Ron Hicks (1965, American Impressionist painter)
, Café Kiss
Sou de vidro
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita.
Lídia Jorge
Lídia Jorge
Lídia Jorge, romancista e contista portuguesa nasceu a 18 de junho de 1946, em Boliqueime, no Algarve. Licenciada em Filologia Românica e professora do ensino secundário, ensinou em Angola e Moçambique antes de se fixar em Lisboa. Para além de exercer a docência, dedicou-se também à publicação regular de artigos na imprensa e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Ficcionista, a quem tem sido apontada a influência do realismo mágico latino-americano, cada romance de Lídia Jorge é um romance, isto é, introduz a novidade relativamente ao que o precede, ao nível da construção romanesca, da linguagem e do contexto, pelo que uma panorâmica sobre a obra ficcional da autora deve acima de tudo destacar a capacidade de aperfeiçoamento dos materiais narrativos, a sua adaptação a uma temática sempre renovada, embora inserida numa tendência ampla para reflexão sobre as várias dimensões do Portugal pré e pós revolucionário. Revelou-se com
O Dia dos Prodígios, romance, onde a linguagem oral, dotada de mais sugestividade pelo recurso frequente ao discurso indireto livre e à liberdade de pontuação, permite a evocação de um mundo rural perdido, numa ficção que integra processos de desconstrução narrativa, que tem como objeto a construção de uma perspetiva irónica sobre a utopia revolucionária, apreendida pelo ponto de vista dos habitantes de uma aldeia, Vilamaninhos, onde as coordenadas de estagnação, pureza, ingenuidade se conjugam com um fantástico quotidiano.
Sara Tavares - Ponto de Luz
"O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem." - Rubem Alves, 2002
[
Rubem Alves, nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música
"Serra da Boa Esperança".
Psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.]
"Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro que nunca mostra a ninguém."
[Estados Unidos, 1835-1910, Escritor, Autor, Humorista]