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segunda-feira, 28 de março de 2016

"A Avó" - Poema de Olavo Bilac


August Allebé (1838-1927)



A Avó


A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha! . . .
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala . . .
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .

A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.

Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
“Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!”

Então, com frases pausadas,
Conta historias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas . . .

E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem. . .




Victor Gilbert (1847-1933), My new brother



Provérbio


"A avó é mãe duas vezes."


sábado, 8 de agosto de 2015

"A Bíblia" - de Johann Wolfgang von Goethe


August Allebé (1838-1927)Early to church, 1861



A Bíblia 


"Discute-se muito e há de continuar a discutir-se em torno das vantagens e inconvenientes da divulgação da Bíblia. Para mim o assunto é claro: será perniciosa, como sempre o foi, se for usada de modo dogmático e fantasista; e será útil, como sempre o foi, se for encarada de modo didático e sensível. 
É minha convicção que a Bíblia se torna tanto mais bela quanto mais a entendemos, ou seja, quanto mais se percebe e simultaneamente se intui cada uma das palavras que vamos apreendendo como coisa geral e que aplicamos ao nosso caso como coisa particular teve um dia, em certa situação, em determinadas circunstâncias de tempo e de lugar, uma aplicação individual própria, específica, imediata."


Johann Wolfgang von Goethe (1749 -1832), in 'Máximas e Reflexões' 



August Allebé, The Well-guarded child, 1867


"Aquele que tem fé nunca está só."




August Allebé, Later Days, 1863


"Tolerância é paciência concentrada."




August Allebé, Old Woman by a Hearth, 1875


"O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão."


Gabriel García MárquezCem Anos de Solidão

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Amigo" - Poema de Alexandre O’Neill


August Allebé, As Borboletas, 1871



Amigo


Mal nos conhecemos 
Inaugurámos a palavra «amigo». 

«Amigo» é um sorriso 
De boca em boca, 
Um olhar bem limpo, 
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, 
Um coração pronto a pulsar 
Na nossa mão! 

«Amigo» (recordam-se, vocês aí, 
Escrupulosos detritos?) 
«Amigo» é o contrário de inimigo! 

«Amigo» é o erro corrigido, 
Não o erro perseguido, explorado, 
É a verdade partilhada, praticada. 

«Amigo» é a solidão derrotada! 

«Amigo» é uma grande tarefa, 
Um trabalho sem fim, 
Um espaço útil, um tempo fértil, 
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa! 


Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'



Madredeus - O Pastor



Pensamento


“O futuro tem muitos nomes. Para os fracos, é o inatingível. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes, é a oportunidade.” 


(Victor Hugo)
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