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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

"Soneto a Helena" - Poema de Pierre de Ronsard

 

  Portrait of a Lady, c. 1460, National Gallery of Art, Washington, D.C.


Soneto a Helena 


Quando fores bem velha, à noite, à luz da vela
Junto ao fogo do lar, dobando o fio e fiando,
Dirás, ao recitar meus versos e pasmando:
Ronsard me celebrou no tempo em que fui bela.

E entre as servas então não há de haver aquela
Que, já sob o labor do dia dormitando,
Se o meu nome escutar não vá logo acordando
E abençoando o esplendor que o teu nome revela.

Sob a terra eu irei, fantasma silencioso,
Entre as sombras sem fim procurando repouso:
E em tua casa irás, velhinha combalida,

Chorando o meu amor e o teu cruel desdém.
Vive sem esperar pelo dia que vem;
Colhe hoje, desde já, colhe as rosas da vida.


Pierre de Ronsard (1524-1585)
Tradução de Guilherme de Almeida
In Antologia de poetas franceses: do século XV ao século XX.
(Organização R. Magalhães Júnior; vários tradutores.)
Rio de Janeiro: Gráfica Tupy, 1950.

 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

"Natal" - 3 Poemas de Miguel Torga

 


Hans Zatzka (Austrian painter, 1859-1945), Mary and Child with Angels


Natal

(1982)

Solstício de inverno.
Aqui estou novamente a festejá-lo
À fogueira dos meus antepassados
Das cavernas.
Neva-me na lembrança,
E sonho a primavera
Florida nos sentidos.
Consciente da fera
Que nesses tempos idos
Também era,
Imagino um segundo nascimento
Sobrenatural
Da minha humanidade.
Na humildade
Dum presépio ideal,
Emblematizo essa virtualidade.
E chamo-lhe Natal.

Miguel Torga
(Poema extraído de "Diário VII", 1982)

 


Pompeo Batoni (Italian painter, 1708-1787), The Holy Family with St Elizabeth 
and the Infant St John the Baptist, 1777, Hermitage Museum, St Petersburg
 

 Natal

(1987)

Nasce mais uma vez,
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste inverno gelado.
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens um presépio
Mais agasalhado.

Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar,
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te sonhar.


Miguel Torga
(Poema extraído de "Diário XIV", 1987)

Natal

(1988)

Menino Jesus feliz
Que não cresceste
Nestes oitenta anos!
Que não tiveste
Os desenganos
Que eu tive
De ser homem,
E continuas criança
Nos meus versos
De saudade
Do presépio
Em que também nasci,
E onde me vejo sempre igual a ti.


Miguel Torga
(Poema extraído de "Diário XV", 1988) 
 
 
The Virgin and Child, known as the Durán Madonna, 1435-38, 
Museo del Prado, Madrid
 
 


Rogier Van Der Weyden, pintor flamengo, nasceu por volta do ano de 1400, em Tournai, tendo falecido em Bruxelas sessenta e quatro anos depois. 
A sua obra foi conhecida nos grandes centros e mesmo célebre enquanto ainda vivia, e representou um avanço significativo para a História da Arte. De facto foi considerado, a par de Robert Campin e Jan van Eyck, um dos artistas fundamentais do Quattrocento na Flandres. 
Não existem dados que permitam a reconstituição de uma biografia incontestável, e mesmo as obras que se dizem da sua autoria foram-lhe atribuídas com base num estilo muito característico que todas elas possuem em comum. 
Crê-se que terá estudado na oficina de Rogelet de la Pâture (apesar de alguns estudiosos o identificarem com este mesmo pintor), entre 1427 e 1432, e que a partir de 1436 se estabeleceu em Bruxelas como pintor oficial da cidade. Ao serviço de Bruxelas terá pintado duas cenas de grande dimensão alusivas à Justiça, por volta do ano de 1439. 
No ano seguinte poderá ter ido a Roma, na sequência do Jubileu que se celebrava, visitando Milão e Florença e tendo-se estabelecido em Ferrara, onde trabalhou para Leonel d'Este
Pensa-se igualmente que terá dirigido uma oficina de grandes dimensões e importância. As inovações artísticas de que foi portador foram sobretudo no tratamento iconográfico e da imagem com grande espiritualidade, tendente para o dramatismo. 
Os temas das suas pinturas são em grande parte religiosos, como a Deposição (c. 1435) e São Lucas a retratar a Virgem, obras que a par do Tríptico Miraflores pertencem ao início da sua carreira e, como tal, mostrando clara influência de Robert Campin (provavelmente seu mestre) na característica escultórica das figuras. 
Pensa-se que o Juízo Universal ainda não patenteia os conhecimentos que poderia ter adquirido em Itália e que mais tarde se mostrariam em obras suas, vendo-se nesta obra, pelo contrário, a tendência ainda medieval preconizada por Jan van Eyck
Para a família Médicis pintou um Enterro e Madona com o Menino e Quatro Santos e na década de 1450 pintou obras como o Tríptico Bladelin, o Políptico dos Sete Sacramentos, um tríptico com a Crucifixão e a Anunciação, e já no final da sua vida, além de retratos com tratamento de luz bastante elaborado, o Tríptico de São João e o de Santa Colomba. (Daqui)
 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Arte inspirada nas Histórias da Bíblia - Obras de Rogier Van Der Weyden



Rogier van der Weyden
The Appereance of Mary before Augustus, c. 1445 - 1448,
oil on panel, 91 × 40 cm.


"O homem é a corda estendida entre o animal e o além-do-homem: uma corda sobre um abismo; perigosa travessia, perigoso caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar. O que é de grande valor no homem é ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é que seja uma passagem e um sucumbir." 

  Friedrich Nietzsche


Rogier Van Der Weyden, St. Ivo, c. 1450, oil on oak panel, 45 x 35 cm,
 National Gallery, London


Rogier van der Weyden, The Annunciationc. 1440, oil on panel.


Rogier van der Weyden, The Nativityc, 1445 - 1448, oil on panel, 91 × 89 cm.


Rogier van der Weyden, The Vision of the Magi, c. 1445 - 1448, oil on panel, 91 × 40 cm.


Rogier van der Weyden, St Luke Drawing the Virgin, 1435, oil and tempera on panel.


Rogier van der Weyden, The Braque Triptych, c. 1452 (right panel).
Detail showing the Magdalene.


Rogier van der Weyden, The Descent from the Cross, c. 1435, oil on oak panel, 220 × 262 cm.
 Museo del Prado, Madrid.


Rogier van der Weyden, Seven Sacraments Altarpiece, 1445.


Rogier van der Weyden, The Last Judgment, 1443-1451, oil on panel, 215 × 560 cm.


Rogier van der Weyden 
Rogier van der Weyden, portrait by Cornelis Cort, 1572


Rogier van der Weyden ou Rogier de Bruxelles, cujo verdadeiro nome é Rogier de la Pasture (Tournai, 1400 — Bruxelas, 18 de junho de 1464), foi um dos mais notáveis e importantes pintores góticos flamengos
Ao ser proclamado pintor oficial da cidade de Bruxelas, adotou o nome de Rogier van der Weyden, que era, notoriamente, um nome flamengo. Rogier trabalhou bastante em Bruxelas, especialmente na corte do Duque da Borgonha. Era um discípulo de Robert Campin. Partiu para Itália em 1450 e viveu em Roma e Ferrara, embora tenha voltado a Bruxelas no final da sua vida. 
Rogier foi bastante aclamado durante sua vida inteira e vários pintores europeus, como Zanetto Bugatto, foram enviados para a oficina de Rogier para aprender com o mestre. Sua obra influenciou vários outros artistas como Hugo van der GoesHans MemlingPetrus ChristusDieric BoutsGerard DavidJoos van Cleef e Frans Floris
Seus quadros são hoje disputados pelos melhores museus e colecionadores de todo o mundo, encontrando-se algumas das suas obras no Museu do Prado, em Madrid e no Museu do Louvre, em Paris.