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terça-feira, 3 de julho de 2012

"O Quinto Império" - Poema de Fernando Pessoa


Pintura de Jacek Yerka
 


O Quinto Império


Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz-
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem! 

E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.

Grécia, Roma, Cristandade,
Europa - os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu Dom Sebastião?


Fernando Pessoa, 
in Mensagem (O encoberto)


Pintura de Paula Rego


"Um artista pode sofrer muito, ser muito infeliz até à morte. Acredito mesmo que entre os artistas se enfileirem alguns dos grandes desgraçados da terra. 
No entanto, na desventura de um artista, por mais amarga que ela tenha sido, brilhou sempre um raio de sol. A sua desgraça não foi de certeza a de uma existência vazia e desoladora - que é a maior e mais real miséria deste mundo" 

Incesto, Mário Sá Carneiro


Pintura de Graça Morais


"A função da perfeição é fazer com que cada um de nós conheça a sua imperfeição." 

(Santo Agostinho)


Pintura de Júlio Pomar


"A felicidade vem do compromisso. Alguns pensam que não, que uma pessoa mais solta, sem ligações nem obrigações, é mais feliz! Será? Ela faz o que lhe apetece e não o que quer. Fica escrava das ondas, das emoções, vai para onde puxa o que 'está a dar' e não para onde quer e deve. Estar solto não é o mesmo que ser livre. E comprometer-se livra-nos da escravidão das fantasias e dos apetites."


Pe. Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos' 


segunda-feira, 19 de março de 2012

"Poema pouco original do medo" - Alexandre O'Neill


Graça Morais, Série Sombras do Medo 2012, Pastel e Carvão sobre papel, 111,3 x 75,8 cm 



Poema pouco original do medo 


O medo vai ter tudo 
pernas 
ambulâncias 
e o luxo blindado 
de alguns automóveis 
Vai ter olhos onde ninguém o veja 
mãozinhas cautelosas 
enredos quase inocentes 
ouvidos não só nas paredes 
mas também no chão 
no tecto 
no murmúrio dos esgotos 
e talvez até (cautela!) 
ouvidos nos teus ouvidos. 

O medo vai ter tudo 
fantasmas na ópera 
sessões contínuas de espiritismo 
milagres 
cortejos 
frases corajosas 
meninas exemplares 
seguras casas de penhor 
maliciosas casas de passe 
conferências várias 
congressos muitos 
ótimos empregos 
poemas originais 
e poemas como este 
projetos altamente porcos 
heróis 
(o medo vai ter heróis!) 
costureiras reais e irreais 
operários 
(assim assim) 
escriturários 
(muitos) 
intelectuais 
(o que se sabe) 
a tua voz talvez 
talvez a minha 
com a certeza a deles. 

Vai ter capitais 
países 
suspeitas como toda a gente 
muitíssimos amigos 
beijos 
namorados esverdeados 
amantes silenciosos 
ardentes 
e angustiados. 

Ah o medo vai ter tudo 
tudo 
(Penso no que o medo vai ter 
e tenho medo 
que é justamente 
o que o medo quer). 

O medo vai ter tudo 
quase tudo 
e cada um por seu caminho 
havemos todos de chegar 
quase todos 
a ratos.


Alexandre O'Neill


Maria João - A Outra
 
 
"É bastante fácil fazer surgir sentimentos na alma das multidões, mas é dificílimo refreá-los. Desenvolvendo-se, convertem-se em forças que não é possível dominar."

(Gustave Le Bon)


Gustave Le Bon


Gustave Le Bon, psicólogo social francês, nasceu em 1841 em Nogent-le-Rotrou, França, e faleceu em 1931, em Paris.
Após concluir estudos em medicina, empreendeu viagens pela Europa, Norte de África e Ásia que lhe ofereceram material para vários escritos nas áreas da antropologia e da arqueologia.
 
As suas numerosas obras abrangem temas de biologia, psicologia, antropologia, química e física. Mas foram as suas tentativas para encontrar uma explicação cientificamente credível das multidões e da sua ação que o notabilizaram. É pioneiro nos estudos acerca da natureza do comportamento coletivo. 
 
Na sua obra As Leis Psicológicas da Evolução dos Povos (1894) desenvolveu a teoria de que a história resulta de características nacionais e raciais e de que a força dominante da evolução social não é a razão, mas a emoção. 
 
Em A Psicologia das Massas (1895), a sua obra mais difundida, defende que, numa multidão, a personalidade do indivíduo é dominada pelo comportamento coletivo. Assim, as suas formulações vieram a ser incluídas entre as "teorias do contágio", que descrevem o comportamento da multidão como uma resposta irracional e cega à situação psicológica criada pela circunstância da multidão. Para Le Bon, a energia das multidões influencia todos os acontecimentos da vida social e política.

Obras principais de Le Bon:
1894, As Leis Psicológicas da Evolução dos Povos
1895, Psicologia das Massas

Gustave Le Bon. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-03-19].


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"O Baile" - Poema de Natércia Freire


Maria Helena Vieira da Silva, Biblioteca em Fogo, óleo sobre tela, 1974.



O Baile 


Névoa em surdina 
A sombra que acompanha 
As finas pernas a dançar na tarde. 
Jogo de jovens corpos. 
Música de montanha, 
Num tempo teu e meu 
De eternidade. 
E eu, as duas estranhas. 

Olha quem toca o ponto 
Que há no fim! 
Ao fim de mim, 
No ponto para que vim. 
Ao fim de mim 
No ponto donde vim. 
Vulto de agulha 
Em fumo de água e lenha. 

Eu, as duas estranhas. 

É sempre pelos outros que falamos. 
Eu, as duas estranhas, por mim falam. 
Em estradas como ramos 
oscilamos. E vamos 
Convergentes, dispersas, disparadas 
Pelos tiros de magos inocentes 
Do caos ao sol 
Em gradações de escadas. 

Ouve-se às vezes uma voz: — Presente! 
E já no corpo as almas vão trocadas. 

Foi em concretos dias de sol-posto, 
Em fábricas de fios de uma aranha, 
Que se teceram 
Em finíssimas teias de desgosto, 
(Eu) as duas estranhas. 
in 'Antologia Poética'



Pintores Portugueses

Vieira da Silva 
Pintora portuguesa. Nasceu em Lisboa em 1908. Faleceu em 1992.




Júlio Resende
Pintor português. Nasceu no Porto em 1917.



Júlio Pomar
Artista plástico português. Nasceu em Lisboa em 1929.



Manuel Cargaleiro 
Artista plástico português. Nasceu em Vila Velha de Ródão em 1927.



Paula Rego
Pintora portuguesa. Nasceu em Lisboa em 1935.



Graça Morais
Pintora portuguesa. Nasceu em Vieiro, Bragança em 1948


Nadir Afonso
Pintor e arquitecto português. Nasceu em Chaves em 1920.



Mário Botas
Pintor português. Nasceu em 1952 na Nazaré. Faleceu em 1983.



Cruzeiro Seixas
Poeta e pintor surrealista português. Nasceu na Amadora em 1920.