradução de José Casado



Charles Courtney Curran, Among the Hollyhocks, 1904


A uva


Não choro, finda a primavera 
ligeira, a rosa que definha, 
pois, maturando numa vinha 
ao pé do monte, a uva me espera: 
primor do vale viridente, 
deleite do dourado outono,
tão diáfana e tão longo como
os dedos de uma adolescente.

(1824)

A dama de espadas: prosa e poemas. 
Tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher