José Henrique dos Santos Barros
nasceu em 1946 em Angra do Heroísmo e faleceu vítima de acidente de
viação, em Mérida, Espanha, em maio de 1983, com a sua mulher, a
escritora Ivone Chimita.
J.
H. Santos Barros viveu a infância e a juventude na ilha Terceira. Após a
conclusão de estudos secundários, empregou-se como funcionário público.
Anos depois, deu início àquela que viria a ser a «aventura» da sua
vida: a poesia, a animação cultural, o suplementarismo e o ensaio
literário, o sindicalismo, a literatura.
A
mobilização para a guerra colonial, como furriel miliciano, levou-o a
Angola (entre 1969 e 1971, ano em que regressou à sua cidade natal). Foi
a partir de então que nele mais se notabilizou uma extraordinária
propensão para as coisas da cultura. O seu nome não pode deixar de
associar-se a um movimento de renovação inscrito, nos Açores, desde a
criação (por Carlos Faria) do suplemento «Glacial», no jornal angrense A União (foi seu coordenador entre 1972 e 1974).
J.
H. Santos Barros acreditou na possibilidade de unir numa só frente uma
postura de vanguarda ideológica, militante, com a ideia libertária de
uma cultura em duplo: popular e de grupo. Com outros intelectuais
angrenses, fundou a galeria de artes plásticas «Degrau»; animou
cooperativas, sindicatos, rádios e jornais; fundou e dirigiu o
suplemento «Cartaz» (nova série, 1972-1974) e a revista A Memória da Água-Viva,
de parceria com Urbano Bettencourt (1978-1980). Mas foi no suplemento
«Contexto», do jornal Açores (quando, residindo já em Lisboa, de 1979
até a data da sua morte) que mais e melhor sistematizou todo um trabalho
de animação e coordenação que se estenderia à crítica, à polémica
literária, à ensaística de fundo e até a uma curiosa experiência
heteronímica que o levaria a subscrever, com diversos nomes, posições e
conceitos propositada e provocatoriamente contraditórios. Foi assim, por
exemplo, em relação à controversa questão da existência (ou não) de uma
«literatura açoriana», que muito interessou os escritores açorianos da
sua geração.
Como
poeta, estreou-se aos 18 anos - dando-nos depois folhas, cadernos
policopiados, opúsculos e excelentes livros de poemas; como ensaísta
literário, interessou-lhe a conjugação da «açorianidade» (expressão
sensível do local e do regional insular) com a «universalidade»
potencial de toda a Literatura; como contista (autor de alguns
dispersos), andou pelos imaginários oníricos e surrealizantes. Deixou
inédito um diário
(O Aprendiz de Mundos) e raros poemas. No
essencial da sua poesia, a fidelidade da radicação aos temas insulares
não é de molde a inscrevê-la no tão pouco apreciado apego ao
regionalismo da escrita literária; pelo contrário, o regional e o
tradicional de J. H. Santos Barros tornam-se matriz e ponto de partida
da alternância ilha/Mundo, ora no tom abrasivo de uma «poética do
quotidiano», ora na excelência de uma voz erguida à proclamação de
versos como estes:
«Pregar um prego, lavar pratos, cortar a erva /
custa. Mas nunca nada me custou tanto que / carregar um verso das coisas
mais difíceis. A fazer / do outro lado da literatura os nós do mundo.» Obra Poética: (1964), poemas na
Novíssima Poesia Açoriana. Angra do Heroísmo, ed. dos autores [com Gil Reis]. (1968),
Aventura em Sete Poemas. Lisboa, ed. do autor. (1970),
Canto de Abril. Lisboa, Ed. Panorama. (1971),
Imagem Fulminante. Angra do Heroísmo, Galeria Gávea. (1913),
Testes e Versos Para Andar na Rua. Angra do Heroísmo, Galeria Degrau (ed. a stencil). (1974),
Topiária. Angra do Heroísmo, Galeria Degrau (ed. mimeografada). (1976),
As Crónicas. Lisboa, ed. do autor (policopiado). (1979),
A Humidade. Lisboa, Cooperativa Semente. (1979),
Os Alicates do Tempo. Porto, Ed. Afrontamento. (1981),
São Mateus, Outros Lugares e Nomes. Lisboa, Ed. Vega.
Obra Ensaística: (1977),
20 Anos de Literatura e Arte nos Açores. Lisboa, ed. do autor. (1981),
O Lavrador de Ilhas. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura.
(Daqui)